Aprendizes Da Grand Chase
16 O abraço da Serpente - Parte 1
Notas iniciais
Sem hesitar Ikki assobiou para que os outros se juntassem a ele, poderia ir sozinho, pois era apenas alguém chorando. Entretanto havia sido ordem não ir sozinho para ver coisas “estranhas”. E ele não desobedecia às ordens.
— É melhor você voltar! – Ikki disse para Alma, que não parava de fitar o chão.
A mesma parecia bastante chateada com a situação.
— Oh... – Alma levantou-se e ficou ao lado de Ikki. — Não, quero ir ver quem é que está chorando! – Deu leves tapas na roupa para tirar o pouco de poeira que havia ficado nelas.
— Alma, você está sem nenhum tipo de arma! – Ikki disse olhando severamente para Alma. Ele não estava para brincadeira. — Se ocorrer alguma situação de perigo você vai estar totalmente desprotegida.
Alma deu de ombros, enquanto soltava uma risada.
— É só uma pessoa chorando, Ikki! – Alma afirmou, enquanto escutava o choro.
— Isso mesmo! – Ikki exclamou apontando com o dedo indicador para Alma. — Se ela está chorando é por que está sentido algum tipo de dor. E se a pessoa que causou a dor ainda estiver por aí?! Você vai estar totalmente desprotegida! – Ikki parou de apontar para Alma, agora ficou olhando para os lados a espera dos outros, que estavam demorando bastante. — E eu não quero ser suza babá! – Disse cruzando os braços, já estava ficando com raiva de Alma querer ficar. Se acontecesse alguma coisa com ela ele nunca se perdoaria.
— Eu não sou uma garotinha de cinco anos, eu sei muito bem me cuidar! – Alma diz sentindo-se ligeiramente ofendida com o último comentário de Ikki. — E coitadas das crianças que tivessem você com babá! – Alma retrucou.
Ikki sentiu uma forte pontada de angustia, não era isso que ele queria que Alma pensasse. Se ela estivesse com o seu manual ou alguma coisa parecida ele deixaria a mesma ficar, todavia ela estava sem nada. E ele não poderia ficar protegendo ela toda hora.
— Não foi isso que eu quis dizer, Alma...
Ikki foi interrompido ao escutar alguém pigarrear, olharam para a direção do barulho e viram Null, junto com os outros, os observando de braços cruzados.
— Desculpe-me interromper a... Err... Conversa dos dois... – Null diz olhando para ambos, o mesmo sentia-se constrangido por ter escutado a, como ele denominou, “conversa” de Ikki e Alma.
— Hm... – Aly fez uma expressão pensativa, a mesma cutucava sua bochecha com o dedo indicador.
Aly usava roupas apropriadas para a temperatura.
— O que você faz aqui, Alma?! – Aly perguntou, tentando fazer a pergunta soar inocentemente. A mesma sabia que Ikki e Alma estavam sozinhos, mas pelo o que ela escutou quando chegou perto de ambos dava para saber que não tinha acontecido muita coisa.
— Não consegui dormir, então vim conversar com Ikki! – Alma respondeu, tinha sido verdade. E não aconteceu nada a mais, já que um, maldito, choro havia interrompido a hora que ela iria se declarar para Ikki.
— Hm... Sei, “conversar com Ikki”! – Yuu debochou com um sorriso malicioso em seus lábios.
— Desculpe, pessoal, mas poderiam me dizer que choro é esse?! – Jake comentou apontando de onde vinha o barulho. Desde quando ele chegou ele estava escutando o choro, mas não queria interromper os outros.
— O choro?! – Ikki falou satisfeito pela pergunta de Jake, pois todos os outros haviam se calado. — Eu não sei, mas foi pro isso que eu chamei vocês... Claro que eu poderia ir sozinho, mas vocês disseram que não era para ir ver nada suspeito sozinho.
— Faz muito tempo que vocês estão escutando?! – Null indagou olhando para Alma e Ikki.
— Mais ou menos dois a três minutos! – Alma respondeu.
— Vamos ver o que é! – Aly diz tomando a dianteira do grupo e seguindo os lamentos. A mesma já estava com suas mãos nas suas duas pistolas. — Já está me dando nos nervos.
O pequeno grupo seguiu Aly, Alma a achou muito corajosa de ir na frente. Não que ela estivesse com medo, e sim por que estava com uma névoa muito densa e dificultava a visão de todos, ela poderia bater em alguma coisa a qualquer momento.
