Apocalipse - O Livro Dos Mortos
47 Ep47- Doce assassino Part II
Notas iniciais
POV DARYL DIXON
Eu nunca estive tão confuso como agora, tinha feito uma burrada atrás da outra. Minha vontade era correr atrás dela e dizer o quanto eu a amava, o quanto eu a queria, mas Carol tinha razão eu era um covarde medíocre, o que eu tava pensando? A dias atrás eu tava feito louco tentando encontra-la no meio da floresta, morrendo de medo de perde-la pra sempre e agora por causa de um ciúme bobo e uma vadia eu joguei tudo fora. Sentia meu peito dilacerar a cada olhar de desprezo que Anna me lançava, doía muito eu tentava abafar aquela dor, mas ficava cada vez mais difícil. Não achei que seria tanto, não imaginava que pudesse machucar dessa maneira. Nunca me importei com o que os outros pensavam de mim, mas saber que Anna agora me considerava um canalha cruel que brincara com seus sentimentos me corroia por dentro, me devastava fazendo-me eu me sentir como um crápula sem escrúpulos que destruira a única coisa que realmente amou na vida. Eu tanto que falei do Hankins e acabei fazendo a mesma porcaria que ele porra!
Entrei no hotel disposto a falar com Anna, eu sabia que ela não me perdoaria mas pelo menos eu poderia aliviar aquela dor dizendo tudo que eu sentia e o quanto a amava. Ela não voltaria pra mim, mas se parasse de me olhar daquela forma eu já me contentaria.
Na sala da recepção, Rick ensinava Carl algumas estratégias de fuga mostrando um desenho sobre a mesa, olhei ao redor a procura de Anna, vi apenas liv vindo do corredor com uma expressão estranha, ela não tinha aquele sorriso sarcástico de sempre.
_Oi Daryl sentiu minha falta? Disse ela baixinho quase como um susurro.
_Liv sai da minha frente ou esqueço que você é uma mulher e dou um soco nessa sua cara!
Rick e Carl voltaram os olhares pra nós eu a empurrei tirando-a da minha frente continuei andando pelos corredores.
Parei da porta do quarto onde vi Anna trocando a roupa da bravinha, ela era sempre tão cuidadosa e atenciosa com ela. Fiquei alguns segundos admirando aquela cena antes de entrar.
Ela me olhou novamente com aquele olhar de desprezo, podia ela sentir tanta repulsa por mim depois de tudo que passamos? Será que eu tinha ido tão longe?
_O que você quer? Disse ela
Senti meu coração disparar eu tentava mentalmente buscar as palavras certas. Eu não conseguia pensar em nada eu era um babaca mesmo.
_Anna eu, só queria que soubesse que o que eu te disse naquele seminário não era mentira e que você foi a melhor coisa que me aconteceu, não quero que me perdoe porque eu sei que não mereço, sei que não sou bom pra você e eu não quero acabar estragando o que resta da sua vida.
_Já terminou? Disse ela friamente_Então se manda, vai procurar a Liv olha do jeito que ela é se você marcar em cima ou ela vai acabar dormindo com o Rick logo, logo, e tenho certeza que ela não pensaria duas vezes em fazer o mesmo com o Glenn mas ele ama a Maggie e não faria ela sofrer.
_Porra Anna sabe que eu não gosto dela! Eu tenho nojo dela!
_E isso foi antes ou depois de você enfiar seu pênis na vagina dela?
Sai pelo corredor irritado. Anna ainda estava muito revoltada tentar continuar com aquela conversa só levaria a mais uma briga. Fui até o corredor dos fundos procurando por Carol, eu tinha sido grosso com ela que só tentava me ajudar.
Ouvi uns grunhidos vindo de um quarto.
“Algum idiota devia ter deixado a porta da sacada aberta, por sorte a porta estava fechada e ele não conseguira adentrar o hotel.”pensei
Peguei a minha faca da cintura e abri a porta lentamente, havia sangue no chão vi o errante com o rosto sujo próximo a janela, lancei a faca pequena acertando o meio da testa dele. Senti um empurrão desengonçado me prensar contra a parede, empurrei de volta olhando pro rosto do errante e ficando totalmente paralisado. Era Carol, seus olhos antes azuis agora tinham uma cor negra e assustadora, eu a empurrei pra longe de mim não acreditando no que via. Ela voltou a caminhar grunhindo e com a boca aberta na minha direção.
_ Não Carol você não. Falei afastando-a novamente e assim sucessivamente todas as vezes que ela se aproximava tentando me morder.
Ve-la naquele estado fez-me sentir ainda pior, Carol foi a primeira pessoa que demonstrou preocupação comigo, no começo achava que era apenas pelo fato de eu ter procurado a Sophia mas depois percebi o quanto ela gostava de mim eu também gostava dela mas não podia corresponder da forma que ela queria.
