Apocalipse - O Livro Dos Mortos
94 Ep94 -
Notas iniciais
POV ANNA
Acordei confusa eu não estava mais no carro, devo ter perdido a conciência, olhei ao redor era uma sala escura cheia de ferramentas penduradas pelas paredes, com uma caldeira e algumas velas iluminando um pouco a escuridão, próximo a caldeira vi a silueta de um homem segurando um bebê.
_Judith! Falei tentando me sentar.
_Oi, disse outro homem se aproximando, senti meu coração disparar eram estranhos, meu corpo estava fraco não respondia aos meus comandos.
_Tudo bem, não vou te machucar, encontramos você e o bebê num carro na estrada, você estava com uma infecção muito forte, mas vai ficar bem.
_Quem é você? A quanto tempo eu estou aqui? Sussurrei sentindo a minha boca seca.
_Meu nome é Jack, e aquele é meu amigo Roth. Disse ele apontando o homem que segurava Judith, ela parecia bem e brincava com um chocalho.
_Você ficou inconciente por dois dias e depois ficou alucinando por mais três. Deixa eu te ajudo sentar. Disse ele vendo o meu esforço, ele me ajudou, eu ainda sentia meu coração disparar de medo, não por mim mas pela Judith não era um mundo em que pudesse confiar em alguém por mais amigáveis que parecessem.
Tentei levantar e ir até Judith mas foi em vão, minutos depois Jack apareceu com uma tijela de comida nas mãos.
_Aqui está, coma e vai se sentir bem melhor. Eu consegui te dar água e um pouco de sopa na seringa, mas fiquei com medo se demorasse mais a acordar ia acabar morrendo de desnutrição.
Peguei a tijela, o simples ato de levar a comida a boca parecia algo incrivelmente difícil, meu corpo todo doía. Roth trouxe Judith até mim, larguei a tijela e a abracei forte, ela estava viva e saudável.
_Ainda não sabemos o seu nome... disse Roth.
_Anna e ela é Judith. Respondi.
_Humm... pelo jeito já esta bem melhor, logo pode pegar o bebê e cair fora, ela chama muito a atenção com esses chorinhos e risos... disse Roth e olhando serio.
_Nao liga pra ele, só late mas não morde, é nossa convidada pode ficar o tempo que precisar. Roth não tá na hora da sua ronda? Perguntou Jack.
_Sim chefe...Respondeu ele sarcástico.
_Porquê e ajudaram? Perguntei.
_Cuida do seu interior, afasta-te do mal, faz o bem e viveras em paz. Respondeu ele levantando e colocando mais lenha na caldeira.
_Não acredito nisso. Falei.
_Pois devia, não sei por o que você passou mas ainda existe um pouco de humanidade nas pessoas, seu bebê, nossa ajuda, são provas disso.
_Meu bebê?
_Sim sua filha, eu estive num campo de refugiados e acredite vi muita coisa que por algum tempo me fez pensar que estávamos no inferno, que não havia mais salvação, mas quando vi você e o seu bebê naquele carro achei que estavam mortas e quando ela chorou, soube que ainda havia esperança. Deus não nos abandonou. Disse ele com os olhos cheios de lagrimas. Ele balançou a cabeça e continuou. _Ainda tem um pouco de água na casa e algumas roupas naquela sacola se quiser se banhar, só lavei o seu rosto e o ferimento. Disse ele desviando o olhar.
_Obrigada. Falei.
Tomei um banho, era camadas e camadas de sujeira e sangue podre sobre a minha pele, eu não tinha armas nem me sentia bem o suficiente pra lutar então essa foi a maneira de chamar o mínimo de atenção enquantro procurávamos pelo grupo. Eu havia deixado placas em todos os lugares em que ficávamos ou que eu planejava ir, a ultima foi “Big Spot” mas estava tao fraca que não tive forças de encarar a estrada sem gasolina pra chegar até lá, eu precisava ir até lá saber se eles havia passado ou deixar outro recado. Terminei o banho, realmente o ferimento parecia bem melhor, fui burra devia ter me cuidado melhor, uma infecção sem tratamento é morte na certa, se Jack e Roth não tivessem me encontado estaria morta, Judith também e ela dependia de mim. Terminei o banho e vesti as roupas limpas e desci pro porão, Jack dava uma mamadeira a Judith e embalava calmamente, parecia já ter feito aquilo centenas de vezes.
_Você tem jeito com ela. Falei.
_ Bebês são fáceis de cuidar, você os mantem com a barriga cheia, secos e um pouco de carinho e ta tudo bem...
_Eu tenho um grupo, nós nos perdemos deles já faz alguns dias eu não tenho ideia de onde estejam... Falei..
_Ja disse que podem ficar com a gente, não posso dizer que estarão seguras porque ninguém está, mas podemos te ajudar a cuidar dela e a se manterem vivas. Voltar pra estrada sozinha com um bebê no colo é loucura, bom você sabe disso.
_Eu sei, vocês estão indo pra algum lugar?
_Sul, vamos pro sul, pro México assim que o inverno passar e tivermos mantimentos o suficiente, combustível e uma condução segura pra atravessar o deserto.
_ Por que o México?
_Por que é quente, tem alimento o ano todo brotando, menos armas o que quer dizer que terão menas pessoas vivas, mais comida enlatada e combustível.
_E mais errantes?
_Nao necessariamente, essas coisas precisam comer se não comem tem inanição, o corpo não responde ao comando do cérebro, o calor mantem as bactérias vivas, se alimentando deles.
_Entao o inverno congelante daqui que achava que era bom na verdade so os conserva por mais tempo?
_Exatamente, durante o inverno eles praticamente deixam de apodrecer, o frio mata as bactérias e os vermes que se alimentam deles. Eles podem ficar nesse ciclo por anos.
