Aprendendo Amar ...

29 Fugindo de mim


A semana passou rápido, Betty iria sexta-feira com Catalina e já era quinta-feira, Armando não podia acreditar que iria tê-la longe por uma semana inteira, o sentimento de vazio começou o preencher e ele não conseguiu nem dormir, foi o primeiro a chegar na Ecomoda. Ao invés de ficar na presidência se colocou na salinha dela, aquela sala tão pequena e indigna que ele a colocou egoistamente apenas para tê-la perto, já que verdadeiramente era ela quem administrava tudo por ali, o remorso só não era maior porquê ele já tinha lhe proposto mudar de sala, porém ela própria tinha escolhido ficar lá, ao seu lado.

O sorriso bobo brotou em seu rosto, Betty fazia qualquer coisa para ter ele ao lado dela e recentemente ele tinha descoberto que ela não estava sozinha nessa, ele também faria qualquer coisa para ter sua Beatriz perto dele. Acabou que a noite mal dormida deu sinais e ele resolveu fechar os olhos apenas para relaxar, a cadeira era pouco confortável, porém aquela sala tinha o cheiro dela e isso já bastava, não demorou para o sono chegar e ele acabar dormindo.

Betty chegou um pouco tarde, o ônibus demorou a passar, quando ela chegou todas já tinham chegado, exceto claro Patricia, quando ela entrou na presidência viu a pasta e o paletó do terno de Armando sobre o sofá, acreditou que ele estava em algum canto da empresa, provavelmente com Mario e abriu sua sala, a cena que ela encontrou preencheu seu coração e o fez dobrar de tamanho. Aquele homem tão grande dormia de maneira torta em sua cadeira, na mão dele o Furby que ele tinha lhe dado de aniversário, sem perder o sorriso ela se aproximou dele e levemente passou a ponta dos dedos por todo seu pescoço, Armando se arrepiou, mas continuou inconsciente, dormindo, Betty resolveu tentar uma nova abordagem e distribuiu beijos pelo seu pescoço, obviamente ele acordou, porém não se mexeu, queria testar aonde ela iria, ele teve que prender a respiração quando sentiu a humidade da ponta da língua de Betty ir do seu pescoço até sua orelha, aquele era seu ponto sensível, os dentes dela roçaram levemente no lóbulo da orelha dele, foi o estopim, com um movimento brusco ele afastou a cadeira e a agarrou, quando ela se deu por si já estava sentada no colo dele e podia sentir claramente sua excitação.

- Você estava acordado – Betty tentou se levantar, porém os braços dele a seguraram firmemente a impedindo – Nem adianta, temos muito que trabalhar – Mais uma vez em vão ela tentou se levantar.

- Amanhã já é sexta-feira, temos que aproveitar hoje – Armando mordiscou o ombro dela, sabia que aquilo sempre a fazia se derreter em seus braços.

- Exato, amanhã já é sexta-feira e eu tenho muito trabalho a fazer – Betty conseguiu sair do colo de Armando, ele a olhou decepcionado.

- É você vai me deixar assim? – Ele fez um sinal com a mão mostrando sua excitação, ela sentiu o rosto queimar.

- Eu tenho muito trabalho a fazer – Armando respirou fundo e irritado, saiu da salinha de Betty e foi ao banheiro, lavou o rosto e os pulsos com água gelada, no final acabou rindo de si mesmo e se condenou por ter se irritado com ela, em sua mente fez planos para ir almoçar com ela no apartamento deles e estender o almoço por toda a tarde.

O tempo foi arrastado para ele que não parava de olhar o relógio e contar os segundos até a hora do almoço, para ela passou rápido, estava adiantando o máximo de trabalho que conseguia. Quando o ponteiro do relógio de Armando marcou treze horas, ele levantou em um pulo, enfim tinha chegado a hora de poder ficar com sua mulher. Abriu a porta da sala dela sem nem ao menos pensar em bater, sua ânsia de rouba-la daqueles papeis e irem para casa era maior do que qualquer educação, Betty não se surpreendeu com o modo apressado dele que já foi pegando a bolsa dela e a puxando.

- Calma Armando, assim você vai arrancar minha mão do pulso – Ela não tinha como não rir, ele parecia uma criança.

- Eu não arrancaria se a senhorita fosse mais rápida e colaborasse, vamos Beatriz, vamos – Ele insistia e poderia jurar que ela estava tardando de propósito.

- Mas aonde vamos? –

- Para a nossa casa, é claro – Armando colocou a bolsa no ombro dela e foi a puxando até a porta, assim que abriu a porta se deparou com todo o quartel em frente a mesma.

- O que vocês estão fazendo aqui? – Ele perguntou surpreso.

- Sabe o que é doutor Armando, como Betty vai viajar amanhã, estávamos indo a chamar para almoçar com a gente – Aura Maria respondeu.

- É para a gente se despedir – Explicou Inezita.

- Sabe o que é meninas, infelizmente ... – Armando iria obviamente explicar que Betty deveria almoçar com ele, ela percebeu isso e se adianto em responder.

- Eu vou com vocês – Betty disse quase que em um grito, Armando a olhou pasmo, de boca aberta, não podia acreditar que ela ia gastar o tempo de almoço deles com as amigas.

- Como você vai com elas Beatriz, como? – Ele gritou irritado e todas do quartel o olharam questionadoramente – Você não lembra que temos uma reunião com aqueles fornecedores? Lembra – O olhar dele a fez se sentir temerosa, mas ainda assim ela se atreveu em responder.

- Sabe o que é doutor, eles cancelaram o almoço e assim posso ir com as meninas para nos despedirmos– Betty falava com uma normalidade que irritou ele mais que tudo, não poderia acreditar em como ela estava agindo, ele estava morrendo por se separarem por uma semana inteira e dava tudo para ter esses últimos tempos com ela, porém pelo visto, Betty por sua vez não fazia a mínima questão de gastar suas últimas horas em Bogotá com ele.

- Então faça como você quiser Betty, como você quiser – Sem pensar no que a sua atitude podia gerar de fofoca, ele simplesmente deu as costas para todas, abriu a porta de sua sala e entrou lá dentro e depois a fechou com toda sua força, o impacto foi tanto que além do alto barulho o chão tremeu levemente.

O quartel ficou assustado, Betty tremeu ao ver a reação dele, porém ela o entendia plenamente.