Apocalipse Zumbi - Viver Ou Morrer?
4 Capítulo 4 - Começa a luta
Todos acabaram de comer, e conversavam quando de repente ouviu se gritos vindos do trailer. Era Andrea, loira, olhos azuis, magra, uma mulher de opinião. Steve e um rapaz de boné azul marinho correram para lá. Eu fui atrás. Eu e essa minha curiosidade além do comum...
Foi tudo muito rápido. Era um ali, depois dois, três, quatro! Eles estavam surgindo da floresta. Haviam encontrado o acampamento.
Quando dei por mim estava rodeado por andarilhos famintos em busca de vítimas para saciarem sua fome! As mulheres e crianças tentavam fugir. Alguns tentavam matar os zumbis. E eu parada. Congelada, vidrada na garota loira ferida no ombro caída a minha frente e Andrea ao seu lado, em prantos.
Nisso apareceram Rick, Glen, T-Dog e o cara da flecha, vindos da estrada que levava à Atlanta. Rapidamente correram para o centro do acampamento e começaram a exterminá-los junto com os outros. Não sabia o que fazer. Foi então que um errante veio na direção das duas. Voltei a mim. E, no susto, puxei a faca que guardara em meu coturno. Faca que Steve havia me dado. Agarrei-a com toda força e, quando fui enfia-lá na cabeça da besta, Andrea puxou o gatilho de sua arma e o acertou em cheio. Explodindo seus miolos podres, fazendo-os voar para todo lado.
Ela voltou-se novamente à irmã, acariciando seu rosto pálido e gélido. Eu sabia que nada que eu fizesse a pouparia da dor naquele momento. Voltei-me para o centro do acampamento e vi o cenário de guerra. Corpos imundos, podres estirados no chão com as cabeças cortadas, amassadas, furadas, decapitadas. Olhei a volta, olhares de pânico, medo, terror. Essas pessoas haviam passado por isso antes, mas algumas não com a mesma intensidade igual a daquela noite.
– Pow!
Ouviu-se um tiro. Vinha novamente da direção do trailer. Corri para ver se Andrea estava bem. E estava. Sua irmã, Emily, havia se transformado. E antes que à atacasse, matou a besta.
Era triste ver a perda de alguém tão próximo à alguém. Mesmo que eu não tivera passado por isso, eu entendia. Não sabia o que havia acontecido com meus pais, e viveria para o resto da minha vida sem um pedaço de mim. E talvez eu nunca conheceria meus pais biológicos. A incerteza de quem eu era seguiria comigo até o final.
Steve veio até mim e segurou em minha mão. Fomos juntos para a barraca. Esta noite, Dale e Glen ficaram na vigia.
Não tocamos no assunto sobre o ocorrido, apenas lavei minhas mãos e rosto no balde e sentei na porta da barraca. Steve fez o mesmo. Lavou as mãos, os braços, o rosto e tirou a camisa. Tá, tá eu confesso, eu dei uma olhadinha. Ele era bonito, o tipo de cara que não se deve olhar só uma vez. Cabelos pretos, lisos, pele branca bronzeada, tinha músculos, um lindo sorriso envolvente... e aqueles olhos verdes...Aah aqueles olhos... Ah quer dizer, mesmo assim era um idiota! E não foi nada demais. Também sou humana. Enfim... Ele terminou de se lavar. Lavou a blusa e a estendeu em um varal improvisado feito pelas mulheres do acampamento. O varal era dividido entre os moradores, já que, as barracas estavam montadas há cinco metros uma da outro deixando um espaço para o varal, fogueira e algumas tralhas. Nós dividíamos com Jim, a mulher e dois filhos. Mexicanos, com sotaque.
Steve terminou de arrumar sua roupa suja, pegou as limpas do varal e entrou na barraca trocar-se. Eu levantei da porta e fiquei em pé encostada na árvore esperando-o terminar. Então eu disse:
– Não é por nada Steve, mas porque nos colocaram em uma barraca só? — indaguei.
– Gata, estamos em um apocalipse zumbi, não dá pra ter luxo né?! — caçoou, enquanto saia da barraca, ainda sem camisa, indo lavar suas calças sujas de sangue de errante.
– Haha! Engraçadinho! — ironizei — Pois eu acho que não custava terem nos separado! Seria um favor para mim! Teria que te aturar menos! — disse sentando-me novamente na porta da barraca.
– Mas se você estivesse sozinha, quem iria te proteger a noite?
– Aih falou o super-homem! Me faz um favor, vá se trocar e depois deite BEM longe de mim!
Steve deu um sorriso e eu entrei na barraca, deitei e me cobri. À noite a temperatura caia, deixando tudo gelado. Ele estendeu as calças e as meias. Entrou na barraca. Fechou-a com o zíper. Deu-me um beijo no rosto e deitou-se.
Na manhã seguinte, todos acordaram com os primeiros raios de sol. Jimmy havia feito covas no alto de uma colina. Ele era magro, estatura mediana, aparentava uns trinta e poucos anos, tinha uma barba que lhe cobria o rosto e cabelos pretos. O tipo de cara que aceitava tudo e ficava na dele, mas quando algo o incomodava de verdade não ficava quieto. Nas covas foram enterrados Emily, o marido da mulher de cabelos brancos, e mais algumas pessoas que morreram com o ataque da noite.
O resto, corpos de zumbis mortos, foi queimado.
A manhã passou em silêncio, ouvia-se apenas o vento batendo nas árvores fazendo-as balançarem. Eu estava de vigia junto com Glen, um coreano que trabalhava de entregador de pizza antes de tudo.