Seguiam os lamentos, o som ficava cada vez mais alto a cada aproximação.
Por causa da névoa Ikki quase iria batendo de cara em uma árvore uma ou duas vezes, porém no último segundo Alma o puxava pelo braço. Ela havia se recusado a voltar, mesmo a cada vez que olhava para Ikki ela via o olhar de reprovação dele. Alma não o culpava, mas não queria que ele pensasse que ele era uma garota medrosa, que com qualquer coisa ela fugiria para se esconder. E ela não podia negar que estava sem nada que pudesse se proteger, mas ela queria muito ver quem havia a atrapalhado naquele momento crucial.
— Estou vendo... – Yuu sussurrou.
Yuu não era a única a ver uma boa parte de uma silhueta de uma mulher. A névoa esta tão densa que só conseguiam ver a parte da cintura para cima da mesma.
A mulher continuava a chorar, seus lamentos ecoavam por toda a floresta. As únicas coisas que não estava muito escondida pela névoa eram seus longos cabelos ruivos, que chegavam até a cintura, e suas longas unhas afiadas.
Não demorou muito tempo para a mulher perceber que estava sendo observada, ela limpou suas lágrimas e olhou a sua volta, mas não conseguiu ver seus observadores.
— Quem está ai?! – A mulher indagou, enquanto procurava com seus olhos verdes por alguma coisa viva. — QUEM ESTÁ AI?! – Gritou ao não conseguir ouvir resposta.
— Desculpe senhora, não queríamos assusta-la! – Null disse, tentando acalmar a mulher que estava a poucos passos a sua frente.
— Nós queremos aju...
Jake dizia enquanto se aproximava da mulher, porém se afastou quando a mesma gritou:
— NÃO CHEGUE PERTO DE MIM! — A mulher agora via o pequeno grupo de jovens.
— O que aconteceu com a senhora?! – Aly perguntou, sentiu uma enorme pena da mulher por estar chorando. A mulher havia gritado com Jake, mas ela apenas pensou que a mesma estava desesperada e por esse motivo havia falado daquela maneira.
— Um garoto matou o meu bebê... – A mulher diz em tom choroso e logo após começou a chorar ainda de um jeito mais escandaloso. — Matou a sangue frio, invadiu o local onde o pobre dormia e o matou! – Sua voz saiu áspera e sombria fazendo os pelos da nuca dos jovens arrepiar. — Mas antes de falar mais alguma coisa, quem são vocês? – Indagou à mulher, a mesma limpou as lágrimas e olhou para todo o grupo.
— Nós somos um pequeno grupo de jovens... – Yuu não acreditava muito na história da mulher, e tinha certeza que já tinha escutado alguém descrever uma pessoa semelhante ao que podia se ver ela. E por isso ela já estava com suas mãos em suas adagas, e como seu alfanje estava embainhada em suas costas ela também poderia usa-la com facilidade.
Yuu dizia até que foi atrapalhada por Ikki, que disse:
— Estamos de guarda em um pequeno acampamento próximo! – Se aproximou da mulher para que ela o pudesse ver melhor. — Se você quiser nós podemos leva-la para lá, para que a senhora possa dormir em conforto.
A mulher o estudou dos pés a cabeça, estava curiosa, não via um grupo há muito tempo andando pelas redondezas.
— Não me chame de senhora! – A mulher disse, a mesma parecia estar menos tensa. — Me chame de Kristyn! – Um pequeno sorriso apareceu em sua face. — Mas antes de ir, eu quero saber o nome de vocês!
— Isso eu posso responder, senho... Kristyn! – Null se corrigiu, sentiu-se um pouco envergonhado. — Meu nome é Null, – Apontou para si mesmo com o polegar. — Essa é a Aly! — Apontou para Aly, a mesma acenou para Kristyn quando seu nome foi chamado. — Jake, — Jake acenou com a cabeça. — Yuu e Alma! – Null apontou para as mesmas, porém elas continuaram a olhar Kristyn, Alma a achava estranha.
Alma queria se aproximar de Kristyn para poder vê-la melhor. Pelo o que Alma conseguia ver Kristyn tinha um corpo que seduziria qualquer homem que passasse por ela, principalmente se ela estivesse usando a única peça de roupa que Alma conseguia ver, uma peça de roupa curta, que apenas protegiam seus seios de serem expostos. O que era estranho, pois o frio estava de matar. Alma imaginou se ela estaria usando roupas vulgares na parte abaixo da sua cintura.