_Não Carol. Disse a afastando mais uma vez. Alguma coisa me impedia de ir adiante, eu sabia que não era mais ela que comandava aquele corpo, mas a ideia de ter que dilacerar seu cérebro me apavorava. Nem mesmo com Merle foi tão difícil, naquele momento entendi o que Hershel sentiu quando matamos todos aqueles errantes no celeiro da sua fazenda.
Ela veio na minha direção agora com mais força eu a segurei mantendo-a afastada, mas ela continuava a grunhir com a boca aberta tentando me alcançar.
Ouvi um disparo abafado pelo silenciador, o corpo de Carol caiu e eu o aparei antes que chegasse ao chão. Olhei pra porta com ela entre meus braços era Carl empunhando a arma. Peguei a no colo e a coloquei cuidadosamente sobre a cama, puxei o lençol e limpei seu rosto sujo de sangue. Olhei novamente pra porta agora Anna também estava parada com Judith no colo com os olhos arregalados e assustados. Ela entregou o bebê nos braços de Carl e veio na nossa direção. Afagou o cabelo de Carol.
_Não, Carol... meu Deus! Disse ela já chorando.
_O que esta acontecendo?_ disse Cris surgindo a porta. _Meu Deus! bradou ele ao ver o corpo de Carol sem vida.
Narrador
Cristhian não hesitou um segundo sequer ao golpear Carol diversas vezes com a faca, fazia um certo tempo que ele não findava com uma vida humana daquela forma. Armas de fogo eram sempre mais aconselháveis, mas não tao prazerosas quanto fazer isso com as próprias mãos.
Liv surgiu na porta mirando-o apavorada.
_O que você fez Criss? Agora estamos ferrados! Disse ela enquanto o irmao limpava a faca suja e Carol desfalecia ao chão.
_Eu não tive escolha, ela nos ouviu. Disse ele abrindo a porta que dava acesso a varanda. _Anda Liv vai ficar parada ai? Temos que da um jeito nisso. Vai la fora e traz um zumbi pra cá e rápido não temos muito tempo!
_Acha que eles não vão ver que ela foi esfaqueada? Temos que fugir Criss eles vão nos matar que foi perdeu o medo morrer?
_Eu nunca tive. Agora faz o que eu estou mandando maninha. Disse ele pegando outra faca e abrindo um pouco mais a barriga de Carol, introduzindo suas mãos dentro dela e rasgando a carne do seu ventre.
Liv saiu correndo pela varanda e se dirigiu a estrada cuidadosamente pra não ser vista por Glenn que fazia uma ronda ao redor do hotel, não demorou muito pra que ela encontrasse um errante e fizesse que ele a seguisse ate o quarto, ela ainda estava um pouco aturdida com a atitude de Criss, desde que o apocalipse começou ele parecia tão mais calmo que fizera a esquecer a ferocidade dele de antes.
Eles deixaram o zumbi dentro do quarto que imediatamente começou a morder o corpo de Carol. E saíram, agora era só esperar e torcer pra que tudo desse certo.
POV ANNA HANKINS
Foi muito duro e triste pra todos enterrar Carol, discutimos durante um tempo o que havia acontecido. Rick presumiu que o zumbi a atacara num momento de distração, mas aquilo não fazia sentido pra mim, Carol era suficientemente forte pra matar um zumbi facilmente se até eu já conseguia fazer isso.
Aos poucos o grupo foi deixando o entorno da cruz de madeira apenas Daryl permaneceu ali, segurando uma flor, uma rosa Cheroke. Caminhei até ele e me ajoelhei ao seu lado.
_Você esta bem? Perguntei morrendo de vontade de abraça-lo e conforta-lo, mas meu orgulho continuava ferido e falava mais alto.
_Estou. Disse ele colocando a flor próximo a cruz.
_Daryl, eu não sei, mas isso não faz sentido, mesmo que aquele errante tenha a pego desprevenida o que eu já acho muito difícil porque ela não gritou? Ela não morreu com a primeira mordida porque ela não gritou?
_E que outra opção temos pra acreditar? Acha que eu não pensei nisso também, mas ai a outra opção é dizer que alguém a matou e depois deixou a porta aberta pra aquele errante entrar, mas isso também não faz sentido. Disse ele coçando a nuca.
_Viu alguma coisa la não foi?
_Uma pegada com sangue e grande, não é minha e muito menos do Rick. Glenn, Maggie, liv, Carl e você calçam muito menos.
_Que ta querendo dizer que foi o Criss? Porque ele faria isso?
