Apocalipse Zumbi
11 Vamos!
Notas iniciais
Pov's Manuela
Já são seis da manhã e eu estou na sala (escritório) de Tomas, já que não pensávamos em voltar para o apartamento durante o apocalipse. O laboratório é bem pensado! No último andar, como não teriam como utilizá-lo para nada, colocaram cinco quartos pequenos caso alguma coisa urgente acontecesse. Que bom que pensaram nisso!
Hoje, Tomás e eu vamos enfrentar um mundo onde podemos encontrar um ser carnívoro em cada esquina. Geralmente gosto de pensar no futuro. E dessa vez, eu gostaria de estar imaginando que vamos voltar para casa com a Homoclorina nas mão e são e salvos. Mas isso para mim é um futuro distante, e talvez inexistente.
Rick e Tomás estavam em outra sala fazendo mais algumas pesquisas há uma hora, com o restante de amostra de sangue da Tia Bernardete. O que mais me impressiona, é que já faz uma semana que o recolhemos. Como durou tanto e intacto? Enfim, não entendo desse assunto. Meu negócio é __ ou pelo menos era __ jornalismo.
Olhei pela janela e, como eu tinha percebido nos dias anteriores, não tinham tantos zumbis na rua. Eles não costumas rondar de manhã cedo. É mais à tarde e à noite.
— Péssimas notícias! _ anunciou Rick dramático, entrando junto com Tomás na sala. _ Acabou tudo! Internet, tecnologia... O mundo acabou!
Sinceramente, me segurei para não rir, mas uma pequena risada saiu. O desespero dele era engraçado.
É claro que eu já havia percebido a falta de tudo isso, mas aprendi desde criança a não ser dependente à tecnologia. A falta dela não me incomodava tanto. Mas devido ao desespero de Rick, pensei nas máquinas.
— E a cura? Como vamos...?
— Ele está se referindo à celulares, notebooks, essas coisas _ Tomás me interrompeu. _ Com as máquinas, não se preocupe. Sabemos quais serão essenciais para fazer a cura e fizemos algumas coisas para continuar com normal o funcionamento delas. Quando voltarmos, elas vão estar aqui prontas para serem usadas. Nosso problema é outro!
— E qual seria? _ perguntei me endireitando no pequeno sofá que tinha ali.
— A substância da carne é contagiosa _ me respondeu, Tomás.
— Contagiosa? _ me levantei. Tudo estava ficando cada vez mais sério. _ Como se dá o contágio?
— Mordida _ ele me respondeu novamente.
— Ou seja: _ começou Rick, brincando com um objeto da mesa de Tomás _ se vocês forem mordidos, viram zumbis.
Ótimo! Que maravilha!
— Manuela, se não quiser ir comigo...
— Acho melhor nós irmos cedo _ dessa vez, eu interrompi Tomás. _ Não acha?
Ele ficou alguns segundos quieto e me olhando um pouco incrédulo. Será que ele ainda não entendeu que não vou desistir de ir procurar com ele a substância?
— Claro _ saiu do transe. _ Enfim, não têm muitas regras. Só ir para o Rio de Janeiro, chegar no laboratório central de lá e pegar a substância, e evitar ser mordido ou virar comida de zumbi. Vamos ter que ir para lá a pé mesmo.
— Bom, comunicação nem pensar né? _ perguntou Richard largando seu novo brinquedinho.
— Nossos celulares não têm mais bateria, então... não _ Tomás respondeu.
— Então é isso, já vamos! _ falei enquanto colocava a mochila nas costas. Nessa semana já havíamos planejado algumas coisas. Pelo menos o que deu para planejar. _ Voltaremos vivos, se dermos sorte.
Minha mochila não estava tão pesada. Eu estava carregando as comidas industrializadas, e Tomás a água. Pegamos a mochila de Rick, a esvaziamos e colocamos armas e munição dentro.
— Boa sorte! _ Rick desejou à nós dois. _ Vou fazer mais pesquisas e descobrir um jeito de como curaremos os zumbis quando vocês voltarem.
Era bonita, e até um pouco cômica, nossa esperança. Nenhum dos três cogitava a ideia de que não voltaríamos. Afinal, ninguém pensa nisso. Estamos com a esperança de voltarmos vivos, sem perdas no caminho, e, principalmente, com a Homoclorina.
Suspirando e olhando pela janela, vi que não tinham mais que quatro zumbis na rua.
Finalmente, saímos dali.
********************
Tomás e eu estamos à caminho do vigésimo quinto batalho. Não precisamos matar aqueles zumbis perto do laboratório, pois conseguimos passar despercebidos por eles.
—São mais noturnos _ comentei.
— Como?
— Enquanto vocês, nessa semana, faziam pesquisas, fui analisando de longe os zumbis. De manhã cedo, eles não ficam tão rápidos ou atentos quanto à tarde, noite ou madrugada.
— Essa foi uma boa análise _ elogiou enquanto entrávamos no batalhão.
Ele teve um pouco de dificuldade para abrir a porta porque estava emperrada, e lá dentro não tinha nada além do que um zumbi morto coberto de moscas. Me segurei para não vomitar. O barulho me arrepiava de nervoso e o cheiro era terrível!
— Você e Rick o mataram, não foi? _ perguntei com a mão na boca.
— Era ele ou a gente _ me respondeu como se quisesse se explicar.
— Não estou te recriminando _ eu disse. _ Vamos logo, temos que pegar toda arma e munição que encontrarmos!
Ficamos cerca de dez minutos lá dentro e fizemos praticamente uma limpa ali. Só não levamos tudo, por que eu insisti que o Tomás deixasse duas armas e uma quantidade considerável (nem tanto) de balas, caso alguma pessoa aparecesse por lá atrás de proteção. Quando finalmente saímos daquele lugar, pude sentir o ar novamente.
— Preparada? _ ele me perguntou.
Olhei ao meu redor, tudo estava destruído.
— Só voltamos para cá com a Homoclorina _ falei decidida.
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