Apocalipse - O Livro Dos Mortos
45 Ep45- Quebrado
Notas iniciais
POV ANNA HANKINS
Acordei sentindo um pouco de dor de cabeça, olhei ao redor apenas Carol cochilava sentada em uma cadeira de balanço, Judith dormia dentro da caixa de papelão. Meu peito parecia ter sido dilacerado, mastigado e cuspido, eu ainda não acreditava no que Daryl tinha feito.
“Por que ele beijou a liv? Ele realmente não devia me amar, fora tudo um sonho uma fantasia de uma adolescente?Eu fui tão burra que não percebi isso? Mas ele disse que me amava, umas duas vezes eu acho, seriam apenas palavras vazias sem nenhum sentimento? Eram tantas duvidas com tantas possíveis respostas que eu não tinha a menor ideia do que pensar.
Levantei e sai pela porta do pavilhão, vi dois walkers que começaram a andar na minha direção assim que me viram, fiquei parada olhando eles se aproximarem. Minha alma estava ferida como no dia que perdi minha mãe e meu irmão. Daryl não me amava, nada mais parecia me importar, porque viver? Se eu não tinha mais nada, mais ninguém. Eu não aguentaria vê-lo com outra isso seria o mesmo que morrer aos poucos. Um deles já estava bem próximo ao ponto de eu sentir o cheiro fétido de seu corpo e depois as suas mãos nojentas tocarem minha pele. Eu olhei pro céu e via lua cheia reluzente e bela.
“Era uma boa noite pra morrer” pensei.
Fechei os olhos, senti o abraço mortal da criatura e esperei a dor da mordida, mas numa reação instintiva por sobrevivência retirei um dos punhais da minha cintura e enterrei na nuca do Errante, que caiu debruçado sob meu corpo eu o empurrei na direção do outro o afastando. Minha mente estava confusa e minha consciência brigava com meu instinto natural de sobreviver fazendo-me mergulhar num intimo de pensamentos e emoções.
“O que deu em você Anna? Não tem coragem o suficiente nem pra findar com essa droga de vida? Sua pirralha covarde! É suficientemente cruel e vingativa pra matar seu próprio pai mas não pra por um fim em seu sofrimento? Vai viver pra que? Pra ver Daryl se esfregar com a vadia da Liv na sua frente? Ela é muito mais mulher que você, uma sobrevivente linda, forte, esperta e sexy e você não passa de uma adolescente chorona que está viva por puro capricho do destino.”
O outro Walker levantou e voltou caminhava na minha direção soltando grunhidos e com a boca aberta. Joguei os punhais e a pistola no chão, fechei os olhos novamente esperando a criatura se aproximar.
“Vamos lá acabe com isso de uma vez, vamos” pensava.
Ouvi um barulho, abri os olhos e vi Criss na minha frente e o Zumbi morto ao chão.
_Você está doida? Ta tentando se matar? Essa coisa ia te devorar Anna! Gritou ele irritado.
Eu apenas virei as costas e cai num choro intenso, por mais que eu tentasse eu não conseguia me controlar aquela dor era grande demais. Criss me abraçou afagando levemente meus cabelos com as pontas dos dedos.
_Ta tudo bem Anna, eu sei bem como esta se sentindo mas me escuta não vale a pena se matar por isso, pensa bem garota olha quantas pessoas morreram tentando sobreviver e você aqui tentando por fim na sua vida por causa de um cara idiota. Você é muito mais esperta que isso! Disse ele
_Eu não tenho mais nada Criss, nada! Pra que eu vou viver? Só pra ver mais gente ser devorada por essas coisas? E olha pra mim, eu não sei nada sobre sobreviver pra que ficar adiando o inevitável?
Ele acariciou meu rosto eu dei um passo pra trás rejeitando o toque.
_O mundo precisa que pessoas como você sobrevivam, olhe ao seu redor julgue por esse próprio grupo, o que sobrou? Um bando de gente endurecida e revoltada que faz qualquer coisa pra se manter vivo, inclusive torturar e matar?
Eu lembrei do cara preso na sala atrás do pavilhão.
_Eu to cansada de depender de todos... Eu não sei me cuidar sozinha sou um peso pro grupo.
_Para de falar assim, sabe que não é verdade se fosse isso acha que teriam ido buscar você? Se você quiser eu posso te ensinar a lutar, a usar isso direito.Agora não faça mais isso não vale a pena. Disse ele juntando os punhais e a arma e entregando-os na minha mao.
_Obrigada Criss. O abracei e dei um beijo leve em seu rosto, algo nele me trazia uma certa nostalgia uma lembrança boa do jeito gentil e educado do DJ. A primeira pessoa que eu gostava e vi morrer.