_Eu não disse isso, talvez se fosse eu o morto ai sim, mas que motivo ele teria pra matar a Carol? Eu sei que ele não é flor que se cheire mas não consigo liga-lo a morte dela e esse é o único motivo pra mim não ter ido la e metido uma flecha na cara dele ainda. Mas se alguma coisa por mínima que seja me fazer acreditar nisso é bom o seu amiguinho rezar bastante.
_Criss não fez isso! Ele é um de nós ele não mataria alguém por nada. Liv que é cruel e fria não Criss. A pegada pode ser do Errante não pode?
_Eu não to acusando ele e é pode ser sim.
Sai pensando no que Daryl me disse, era impossível Criss não machucaria ninguém ainda mais Carol, se bem que ele era traficante eu já tinha ouvido falar de como eram perigosos e sem escrúpulos, mas mesmo assim não, aquilo tinha sido um mal passo na vida dele apenas, ele era gentil e educado jamais faria algo assim ou faria? Lembrei-me de Andrea o dia que esteve na prisão pedindo-nos pra irmos embora dizendo que o governador era um homem bom e que so queria manter a sua cidade a salvo.
Durante a tarde fomos atacados por um grupo de errantes, mas conseguimos controlar a situação com certa facilidade e ferocidade já que todos estavam muito revoltados por Carol ter sido morta por um deles. Quando a noite se anunciou a conversa com Daryl ainda ressoava na minha mente, ele não entrava dentro do hotel e dormia do lado de fora se isolando do resto de nós. Sentia tanta saudade dele, de me aconchegar em seus braços daquela segurança que ele me passava desde o primeiro dia que o conheci. Tentei dispersar esses pensamentos ou acabaria correndo atrás dele de novo e eu fiz um juramento a mim mesma que não faria isso.
Andei pelo corredor e fui checando as janelas pra ver se estava tudo devidamente trancado. Rick havia isolado a porta de onde encontramos Carol morta e eu fiquei uns minutos parada na frente dela sentindo uma grande dor.
“Carol vai fazer muita falta, ela sempre tinha uma palavra amiga ou um conselho inteligente pra nos dar, além de cuidar de todos no grupo.” Pensei
Ouvi a voz de Liv discutindo com Cristhian e depois ela sair bater a porta e me encarar no corredor eu fiz o mesmo deixando meus olhos firmes nos dela.
_Que foi magrela ta afim de levar outra surra? Disse ela zangada
_Pode tentar se quiser! Respondi
Cristhian saiu na porta e deferiu um olhar pra Liv que continuou andando pelo corredor, mas sem antes me dar um esbarrão.
_Não liga, depois que os peitos dela cresceram o cérebro diminuiu. Disse ele com um sorriso sem graça.
Você não foi comer e eu te trouxe isso.
_Obrigada, mas não to com fome, acho que ninguém está não é mesmo? Vem entra aqui to precisando conversar com alguém liv ta me deixando louco.
Hesitei por alguns segundos, mas entrei e sentei-me na poltrona a frente de uma das camas.
_Foi um dia difícil não é mesmo?
_É, sabe as vezes eu penso que o destino de todos é como que Carol teve. Senti meus olhos encherem de lagrimas novamente.
Cris afagou o meu rosto limpando a lagrima que escorria por ele.
_Não chora, você é linda sabia? Não sei como Daryl foi capaz de fazer o que fez mesmo eu sabendo que Liv não é nenhuma santinha e sabe jogar muito bem quando quer alguma coisa eu jamais arriscaria perder uma garota como você por causa de uma transa. Disse ele pegando a minha mão a aproximando seu rosto do meu.
_Criss eu acho que você ta entendendo errado.
_Me da uma chance e você esquece aquele cara rapidinho eu prometo. Disse ele tocando seus lábios levemente nos meus e depois abrindo passagem com a língua pra dentro da minha boca.
Aquilo era estranho, uma parte de mim sentia nojo e a outra queria continuar, queria usar aquele momento pra ferir e dar o troco ao Daryl, mostrar pra ele que eu não era uma menina boba apaixonada.
A mao de Cris segurava a minha nuca tornando o beijo mais intenso, eu passei meus braços pelo pescoço dele tentando controlar aquela repugnância. As mãos dele foram para minha cintura me levantando e me levando ate a cama. Sua respiração se tornara mais rápida ele me deitou levemente com caricias e beijos pelo pescoço. A minha aversão só aumentava, porque eu estava fazendo aquilo? Eu pretendia fazer algo que não queria só pra me sentir vingada? Ir pra cama com Criss ia me fazer sentir-me melhor ou so pioraria as coisas?
As mãos dele subiam por baixo do meu vestido, acariciando minhas pernas e depois puxando a minha calcinha pra baixo.
_Não Criss, eu não quero. Disse empurrando ele.
