Apocalipse Semideus
6 Carol - Eu reduzo um Ciclope a pó dourado
Notas iniciais
Pov. Carol Muniz
Eu acordei com o sol no rosto, e uma música leve e doce havia no ar, logo que me sentei na cama uma das minhas meio-irmãs veio até mim:
— Bom dia! – disse acenando
— Bom dia!
—Eu sou a Priscila, é muito bom ter uma nova irmã por aqui, o Papai me deixou responsável pelo seu segundo dia aqui no acampamento, já que eu sou a garota mais prestativa do acampamento, até mais do que os filhos de Hebe, falando em filhos de Hebe, isso me lembra o meu ex-namorado, o Ronaldo, ele me trocou por uma das filhas de Iris...ai se eu pudesse...
Ela respirou fundo e continuou:
— Mas não estamos aqui para falar do passado, o papai teve alguns problemas lá no Olimpo e teve que ir embora assim que você dormiu
— Que pena que o papai não pôde ficar!
— Pois é — disse ela triste, mas se recuperou rápido — Mas vá logo se arrumar porque já estamos atrasadas para o café da manhã
Ela me entregou uma calça jeans um pouco rasgada, e uma camiseta laranja igual a de todos, fui ao banheiro tomei um banho, coloquei as roupas, penteei o meu cabelo preto que estava todo embaraçado e saí.
— Maninha, você tá um arraso, mas vamos logo – ela me puxou pelo braço e me levou até o refeitório onde todos já estavam sentados, sentamos em uma das mesas e tomamos o café da manhã mais delicioso da minha vida parecia que eles sabiam o que eu gostava, olhei para os lados e vi como aquele lugar era bonito, com colunas gregas cobertas por videiras e a céu aberto o que fazia com que o sol entrasse ainda mais forte no local, olhei para os lados e vi o garoto baixinho e engraçado do outro dia, ele se apertava entre vários campistas com cara de "onde eu fui me meter", do outro lado não havia ninguém sentado, me virei para Priscila e perguntei:
— Porque é que aquela mesa está lotada de pessoas e aquela não há ninguém
— Porque será que todo novato faz essa pergunta! ... É porque as mesas são divididas pelos chalés e alguns campistas não sabem quem são seus pais por isso que ficam no chalé de Hermes!
— Aaaaahh! — terminamos de comer e logo fomos para a aula de grego antigo.
— Carol, essa é a sua primeira aula, preste atenção, grego antigo é muito chique! – me sentei e a aula logo começou e realmente era muito chique e nem era tão difícil quanto eu imaginava, quando acabou fui para o rio onde teria aula de canoagem. Aquilo realmente não era pra mim, perdi a conta de quantas vezes deixei o remo cair na água e fui puxada pela correnteza. Finalmente acabou e pude descansar no Píer, estava com o sol no rosto quando alguém sentou ao meu lado olhei e vi, era ele, o cara todo sujo de óleo e atrapalhado do dia anterior, meu coração deu um mortal duplo:
— Oi! — disse meio sem jeito
—Oi!
—O que tá achando do acampamento? É bem legal né?!
—É sim! Aqui é um lugar realmente diferente, sinto que tem muito a descobrir sobre o acampamento
—Verdade... se quiser eu posso te ajudar, a minha oficina na minha humilde opinião é um dos lugares mais misteriosos e loucos do acampamento; se quiser ir lá?!
— É claro – falou a Priscila que vinha logo atrás de mim — Eu sempre quis conhecer o Bunker 9!
E pelo visto ela queria muito mesmo ficou falando o caminho inteiro como deveria ser legal e que deveria ser aberto para turismo, eu adorava a minha irmã mas ela já estava me enchendo a cabeça, finalmente chegamos e aquele lugar era realmente misterioso, havia um banner escrito "E AÍ LEO"!!, armaduras antigas, mesas de trabalho e passarelas.
— Nossa aqui é incrível!
— Que bom que gostou
— O que é isso? – perguntei
— Esse é o meu maior projeto, o ARGO II.
— UAU! O dragão na proa é sensacional.
— Gostaria que você tivesse visto o Festus quando ainda estava inteiro!
