Apocalipse - O Livro Dos Mortos
3 EP3 – Irmãos Dixon
Notas iniciais
Acordei em uma pequena sala, estava deitada em uma maca e não usava mais meu vestido, e sim uma calça camuflada um pouco maior que meu tamanho e uma regata branca. Levantei e caminhei até a porta, no corredor havia homens e mulheres a maioria vestidos como militares e outros poucos com jalecos brancos. Um deles me viu e veio em minha direção.
_Finalmente acordou, estávamos preocupados – disse ele chegando mais perto de mim.
Eu dei dois passos pra trás evitando que ele se aproxima-se, ele parou e ficou me olhando por alguns instantes.
_ Você se parece com a sua mãe sabia? Fique tranquila, está segura aqui, venha comigo vou leva-la até seu pai. Disse o homem
_ Meu nome é major Donalds, Eduard Donalds, sei que deve estar confusa com toda essa bagunça mas logo tudo vai voltar ao normal.
O major donalds era um típico veterano, por volta de 60 anos, andar altivo e um olhar imponente, andamos pelo estreito corredor até a porta na qual o major iseriu um cartão para que liberasse nossa entrada.
Entrei na sala, ou melhor, dizendo no laboratório, avistei meu pai sentado dedicando uma concentração extrema que nem percebeu nossa presença.
_Pai...Sussurei
_Filha, estava tão preocupado você dormiu dois dias – Disse ele me abraçando apertado.
Eu o empurrei com força me afastando dele, ele me olhava sem entender.
_ A mamãe e o Jimmy estão mortos e a culpa e sua. Gritei e sai correndo pelo corredor.
Meses se passaram, eu agora tinha 17 anos, a infecção havia alcançado cerca de 2/3 da população mundial, nenhum lugar era seguro. Começamos a sentir os primeiros efeitos da infecção na base, racionamento de água, comida e energia, passávamos boa parte do tempo no escuro, meu pai e eu mal nos falávamos havíamos nos tornado completos estranhos.
Era uma manha gelada de inverno, o silencio da base foi quebrado por gritos e disparos, sai do meu quarto e andei em direção ao salão principal, um grupo enorme de infectados havia derrubado as cercas e agora adentravam a base ferindo e matando indiscriminadamente.
Segui pelos coredores em direção ao laboratório, encontrei o Major Donalds que no mesmo instante me puxou pelo braço e disse que devíamos abandonar a base.
Corremos pela base já infestada de infectados, parecia não haver uma saída que não estivesse bloqueada, um grupo de soldados juntou-se a nós e depois de muitos disparos conseguiram abrir uma trilha por entre aquelas coisas. Chegamos ao pátio, havia muitos deles se alimentando e corpos sendo multilados, entrei num carro junto com o Major Donalds e mais dois oficiais.
_ E o meu pai? Perguntei
_ Ele deve estar vindo atrás de nós, fique tranquila Anna seu pai é muito importante pra nos darmos ao luxo de perdê-lo.- Disse o Major com a voz serena mesmo em meio aquele caos.
Viajamos por cerca de 1hr, desviando das estradas principais porque segundo o Major, elas estavam repletas de infectados, era a primeira vez que eu saia da base em longos 10 meses. O carro apagou, em uma estrada no meio da floresta, o Major e os outros 2 oficiais tentavam concertar o carro, e a noite se aproximava. Permaneci sentada dentro do carro, olhando a estrada. Aos poucos vi dois Infectados se aproximando, e atrás deles mais um grupo com cerca de 50.
_ Droga! _Esbravejou um dos soldados.
_ Vem Anna temos que sair daqui, é a única chance que temos – disse o major pegando suas armas dentro do automóvel.
Corremos em direção à floresta, os infectados nos seguiam os dois soldados ficaram pra trás nos dando cobertura, e poucos minutos depois podemos ouvir seus gritos de dor enquanto eram atacados pelos infectados. Continuamos correndo a nossa frente surgiram mais 5 infectados, o Major conseguiu acertar 2 antes de ser atacado por outro pelas costas. Ele gritava pra mim correr. Eu estava sozinha e com muito medo, mas continuei correndo, a floresta era confusa cai muitas vezes, estava cansada, meus joelhos sangravam devido aos tombos. Não sei por quanto tempo corri, ate cair de cara no chão exausta, permaneci ali imóvel rezando pra que nenhum infectado me visse. Algum tempo depois levantei e continuei minha jornada, caminhando pela floresta sem a menor noção de onde eu estava indo, e assim se passaram dois dias, a o frio, fome e a sede enfraqueciam meu corpo e eu mal conseguia caminhar, pra minha sorte não havia encontrado nenhum infectado no meu caminho. Alguns metros a frente avistei uma fogueira em uma clareira no meio da mata com duas barracas pequenas, me aproximei devagar, e vi quatro homens 3 sentados próximos a fogueira e o outro segurava uma arma fazendo vigia. Por um instante pensei em pedir ajuda, mas lembrei dos comentários que ouvia pela base, sobre como pessoas comuns haviam tornado-se, terroristas, estupradores e assassinos depois da infecção, comecei a me afastar com cuidado pra não ser notada. Mas um deles me avistou e em pouco tempo ouvia os passos de pelo menos três correndo atrás de mim, eu corria o maximo que pude, eles me alcançaram um deles me segurou, tentei escapar mas eles me arrastaram até a clareira.
