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44 Capítulo 44 - Let's Party III
Notas iniciais
Fiquei muito feliz pois recebi comentários de duas novas leitoras. Obrigada por dar esse retorno, que me dá muita satisfação em receber. E todas que leram e gostaram saibam que fico imensamente recompensada pelo carinho de vocês.
Nesse capítulo rolam algumas músicas.
Like a Virgin - Madonna
Fogo - Capital Inicial
Send Me an Angel - Real Life
A festa continuou até mais animada.Talita tinha virado um bom assunto pra rirem nas rodinhas.
– Agora sim podemos comemorar! – diz Bia.
– Vamos gente! Vamos dançar? – Julie chama os quatro.
Estava tocando “Like a Virgin”. Julie até tentou fazer uma performance de Madonna. Não podiam negar que ela estava um charme, apesar de fora de moda.
– Vocês hoje arrasaram! – disse Bia. — A Talita saiu furiosa daqui, perdeu a classe, surtou geral!
– Imagina a hora que ela souber que nós somos fantasmas! – comenta Martin.
– Ela não vai saber disso. Vai? – Julie pergunta pra Daniel.
– Você acha que ela vai pensar isso? Impossível. – ele fala, convicto de que ela era burra demais pra deduzir a verdade.
– Mas eu queria muito que ela descobrisse isso! Já imaginou a cara dela?
Félix sente alguém colocar a mão em seu ombro. Ele virou pra trás e deu um salto. O “palhaço” usava aparelhos nos dentes, mas na sua paranóia, Félix via dentes de aço afiados. Ele cai no chão como se tivesse desmaiado.
– Nossa! Esse seu amigo é muito esquisito! – disse o palhaço. Toma aqui a cesta. E agora vou entregar o vale pra vocês dois, Julie e...?
– Daniel! – que responde todo eufórico.
Martin fala com Félix: — Levanta! Você sabe que fantasmas não desmaiam!
– Aaaai... eu não tenho mais condições de ficar aqui.
Daniel e Martin olham pra ele com uma cara de “Deus daí-me paciência!”
– Tá! Podem deixar que eu vou com ele lá fora tomar um ar. – Bia pisca o olho pra eles, tentando usar de psicologia com Félix.
Os dois foram pro lado de fora e se sentaram.
– Não sabia que você tinha tanto pavor assim de palhaços! São só pessoas fantasiadas. – Bia acha graça daquele jeito exagerado e medroso dele. — Félix , de onde vem todo esse seu medo de palhaços?
– Quando eu era criança, um palhaço ficou correndo atrás de mim. Eu corria, corria, corria e ele vinha atrás. Até que eu corri pra perto de um portão que estava trancado e ele me pegou. Depois ele me botou no ombro e me levou pra perto de uma mesa de doces. Pegou uma torta e tacou na minha cara.
– Mas que palhaço sem graça era esse? Onde você estava? No circo com certeza não era.
– Não, eu tava numa festa. Mais tarde eu descobri que não era um palhaço qualquer. Era meu próprio tio que foi chamado pra animar a festa só que ele estava completamente bêbado. E pra completar ele acendia um cigarro no outro.
– Félix, tem muita gente que tem medo de palhaços. Mas quando você for numa festa à fantasia, por exemplo, pode ter certeza que vai encontrar algum.
– Eh...
– Sabe o que eu acho que você devia fazer? Ir numa dessas festas vestido de palhaço! Você vai ver que é uma fantasia, só isso!
– Sei lá. Pode ser. Não sei. – diz Félix.
.....
Daniel chama Julie pra ficar do lado de fora. Mas ao ver que Bia e Félix estavam conversando a sós, desiste de ir pra lá.
– Olha, é a Bia! – Julie fala com ele.
– Vamos deixar os dois e ver no que isso dá.
Ela sorriu... pensando se aquilo tinha alguma chance de dar certo.
– Vamos ficar na sacada da frente. Acho que lá é mais tranqüilo. – ele a chama.
Foram pra lá. Tinha um casal, mas estava pouco interessados em quem entrava ou saía.
– Sabia que a sua coleguinha queria me arrastar pra cá?
– Ela o quê?
– É, ela estava cheia de más intenções comigo.
– Não acredito!
– Ela veio pra me beijar...
– Ãh – e aí? Colocando a mão na cintura.
Daniel riu alto. – E aí que eu a joguei na piscina pra apagar o fogo.
Julie respira aliviada.
– Daniel! Nem brinca desse jeito comigo.
– Sua bobona! Não sabe que não vejo mais ninguém além de você?
Ele a puxa e abraça. Olha bem perto dos seus olhos, com um leve sorriso. Eles prestam atenção em uma música linda que estava tocando e que nenhum dos dois conhecia.
