Apotheek
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Ela estava deitada na cama do quarto de hóspedes da casa de Rayana quando acordou colocando a mão sobre a testa, ainda tonta por conta da noite anterior. Rayana observava seu acordar ao lado da cama segurando um copo d'água juntamente com analgésicos.
— Bom dia, bela adormecida.
— O que eu estou fazendo aqui?
Diz Andressa, assustada, enquanto se apoia sobre a cabeceira da cama.
— Bebeu muito. Você não é acostumada, né? Mas bebeu todas ontem a noite.
Andressa se recordava em flashes da noite anterior, se lembrava de ter ido a balada mas apenas até o momento em que começou a beber. Tenta se lembrar de mais coisas, porém sua cabeça dóia muito. Com a mão na testa, ela tentava entender o que aconteceu.
— Quem me trouxe até aqui?
— André conseguiu dirigir e nos deixou aqui em casa, você estava bem apagada então achei por bem te deixar aqui. Apesar de outra pessoa ter insistido em querer te levar embora.
— Outra... pessoa?
Andressa virou seu rosto atentamente para Rayana que sorria ironicamente.
— Sim, amiga! Não lembra dele? — Andressa olhava para o chão, confusa — O cara que você beijou ontem, aposto que nem percebeu quem ele era, não é?
— Eu beijei?! Beijei quem?
Andressa gritou desacreditada enquanto Rayana sorria.
— Vou deixar que você se lembre, amiga. Vai ser melhor.
Deu os analgésicos para Andressa tomar enquanto sorria, a mesma os tomou desconfiada e um tanto confusa.
— Ray? — Rayana a olhou — E o Anderson?
— Bom, até agora ele não ligou e nem sequer apareceu por aqui. Acho que ele deve estar apagado também, amiga.
— Preciso ir embora! Tenho que ir pra casa, Ray. Ele vai me matar!
— Calma, amiga! Pelo menos se alimenta, tem café pronto na mesa... Andri...
Antes que Rayana pudesse impedir, ela já havia calçado os sapatos, recolhido a bolsa e saiu bruscamente pela porta. Pegou o primeiro ônibus que passava em frente ao prédio em que ela morava. Desceu correndo e chamou o elevador apertando o botão várias vezes, porém, julgou que ele estava demorando e foi correndo pelas escadas.
Ao se deparar de frente com a porta de seu apartamento, ela a abriu devagar.
A sala permanecia vazia, então ela tirou os sapatos e caminhou devagar até o quarto e ao chegar na porta conseguiu ouvir um ronco. Anderson estava dormindo, esparramado na cama como um animal que havia sido atropelado por um caminhão. Andressa levou a mão ao peito e respirou fundo, foi até o banheiro e tomou um longo banho, ainda pensando no que Rayana havia dito, ela não se lembrava de nada.
Após se vestir, ela saiu do banheiro e deu de cara com Anderson, que a aguardava um tanto sério. Ela se assustou mas se esforçou para não demonstrar.
— Bom dia, querido.
Falou tentando passar por ele, que segurou forte em seu braço.
— Onde você estava ontem a noite?
A fúria era evidente em seu rosto e Andressa respirava fundo para não demonstrar o medo que sentia.
— Eu estava na casa da Rayana, tentei te avisar mas não me atendia.
— Deveria ter dado um jeito e ter me avisado mesmo assim. O que fazia lá na casa daquela vagabunda?
Ele apertava o braço dela cada vez mais forte.
— Anderson, está me machucando! Me solta!
— Fala o que você estava fazendo na casa daquela vadia, Andressa! — Ele a colocou contra a parede — Só passo uma noite fora e você se comporta desse jeito?
— Está me machucando.
Ela sussurrou.
— Isso não é nem metade do que você me obriga a querer fazer com você.
Ele a empurrou, fazendo-a cair ao chão e saiu batendo a porta. Andressa chorava, porém quieta. Seu pulso ardia muito e estava bem vermelho aonde ele havia apertado. Andressa respirou fundo e enquanto enxugava suas lágrimas, se lembrou que essa não era a primeira vez que isso acontecia e não seria dessa vez que aquilo iria comovê-la, afinal, ela sabia que ele nunca passava disso, ele se irrita mas logo volta atrás e tudo fica bem.