_Eu vou soltar o prisioneiro. Será o nosso segredo. Sussurrou ele em meu ouvido.
[...]
O dia amanheceu e nos nós preparávamos pra partir, Rick falou com o grupo logo cedo dizendo que era melhor nos afastarmos durante um tempo e quando as coisas tivessem mais tranquilas retomaríamos a prisão. Tudo estava muito tenso, Daryl não falara comigo desde ontem, mas ficava o tempo todo lançando-me olhares como se quisesse dizer algo. Liv e eu nos evitávamos, não valia a pena brigar com ela, ela não tinha culpa de ser mais interessante e bonita que eu e ter ganhado a preferência do Daryl. Criss veio correndo até o grupo com um pouco de sangue escorrendo pelo rosto.
_O prisioneiro fugiu disse ele.
_Como assim fugiu? Gritou Glenn.
_Ele me acertou eu acabei apagando. Disse ele.
Daryl olhava pra Criss com aquele olhar torto e desafiador que ele fazia quando algo não o agradava, ele corria a mão pela besta como se os seus dedos coçassem por um disparo. Sinceramente eu não o entendia, ele beijara Liv e sentia raiva do Criss por estarmos apenas conversando? O que ele estava pensando? Que eu aceitaria que ele ficasse com outras?
_Sei aquele cara tinha metade do seu tamanho acha que acredito que ele te acertou a ponto de te deixar desacordado? Questionou Daryl.
_Daryl, talvez tenha sido melhor assim vamos pegar as coisas e dar o fora daqui. Disse Rick.
Terminei de arrumar as coisas, peguei Judith e entrei na caminhonete com Rick e Carl, vi Criss, Liv, Maggie e Glenn entrarem no outro carro e Daryl dava carona pra Carol na moto.
“Pelo menos ele não ta levando a vadia da Liv, eu sabia que Carol gostava dele, no começo até senti ciúmes dela e achava que ela não me queria por perto, mas depois de algum tempo percebi que o carinho que Daryl sentia por ela era muito fraternal e acho que ela também entendeu isso”
Viajamos por uma centena de quilômetros até chegar a um pequeno hotel de beira de estrada. A maior parte do grupo avançou na direção do hotel, Carl, Carol e eu ficamos nos carros com eles ligados, caso eles tivessem que sair correndo estaríamos prontos. Alguns minutos depois vi Rick sair e nos chamar. Daryl, Liv, Glenn, Maggie e Criss arrastavam alguns corpos pro lado de fora.
Entrei no hotel e escolhi um dos quartos, até que estava tudo bem organizado um pouco empoeirado mas a cama era macia. Deitei-me um pouco e fiquei olhando pro teto por uns instantes. Fui ao banheiro e abri o chuveiro, havia ainda água corrente gelada, mas serviria pra relaxar um pouco. Tomei um banho demorado depois voltei pro quarto enrolada nas toalhas um pouco sujas do hotel. Daryl estava sentado sobre a cama brincando com a ponta de uma flecha.
_O que você quer? Perguntei rispidamente.
_Ta enganada, não tem nada entre a Liv e eu, aquela piranha vive enchendo meu saco só isso!
_E vocês terem se beijado foi só um acidente?
Ele se recostou na cama e ficou me olhando por um tempo, pegou a besta levantou e saiu, sem dizer mais nenhuma palavra. Eu me vesti e fui até a recepção onde estava o resto do grupo. Sentei-me num sofá próximo a lareira e Criss sentou-se ao meu lado.
_Obrigado por ter soltado aquele cara, falei baixinho para que o resto do grupo não percebesse. Ele sorriu, fitando-me com seus olhos azuis intensos. Daryl passou e nos deferiu um olhar furioso, mas apenas apressou o passo e saiu pra fora do hotel. Ele não tinha direito de exigir nada foi ele quem estragou tudo.
Narrador
Cristhian desamarrou o prisioneiro da cadeira e esgueirou-se com ele até um certo ponto da floresta com o jovem ainda com as mãos amarradas. Ele pegou uma faca e cortou a corda que prendia as mãos dele.
_Tem 10 segundos de vantagem disse ele.
O rapaz começou a correr desesperadamente por entre a mata, enquanto Cristhian contava mentalmente os segundos que se passavam, ao chegar a marca dos 10 ele começou a caminhar e depois a correr na direção que o jovem havia saído. Minutos depois já podia avistar suas costas no meio da mata, empunhou a arma e disparou em uma das pernas do rapaz que caiu logo em seguida. Cristhian caminhou até o corpo caído entre os arbustos e efetuou mais um disparo no seu joelho e recuou alguns passos.
_Nao, por favor! Mate-me! Eu não quero ser devorado! Implorou o rapaz ao ver que alguns Errantes já se aproximavam atraídos pelo barulho.