“É tão certo quanto calor do fogo
É tão certo quanto calor do fogo
Eu já não tenho escolha
E participo do seu jogo, participo
Não consigo dizer se é bom ou mau
Assim como o ar me parece vital
Onde quer que eu vá o que quer que eu faça
Sem você não tem graça”
Ela deu um suspiro. E tocou seu nariz no dele. Depois ajeitou sua cabeça para um beijo doce e apaixonado. Eles se afastaram, mas não muito. Julie passou seus braços em volta do pescoço dele, que a abraçou pela cintura e começaram a dançar.
– Queria poder ir embora daqui agora. Pra um lugar onde a gente pudesse ficar juntos.
– Mas eu estou tão feliz de você estar aqui comigo... Vamos comemorar!
– Julie, eu tenho uma coisa muito importante pra falar com você. Mas não aqui. Não pode ser aqui.
– É bom ou ruim?
– É boa, muito boa. Mas não posso falar agora.
– Hoje é a primeira vez que todo mundo vê a gente junto. – ela sorri.
– Hoje é um dia especial. Mas nem sempre vai dar pra aparecer assim. Não é bom abusar da sorte.
– Se nós dois ficarmos quietinhos aqui no canto? Alguém vai nos encontrar?
– Claro que não! Por que, você não tem medo de ficar aqui comigo? – deu um sorriso – eu posso te assustar.
– Nunca me assustou pra dizer a verdade! – ficou sorrindo toda boba.
Depois disso eles ficaram um bom tempo curtindo a festa à maneira deles.
Do outro lado, no mundo espectral, não paravam de chegar documentos urgentes e confidenciais para Demétrius. Um policial entregou uma pilha desses documentos para ele. Mas seus olhos pegavam fogo a cada folha em que ele lia “Daniel Castellamare”. Separou todos os documentos, carimbou e assinou. Colocou todos num envelope e lacrou. Por fim devolveu o envelope e falou entre os dentes trincados: arquive!
A conversa entre Bia e Félix fluía muito bem. Ele já tinha se acalmado e isso graças à ela. Bia estava encantada com a sensibilidade dele. “É tão diferente dos caras que eu conheço”. Mas ao mesmo tempo se repreendia. “Apaixonada por um fantasma já basta uma louca.”.
Félix se lembra da cesta e resolve dar a ela.
– Bia, pra você que me fez companhia até agora e é uma amiga mais que especial.
– Jura? – seus olhos brilharam. – Félix! Obrigada! Nem sei o que dizer! Quer dizer, obrigada!!!! – e deu um beijo no rosto dele.
Pode ter sido um beijo de gratidão, de amizade. Mas talvez fosse mais que isso.
.....................
“Send me na angel... send me an angel right now, right now…” tocava, fazendo todo mundo dançar.
Martin ficou sozinho pra não ter que segurar vela. Ficou dançando no meio do pessoal e reparou numa garota que estava lhe encarando desde muitas músicas atrás. Ele deu um sorriso pra ela, que retribuiu com um tchauzinho. Ela saiu pra área da piscina, olhando na direção dele. Obviamente ele foi atrás, depois de um mole desses. Passou por Félix e Bia, que continuavam conversando no banco. Foi atrás da garota, mas não a encontrou. Ficou sem entender
Voltou pra perto do banco, pra falar com os dois amigos.
– Rum-rum... desculpe atrapalhar, mas vocês viram uma garota que acabou de passar por aqui? Ela é um pouco mais baixa que eu, tem o cabelo preto e liso, uma calça justa preta e um camisão branco cheio de bolinhas pretas por cima de um top de renda?
– Caramba! Se você pelo menos soubesse a cor dos sapatos, ou do esmalte... hahaha – Bia implicou com ele.
– Eu vi! – disse Félix. – Ela acabou de ir pra lá! – e apontou pro outro lado da piscina onde não tinha ninguém.
– Eu não vi ninguém. – diz Bia. – Faz tempo que não passa ninguém aqui.
– Passou sim, Bia! E ela estava usando um salto preto e esmalte vermelho. – diz Martin.
– Nossa! Ela devia ser muito feia, né. Pra reparar até isso. Mas eu tenho certeza que não passou ninguém mesmo. Acho que as pessoas chegam aqui na porta e pensam que eu e o Félix estamos...
Félix fica todo encabulado.
– Estranho né, Félix. De repente nós dois estamos vendo coisas... – é isso. Ela é uma fantasma! Só pode ser! Vou lá dentro ver se ela está lá.
Voltou pro salão e ficou procurando a garota. Mas nada. Ela não estava lá! Um cara chegou pra ele e entregou um papel.
“Estou indo embora. Qualquer hora a gente se encontra. Laila.”
– Quem te entregou esse bilhete? – Martin pergunta todo ansioso.
– Uma garota que acabou de sair daqui. Uma gata.
– Valeu.! – e foi correndo em direção à saída. Mas ela não estava mais ali.
O resto da noite ficou tão pensativo, se lembrando de Laila, que nem ficou com ninguém.
Daniel e Julie voltaram para o salão e se juntaram a Martin.
– Que foi, você está passando mal? – pergunta Daniel a Martin.