— E por último, porém não menos importante, Ikki!
Quando Kristyn escutou o nome de Ikki o seu rosto ficou com uma expressão de ódio, lágrimas novamente voltaram a rolar, porém agora eram lágrimas de raiva.
— Você matou meu bebê! – A ruiva gritou apontando para Ikki.
Quando a mulher apontou Yuu pode ver que não eram unhas normais na mão de Kristyn e sim garras afiadas que podiam perfurar qualquer um com uma enorme facilidade.
Yuu agora sabia quem era a mulher, Kristyn era quem tinha atacado a casa dos Withford, era ela quem tinha trancado as pobres pessoas naquela mansão durante tanto tempo, deixando os mesmos fadados a ficar lá durante toda a eternidade, e tinha deixado o basilisco como guarda na mansão. Porém Kristyn não sabia que um dia a Grand Warriors iria para a mansão e quebrariam a maldição matando o basilisco, que ela tinha como um bebê para ela, já que ela é meio serpente e obviamente amava serpentes.
Yuu tinha quase certeza que era a única saber que Kristyn que havia atacado a mansão, pois ela era uma das únicas que havia escutado a história da garotinha que estava presa na mansão. E ela tinha certeza que Ikki não se lembraria.
— MEU POBRE BEBÊ INDEFESO! – Kristyn gritou, sua voz voltou a ser áspera e fria.
Ao notar a diferença na voz de Kristyn o pequeno grupo pegou suas armas, Null evocou sua espada e apontou, junto com Jake e Ikki, para a ruiva alterada em sua frente. Aly sacou suas pistolas e apontou também para Kristyn, qualquer passo em falso ela apertaria o gatilho. Alma continuou a olha-la fixamente, não entendia o motivo de ela gritar com Ikki dizendo que ele tinha matado esse bebê, não entendia nem por que ela estava gritando com eles.
— Eu disse que ele não deveria ter o matado... – Yuu disse calmamente se aproximando da mulher, ela queria ter certeza que Kristyn era que ela estava pensando, ela queria ver a parte serpente dela.
E depois de poucos passos Yuu teve certeza que a mulher a sua frente era a mesma que era a “mãe” do basilisco.
— Ele era adorável Kristyn, você cuidou dele muito bem! – Yuu elogiou, queria que Kristyn ficasse vunerável para que ela pudesse ataca-la.
De início Yuu não entendeu o motivo de a mulher falar que Ikki tinha matado sozinho o basilisco, mas depois se lembrou de uma coisa que ela havia escutado quando estava na vila. Ela tinha escutado Annie falar com Alma sobre uma mentira que Ikki havia contado quando haviam acabado de sair da mansão. Por causa dessa mentira ela resolveu se vingar com a poção do amor.
— Eu queria poder ter tocado no mesmo, porém ele me “salvou” daquele ser maravilhoso! – Yuu disse tentando parecer que estava com raiva de Ikki.
Kristyn sorriu gentilmente para Yuu.
— Você é uma garota adorável! – Kristyn disse para Yuu, que ao escutar deu um sorriso falso. — Como você não se opôs contra mim eu vou deixa-la viver! – Disse ainda sorrindo, porém o sorriso desapareceu quando ela olhou para Ikki. — Para falar a verdade eu só quero matar ele! – Ela disse apontando para Ikki, que continuava a apontar a espada para a mesma.
Kristyn deu uma bela olhada para os jovens a sua frente, viu que todos, menos Alma, apontavam suas respectivas armas para ela.
Todos perceberam que Yuu estava armando para a mulher a sua frente, pois ela não tirava as mãos de suas adagas.
— Vocês vão se opuser contra mim?! Irão se arrepender! — Ela apontou para eles, e logo após várias criaturas saíram na névoa.
As criaturas possuíam uma calda de serpente, porém elas não chegavam nem perto da mesma. Elas tinham o corpo de uma mulher, porém eram muito magras, no lugar de uma pele humana elas tinham uma pele idêntica as de suas caldas. Os olhos das mesmas não eram humanos, era como se fosse uma “mulher-serpente”, mais serpente do que mulher.
Todas seguravam lanças.
Uma pegou Ikki desprevenido e conseguiu imobiliza-lo no chão, porém saiu de perto de Ikki quando escutou Kristyn gritar:
— NÃO TOQUE NELE! ELE É MEU!
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