Aprendiz

3 Capítulo 3 - A Caçada


Notas iniciais
Ah, que bom que tem gente acompanhando a minha história, amo cada review! Espero que gostem desse capítulo (:

A rua estava vazia. Não se ouvia nenhum som e a única luz provinha do poste ao lado da entrada da Universidade. Olivia estacionou o carro em uma rua lateral e esperou por algum movimento. Não houve movimento algum.

Ela então pegou sua bolsa de “ferramentas” como gostava de chamá-la e saiu do carro, trancando-o silenciosamente. Seus passos pareciam ecoar no asfalto, mas Olivia tinha quase certeza que o som era sua imaginação tentando deixá-la ainda mais nervosa.

Quando alcançou a esquina e virou na rua da Universidade, aumentou sua cautela. Qualquer som mínimo a fazia virar a cabeça e esquadrinhar a rua novamente. Olivia chegou ao muro e tateou no escuro até encontrar a abertura que estava procurando, deu um leve puxão e sentiu a portinha se abrir. Contou os interruptores e quando chegou ao sétimo, apertou e ouviu com satisfação o leve zunido da energia sendo desligada.

A luz do poste se apagou e ela sabia que as câmeras localizadas estrategicamente na entrada e dentro da Universidade também haviam se desligado. Com uma última olhada para a rua e um suspiro, Olivia agarrou sua bolsa mais perto do corpo e correu até o portão da Universidade. Estava destrancado, mas isso já era de se esperar, uma vez que a tranca era eletrônica. Ela empurrou o portão o bastante para permitir sua passagem e depois o empurrou de volta o mais silenciosamente que podia.

Uma vez dentro da Universidade, Olivia se encaminhou rapidamente para a biblioteca, um caminho que ela já conhecia de cor.

xxxx

Dean se virou inquieto no banco do carro e apertou os olhos na direção da Universidade. Eles estavam a alguns metros de distância do portão, esperando por algo incomum acontecer.

- Você ouviu alguma coisa? – Dean perguntou.

Sam se virou para ele e olhou novamente para os portões.

- Não – disse lentamente -, mas a luz do poste se apagou.

- Devemos ir checar?

- É, acho que sim.

Os dois saíram do carro e bateram a porta sem fazer barulho.

xxxx

A biblioteca tinha um cheiro familiar para Olivia. Ela podia dizer até mesmo no escuro em qual seção estava, qual livro encontraria na prateleira da direita e qual era o autor dos livros da prateleira esquerda. Por isso, enquanto se encaminhava no escuro em direção as janelas não teve nem medo de esbarrar em algo.

Chegou perto das janelas com o máximo de cautela e fechou as cortinas com apenas um puxão. Depois disso, se virou e foi até a mesa da bibliotecária colocar sua bolsa de ferramentas. Tirou de dentro a lanterna e posicionou-a de modo que iluminasse grande parte do corredor da primeira seção de livros. Suspirou e cruzou os braços.

- Amber? Acho que precisamos conversar. – Sua voz foi como um trovão na quietude da biblioteca apesar de não ter falado em um tom mais alto que um sussurro.

Durante alguns minutos, esperou em silêncio, com o coração batendo muito mais rápido do que o normal. Então, um livro caiu da prateleira. Depois outro. Até que uma fila inteira caiu. Olivia se virou para a prateleira estreitando os olhos e não viu quando a garota de cabelos claros que emitia um leve brilho se materializou ao seu lado.

- Bu. – A garota sussurrou em seu ouvido. O coração de Olivia acelerou com o som e ela tinha bastante certeza de que era audível, mas tentou manter a calma.

- Eu estava esperando, Amber. – Olivia disse sem se virar.

- Oh, eu sei disso. – Amber soltou um risinho agudo. – Veio se juntar a eles?

- Eu vim conversar. – Houve uma leve hesitação em seu tom, mas Olivia esperava que Amber não percebesse. – Foi você quem matou os estudantes?

- Sim, foi. – Amber afirmou como se estivesse falando sobre o tempo. – Mas você já sabia disso não é mesmo? Eu tenho visto suas pesquisas, engraçado você ter tanto interesse em mim agora que eu morri.

- Porque Amber? – Perguntou Olivia ainda sem se virar. – Eles eram seus amigos. Sofreram com a sua morte, você sabe.

- Com certeza sofreram. – Amber apareceu de repente na frente de Olivia. – Eu me certifiquei disso.

Havia um brilho obscuro no olhar de Amber que só agora Olivia percebia. Mas, ela pensou, acho que era de se esperar de um fantasma.

- Você foi cremada Amber. – Olivia falou encarando a fantasma na sua frente. – Mas ainda está aqui. Quero saber o porquê, ou melhor, como. O que te prende aqui?

- Não é da sua conta. – O olhar de Amber oscilou para a bolsa de Olivia em cima da mesa. – Você espera me mandar embora? Bom, adivinha querida. Eu tenho alguns negócios inacabados então se você não sair daqui agora mesmo vai se juntar a mim no além. Entendido?

- Bom, eu não vou embora, então acho melhor você começar a falar. – Olivia se virou para alcançar a bolsa em cima da mesa, mas antes que ela chegasse perto, a bolsa voou até parar ao lado da porta.

Amber a encarava com diversão. A bolsa estava fora da iluminação da lanterna, então Olivia só viu a faca que vinha em sua direção quando esta se enterrou em seu braço. Seus olhos se encheram d’água e ela gemeu tentando abafar um grito. A dor lancinante era cada vez maior e a gargalhada de Amber começou a ser o único som que ouvia.

Viu a faca seguinte e saiu do caminho a tempo, mas a dor estava começando a preencher os seus sentidos. Sangue quente escorria de seu braço e tudo que ela via eram pontos pretos e flashes de luz. Ouviu passos se aproximarem e sentiu uma mão segurá-la por seu braço bom pouco antes que caísse. A gargalhada havia parado.

- Vamos. – Uma voz de homem falou em seu ouvido.

Olivia se virou a tempo de ver um homem loiro dando uma estocada em Amber com um objeto longo que empunhava. Olivia pensou ser um atiçador de lareira. Amber gritou e desvaneceu no ar.

- O que você ainda está fazendo aqui? – O homem do atiçador perguntou a quem quer que estivesse segurando o braço de Olivia. – Leva ela daqui, eu vou limpar essa bagunça antes que a nossa adorável fantasma volte.

- Te encontro no carro. – O homem que segurava Olivia respondeu. – Consegue andar? – Perguntou agora se dirigindo a ela.

Olivia acenou afirmativamente com a cabeça, mas se lembrou vagamente que o breu da biblioteca provavelmente tinha impedido o homem de ver. A dor estava ficando cada vez mais forte.

- Acho que sim. – Falou em um tom rouco.

- Então vamos.

O homem andou com Olivia em um passo rápido, mas sem correr. Ela ainda não tinha se virado para ver quem a segurava quando chegaram aos portões. Na rua, o poste continuava apagado. O portão se abriu e Olivia passou por ele, sendo guiada pela mão que a segurava.

Andaram alguns metros, até que o homem parou na frente de um carro e abriu a porta.

- Entra. – Ordenou. – Cuidado com a cabeça.

Olivia entrou e ouviu o homem fechar a porta. Em segundos, a porta do motorista abriu e o homem entrou, acendendo uma lanterna que havia no carro. Quando a luz bateu em seu rosto, Olivia quase ofegou. O rosto era familiar. Um dos federais.