Do outro lado a Priscila mexia em tudo; Leo saiu correndo e gritando:
— NÃO MEXA... AÍ NÃO...SAIA DAÍ! – ele se virou para mim e disse — É melhor irmos antes que algo exploda
Saímos e retomamos o caminho da floresta. Algum tempo depois, ouvimos um barulho e um cheiro de estrume tomou o local, por de traz das árvores saiu um ser enorme, com apenas um olho, coberto por roupas esfarrapadas e rugiu:
—UM CICLOPE?! – gritou Leo surpreendido, o ciclope chegava cada vez mais perto e o seus passos faziam o chão tremer, e então ele se jogou em nossa direção.
Com um súbito eu balancei a minha pulseira, transformando-a em arco e toquei no meu colar que virou a aljava.
— CARAMBA — falou Leo com os olhos arregalados — Carol, isso é Ouro Imperial no seu Arco e nas flechas?! — Acho que aquele tipo de ouro era bem raro, por que Leo ficou olhando pra ele por um bom tempo, acho que até esqueceu que havia um Ciclope ali na nossa frente tentando nos matar — e... são penas de uma Fênix nessas flechas?!
— Acho que sim, mas acho que você fala mais dele depois OK? — falei já nervosa — temos que destruir essa coisa enorme.
Ele assentiu com a cabeça e fomos pra cima dele, Leo pegou seu martelo e foi direto na canela. O Ciclope rugiu de dor e caiu, mas, pra nossa surpresa, ele se levantou mais rápido do que um bicho daquele tamanho poderia, então soltei uma flechada nele que acertou bem em seu peito e percebi que sou muito boa com arco. Ele começou a derramar um pó amarelo, bem como no meu ex-"professor" de piano. Leo partiu mais uma vez pra cima dele, só que sem o seu martelo, quase desmaio quando vejo que suas mãos pegavam FOGO. Então gritei:
— LEO, suas mãos!!
— Não se preocupe com isso, é um truque meu — falou ele com seu sorriso travesso enquanto corria em direção ao monstro.
Então ele começou a lançar bolas de fogo no monstro, sua roupa começou logo a queimar. O Ciclope caiu, o que me deu tempo de me aproximar e atirar mais uma flecha, que foi em seus olhos, quer dizer, olho. Ele gritou mais alto que acho que deu pra escutar do outro lado do país, então ele se desfez totalmente em pó dourado.
— UAU, mandou bem – Leo falou enquanto segurava um martelo enorme, Priscila estava atrás de uma árvore escondida de olhos fechados, e falando sozinha, o que parecia ser uma prece à Apolo, depois que percebeu que tudo acabou, disse ainda atônita:
— Acho melhor contarmos isso a Quíron – saímos correndo e logo chegamos a casa grande onde Quíron estava sentado em sua cadeira de rodas.
— QUÍRON! –falou Leo ofegante – Nós três estávamos voltando do Bunker 9 — ele parou pra respirar — quando fomos atacados por um ciclope!
—O que?? Vocês estão bem?!
— Sim! Eu e Carol conseguimos matá-lo.
Quíron olhou para o céu pensativo:
— Crianças o perigo pode estar mais próximo do que imaginamos! – Ele entrou na casa grande nos deixando sozinhos.
— O que será que ele quis dizer com isso? – perguntou Priscila
— Eu não sei!
Algumas semanas se passaram e tudo ia normalmente apesar do incidente com o ciclope, eu me aperfeiçoava cada vez mais com o arco e flecha e até tive alguns encontros no píer com o Leo.
As vezes quando eu ia pegar alguns morangos encontrava aquele garoto baixinho e engraçado conversando com a garota da coroa de flores nos campos de morango, a única coisa que não ia tão normalmente era Quíron que andava com uma expressão preocupada e pensativa; eu estava voltando para o chalé 7 quando um sátiro veio até mim:
— Quíron pediu para chama-la — disse ele me puxando até a Casa Grande.
— O que ele quer?
— Eu não faço a mínima ideia, o Sr. D. também quer vê-la, e com urgência.
Entramos na varanda, onde ele e o garoto baixinho nos esperava.
— Carol — gritou o garoto com uma feição de alegria.
— Que bom que chegaram, tenho algo muito importante para falar com vocês — disse-nos Quíron com uma feição preocupada.
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