Notas iniciais
Oi! Tem uma música neste capítulo. Chama-se Love is Blindness, do U2.

Félix tinha viajado com Bia. Mas passou quase todo tempo só a observando de longe. Ela estava viajando com a mãe e foi visitar o pai. O único momento que tiveram “juntos” foi quando ela pediu pra ir ao shopping. Félix nunca tinha entrado em um shopping. Ele ficou imaginando como era perigoso esbarrar em alguém, pegar alguma doença. Não gostou de conhecer o lugar. Apressou Bia para saírem logo dali.

Quando voltam pra casa, Bia dá uma desculpa pra não entrar junto com a mãe, assim fica no portão um pouco, pra conversar com ele. “Ia ser tão bom se ele não fosse fantasma” – pensou.

– Bia, você acha que isso está dando certo? – disse timidamente. – Sabe, hoje foi estranho sair com você e não podermos fazer nada juntos, nem conversar.

Ele estava certo. Nunca poderiam ser um casal normal.

– Mas o que vamos fazer? Terminar?

– Não! – disse imediatamente. – Quer dizer, eu não quero.

– Nem eu. – ela falou

Os dois deram um selinho e depois foram aumentando a intensidade do beijo. Depois se afastaram e sorriram um pro outro. Seria difícil terminar assim.

– Boa noite, linda! A gente se vê amanhã.

– Vou sonhar com você. – ela sorriu e então entrou em casa.

Félix seguiu despreocupado e desapareceu. Depois reapareceu na edícula. Estava certo de que encontraria alguém lá. Mas tudo apagado, silencioso. A casa idem. Ele acendeu a luz da edícula. Realmente não havia nada. Quem sabe não tinha algum bilhete, algum aviso pregado no quadro de recados. E havia. Ele pegou o bilhete e leu. Primeiro não entendeu nada, anel? Cartas? Leu de novo e aí se lembrou das cartas. Parecia que era isso. Foi pro quarto do Pedrinho e encontrou a caixa. Só tinha o anel e um bilhete com um endereço. Era de onde Julie estava.

“Mas acho que vou deixar pra amanhã” – ele pensou por um instante. E decidiu deixar pro dia seguinte. Desceu as escadas e parou na sala. A sala estava revirada, cheia de coisas quebradas. Achou tudo muito estranho. “Deve ter acontecido algo muito estranho aqui. Deve ser mesmo urgente. Vou ter que procurar a Julie. Agora”

Demorou um pouco pra chegar até Campinas porque nunca tinha ido lá. Ainda mais carregando um anel. Mas chegando lá ficou visível. Entrou num taxi e pediu pra leva-lo naquele endereço. Estava nervoso, com pressa, alguma coisa que o deixava inquieto. Nem medo ele estava sentindo, o que não era o seu normal

Toda hora perguntava pro motorista se estavam chegando. Quando o motorista finalmente disse que estavam a 1 rua de distância, e perguntou onde era pra parar, Félix desapareceu, deixando o motorista apavorado. Seguiu até o número da casa que estava escrito no papel. Teria que entrar e sabia que Julie levaria um baita sustão.

Ela tinha falado com a mãe que estava com cólica e queria se deitar. Já fazia algum tempo que estava no quarto e nada de ficar com sono. Estava com tanta saudades do Daniel, era muito ruim ficar sem notícias de quem se ama. “O que será que ele está fazendo que não apareceu até agora. Imersa em pensamentos, ouve alguém bater à porta. – Mãe! Pode entrar!. – nenhuma resposta. Bateram à porta novamente. – Mãe? – Ela ficou intrigada e começou a achar que era o Daniel. – E assim que bateu mais uma vez ela já pulou da cama, abrindo um sorriso. Puxou a porta com força, pronta pra dar um abraço bem apertado. Mas seu rosto se transformou ao ver que era Félix. De surpresa passou para nervosa e preocupada. Alguma coisa tinha acontecido com o Daniel. "Ai meu Deus!" — de repente ela sentiu uma vontade imensa de abraçar o Daniel, pra se sentir tranquila.

– Félix! – ela quase gritou. – O que você faz aqui? Onde está o Daniel? Ao ver Félix ali no seu quarto, Juliana amolece na hora. Perde as forças, sente um vazio na barriga. Medo.

– Bom, Julie. Posso entrar? – ela assentiu. – Eu não vi o Daniel hoje. Eu só encontrei um bilhete do Martin, falando pra eu te entregar isso aqui, o mais rápido possível.

O anel. Era o anel de compromisso dos dois. Ela quase chorou. Ela pegou rapidamente o anel e pois no dedo.

