P.O.V Ani

Comecei a lutar com ele com todas as minhas forças, as vezes eu conseguia acertar ele com a faca mas só rasgava a blusa dele; ficamos minutos e minutos assim, até que a "ADR" do Rezende chega.

— Haha, o que vai fazer agora? — Rezende fala se aproximando de mim enquanto eu dou um passo para trás.

— ANI! — ouvi a voz do Cellbit gritando meu nome, eu olho para trás e vejo ele e o Pac, Mike, Guaxinim, Felps, Calango, Pk, Luba e T3ddy.

— Desde quando o Felps, Calango, Pk, Luba e T3ddy tão aqui? — pergunto.

— Eu sei lá, eles apareceram de repente — Cellbit fala se aproximando de mim.

— Agora vai ficar bem interesante — Rezende fala dando um sorriso ameassador — VAMOS LUTAR!

A ADR do Rezende e meu grupo começam a lutar, eu e Rezende começamos também, até que Rezende para de lutar, atira a arma para longe, olha para mim e começa a chorar.

— Eu não quero te matar... Você é especial para mim, por favor — ele fala caindo de joelhos no chão — Eu não quero te matar, Ani... Eu te amo!

Todo mundo olha para nós, eu fico chocada, eu não acredito que eu ouvi aquilo...

— MORRE SEU FILHO DA PUTA! — Cellbit grita enfiando uma faca na barriga do Rezende, assim Rezende cai no chão por completo, ele simplismente olha para mim e sorri.

P.O.V Rezende (Antes de morrer)


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...


Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...


Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...


Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...


Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...


Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...


E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.