Aprendiz

12 Capítulo 12 - Curiosidade é essencial


Notas iniciais
ooi gente (:
demorei menos para postar esse, mas o próximo nem sei quando vai dar! estou em semana de provas então vai ser meio difícil, mas assim que der eu corro e ponho para vocês ok?
continuem acompanhando!
beijo

- Bom dia.

Dean entrou na cozinha iluminada um pouco deslocado. Levaria tempo para se acostumar com aquele lugar, muito tempo. Olivia, que estava sentada na bancada vestindo uma calça jeans e um suéter branco apontou para o armário.

- Tem cereal ali. – Dean levantou a sobrancelha, descrente. – Sinta-se livre para explorar a geladeira também. Eu ainda prefiro cereal no café da manhã.

- Sem ofensas, mas quando se passa a maior parte da vida viajando e muitas vezes ficando sem comida, se adquire uma certa aversão a comidas que parecem ração.

Olivia fez uma careta e pegou a vasilha que descansava na bancada. Com um olhar de diversão para Dean enquanto ele se encaminhava para a geladeira, ela começou a comer o seu cereal em silêncio.

- Ei, você sabe onde está o Sam? – Dean perguntou de repente, dando as costas à geladeira com alguns ovos na mão.

- Aparentemente ele saiu. – Olivia respondeu observando Dean colocar os ovos na pia e procurar a frigideira. – No armário à direita. Enfim, eu encontrei esse bilhete aqui na bancada quando desci para tomar café.

Ela estendeu um pedaço de papel para Dean enquanto ele depositava a frigideira no fogão. O bilhete era curto, Sam só dizia que tinha saído para resolver algumas coisas e voltaria logo. Dean achou estranho, mas preferiu não dizer nada.

- Alguma ideia do que ele foi resolver? – Olivia perguntou enquanto Dean colocava os ovos na frigideira e fazia uma espécie de mexido.

- Não, nenhuma. – e se soubesse também não te contaria, Dean pensou.

Os dois ficaram em silêncio enquanto Dean fritava os ovos e fazia torradas como acompanhamento. Olivia continuou comendo seu cereal sem olhar para ele. Ela estava tão distraída que nem reparou quando ele se sentou ao seu lado na bancada e começou a comer.

- Ah, Deus. – Olivia falou fazendo cara feia para o prato de Dean. – Com essa quantidade de fritura logo no café, pode acreditar em mim, você não vai viver muito.

- É, bom, eu provavelmente não vou viver muito mesmo sendo saudável. – ele olhou para a cara dela e deu um sorriso malicioso. – Então pensei, porque não aproveitar enquanto eu posso?

Olivia já ia recomeçar ao seu cereal quando se lembrou subitamente de algo que ela tinha escutado noite passada quando voltava para o seu quarto. Ela não sabia se devia perguntar, mas a curiosidade a estava matando.

- Então... – começou ela cautelosamente. – Quem é Lisa?

Ela percebeu instantaneamente que perguntar tinha sido um erro. Dean congelou, com o garfo a meio caminho da boca e sua expressão endureceu de tal forma que Olivia desejou não ter dito nada e amaldiçoou mentalmente a sua curiosidade.

- Onde... – Dean pigarreou e colocou o garfo de volta no prato. Ele olhou para Olivia e controlou sua expressão. – Onde você ouviu esse nome?

- Desculpe, eu não devia ter perguntado. É só que... bem, você fala dormindo. – Olivia olhou para baixo um pouco envergonhada. – Não precisa responder se não quiser, eu só fiquei curiosa.

Ela voltou a comer seu cereal como se para ter uma desculpa para não falar mais. Dean a observou por algum tempo e depois também voltou a comer. Pela primeira vez o silêncio entre eles foi desconfortável e esquisito. Porém, enquanto a observava, Dean percebeu que confiava nela. Ele não sabia por que, só confiava. Então, se lembrando de algo que ela tinha dito na noite anterior, tomou uma decisão.

- Eu conto. – Olivia olhou para ele sobressaltada. – Se você me contar como conseguiu esse apartamento.

Olivia olhou para ele confusa por um momento, até que se lembrou do comentário que ele tinha feito. Ela sorriu e olhou para ele com uma expressão divertida.

- É esse o seu conceito de perguntar com gentileza? Chantagem?

- Bem, até onde eu sei, funciona.

Olivia o avaliou em silêncio. Depois, com um dar de ombros e um sorriso depositou o cereal de volta na bancada e se virou para ele.