_Por que não? Anna eu sou doido por você desde o dia que te vi na floresta, relaxa somos livres eu sei que me deseja também qual o problema?
_Eu não posso desculpa.
_Porque? por causa daquele caipira que dormiu com a primeira vadia que apareceu na frente dele, nem se importando com você. Disse ele aparentando irritado com a minha repulsa.
Eu tentei me levantar mas ele me empurrou de volta prensando meu corpo contra a cama.
_Me solta Criss, eu não quero!
Ele levantou deixando que eu saísse de debaixo dele.
_Desculpa Anna, me perdoa eu não sei o que me deu. Disse ele coçando a cabeça. Nesse momento mesmo com pouca luz pude observar uma mancha de sangue já escuro nas suas botas. Estremeci.
“Isso não significa que ele matou a Carol, ele pode ter pisado em qualquer lugar. Tem poças de sangue por toda a parte” pensei.
Ele me olhou confuso com a minha insistência em mirar as suas botas, eu resolvi testa-lo e descobrir de uma vez por todas quem era Cristhian Turner.
_Foi você, você matou a Carol e fez parecer que foi aquele errante. Falei
A expressão no rosto dele mudou, tomando agora uma forma sarcástica com um sorriso pretensioso.
Ele deu dois passos chegando perto de mim.
_Anna, Anna ,Anna você é mais esperta do que eu pensava. Disse ele.
Virei-me instintivamente tentando correr pela porta mas Criss me puxou pela cintura e fechou a minha boca com uma das mãos.
_ Quietinha, droga Anna você tinha que estragar tudo! Disse ele empurrando a porta com o pé fazendo com que ela se fechasse.
Eu tentava desvencilhar me dele esperneando e chutando mas ele era muito mais forte e segurava-me firme jogando-me sobre a cama, rapidamente pegou o travesseiro e apertou sobre o meu rosto me sufocando.
Eu esperneava e o socava, mas a falta de ar fez meu corpo ir perdendo as forças e em pouco tempo estava entregue, nesse momento ele tirou o travesseiro eu respirei fundo tentando puxar o máximo de ar pra dentro dos meus pulmões. Ele virou-me de bruços e amarrou as minhas mãos nas costas com um pedaço de cordão eu tentava gritar, mas minha respiração ainda não estava estável saindo apenas um grunhido abafado. Ele colocou a mao novamente na minha boca me puxou ate a sua mochila, pegou uma fita adesiva larga colocando-a um pedaço dela sobre meus lábios e em seguida reforçando a amarra dos meus braços com algumas voltas de fita. Eu já sentia meu corpo se recuperando da falta de ar e o chutei com força correndo na direção da porta e a chutei também mas ela permaneceu fechada.
Criss me puxou pelos cabelos e me jogou novamente na cama.
_Droga Anna Droga! Você tinha que ferrar com tudo, Carol teve que morrer e agora vou ter que fazer a mesma coisa com você! Sussurou ele.
“Criss era um assassino, meu deus como pude não perceber isso antes?.”
Ele andava de um lado pro outro aos pés da cama, certamente decidindo o que faria comigo.
Criss veio pra cima da cama e começou a subir o meu vestido, eu comecei chorar.
_Ei não chora, acha que eu não sei que colocou esse vestidinho? só pra me atentar, pra me fazer ficar louco de tesão e deixar aquele caipira morrendo de ciúmes.
Senti as mãos dele baixando a minha calcinha, eu tentei fugir novamente mas o peso dele sobre mim me impedia, tentava gritar arranha-lo mas a mordaça só me permitia emitir alguns sons baixos que não seriam ouvidos fora daquele quarto.
A porta abriu eu pude ver as pernas de Liv entrando e fechado-a novamente.
_Merda Cris que isso? Quer botar tudo a perder de vez! Gritou ela.
_Fala baixo quer todos escutem. Disse ele saindo de cima de mim._Ela já sabe que eu matei a Carol.
_Eu sabia que isso ia acontecer te disse que não daria certo não falei? Merda Criss você ferrou a gente!
_Fala baixo Liv ou eu corto sua língua!
_O que a gente vai fazer?
_Vamos ter que por em pratica o plano agora ou vamos ferrar tudo de vez, agora você vai sair daqui e ir dizer pro Rick que você brigou com a Anna e ela saiu correndo pra estrada e que você está preocupada. Eles vão sair pra procura-la vai dar um jeito do seu caipira não ir com o Rick e eu vou segui-los ai pegamos ele.
_E ela?
_Vou brincar rapidinho, e depois eu decido. Agora vai Liv e tenta parecer bem normal não estrague tudo.
_Ta bom.
Ela se aproximou de mim.
_Mande lembranças pra Carol magrela. Disse ela dando um beijo sobre a mordaça.
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