De cima do trailer era possível ter a visão de toda a área ocupada pelas pessoas do acampamento. Inclusive a área onde o cara das flechas ficava. Longe de todos. Mais pra dentro da floresta. Sozinho.
Uma barraca, uma moto, algumas armas penduradas nas árvores e restos de animais. Olhei aquilo com certa repulsa. Ele surgiu da floresta com mais alguns animais nos ombros. Animais de pequeno porte como, por exemplo, pássaros, roedores, etc. Cassava para comer. Tinha uma fogueira perto da barraca. Isolava-se totalmente dos outros. Queria entender o motivo, já que, os demais viviam "juntos", ou, pelo menos, faziam algumas as refeições juntos na fogueira ao centro do acampamento.
– Qual é a daquele cara? — perguntei a Glen fazendo um gesto com a cabeça na direção do cara das flechas.
– Daryl Dixon? Ah ele é assim, caipirão, pavio curto, não se mistura com os outros. Ele é arrogante, quando está com seu irmão mais velho, Merle Dixon. Ele parece capacho do irmão. — respondeu-me Glen.
– Daryl... — repeti o nome como se já o tivesse ouvido antes, porém não me recordava de conhecer nenhum Daryl — Merle? Ele está no acampamento? Acho que não o vi.
– Não, quer dizer, estava, a dias. Mas nós fomos à Atlanta procurar por suprimentos e ele causou confusão. Ele é ignorante, mal educado, arrumava confusão com todo mundo e se achava dono do mundo. Rick o algemou no telhado do prédio onde estávamos. T-Dog voltou para soltá-lo mas a chave caiu das mãos dele e a perdeu. Tivemos que vir embora e Merle ficou. Ontem voltaram para procurá-lo, mas ele já não estava mais lá. Rick disse que Daryl encontrou a mão direita de irmão perto das algemas ainda amarradas no cano de ferro. — ele disse fazendo uma careta de nojo.
– Nossa! Que horror! — afirmei espantada com a história. — Confesso que não gostava dele. Acho que ninguém aqui gostava, exceto Daryl. — completou.
Fiz um gesto afirmativo com a cabeça e voltei-me para Daryl, afim de observá-lo. Ele colocara a besta em um galho, estava limpando os animais e colocando-os na fogueira.
Deu a hora do almoço, meu turno acabara. Desci, comi alguma coisa. Vi que Daryl não estava mais lá, então resolvi "investigar".
Passei pela moto, muito bonita, estilo a de motociclistas rockeiros. Vi uma bolsa de couro amarrada no final da moto. Abri-a. Uma faca, pedaços de borracha, arame, alguns pedaços de ferro, provavelmente para arrumar a besta. Fui indo em direção a barraca. Em volta, nos galhos das árvores, alguns pássaros pendurados, a besta, uma bolsa com algumas flechas. No chão, madeira, uma faca. Algumas flechas começadas. Na fogueira, as últimas brasas queimavam. De repente um susto.
– O que você quer? — Daryl apareceu em meio as árvores, na floresta escura. Estremeci.
– Eu...eu...estava procurando o Steve...- disse trêmula. — E esperava encontrá-lo aqui? Vamos saia e não volte mais. — Eu não sabia que era proibido vir aqui.
– Agora sabe! Anda, vai embora.
Olhei séria para ele, dei meia volta e segui em direção ao centro do acampamento, onde Rick estava reunindo a todos dizendo:
– Ei pessoal! Ouçam por favor! Depois do ocorrido de ontem, não é mais seguro permanecermos aqui. Existe um lugar, há alguns quilômetros daqui. CCD. Eles devem ter a cura. Deveríamos tentar... — disse Rick.
– Não acho que deveríamos ir — disse um homem de boné azul, com um tom de contrariedade bem expresso em sua voz.
– Shane, é nossa única opção — afirmou Rick.
– Seria em vão.
Rick olhou para Shane por um segundo pensativo. Concluiu:
– Por favor tomem uma decisão até o final da tarde! — e foi para longe dali, seguido por sua mulher, Lori.
Shane, irritado, voltou para sua barraca. E lá ficou até o fim da tarde.
Todos passaram a tarde decidindo o que fariam e arrumando suas coisas. Como eu e Steve não tínhamos muito o que levar, apenas a barraca e algumas peças de roupas, passamos a tarde juntos na beira do lago. Não sei porque mas acabei cedendo ao convite dele em dar uma volta por ali. Se bem que a vista era linda e eu não tinha nada de melhor para fazer mesmo. Andávamos pela beira do lago tranquilos. Parecíamos duas pessoas com uma vida normal, sem preocupações, sem deveres, sem zumbis.
Parei para admirar a paisagem.
Aquele lago azul, enorme, cheio de vida, lembrava-me as vezes em que ia pescar com meu pai. Bateu-me uma saudade e uma tristeza.
Suspirei.
Bons tempos.
Enquanto eu olhava para o lago, Steve ficou me encarando, e, sinceramente, odeio quando as pessoas fazem isso comigo. Olhei para ele e perguntei:
– Que é?
– Você...eu...a gente...o que houve?
Ficamos em silêncio por alguns segundos. E então:
– Todas as vezes que te chamei de idiota não foram em vão pode ter certeza disso porque você é um idiota mesmo! — exclamei irritada, dei às costas para Steve e fui andando com passos firmes e rápidos. Ele logo correu atrás de mim. Me segurou pelo braço. Me virei para ele. Olhou em meus olhos com tristeza e disse:
– Amy! Volta pra mim!
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