Aprendendo Amar ...

33 Um conto de fadas.


Alheia a toda a revolução que ocorria em Bogotá, Betty estava vivenciando pela primeira vez experiências que ela apenas sonhava timidamente em seu quarto. Cartagena era quente e ela sentiu isso assim que desceu do avião, embora Catalina tinha lhe dito que não era Cartagena que era quente e sim ela que usava roupas demais. Em seguida ela viu o mar, era incrível, o cheiro de maresia entrava em suas narinas e a consumia, as ondas que faziam o azul da água espumar em um branco e morrerem na areia era como o desenho de um quadro. Ela não podia acreditar no que seus olhos viam, era lindo, sua vontade era pedir para pararem o carro e ir correndo até o mar, poder sentir sua água, respirar melhor seu cheiro e até mesmo provar seu sabor.

- Betty você está me ouvindo? – Catalina perguntou e só então ela voltou a realidade e percebeu que estava sonhando acordada.

- Desculpe Cata, eu não ouvi – Catalina sorriu, os olhos de Betty eram brilhantes como de uma criança.

- Eu dizia que iremos agora direto a um salão de beleza, precisamos arrumar algumas coisas em você – Betty se sentiu empedrar, salão de beleza e ela nunca se deram bem na mesma frase, não entendia o porquê Catalina queria que ela fosse em um, sempre saia pior do que entrava, seu caso não tinha solução.

- Dona Catalina, não acho que ... – Catalina a interrompeu, sentiu na voz dela seu temor e que ela protestaria, porém a mais velha delas estava decidida que hoje mesmo Betty seria uma nova mulher, durante o voo Catalina a observou e ela era uma mulher bonita, porém se escondia entre aquelas roupas e um visual pouco modelado.

- Não Betty, eu sou uma relação pública e você está aqui como minha assistente, terá que me acompanhar em todos os lados e além do mais, é um evento sobre beleza, você terá que mudar essas roupas e modelar um pouco mais seu rosto – Betty não entendia como se modelava um rosto.

- Como assim dona Catalina? –

- Apenas confia em mim –

E foi o que Betty fez, confiou nela e ambas foram para um salão de beleza, Catalina deixou ordens do que queria que fizessem com Betty, apenas o básico um corte e hidratação no cabelo, sobrancelha, buço, limpeza de pele, unhas, depilação e depois uma maquiagem leve. A experiente mulher sabia que demoraria algumas horas e saiu do salão para arrumar outras coisas enquanto Betty tinha pela primeira vez na vida um dia de mulher.

Betty sentiu todos os pelos de seu corpo se arrepiaram quando a mulher tirou sua sobrancelha, aquilo eram uma tortura terrível, arrancavam fio por fio em uma pinça, porém ela tremeu mesmo foi quando a cera quente entrou em contato com sua pele, aquilo a queimou e quando a depiladora puxou, ela realmente pensou que parte da pele tinha saído junto e foi constatar no espelho se não estava sangrando. Três horas depois Catalina regressou ao salão e entregou um vestido e uma sandália para uma assistente dar para Betty.

Quando enfim tudo terminou, Betty recebeu a roupa e foi até o banheiro se trocar, quando estava já pronta e vestida não acreditou no que seus olhos viam refletir no espelho, ela estava linda, realmente linda, sem se importa em ser narcisista ela se admirou. Não podia acreditar que coisas simples como definir a sobrancelha e passar um lápis no olho, uma sombra e batom daria tanto resultado, menos ainda podia acreditar em como seu cabelo brilhava.

O vestido floral branco parecia ter sido desenhado para ela, abraçava seu corpo e desenhava suas curvas, o vestido era curto demais para seu padrão, terminava a um palmo acima do seu joelho, ela se sentiu insegura, mas ainda assim se sentiu bela. Daria tudo para Armando está lá com ela e poder vê-la naquele momento, ela deu uma volta e sorriu, o vestido pressionava levemente sua barriga, isso seria um problema, com uma roupa mais apertada logo descobririam sua gravidez, porém ela tinha gostado desse novo visual e sabia que não teria como esconder a gravidez para sempre, com as roupas velhas tardaria mais alguns meses, talvez descobririam só lá para o quinto mês ou até mais, com roupas mais apertadas, logo saberiam.

Quando ela saiu do banheiro e foi até Catalina a mesma ficou espantada, não teve como não abrir a boca em surpresa total, sabia que Betty ficaria bonita, mas não imaginou que seria tanto. Sua amiga estava simplesmente deslumbrante, poderia fotografar um editorial de moda de tão bela que estava. Betty se sentiu tímida e insegura com a reação de Catalina.

