Aquarela

1 Capítulo 1


Notas iniciais
:3

Era meio dia quando o relógio apitou. Anne estava totalmente submersa em sono, havia perdido o toque das seis e das nove. Provavelmente, perdeu o ônibus para ir para o colégio.

Era a segunda semana, não acreditava que conseguia dormir tanto, mas ontem foi exceção. Anne dormiu tarde, sua mãe havia informado a ela sobre isso. Assim que se levantou, seu celular tocou.

- Alo? – disse ela assim que o telefone toca pela segunda vez.

- Anne? O que aconteceu? Não veio para o colégio de novo! – exclamou a voz atrás da linha.

- Ah... Verdade... Não me sinto bem, Becca. – respondeu.

- Tudo bem... Será que podemos conversar? Posso ir a sua casa hoje? – disse Becca.

- Claro! – exclamou Anne – Pode ser às sete?

- Muito bem, te vejo às sete! – disse a outra e desligou o celular.

Anne foi preguiçosamente até o banheiro. Seus cabelos escuros e cacheados estavam bagunçados. Havia escuras olheiras em volta dos olhos acastanhados. A pele branca estava com manchas de espinhas passadas, infelizmente, nenhum remédio para isso fez efeito.

Pegou uma escova e começou a escovar os espessos cabelos até deixa-los baixo. Foi até o quarto, pegou uma calça jeans Levi’s escuras, uma camiseta com a frase: “Just another person”, um tênis All Star preto.

Assim que se vestiu, pegou a mochila e foi para o quarto do irmão. La dentro estava ao som de Guns n’ Roses. Ela teve que dar um forte tapa na porta para ele abaixar o som e abri-la.

- Fala. – disse ele.

- Preciso de uma carona para ir ao colégio... – disse Anne a ele.

- Tá bom, me deixa me vestir.

Paul Richards, irmão mais velho de Anne.

Tinha 19 anos, ele havia morado com a namorada durante dois anos, mas por um motivo desconhecido, eles terminaram. Paul estava de volta na casa da mãe. Não trabalhava, embora o padrasto estivesse cansado de dizer para a mãe deles que Paul tinha idade suficiente para arrumar um emprego e ter sua própria casa. Ela sempre discordou.

- Pronto. – disse ele saindo do quarto.

Usava uma calça jeans clara e meio justa, seus cabelos acobreados estavam bagunçados, havia olheiras em volta de seus olhos acinzentados, como se não dormisse há dias, uma camiseta azul sem estampa e tênis All Star.

Eles eram filhos do mesmo pai. Anne não sabia como ele foi nascer assim. Paul era muito bonito. Um dia, eles foram para a praia, mas Anne não sabia nadar direito. Ele a ensinara a nadar. Já perguntaram se ele era seu namorado. Anne apenas enrubesceu e disse não.

Ela adentrou no banco carona do carro, seu irmão foi na frente para dirigir.

- Anne? – perguntou ele com a voz suave.

- O que, Paul? – respondeu ela com a voz distante.

- Bem... A mamãe saiu cedo hoje... – Paul parecia hesitar – Ela viajou.

- De novo? – Anne conseguiu erguer o olhar.

- Eu vou fazer uma excursão na faculdade... Você pode ficar sozinha, por uns três dias?

- Claro, por que eu não poderia? – disse Anne franzindo a testa.

- Ufa, ainda bem... Posso confiar em você né? – ele disse – Nada de festas ou dormir fora, entendido?

- Sim, senhor – disse Anne com um tom de voz que lembrava uma criança.

Assim que chegaram a frente ao colégio, Anne deu um beijo na bochecha do irmão e saiu.

Dentro do colégio estava quieto, mas tinha movimentação no ginásio. Ela seguiu para a sua sala, colocou a mochila em uma carteira, e escreveu seu nome na ficha de presença.

Foi em direção ao ginásio. Assim que abriu a porta, vira nos rostos apreensivos das pessoas que se viraram das cadeiras, que aquela não era uma boa hora para chegar atrasado. Sentiu o olhar furioso da Sra. Walls em sua direção. Sentou-se numa das duas cadeiras vazias.

Não sou só eu que estou atrasada... – pensou Anne.

Assim que se sentou, houve um barulho de porta se abrindo. Ela viu um rapaz esquio se sentar ao seu lado. Ele tinha os cabelos louros e olhos castanhos, uma pele clara com manchas de espinhas e... Aquilo eram cicatrizes?

Ela se pegou observando-o com certa admiração... O rapaz que sentara ao seu lado era muito bonito. Ele viu que ela o estava encarando. Seus olhos eram inexpressíveis, não sabia se estava bravo ou se estava apenas confuso.

Anne virou-se para frente, sentindo seu rosto esquentar. Colocou as mãos no rosto para tentar esconder o rubor.

Anne descobriu o porquê de todos estarem ali. Era uma palestra sobre a importância do meio ambiente. Quase ninguém prestou atenção. Alguns cochichavam, outros riam baixo e alguns dormiam. Anne estava preocupada demais em olhar para as unhas e tentar não notar no rapaz ao seu lado.

Assim que a palestra acabou, eles se dirigiram para as salas, onde Anne perdeu o garoto de vista.

Anne entrou na sala. Ela sentou-se em sua cadeira e fitou a mochila preta que estava ao seu lado. Não se lembrava daquela mochila. Assim que ergueu os olhos, a Sra. Walls estava em sua mesa, como sempre ficava com um aluno novo.

- Então, esse é... – ela foi em direção a um garoto, que Anne reconheceu na hora – Como é seu nome?

- Davi. – respondeu ele.

- Esse é Davi... –começou a Sra. Walls com a voz mais delicada que de costume, mas ele a interrompeu.

- Se diz “Deiv” – corrigiu o rapaz a professora.

Ela olhou feio para ele e continuou:

- Então, esse é “Deiv”. Seu novo colega de classe. Pode se sentar.

Ele veio na direção de Anne. Seu coração estava pulsando cada vez mais forte. Assim que ele se sentou, ele virou para o lado e sorriu para Anne.

Ela não teve forças para retribuir o sorriso. Seu coração parecia feito de manteiga que agora havia derretido. Sabia que estava corando, mas não conseguia se mexer, até que a Sra. Walls bateu em sua frente com a régua.

Assim que voltou em foco, ele estava olhando para seu livro. Ela se sentiu péssima.

Bateu o sinal. Era a troca dos professores, e eles demoravam uma eternidade para ir de sala em sala.

Ela se virou um pouco e viu que ele a estava encarando. Ela corou e perguntou:

- O que... O que você esta olhando?

- Tem algo no seu rosto. – ele riu baixinho, ergueu o polegar e passou pelo rosto de Anne.

Sua mão era quente, ela se arrepiou até os pelos do braço quando ele a tocou.

- Qual é seu nome? – disse Davi quando tirou o polegar do rosto de Anne.

- Anne... – respondeu a garota.

- Só Anne? – ele soltou outro risinho.

- Anne Richards – e com um tom desafiador perguntou: — E o seu?

- Davi Miles. – ele respondeu com um sorriso torto.

Anne sabia o que estava sentindo.

Ela havia de apaixonado por Davi (“Deiv”) Miles.

Notas finais
Espero que gostem
1/??