Durante está semana o que mais me perturbou foram os pensamentos relativos a meus pais adotivos. Será que estavam vivos? Se estivessem, onde os encontraria?

Me vi cheia de incertezas e perguntas.

Steve já havia dito para voltarmos mas eu tinha medo de voltar, não sabia o que encontraria. Por mim morreria sem saber o que houve com meus pais. O pior de perder pessoas que amamos em um apocalipse zumbi, é perde-los e vê-los virando uma coisa...um bicho...podre...morto...faminto...sem sentimentos...esquecendo quem foi, os sonhos, as virtudes...esquecendo de ser...humano.

A comida acabou no quinto dia. Mal dera para os últimos dois, mas Steve anceava por sair do trailer, haviam andarilhos por toda a parte. Por mim teria saído, mas aquele idiota me impediu, a força. Só deixou o orgulho para trás e resolveu sair para ver se encontrávamos suprimentos quando a fome apertou.

Lá fomos nós. Estávamos desidratados, mal havíamos dormido desde a primeira noite, e, mesmo não admitindo estávamos com medo.

– Talvez encontremos algo útil nos carros na estrada- disse eu, fechando a porta do trailer e seguindo Steve.

– Tem razão, agora fique atrás de mim, e atenta a qualquer barulho estanho!

– Ficar atrás de você? Hahaha como se você desse conta de proteger a si e a mim quando um bando de errantes te atacar!

– Qual é gata?! Ta achando que não consigo? Presta atenção! — disse Steve em um tom provocador girando a pá em suas mãos enquanto dois walkers vinham em sua direção.

– Olha ai babaca! — falei apontando para sua direção.

Steve virou e deu de cara com os dois zumbis. Com certeza ele não conseguiria escapar sozinho. Puxei-o pela camisa e bati com toda a força que foi possível tirar de mim no momento na cabeça do zumbi. Mal caiu no chão o outro já estava quase sobre mim . Não daria para bater na cabeça desse! Ele estava muito próximo! Tentei correr mas pisei no meu cadarço desamarrado e cai com tudo no chão, ralando meu braço. O walker vinha em minha direção quando Steve bateu com a pá na cabeça dele, fazendo-o cair na para traz com o impulso.

– Você está bem? — perguntou Steve estendendo a mão para me ajudar a levantar.

Ignorei a pergunta e recusei a ajuda. Amarrei meu cadarço e levantei já com o ferro em mãos, seguindo em direção aos carros deixando-o para trás.

– Qual é?! Vai ficar de birra até quando precisamos um do outro?

– Não preciso de você! Sabe, não sei porque concordei em você me trazer nessa merda de viajem! — disse irritada.

– Haha se eu não tivesse aqui não teria ninguém pra te ajudar agora a pouco quando aquele errante quase te matou! — falou Steve em um tom satírico.

– Não pedi sua ajuda!

– Mas precisou!

– Não precisei! Posso muito bem cuidar de mim!

– Essa eu quero ver!

– Argh! — eu disse virando os olhos já sem paciência com ele.

Continuamos andando, vasculhando carro por carro. Tivemos um pouco de sorte. Achamos água, remédios e comida enlatada. Nada em grande quantidade, mas serviria com certeza.

O sol estava baixo, escurecendo rápido. Paramos pra descansar. E nos alimentarmos. Não tínhamos visto a s horas passarem, preocupados em encontrar suprimentos. Agora não sabíamos se voltaríamos para o trailer no escuro correndo perigo ou se passaríamos a noite por ali em algum carro.

– Porque isso? — indagou Steve.

– O que?- eu disse

– Porque você ainda tá assim comigo?

Fiquei em silêncio.

Bebemos água e descansamos durante alguns minutos. Tudo quieto até que ouvimos em gemido...dois gemidos...três...cinco! Dez! Vinte! Aaaaaah!

– Ferrou! Corre Amy!

Saímos correndo tão rápido que quando dei por mim tínhamos largado tudo para traz!

– As coisas! — gritei.

– Deixa! Depois voltamos! Corre! Vem!

Eu não era muito de esportes, não gostava de correr. O único esporte que me identifiquei e que era tudo pra mim era as artes marciais. Meu pai, sendo professor, ensinara-me tudo o que sabia. E isso com certeza tornara-me uma pessoa melhor. Consegui correr durante uns quinhentos metros, mas faltavam mais uns quinhentos até o trailer. Parei para pegar fôlego. Porém parar para pegar fôlego era suicídio! Tentei correr! Mas não dava! Steve, que estava pouco a frente de mim, viu me parar sem pensar duas vezes voltou e me pegou no colo.

– Ei! Me põe no chão! Idiota! — gritei.

– Quer morrer?! — disse Steve, sua voz quase não saia de tão pouco fôlego que tinha.

Ele correu por mais uns dois minutos e nos enfiou floresta a dentro. Ficamos em absoluto silêncio olhando para a estrada esperando os walkers saírem para voltarmos ao trailer. Isso levou quase uma eternidade.

– Que merda! Esses imbecis não acabam mais! — falei virando as costas para a estrada.

– Shiu! -resmungou Steve.

– Ei! — dei um grito surpresa. Sorte que o pessoal na estrada não ouviu!

– Que foi? — falou Steve olhando para o lado onde eu deveria estar, porém não estava! Haha — Ow! Aonde você vai garota? Volta aqui! — falou, seguindo me.

– Não enche! — falei seguindo em frente. Steve sem entender nada foi seguindo me.

– Para! Ow! Da pra me falar o que foi?

– Uma luz! Parece fogo! — expliquei.

– O que? Onde?

– Ali! — apontei para a direção que eu seguia.

– Aonde? Não To vendo!

– Aff seu cego! Ali! — corri seguindo a direção.

Quando cheguei mais perto, aproximei me lentamente fazendo o mínimo de barulho possível. Steve fez o mesmo.

Quando cheguei bem perto a surpresa! Era um acampamento! Pude ver a alegria nos olhos de Steve que passou por mim e saiu da mata entrando no acampamento. Então eu o segui.

– Olá?! — disse Steve.

– Quem são vocês? — uma voz feminina indagou-o.

– Oi! Eu sou... — não foi possível ele terminar de falar pois um senhor interrompeu-o gritando:

– Zumbis!!!

Notas finais
E ai? Gostaram? Comentem por favor *-*