Notas iniciais
Segundo capítulo reescrito. 26-27/07/2018. Finalizado em 10/02/2019.

Kagome

Reuni toda a coragem existente em mim e pedi a Kouga-kun me um abraço. Sim, essa era uma tentativa de suprir a enorme carência e o vazio gigante que sentia, eu precisava muito daquilo. A mágoa que sentia por Inuyasha era enorme e por um instante tive medo daquilo me consumir, me tornar uma mulher amarga. Decidi por deixar isso de lado, afinal naquele momento o conforto que eu sentia que necessitava vinha de alguém, um alguém que também tem sentimentos e merece consideração. Não é justo pensar em um estorvo como Inuyasha uma vez que tenho toda atenção, carinho e cuidados de Kouga-kun voltados à mim. Eu olhei para aquele rosto enrubescido e o par de turmalinas azuis estateladas pelo meu pedido e fiz outro apelo:

—Por favor Kouga-kun me abrace!

E como se eu tivesse proferido a palavra mágica para por fim a algum tipo de transe em que ele estava imerso, sem rodeios atendeu a meu pedido.

Quando senti o calor de seu corpo abraçado ao meu, enrubesci tanto quanto ele, era um abraço apaixonado, caloroso, terno, gentil, reconfortante... Fazia-me sentir muito bem. Imediatamente recordei dos abraços de Inuyasha e é claro, dos inúmeros apertões em minhas nádegas e seios que me deixavam com vários hematomas. Me repreendi mentalmente por outra vez pensar no causador de tanto sofrimento e refleti sobre aquele misto de sentimentos no qual me encontrava. Concluí que com Kouga-kun era diferente, me sentia segura em seus braços. Não era a primeira vez que ele me abraçava e em todas elas o sentimento de segurança foi o mesmo.

Ainda absorta em pensamentos enrubesci ao constatar que era a primeira vez que eu me deitava com um homem. Decidi por ignorar aquilo que me vinha a mente e tentei dormir, feito que mais tarde consegui realizar.

Ao acordar olhei para o lado, onde Kouga dormia tranquilamente e senti que minha boca estava seca, percebi que sentia sede. Em um breve passeio pela alcateia constatei que já havia escurecido, havia perdido a noção tempo, nem sei ao certo por quantas horas dormi. Procurei água em todos os cantos da enorme caverna e não encontrei. Decidi sair ao lembrar que existia um riacho com água mineral ali bem perto. Eu tinha me esquecido que a caverna ficava em uma montanha, mas ainda assim quis descer, tamanha sede que sentia. Lembrei que trouxe comigo um apetrecho normalmente pouco utilizado por mim, uma corda. Normalmente usavam-na para amarrar cavalos no vilarejo; "Muita sorte!" — pensei.

Amarrei a corda numa pedra fixa ao solo da montanha e fui descendo me segurando nela firmemente, já que se eu caísse morreria com certeza.

Olhei pra baixo e constatei que faltava muito chegar ao chão, minhas mãos estavam muito suadas e formigavam. Senti que estava começando a escorregar, então enrolei a corda nos pulsos para evitar o deslize e esta foi a pior decisão que eu poderia ter tomado, pois a corda já gasta começou a ceder com o peso e o atrito. Gritei por socorro mas aparentemente ninguém ouviu, então me desesperei mais ainda e cometi um erro fatal, me agitei, o que fez a corda se partir com mais rapidez. Em queda livre por um momento dei adeus à vida que conhecia, uma lágrima rolou dos meus olhos e eu os fechei, preparando-me para o impacto que logo viria. Para minha surpresa não caí, achei que seria o meu fim, mas senti dois braços fortes me segurarem curiosa para saber quem era meu salvador olhei para a face daquele que me carregava. Quão grande não foi o susto ao reconhecer os orbes ambarinos já tão familiares que me faziam acelerar o coração. Ignorando a pulsação acelerada, exclamei:

—Inuyasha me solta! O que faz aqui?! Vá viver o que sempre sonhou com aquela que você ama! Me larga!