POV JACK HARPER
Os dias passaram voando, Anna e o bebê já estavam plenamente recuperadas, ela ainda tinha uma certa desconfiança, quanto a Roth e a mim, dormia sempre com uma faca bem próximo.
“_Questao de segurança.” Dizia ela, mas eu sabia que não era dos errantes que ela tinha medo. Bom eu também não posso dizer que eu cofiava nela, depois de vê-la despedaçar com um machado um grupo de seis errantes sozinha enquanto procurávamos por comida.
_Ja limpamos esta loja, porque insiste em vir aqui? Perguntei enquanto adentrava a loja de departamentos.
_Deixei um recado pro meu grupo na estrada, se eles virão pra cá.
_Anna, olha eu sei quer encontra-los mas já pensou que talvez eles não estejam procurando por você?
_E porque não estariam?
_Talvez, eles te deixado pra trás intencionalmente, já pensou nisso?
_Nao eles fariam isso.
_Você comentou esses dias que não estava muito bem quando aconteceu não foi? Talvez eles tenham pensado que você não seria ais útil ao grupo e...
_E então deixaram eu e os bebês pra morrer? Você não os conhece Jack, e além do mais o líder do meu grupo é o pai da Judith e ele jamais deixaria a filha dele pra trás!
_Ja vi pais e mães fazerem coisas bem piores desde que isso começou.
_psiu! Ta ouvindo isso?
_Parece uma moto, vamos dar o fora daqui. Falei caminhando em direção a saída, assim que cheguei a porta vi um pequeno caminhão e algumas motocicletas se aproximando.
_Melhor sairmos pelos fundos. Disse Anna.
Começamos a caminhar em direção a porta de emergência, mas estava lacrada.
_Droga! Vamos, deve outra por aqui. Sussurrei.
Ouvimos os passos apressados, conversas e gritos. Nos abaixamos atras de alguns artigos esportivos e ficamos observando o grupo.
Era cinco homens e duas garotas, uma estava com as mãos amarradas com o rosto machucado chorava e gritava compulsivamente, um dos homens se aproxiou dela e deferiu-lhe um bofetão no rosto que a fez cair!
_Cala a boca! Se não parar de chorar vai virar ração de errante vadia! Gritou ele.
_Vou olhar no segundo andar, ver se encontro alguma comida. Disse um homem gordo com uma barba proeminente.
_Merda, Ted! Estamos rodando a dias e nada, sem comida e quase sem água, não vamos ir muito longe desse jeito. O que pegamos com o pai da garota mal deu pra uma refeição!
_Vai reclamar pra quem Matt? Pro presidente? Vai la boa sorte!
_Só estou dizendo que talvez seja melhor a gente mudar a rota.
_Eu dou as ordens aqui! Esbravejou ele.
_Temos que ajudar aquela garota. Sussurrou Anna.
_Não é arriscado demais, eles estão armados e em maior número temos é que sair daqui sem chamar a atenção. Susurrei.
_Mas...
_Anna, eu também queria ajudar mas se fizermos isso e eles nos pegarem vao me matar e eu nem quero pensar no que farao com você, quer voltar pra Judith não quer? Falei baixinho.
Ela concordou com a cabeça, nem todos podiam ser salvos aprendi isso da maneira mais dura.
Saimos por uma porta lateral, por sorte o grupo estava cansado demais pra notar qualquer pequena movimentação, mas veriam assim que ligássemos o furgão, não poderíamos sair dali sem ele.
Conseguimos chegar ao ultilitario, entrei depois Anna, teria que arrancar e sair rápido. Respirei fundo e girei a chave, como esperado o ronco do furgão chamou a atenção do grupo que saiu rapidamente da loja e começou a fazer disparos que estilhaçaram o vidro, nos abaixamos eu dei a ré rapidamente e acelerei pela estrada. Duas motos nos seguiam, senti um tranco no volante do ultilitario e depois a direção difícil.
_Acho que acertaram um pneu! Segura firme! Gritei.
Acelerei ainda mais o furgão, era difícil controla-lo mas consegui fazer uma curva rápida na estrada parando logo em seguida, as motos em alta velocidade não tiveram a mínima chance de frear e se chocaram contra o carro.
_você ta bem? Pergunte a Anna.
_Estou. Respondeu ela um pouco zonza pelo choque da batida.
Desci do carro um dos homens havia sido lançado a alguns metros e tentava se levantar com dificuldade o outro estava preso as ferragens da moto que adentrara a parte traseira do furgão desacordado.
Anna pegou uma faca e atravessou na cabeça do homem, eu andei alguns metros a frente com meu machado, o homem tentava rastejar pela estrada bem machucado.
_Ainda que eu habite pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estas comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Sussurei enquanto me aproximava do homem.
_Nao, por favor, não. Disse o homem com a voz trêmula.
_Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias, e habitarei eternamente na casa do senhor... Orei enquanto golpeava a cabeça do homem com o taco. Quando uma grande quantidade de sangue espalhava pelo asfalto eu parei e voltei até Anna.
_Precisava de tanto? Disse ela olhando o corpo do homem.
_Isso vai manter os outros longe da gente, vamos voltar pra casa.
Voltamos ao porão, o lugar já não era mais seguro a cada dia a quantidade de errantes perambulando aumentava e agora ainda havia esse outro grupo que parecia muito perigoso.
_Finalmente chegaram! Já estava cansado de bancar a babá!
_Desculpe Roth, tivemos um contratempo. Disse Anna pegando a pequena nos braços...
_Contratempo?
_Tem um grupo nos arrredores e não parecem amigáveis. Falei.
_Droga! Era tudo que precisávamos! Reclamou! Roth.
_Calma vai fcar tudo bem, vamos achar outro lugar.
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