_ Olha no o que achamos Manny! _ gritou um homem magro de olhos castanhos.
Manny saiu de uma das barracas, era um homem alto e muito forte de aparência assustadora, tinha uma cicatriz enorme no rosto.
_ Por favor, não me machuquem- implorei
_ Uma garota bonitinha assim não devia andar por ai sozinha sabia?- Disse Manny tocando o meu rosto.
_ Eu vou ser o primeiro disse um gordo com uma barba ruiva enorme.
Naquele momento estremeci, Manny olhou para gordo e disse que ele não era ninguém no grupo pra decidir.
_ Por favor, não continuei a implorar
Manny me segurou pelos cabelos e me jogou no chão, meu joelho bateu em uma pedra a dor era insuportável, me arrastei pelo chão consegui pegar uma pedra entre as folhas, o homem se ajoelhou ao meu lado e começou a rasgar a minha blusa, eu arremessei a pedra contra sua cabeça com toda a minha força, e tentei correr, mas meu joelho me impediu e eu cai alguns passos a frente.
_ Vagabunda! _ esbravejou Manny
Os outros soltaram risadas, e um deles falou
_ Cara você ta ficando velho, perdendo pra uma garota...
Manny caminhou enfurecido na minha direção, eu estava caída e ele chutou minhas costas com força, se ajoelhou sob meu corpo e bateu na minha cabeça, fiquei tonta, tentava impedir que as mãos dele me tocassem, mas eu já não conseguia mais lutar, estava cansada queria morrer. Ele tentava abrir os botões da minha calça, e eu ouvia as risadas dos outros do grupo, fechei os olhos tentando fugir daquele momento, mas continuava a sentir as mãos daquele homem me tocando, tirando as minhas roupas, pedi a Deus que me levasse, eu não queria mais viver, queria estar com a mãe e o Jimmy. Eu já estava apenas de roupas intimas, chorava e gritava para que ele parasse, vi ele tirando o cinto da sua calça, fechei os olhos de novo ele me virou de bruços forçava meu rosto contra o chão.
Senti o peso do corpo dele sobre o meu, abri os olhos ele estava imóvel, uma flecha havia atravessado a sua cabeça, os outros olhavam atordoados e mais um caiu com outra fecha, ouvi um disparo e um homem com um tipo de faca presa no lugar de uma de suas mãos, surgiu atirando, do outro lado havia mais um com uma espécie de arco. O mais velho dominou o ultimo bandido que restava, o derrubou no chão e deferia chutes e socos.
_ Gosta de estuprar garotinhas? – eu vou te ensinar uma lição; — disse ele enfiando a faca presa ao seu punho dentro do olho do homem.
Empurrei o corpo de Manny de cima de mim, e comecei a rastejar tentando sair dali. Ouvi uns passos caminhando na minha direção, me virei e era o homem com o arco, ele tinha cabelos castanhos e olhos de um azul profundo. O Estranho me olhou por uns segundos segurou a minha mão e tentou me levantar, eu ainda assustada me afastei, encolhida entre um arbusto.
_ Eu não vou te machucar se quer viver é melhor vir com a gente. – disse ele me alcançando as minhas roupas.
_ Eii maninho que historia é essa de vir com a gente? _ Disse o homem limpando o sangue de seu punho. _ Lembra é pra ser como nos velhos tempos, dois irmãos contra o mundo. _ completou
_ Se deixarmos ela aqui, não vai durar dois dias Merle.
_ Dane-se já fizemos a nossa boa ação do dia. Sabe de uma coisa, acho que você passou tempo demais com o Xerife, ta querendo salvar o mundo todo também Daryl?
_ Vamos sair daqui, os tiros devem ter chamado a atenção dos Zombies; — disse Daryl estendendo a mão na minha direção.
Tentei me levantar, mas meu joelho continuava doendo muito, Daryl percebeu e me pegou no colo, eu encostei a cabeça em seu peito e pode parecer loucura, mas pela primeira vez em muito tempo me senti segura.
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