“Eu sabia, eu sentia que tinha alguma coisa errada!” – ela afirmava pra si mesma. “Por que? O Daniel ia sumir e mandar em entregar o anel? Será que ele... resolveu aceitar a proposta do Demétrius?

– Aconteceu alguma coisa com o Daniel? – ela pergunta muito aflita.

– Não, mas nem ele, nem o Martin estavam lá. E deve ter acontecido alguma coisa. Sua sala estava toda revirada.

Julie ficou ainda mais preocupada, olhando para o nada, com a cabeça imaginando a sua sala. Por quê revirada?

– Pode me falar, Félix. Eu prefiro saber. Me conta... – pediu quase chorando.

– Olha Julie. Eu não quero te assustar. Mas eu acho que é sério. O Martin pegou todas as cartas, que a gente tinha guardado. E deixou só esse anel lá. Eu não encontrei nenhum dos dois.

– Félix! Você tem que achar o Daniel! E-esse anel me faz sonhar com ele. E-eu preciso dormir. O problema é conseguir dormir.

– Que isso, Julie! Anéis não fazem isso. Ou fazem?

– Esse aqui faz! E eu vou procurar o Daniel. Não saia daqui, fica aqui comigo.

Todo sua felicidade de 1 dia atrás desapareceu. Angustiada ela se deitou na cama e, como ainda estava sonolenta, acabou dormindo, segurando a mão dele.

Demétrius estava invisível. Até sentia prazer em ver Daniel assim destruído. Só conseguiria se sentir bem quando acabasse de vez com Daniel. Ele apareceu para Daniel, com um ar de satisfação estampado no rosto.

– Olá, Daniel! Aproveitando a estadia? – abriu um sorriso irônico.

Daniel olhou pra ele com uma cara horrível.

– Eu gosto de você, sabia? Eu até pensei que você merece uma companhia. E pensei: que triste seria se o Daniel sumisse para sempre. Essa menina se sentiria terrivelmente só! Apesar de que já existe uma pessoa no caminho dela. Nós investigamos e descobrimos tudo Daniel. Você estragou e futuro deles. Se não fosse você o rapaz Rafael estaria com ela. Viveriam apaixonados. Seria um lindo casal. Mas se você sumir, ela vai poder consertar o que fez!

– Ela nunca faria isso! Ela me ama!

Daniel ficou bastante irritado e com muito ciúme quando ouviu que Rafael estava no destino dela.

– Eu decidi trazê-la pra te fazer Cia pra sempre.

– O quê? Você NÃO pode fazer isso. Cínico. O que você vai fazer?

– Você acha que sou tolo? Essa Juliana deve saber de tudo sobre mim. Eu não vou correr esse risco! – Demétrius fechou a cara.

Daniel tentou se levantar e agarrar no pescoço de Demétrius, mas ele estava armado e o paralisou de novo.

– Vou sentir falta da sua petulância, Daniel. E agora vou providenciar para ter certeza de que tudo sairá perfeito, sem deixar pistas. – ele virou as costas e saiu de lá.

Assim que Demétrius saiu, Daniel não tinha como se mover, mas mil pensamentos invadiam a sua mente.

POV DANIEL (Ponha a Música Love is Blindness do U2)

“Não! Ele não pode fazer isso! Ela é inocente! Nunca fez nada errado! Não, não pode ser! Eu não posso suportar isso!

Acabou tudo? Eu queria tanto ficar pra sempre com ela... tinha tanta coisa pra “viver”. Por quê tudo tem que acabar cedo demais? Eu demorei a encontrar você, Juliana.

Não pode acabar assim! Não é justo!

Por que o Demétrius é tão invejoso?

Tenho certeza de que ele se empenhou muito pra acabar comigo. E ele está conseguindo. Ele tirou tudo o que eu mais amava: a Juliana, a música e a minha liberdade.

Daniel fechou os olhos, arrasado.

Pensava em Juliana. Podia sentir seu abraço, seu cheiro, ver seus olhos profundos fixos nos seus, seu sorriso lindo, seus lábios colados nos meus, desmanchar seus cabelos tão lindos, que ela insistia em prender de lado.

Era missão quase impossível fugir dali. As paredes eram impenetráveis e estava se sentindo fraco. Começou até a delirar.

Clarisse ficou desse jeito...quando me perdeu...e eu nunca pensei como seria perder alguém... pra sempre. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e começaram a descer lentamente pelo seu rosto. Lágrimas quentes e pesadas.

“ Droga! Não acredito que o Demétrius está me fazendo chorar! Preciso sair daqui! “