- Você não gostou? – Ela perguntou timidamente e Catalina foi obrigada a rir.

- Você está brincando? Você está simplesmente perfeita Betty – Betty sorriu aliviada.

Elas foram para o hotel que ficariam hospedadas, Betty se assustou quando Catalina entrou com ela em seu quarto e lhe mostrou a cama cheia de roupas, segundo Catalina ela tinha comprado todas para Betty, tinha de tudo, desde roupas mais casuais até as mais profissionais, ou até mesmo pijamas e roupas de ficar em casa. Betty pediu a nota, sabia que aquilo tudo tinha custado um bom dinheiro, maior do que seu pagamento por aquela semana, mas Catalina disse que era um presente e que Betty não se preocupasse, mesmo ainda insistindo Betty acabou no final timidamente cedendo e aceitando o agrado.

Betty não conseguia para de se olhar no espelho, se sentia em um sonho, era como se tivesse dentro de um conto de fadas e passado de gata borralheira a princesa encantada. Se assustou quando ouviu o barulho do telefone soar dentro de seu quarto e só depois de um tempo se deu conta que era seu celular e obviamente Armando. Correu e procurou o aparelho, acabou a ligação terminando e ela não encontrando, Armando insistiu e ligou novamente e ela com um sorriso voltou a procurar dessa vez achando o aparelho.

- Alo – Ela contestou a chamada, Armando suspirou, depois do dia esgotado que teve era o que ele precisava, ouvir a doce voz de sua mulher.

- Olá meu amor – A voz dele fez o coração dela acelerar, acabou ficando muda – Beatriz, você está ai? – Ele perguntou preocupado.

- Sim, estou – Armando estava jogado em sua cama, após o almoço com seus pais não teve a mínima vontade de voltar para a empresa e acabou indo para casa.

- Como foi o voo, você está bem? – Ela notou que a voz dele estava um pouco diferente, preocupada, porém ela pensou em ser apenas pela viagem dela.

- Sim meu amor, está tudo ótimo – Armando sorriu, amava quando ela o chamava de meu amor – Armando? – Ela pediu.

- Diga minha vida –

- Você está bem? – Ela resolveu averiguar – Te sinto tenso? – Apesar de tudo Armando estava feliz, realmente Beatriz era a mulher de sua vida, em uma simples ligação por telefone era capaz de perceber seu humor e suas aflições.

- Eu tive uma manhã e um inicio de tarde dificil – Ele confessou simplesmente, Betty se deitou na cama do hotel.

- Quer me conta sobre isso? – Agora ela também estava preocupada.

- Não sei se por telefone é o melhor – Foi o estopim, ela estava preocupada e curiosa agora.

- Armando, me conte, o que aconteceu – Ele notou o desespero na voz dela.

- Meu amor, se acalme, eu vou lhe contar tudo–

- Então conte –

- Terminei com Marcela – Betty sentiu seu coração parar de bater e então se deu conta que tinha escutado errado.

- Repete – Ela pediu e escutou a risada dele do outro lado.

- Eu disse que eu terminei com Marcela, agora sou um homem livre. Quer dizer, livre para você, porque sou um homem comprometido com você e nossa menina, logo serei um homem casado – Betty estava tremula, não tinha escutado em nada a divagação dele, não podia acreditar naquilo e sentiu as lágrimas descerem dos seus olhos.

Tinha como esse dia ser mais perfeito? Claro que tinha, bastaria Armando está fisicamente ao seu lado, mas ainda assim, faltando a presença real dele o dia tinha sido perfeito. Realmente estava vivendo em um conto de fadas. Armando se desesperou, escutava ela chorando ao outro lado e por mais que a chamasse ela não respondia.

- Meu amor? – Ele pedia uma resposta e nada – Meu amor, fale comigo, por favor? Você está bem ? – O desespero dele a fez acordar e responder.

- Sim – Ele também chorava, daria tudo para estar ao lado dela nesse momento e poderem juntos viverem a emoção dele estar livre, sem se preocupar com o futuro e vivendo apenas o presente.

- Minha vida, não chore – Ele pediu.

- É de felicidade – Ela respondeu.

A empresa era importante? Claro, mas nada no mundo era mais importante para eles do que o amor que um tinha pelo outro e a pequena vida que Betty trazia em seu ventre. A emoção dominou os dois.