Ela se levantou do chão, se vestiu em um tubinho preto para ir ao trabalho e colocou uma pulseira larga para disfarçar a vermelhidão. Ela entrou no ônibus e ao olhar o relógio, percebeu que estava muito atrasada, mas não custava nada ir, ao menos para dar uma satisfação ao Alexandre.
Ao entrar na Apotheek, Andressa percebeu que estava atraindo muitos olhares, principalmente os olhares femininos. Ela entrou no elevador e olhou o comprimento de seu vestido, crendo que seria pelo fato de ser curto mas não era para tanto, na verdade, estava dentro dos padrões de vestimenta da empresa.
Ela passou pelo setor de RH, onde todos a olhavam sem disfarçar, Rayana sorriu para ela o que a fez ficar sem graça e se perguntar o que estava acontecendo naquele lugar. Continuou caminhando até chegar á sala de Alexandre. Ela abriu as portas e quando entrou percebeu que ele se colocou de pé para recebê-la. Ela se encostou na porta, surpresa, e ele a olhava alternando seu olhar para o chão com a mão em seu queixo.
— Tudo bem, senh... — Alexandre levantou uma das mãos — Perdão, Alex.
Ele a olhou e ela o olhava atenta e assustada.
— Eu queria te pedir perdão por ontem, Andressa. Estávamos embriagados e fomos inconsequentes, espero que me perdoe.
Andressa se aproximou dele estampando um sorriso confuso.
— Perdão pelo quê mesmo?
— Você sabe, pelo... — Ele voltou a si e pensou mais uma vez — Você não se lembra de nada?
— Não, quer dizer, lembro poucas coisas, mas nada de ruim que você tenha me feito.
— Entendo. — Ele segurou uma das mãos de Andressa — Bela pulseira.
Ao mexer na pulseira, ele conseguiu ver a marca roxa dos dedos de Anderson no pulso dela que, ao perceber que ele tinha visto, puxou a mão bruscamente para si escondendo-a novamente.
— Mas enfim, se considere perdoado. Não se preocupe, pois sei que nunca me desrespeitaria. Agora preciso ir começar meu serviço, tenha um bom dia.
Ele apenas consentiu com a cabeça enquanto ela caminhava para sua mesa.
Alexandre se sentou passando a mão por seus cabelos. Ele não acreditava que ela não se lembrava do beijo e de como os dois dançaram juntos na noite anterior. As lembranças permaneciam vivas em sua mente como se tivessem acontecido á minutos. A pior parte era lembrar dos lábios macios e quentes de Andressa que, só de lembrar, ele sentia seu membro ouriçar por dentro da calça social.
Rebecca entrou na sala batendo a porta e espantando os pensamentos dele.
— Porque você faz isso? Não sabe bater?
— Eu quero saber sobre esta história que está rolando nos corredores!
— Que história, Rebecca? Está fazendo parte dos grupos de fofoca da empresa agora?
— Que você beijou aquela... Aquelazinha que fica ali.
Ela falava apontando para a porta. Alexandre passava a mão na testa, tentando não se estressar.
— "Aquelazinha" tem nome, Rebecca, é a Andressa. E eu estava bêbado, pode ser?
— Pode... — Ela cruzou os braços na frente dele. — Mas não quero que ela te roube de mim, você é só meu.
Ela passava a mão pelo pescoço dele que parecia tentar desviar da mão dela.
— Fala logo o que é que você quer.
— Você viu os novos colares da Tiffany?
Ele abriu a carteira, de onde tirou seu cartão e entregou nas mãos de Rebecca que não conseguia esconder sua felicidade diante daquela cena. Ela apenas deu um selinho em Alexandre e saiu sorrindo. Antes de sair para ir até a loja da Tiffany & Co., ela foi até o banheiro retocar sua maquiagem e encontrou Andressa e Rayana fazendo o mesmo. Ela sentiu que não podia perder a chance de marcar território, afinal ela não estava disposta a dividir o conforto que era tê-lo com nenhuma outra mulher.
— Não sabia que o banheiro estava sendo tão mal frequentado.