Fingindo não ouvir meus apelos, ele calmamente aterrissou e pôs-me no chão.

Inuyasha

Peguei Kagome no ar e se não fosse por mim ela estaria morta, mas nem ao menos gratidão por isso eu recebi. Ela exalava cheiro de lobo, isso me enojava. Após todo o drama que ela teimava em fazer, depositei-a no chão e disse:

—Kagome vamos embora, estou aqui para te buscar e você virá por bem ou por mal!

Ela se debatia ainda mais em meus braços depois que do que foi dito e comecei a cogitar a hipótese de que ela queria realmente se soltar. Decidi pensar que era só e encenação e que ela estava se fazendo de difiícil, então eu deveria por fim àquele show como fazia todas as vezes em que eu saía para ver Kikyou. Preparei-me para uma sessão de amassos onde eu prometeria pela enésima vez que seria diferente, e feito isso tudo voltaria ao normal.

Kagome

Depois de tanto me debater, ele finalmente me colocou no chão para logo em seguida me dar um abraço que veio seguido de um apertão em minhas nádegas. Aquilo me causava repulsa. Furiosa gritei:

—Não me toque! nem agora e nem nunca mais! Eu tenho nojo de você!

Dito isso, Inuyasha se curvou na minha direção e aproximava seu rosto do meu. Por um lado eu sabia as intenções dele com esse beijo e não queria mais ser enganada, mas parte de mim ainda queria acreditar que havia sentimentos da parte dele ali. Fui interrompida do meu conflito interno ao sentir os lábios de Inyuasha tocando os meus. Inacreditavelmente eu já não me sentia bem com aquilo, me embrulhava o estômago de forma que nunca achei que aconteceria. Virei meu rosto e gritei:

—Kouga-kun!! Socorro, por favor!!

Infelizmente Inuyasha foi mais rápido que eu e selou meus lábios novamente, abafando os gritos. Eu não conseguiria mais virar o rosto, pois agora ele me segurava com um braço, de forma com que eu ficasse imobilizada, e com a outra mão segurava a minha cabeça e apertava meus cabelos.

Ele já estava com os lábios nos meus e passava sua lingua neles para pedir por passagem, que obviamente não foi cedida por mim. Impaciente por não me ter facilmente como de costume, ele invadiu minha boca violentamente. Chorei. Senti amuitas lágrimas quentes em minha face enquanto ele explorava todos os cantos da minha boca e eu negava mentalmente que aquilo estava acontecendo. Eu não queria sentir o que estou sentindo agora, a língua dele na minha boca me dá uma sensação ascosa.

Quando ele finalmente parou em busca de ar olhou para mim e ao ver meu rosto enrubescido armou um sorrisinho vitorioso no canto dos lábios. Eu só conseguia chorar, não conseguia dizer nada, me sentia tão frágil, impotente. Para piorar meu estado, ele disse:

—Exatamente como eu pensei, ainda fica vermelha quando eu te beijo, quer dizer que ainda me ama! — para logo em sequência dar uma sádica gargalhada.

Desferi um sonoro tapa no rosto dele, deixando esvair tudo de ruim que sentia para logo esbravejar a plenos pulmões:

—Não fiquei vermelha por que te amo, estou vermelha por que estou com raiva! Eu odeio você! Tenho nojo de alguém capaz de se aproveitar quando vê uma garota sozinha na floresta!! — Tomei fôlego e em um tom gélido carregado de desprezo, completei:

—Isso só me fez te odiar ainda mais. Você é digno de pena, ou talvez nem disso.

Em um lapso de memória lembrei-me de forma tardia do kotodama lançado por Kaede-sama e praguejei por não pensar nisso antes.

—Osuwari. — proferi, e ao vê-lo no chão, acrescentei olhando-lhe de forma gélida: —Aí é o seu lugar.

