Apocalipse Zumbi - Viver Ou Morrer?
6 Capítulo 6 - CCD
Subimos por um elevador.
Chegamos em uma sala com paredes brancas, uma tela enorme de LCD em uma delas e bancadas cheias de computadores. Lá havia um homem loiro, alto, uns quarenta anos, de jaleco branco. Apresentou-se como Jenner. E nos explicou sobre o laboratório, porque tinha sido criado, o que acontecia com o cérebro de uma pessoa quando mordida. Jenner ofereceu comida, bebida e abrigo. Nos levou aos quartos, onde nos instalamos, tomamos banho, e nos vestimos.
– Achei esquisito esse tal Jenner...- disse à Steve enquanto secava meus cabelos com uma toalha branca.
– Eu também — respondeu Steve vestindo seu coturno preto — primeiro não queria nos deixar entrar, depois por piedade deixou. Tenho a impressão que ele esconde algo.
– É, eu também.
Depois todos desceram para uma enorme sala com uma mesa de jantar cheia de comida e bebida.
Comemos e bebemos com muita fartura, como não fazíamos a muito tempo. Conversamos por horas e horas.
Steve bebeu demais. Mal podia andar sozinho. Levei-o até o quarto, coloquei-o na cama, tirei os coturnos de seus pés, desabotoei sua calça, cobri-o com os cobertores de lã e quase que de imediato ele dormiu.
Saía do quarto e fechava a porta quando senti alguém tocar-me no braço. Me virei. Era Shane. Ele me olhava estranho. Tinha uma garrafa de bebida na outra mão. Puxou-me para perto dele e disse:
– E ai belezinha, o que acha de irmos para o meu quarto?
Arregalei os olhos. O cheiro de álcool era forte. Tentei soltar-me. Mas ele me segurava a força.
– Me solte!
Shane sorriu maliciosamente.
– Solta ela Shane! — Dale apareceu no final do corredor. — Venha querida!
Shane me soltou e ficou encarando-o. Fui até ele.
– Está tudo bem? — perguntou Dale.
Fiz um gesto positivo com a cabeça, apesar de meu braço estar dolorido devido a força colocada por aquele imbecil.
Voltamos para a sala de jantar. Jackie ainda estava lá. Em silêncio. Desde a morte de Jimmy ela ficara muito quieta. Dale encheu um copo de água e deu a mim. Sentei-me ao lado dela.
– Amy, ouvi você contando para Dale sua história. Sobre seus pais adotivos...- disse Jackie de cabeça baixa e olhar triste — não tenho certeza absoluta mas creio que eu os conheci.
Travei. Meu olhos arregalaram-se. Encarei-a esperando que ela dissesse mais.
– Na verdade conheci seu pai...ele te levou para o orfanato. Haviam duas crianças com ele, dois meninos, mais velhos que você. Eu me lembro bem, eu os atendi, ele me disse que sua mulher havia morrido a alguns dias de câncer, e que ele não poderia cuidar da criança. Não me disse nome nem sobrenome, apenas de sua mulher... Morgan... Não lembro-me o primeiro nome dela...Você tinha três anos. Entregou você para mim e foi embora. Passados dois meses, seus pais adotivos visitaram o orfanato e escolheram você.
Eu estava paralisada. Ela conhecera meu pai. Eu tinha irmãos.
Senti vontade de chorar, correr para os braços de minha mãe e nunca mais sair de lá. Mas eu não tinha uma mãe ali. Eu...eu estava sozinha. Me senti mínima. Pequena. Vulnerável. E disse num tom muito baixo:
– Eu acho que vou dormir. Boa noite.
Levantei-me e segui em direção ao corredor que levava aos quartos.
– Boa noite Amy! — disseram Dale e Jackie ao mesmo tempo.
Eu estava desorientada. Atordoada. Corri para o quarto. Entrei. Tranquei a porta. Certifiquei-me se Steve ainda dormia. Deitei na cama ao lado da dele e chorei, chorei e chorei, até pegar no sono.
No dia seguinte todos acordaram cedo e reuniram-se na sala onde haviam dezenas de computadores. Aquele momento foi amedrontador.
Descobrimos que havia um contador dentro do laboratório, fazendo contagem regressiva que terminaria quando o gerador esgotasse, realizando a "descontaminação" do prédio através da autodestruição, que não deixaria sobrar absolutamente nada, nenhum vestígio dos estudos feitos até aquele dia.
Sabiam que no presente não seria possível encontrar cura para essa desgraça.
Steve estava ao meu lado. Olhou-me com uma expressão de "estávamos certos".
As portas ao nosso redor começaram a baixar. Foram trancadas. Jenner as trancou. Tentávamos sair, desesperados. Jenner dizia que tinha que ser assim, que era a forma "mais humana" para morrer, sem dor.
Peguei minha faca, tentei destrancar as portas, Steve tentava ergue-las, Rick e Shane chutavam-nas, Daryl e Glen empurravam com o corpo e nada.
O sangue subiu. A raiva era incontrolável. Corri com minha faca nas mãos na direção de Jenner mas Rick segurou-me. E tentou convencer Jenner a nos soltar.
As mulheres e crianças começaram a chorar. Os outros estavam no limite para tentar sair dali.
Quando o fim parecia certo, Jenner abriu as portas. O relógio estava em 30 segundos. Todos correram, na esperança de se salvar.
Jackie quis ficar e morrer junto à Jenner, já que pra ela a vida não estava mais "valendo a pena".
Confesso que pensei em fazer o mesmo, fiquei parada mas alguém puxou-me. Era Carl, filho de Rick e Lori.
Olhei com tristeza para Jackie, ela sorriu para mim. Ao seu lado estavam Andrea, que também queria ficar, e Dale, insistindo para que ela viesse, tentando salvar sua vida. Ela acabou cedendo a tempo.
Rick pegou Carl no colo e correu. Eu os segui, correndo o mais rápido que consegui. Saímos.
Em questões de segundo tudo explodiu. Foi muito difícil assistir aquilo. Jackie... Bateu-me uma tristeza e não me contive, chorei diante do cenário de destruição. Steve abraçou-me. Senti-me segura.
Alguns minutos depois entramos em nossos veículos. Não era seguro ficarmos expostos lá fora. A qualquer momento walkers poderiam aparecer.
Rick tornara-se o líder do grupo. Decidia o melhor para todos. E assim, decidiu que deveríamos seguirmos viagem, sem um rumo certo, apenas indo em frente, até encontrarmos, quem sabe, um lugar seguro, onde seria possível, talvez, construirmos um lar.
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