— O banheiro é para funcionários, querida, sinto muito.
Andressa falou enquanto retocava seu batom vermelho. Rebecca repassou seu blush e voltou a encarar Andressa.
— Só te digo isso, coisinha, não mexa no que é meu, você está entrando numa guerra que não faz ideia de quantas já perderam.
Andressa gargalhou.
— Você acha que eu quero algo seu? Dá licença, sua oxigenada! Tenho coisas mais importantes para me preocupar.
— O Alexandre é meu, Andressa. E tudo o que ele tem também. Se lembre disso.
Rebecca saiu e Andressa parecia confusa. Rayana estava com a mão na boca.
— Amiga, mais uma dessas e eu vou estar preparando a papelada da sua demissão.
Rayana falou rindo.
— Essa mulher que é louca, entra aqui falando coisa com coisa.
— O que ela falou tem um pouco de sentido, Andri.
— Como assim?
Andressa se virou para Rayana que havia parado de sorrir no mesmo instante.
— Amiga, você não lembrou mesmo? Você beijou o Alex ontem, na festa. O cara com a máscara prateada que dançou com você a noite toda era ele.
Andressa estava começando a ligar os pontos e percebeu como tudo estava fazendo sentido. Os olhares, o pedido de perdão e a louca do banheiro. Alguns flashes vinham na mémoria de Andressa. Os olhos claros e o sorriso, realmente eram iguais os de Alexandre. O beijo veio á tona, ela se lembrava da mão em sua nuca, da língua que vagueava junto com a sua, o encaixe perfeito de bocas. Tudo estava vindo á sua mente. Ela olhava Rayana boquiaberta e essa mesma soltou um riso, crendo que a amiga estava ficando doida.
— Amiga, eu beijei meu chefe.
Andressa se sentou ao lado de Rayana.
— Pensa pelo lado bom, amiga, pelo menos ele é um gato.
— Pára! — Ela deu um tapa no ombro dela — Isso é errado, Ray. O Anderson tem toda razão quando fica irritado comigo.
— Ele brigou com você hoje?
— Posso dizer que ele ficou um pouco furioso por eu ter chegado em casa pela manhã, mas foi uma discussão de casal, nada demais, depois a gente se acerta.
Ela saiu do banheiro e Rayana fingiu engolir a história que ela havia contado.
— Como vai a taradona da Apotheek em um dia radiante como este?
André falou enquanto a seguia pelo corredor, fingindo estar segurando um microfone.
— Deixa de ser bobo, André, o assunto é sério!
— Desculpa Miss Alexandre Costa...
Ele falou erguendo as mãos. Andressa sorriu.
— Mas você não toma jeito mesmo.
— Qual foi? Qualquer mulher e até mesmo alguns homens dariam tudo o que tem para estar no seu lugar, apenas para receber um beijo caliente do Boss.
— Falando assim, me deixa até sem graça.
— Mas é verdade, Andri, por isso elas te olham tanto, é inveja, baby.
— Entendi — Ela sorriu — Agora vou trabalhar, tá? E seria bom que você fizesse o mesmo.
— Nossa, só um beijinho e já está se sentindo dona da empresa, imagina quando casar com ele.
Ela jogou um lápis em André que saiu sorrindo por ver que havia feito ela sorrir também.
Andressa havia feito além de seu trabalho, ajudando também Rayana a cuidar das novas contratações e fazendo toda a agenda de Alexandre para aquela semana que haviam reuniões, entrevistas para revistas financeiras e jornais, seriam dias corridos.
Ela não se permitiu ser a última a sair da empresa naquele dia, sua reputação naquele lugar não seria favorecida com isso. Então, assim que arrumou tudo ela foi embora, sem ao menos avisar Alexandre. Ao chegar em casa, encontrou uma caixa de chocolates e um bilhete que dizia:
"Espero que me perdoe, estou neste momento atrás de um emprego e prometo que ajudarei para que nossas vidas sejam transformadas. Eu te amo! Anderson."
Ela sorriu ao ver aquilo, no fundo ela acreditava que ele a amava. Então ela foi se deitar aquela noite, na esperança de que seu marido voltasse para casa transformado e empregado.
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