Criss sorriu maliciosamente e recuou mais alguns passos, ficou observando enquanto dois errantes cravarem os dentes e unhas no corpo do rapaz que gritava ainda implorando por um disparo que findaria seu sofrimento, aos poucos os gritoe tornaram-se gemidos agoniados e depois apenas o silencio. Os zumbis continuavam a devorar a carne abrindo sua barriga e espalhando parte de seus órgãos pelo chão da floresta já coberto por uma poça de sangue. Cris observava tudo com uma expressão altiva. Ele viu mais alguns zumbis se aproximando pra participar do banquete, virou as costas e saiu correndo antes que seu momento de luxúria torna-se um problema.
POV DARYL DIXON
Vi Anna e o babaca do Criss trocando sorrisos novamente, aquela cena me fez arder por dentro. Minha vontade era de quebrar a cara daquele idiota, infeliz. Mas do que adiantaria apenas faria Anna me odiar mais, afinal o que ela queria? Que eu me comportasse como uma bixinha sentimental e patética. Que compreendesse e perdoasse alguém que tentou me matar? Eu nunca fingi ser algo que não era, ela sempre soube do meu jeito de levar e ver as coisas e até esse imbecil aparecer tava indo tudo bem. Quanto tempo eu achava que ia dar certo isso, ela é uma menina, garotas da idade dela se apaixonam e desapaixonam tão rápido quanto trocam de roupa. Eu fui um imbecil me comportei como um garoto, achar que eu podia ter uma chance de ser algo diferente do que eu fui a vida toda porque o mundo tava acabando? Eu devia estar enlouquecendo mesmo, todos estavam, se até o Merle me disse aquelas coisas antes de morrer. Meu irmão jamais falaria aquilo, cresci ouvindo ele dizer que mulher só servia pra comer e pra cozinhar. Era tão mais fácil a vida antes dela. Que merda! Agora ela la dentro toda cheia de gracinhas e sorrisinhos pro Turner, e eu aqui me consumindo como um completo idiota. Como eu pude deixar aquele sentimento tosco tomar conta de mim? Como eu pude deixar uma garota de 17 anos me domar a ponto de eu pensar que a vida dela era mais importante do que a minha? Idiota, burro! Grande amor que ela sentia agora ta lá pendurada no Cristhian como uma vadiazinha qualquer. No fundo elas eram todas iguais, Merle tava certo, nunca vi ele de quatro por nenhuma, espiei pela janela os dois continuavam conversando. Meu peito disparou de raiva ao ver Cristhian dar um beijo em sua testa e afagar os seus cabelos.
Liv veio caminhando na minha direção com aquele sorriso malicioso que ela tem, eu não podia negar que ela atraente, sempre usando roupas justas deixando suas curvas e seios fartos bem desenhados.
_Vim pedir desculpa pela confusão. E...
Eu não deixei que ela terminasse a puxando com força contra meu corpo e prensando-a contra a parede. Ela sorriu e eu a beijei atrevidamente deixando minhas mãos deslizarem pelo corpo bem feito dela dando um apertão forte na sua bunda e depois subindo até seus seios e fazendo o mesmo.
_Ai vai com calma... disse ela enquanto eu beijava seu pescoço dando um chupão forte que com certeza ficaria a marca por dias.
_Não era isso que você queria? Sussurei mordendo sua orelha.
_Vem.. Disse ela sorrindo e me puxando. Fomos até um dos quartos da parte de trás do hotel, entramos e ela começou a se despir na minha frente sem a menor cerimônia. Eu me aproximei e joguei-a na cama eu tinha uma pressa pra fazer aquilo, não pelo desejo na verdade acho que nem tava com tanto tesão assim. Mas quando terminasse eu teria colocado uma pedra de vez naquilo que sentia pela Anna. Tirei a jaqueta e depois a camisa, Liv já estava praticamente nua na cama me olhando com cara de safada. Subi na cama e comecei a beija-la, era estranho mas continuei, ela abriu o zíper da minha calça eu terminei de tirar ficando apenas de cueca. Liv colocou a mao no meu penis e começou a movimenta-la o tirou da cueca e depois colocou-o suavemente dentro de sua boca fazendo movimentos lentos de vai e vem com a cabeça, ela era muito boa naquilo soltei um gemido mas logo a minha cabeça estava em Anna, naqueles olhos verdes, naquela pele doce e delicada. Olhei pra liv me chupando com vontade e muita desenvoltura.