- Quando eu tinha 16 anos, meu pai anunciou que estava querendo mudar de cidade. Eu não queria ir, de jeito nenhum. Então eu implorei para que ele esperasse dois anos, até eu ser maior de idade e ele concordou. A partir daí coloquei na cabeça que ia comprar um apartamento pra mim e arranjei um emprego. Não era lá grande coisa, mas eu trabalhava bastante, acredite. Até que finalmente consegui juntar dinheiro o bastante para comprar um apartamento de um quarto no centro da cidade, depois de juntar cada centavo de cada salário. E então é claro, as coisas deram errado. O banco teve uma falha na segurança e meu dinheiro foi todo roubado.

Quando ela contou isso, Dean não resistiu ao impulso de rir. Ele não podia acreditar em uma coisa dessas, ela não parecia ser azarada.

- Não ria! – Olivia olhou zangada para ele enquanto ele controlava a risada. – Foi horrível! Eu não me lembro de ter chorado tanto nunca na minha vida. Enfim, meu pai não podia esperar mais, e o banco ia demorar anos para devolver o dinheiro, ele precisava abrir a nova filial da empresa dele e precisava ser pessoalmente. Então, ele me comprou esse apartamento. Eu sei, é muita coisa e na verdade muito mais do que eu queria, mas... longe de mim reclamar.

- Tudo bem então, eu estava certo sobre seu pai ter algo a ver com isso. Só não consigo entender como você mantem esse lugar, quer dizer, você não trabalha mais ou...?

- De jeito nenhum você vai me enganar. Sua vez acabou. – Olivia olhou para ele séria. – Quem é Lisa?

Ela sentia que não devia estar pressionando, que ele ter consentido em contar pra ela já era progresso o bastante e ele estava muito pouco confortável com isso, mas precisava saber. Dean olhou em seus olhos e respirou fundo antes de afastar o prato e se encostar de braços cruzados na bancada.

- Lisa é... Deus, eu não sei como explicar isso, nunca tentei antes. Ela... esteve lá para mim quando eu precisei e eu morei com ela por algum tempo. Quando Sam estava, você sabe... morto.

- Ok... – Olivia balançou a cabeça, era muita informação. Sam, morto? – Então você morou com ela tipo, um casal ou...?

- É. Com ela e seu filho, Ben.

- Esse Ben é seu filho também?

- Eu... – Dean desviou os olhos para o teto. Já tinha falado demais. – Não sei. E não acho que importe. Eles nem sabem mais quem eu sou.

Olivia ia perguntar, mas se refreou. Ele já tinha se aberto demais com ela, na verdade mais do que esperava. Ao invés disso, ela ficou em silêncio deixando claro que tinha percebido o limite. Depois de algum tempo, porém, ela olhou de novo para ele.

- Sabe por que eu fiquei irritada quando você falou aquilo sobre meu pai? – Ele olhou para o rosto dela, sem entender. – Sabe, no dia que nos conhecemos? A verdade é que todo mundo pensa isso de mim. Mas eu não sou essa pessoa. Mimada, que tem tudo o que quer.

Dean levantou uma sobrancelha sem dizer nada e olhou em volta.

- É, eu sei. O apartamento e tudo. Mas ele não me deu esse apartamento porque ficou com dó de mim e porque eu queria. Ele me deu porque viu o quanto eu trabalhei duro para comprar um apartamento de um quarto no centro. Quer dizer, eu podia simplesmente ter ficado com a casa que a gente morava, mas não, eu quis construir a minha vida, uma tentativa de independência. No final não deu muito certo, mas o que vale é a intenção.

Dean sorriu com a tentativa dela de se abrir do jeito que ele tinha feito. Realmente, o que valia era a intenção. Os dois ainda estavam em silêncio quando ouviram a porta abrir e Sam apareceu parecendo satisfeito.

- Você saiu cedo. – comentou Dean olhando para o irmão e tentando perceber algum sinal de que algo estava errado. – Tudo bem?

- É, tudo bem. – Sam olhou para ele indicando que era verdade. – Eu conto para vocês sobre isso mais tarde.

Sam deu ênfase no plural para deixar claro para Dean que estava realmente tudo bem e que Olivia faria parte da conversa quando ele fosse dizer o que tinha feito esta manhã.

- Então, eu estava pensando. – Dean começou quando percebeu que Sam não ia mais tocar no assunto por agora. – Que você – ele apontou para Olivia – parece saber muito sobre nós. Mas nós não sabemos quase nada sobre você.

- Tá... o que querem saber? – perguntou ela desconfiada.

- Tudo. – respondeu Sam simplesmente, concordando com Dean. – Quer dizer, acho que vamos conviver bastante agora então, porque não nos conhecer melhor?

- Ótimo então. – Olivia sorriu para os dois e se recostou no banco em que estava sentada de frente para eles. – Como não vamos fazer nada hoje sobre a caçada pelo menos até onde eu sei, comecem o interrogatório.