Kouga

Acordei e vi que Kagome não estava mais em meus braços, então decidi por sentir o cheiro dela e tomar isso como guia. Fui me aproximando da saída da caverna e ouvi a voz dela gritando. Percebi que o motivo de tantos gritos era aquele sarnento e resolvi descer, pois se ela iria embora talvez eu devesse me despedir ao menos. Me aproximei dela, que já tinha parado de gritar e indaguei:

—Kagome-chan, você vai embora? — A tristeza por pensar que ela se afastaria de mim novamente já era iminente porém não duradoura, uma vez que a resposta dela não podia ser melhor.

—Não, não vou, pelo menos não agora, por favor me leve para o quarto. — Dizia olhando em meus olhos. E quanto a você Inuyasha... vá embora!!

Kagome

Pedi à Kouga-kun que me levasse até o seu quarto pensando em evitar uma possível briga entre os dois. Kouga-kun estava sem armadura e poderia se ferir. Quanto a Inuyasha, tudo o que eu queria é que ele fosse embora e desaparecesse da minha vida; Ele fazia mal à mim. Pensando nisso não pude evitar de pensar em Kouga e no bem que ele me fazia. Ele sim era bondoso, doce, gentil, protetor... e eu sabia que ele nunca iria me trair, como Inuyasha fizera. Com Kouga-kun era diferente. Não tenho certeza, mas depois de perceber que só eu amei na minha relação com Inuyasha, talvez eu pudesse dar uma chance a um novo sentimento, experimentar coisas novas. Decidi por não pensar nisso no momento, pelo menos por agora isso não importava. Estou muito confusa, mas acima de tudo estou cansada, preciso dormir um pouco mais até que me sinta melhor.

Fui interrompida de meus pensamentos justamente pelo motivo da confusão em que me encontrava. Ele me chamava docemente e anunciava que já havíamos chegado ao quarto.

Feito isso, ele me deitou suavemente em sua cama e me abraçou, da mesma forma como estávamos abraçados antes. Aquele abraço era mais que um consolo... era bom, mas ainda não era o suficiente para me consolar por inteiro e me fazer esquecer Inuyasha para seguir adiante com minha vida.

Decidida a abandonar de vez meus sentimentos passados e dar uma chance ao homem que sempre esteve ali quando precisei, pedi:

—Kouga-kun?

—Hm? — Agora a atenção dele estava voltada para mim.

—Você poderia... me beijar? — Praguejei mentalmente por ter hesitado. Ele corou de imediato.

Eu só conseguia pensar no pior. Imagina se ele me dissesse um não agora?! Tenho certeza de que estava muito corada pois senti toda a minha face esquentar. Meu coração já acelerava, as mãos suavam, me sentia agora a adolescente que poucas vezes me permiti ser.

Kouga

"Isso é sério? eu dormi de novo? É um sonho?", as perguntas rondavam minha mente e eu decidi não pensar muito na resposta. Conclui que se fosse um sonho estaria tudo bem se eu atendesse ao seu pedido e se fosse realidade, seria melhor ainda.

Sem rodeios, encostei meus lábios nos dela, passando a língua suavemente para pedir por passagem, que foi concedida por ela para então aprofundarmos aquele que já era o melhor beijo de toda a minha vida. Meu coração acelerava a cada vez que meu tato acusava a presença dela tão perto. Ainda preso naquele estado alucinógeno senti um gosto metálico e deduzi que ela poderia ter se cortado em um dos meus dentes afiados, então tentei me separar e perguntar se ela estava bem, mas fui impedido. Ela me segurava com firmeza e me impedia de parar, o que, não nego, também era muito bom. Kagome correspondia àquele beijo com o mesmo fervor que eu e parecíamos dois amantes, porém à nós dois faltava o ar e tivemos de nos separar para respirar.

Ainda em êxtase, meu corpo clamava por descanso mas meu coração acelerado e respiração descompassada diziam que eu talvez não conseguisse dormir tão cedo. Um banho morno foi a saída para acalmar a confusão interna.

Voltando ao quarto, Kagome já dormia tranquilamente. Me deitei ao lado dela e finalmente peguei no sono. Agora eu tinha plena certeza de que aquilo não foi um sonho.