“Devia já ter feito aquilo centenas de vezes com muitos caras diferentes, aquilo me fez sentir certa repulsa, o que eu queria? Só porque eu tinha sido o único até agora na vida da Anna queria que fosse assim com todas?” pensei
Eu segurei-a pelos braços e a puxei pra cima de mim, retirei o sutiã e beijei seus seios, ela gemeu, não um gemido contido que parecia ter medo que alguém escutasse como eram os de Anna, Liv parecia nem se importar pelo contrario gemia bastante e falava algumas sacanagens em voz alta.
Por mais que eu tentasse não pensar na Anna, e me concentrar em Liv, meus pensamentos parecia comandar a minha vontade, me fazendo perder todo o interesse naquela bela morena a minha frente. Ela me olhou confusa notando o meu desinteresse.
_O que foi? Perguntou ela enquanto beijava levemente meu pescoço.
“O Que deu em mim? Eu nunca falhei com mulher alguma ainda mais uma tao bonita e liberal quanto Liv”
Virei-a invertendo nossas posições e retirei a sua calcinha, tentei me concentrar beijando e lambendo aquele belo par de seios e repudiando qualquer pensamento que me levasse a lembrar de Anna. Logo a ereção voltou e eu a penetrei rapidamente com força, sem qualquer cuidado ou delicadeza, com ela não precisava ser cuidadoso. Me movia rápido entrando e saindo de dentro dela, Liv tentava me beijar mas eu virava o rosto evitando que os lábios dela tocassem os meus. Coloquei-a de quatro pra evitar olhar pro rosto dela, lembrei que Anna não gostava daquela posição, Liv gemia alto e apertava os lençóis empoeirados da cama enquanto eu continuava a me mover com bastante força, eu apertava e puxava os seus quadris com as mãos aumentando a intensidade tentando de alguma forma chegar ao orgasmo o mais rápido possível. Senti o corpo dela estremecer e desfalecer sobre a cama. Eu continuei mantendo o ritimo e puxando seus cabelos negros por algum tempo e ela parecia um pouco incomodada com a violência dos meus movimentos.
_Chega, para ta me machucando. Disse ela se desvencilhando de mim.
Eu sai de cima dela e fui ate o banheiro, agradeci por ter água no chuveiro tomei um banho frio, irritado comigo mesmo, soquei a parede do box algumas vezes tentando dissipar a raiva que eu sentia.
“Merda Daryl que foi não vai mais conseguir gozar com uma vadia, só porque foi pra cama uma porção de vezes com uma garotinha puritana?”
Voltei ao quarto peguei as minhas roupas, me vesti e sai deixando Liv dormindo nua na cama. Caminhei alguns metros até a frente do hotel, Anna estava parada a frente da minha moto passando suavemente os dedos pelo tanque e pela marca que ficara depois que eu arranquei o emblema nazista que era ali estampado. Ela estava com os cabelos soltos levemente ondulados caindo sobre seu rosto delicado, fiquei a observando de longe por algum tempo. Até ela perceber a minha presença, me deu um sorriso discreto, aprovando eu ter retirado a insígnia da moto. Comecei a caminhar na direção dela, a tentativa de esquece-la tinha dado errado que merda eu amava aquela garota, por mais que eu tentasse lutar eu a amava!
_Não precisava ter depredado a moto do Merle, eu já tinha entendido. Disse ela.
_Não foi por você, foi por mim acho que ta na hora de eu crescer e parar de viver na sombra do meu irmão.
Ela sorriu e me deu um beijo na bochecha.
_Eu conversei com a Carol, ela me disse que a Liv tava cercando você. Eu continuo zangada e muito decepcionada, mas não sei se eu to pronta pra desistir de você. A menos que você queira.
“Que merda que eu tinha feito, maldito jeito de agir antes de pensar dos Dixon. Eu não ter gozado não mudava o fato que eu tinha transado com a Liv, e agora Anna estava na minha frente tentando acertar tudo de novo. Eu não merecia aquilo, não merecia o perdão dela cedo ou tarde ela ia descobrir e ia se decepcionar comigo de novo. Se eu contasse e explicasse ela me entenderia? Talvez entendesse ou não. Talvez ela nunca descobrisse, liv pareceu não ter gostado do jeito que fiz talvez ela largasse do meu pé e deixasse a gente em paz. Eram muitos talvez”
_Daryl! Ouvi a voz de liv me chamando e o rosto de Anna mudar de expressão. Virei-me olhando na direção dela, ela vinha caminhando enrolada em um lençol trazendo meu colete.
_Esqueceu disso. Disse ela me alcançando o colete.
Anna me olhou com desprezo e saiu caminhando em direção a porta. Talvez fosse melhor assim mesmo sentindo-me como um trapo, ela ficaria melhor longe de mim eu não era bom o suficiente pra ela e nunca seria por mais que eu a amasse nunca ia deixar de ser um caipira, grosso, arrogante e sem jeito pra lidar com uma garota tão doce como ela.
Fale com o autor