– Por que?
– Porque você não ficou com ninguém até agora. – e riu debochado.
– Ha ha tem muita graça.
– Tão cedo não vou esquecer essa festa!
– Olha quem chegou!
– O pessoal dos Lacônicos Furiosos!
– Será que eles vão tocar sem a Talita?
...
– Não tem como! Nós não vamos tocar sem a Talita! Nós ensaiamos as músicas dela!
– Poxa! Vai nos deixar na mão, mano!
– Infelizmente não vai dar, cara! Sinto muito! Ninguém vai querer cantar as músicas dela.
– Que droga, o pessoal não vai gostar nada.
Alguém deu outra sugestão:
– Tem uma pessoa aqui que pode salvar a noite. Olha lá no salão.
Julie estava olhando pra eles.
– Ahhh será? Ela não vai querer cantar as músicas da Talita.
– Não vai mesmo! Ela tem muita personalidade.
– Mas e se ela aceitasse tocar as músicas dela?
– A gente não sabe tocar as músicas dela. Olha só, vocês querem cancelar o show, beleza. Mas a Talita vai ter que dar uma boa explicação pra isso!
Os caras dos Lacônicos furiosos saíram de lá realmente furiosos com a Talita. Ficaram com cara de idiotas.
.....................
Raí, o aluno do 3° ano que estava responsável pelo show, foi até perto de Julie, cumprimentou os cinco e chamou Julie pra uma conversa particular.
“Problemas com Daniel” – ela pensou.
Ele realmente não estava com a melhor cara do mundo, mas como já estava desconfiado do assunto, não fez nenhuma objeção.
– Oi Julie. Nós queremos te pedir um socorro. Ficamos sem a nossa atração depois que a Talita fez toda aquela palhaçada aqui. Será que você e seus amigos não querem tocar umas 3 músicas pra encerrar a festa não?
– Mas nós não trouxemos nada. Não temos instrumentos e eles não tocam sem as roupas deles.
– Poxa, mas e se a gente fosse na sua casa e buscasse?
– Meu pai me matava. Olha só, me dá um minuto, vou falar com eles.
– Tá legal
Julie chegou pros meninos e explicou a situação.
– Querer tocar a gente quer, mas só me fala como!
– Pensa aí!
– Calma! Eu não consigo pensar em nada!
Bia acaba com aquela confusão. – Vamos tentar o seguinte: a gente vai pedir ajuda por Pedrinho.
– Alô! Aqui é o Pedro. Pedrinho pros mais íntimos.
– É a Bia! A gente precisa da sua ajuda.
– Hummm... e o que eu vou ganhar com isso?
– Te pago um lanche amanhã, combinado?
– Vou pensar. Tá bom, eu aceito.
– É o seguinte: separe as roupas dos garotos e põe num saco de lixo. O baixo e a guitarra também.
– Tá, e depois?
– Depois você coloca lá na calçada que um carro vai passar pra pegar.
– Tá quase na hora de passar o caminhão do lixo.
– Pára de jogar mal-olhado, Pedrinho. Vai dar tudo certo. Conto com você, hein.
Julie foi combinar com Raí.
– Já acertamos tudo. Agora vocês vão levar os meninos lá na minha casa, eles vão descer e pegar os instrumentos.
.....
Sr. Raul viu Pedrinho passar com 3 sacos enormes de lixo por ele.
– Onde você vai com isso, Pedrinho? Já coloquei o lixo pra fora!
– Não, pai, é que eu arrumei o meu quarto hoje e tirei todo esse lixo aqui. São só coisas estragadas, papel, resto de lápis, essas coisas. Ahh e também essas coisas de criança né, carrinho, peão, joguinho de cartas.
E nem esperou que o pai dele percebesse que era mentira. Foi saindo de fininho e pôs o saco na calçada.
Não passou 5 minutos o caminhão de lixo virou pra rua dele. Junto vinha o carro de Raí com os fantasmas. Eles tentaram ultrapassar o caminhão, mas não conseguiram. Os fantasmas desceram do carro e correram para perto do caminhão. Os lixeiros pegaram os 3 sacos e jogaram pra dentro do caminhão, mas na mesma hora os fantasmas tiraram e saíram correndo.
Os lixeiros ficaram olhando uns pra cara dos outros. Só viram 3 sacos saindo sozinhos pela rua. O caminhão de lixo deu um arranco e partiu em disparada dali.
– Pronto! – eles disseram. – Vamos voltar pra festa.
..................
Tava tudo certo. Iam tocar 3 músicas apenas.
– Canta aquela sua, Daniel. Aquela triste.
– Não. Aquela eu só canto quando eu estou realmente, totalmente e completamente triste.
Resolveram tocar então: Meu Louco Mundo, Essa Noite Somos Um Só e Ponto Final.
Subiram ao palco improvisado, assim que os garotos colocaram a fantasia. A bateria já estava montada no palco desde cedo.
Eles arrebentaram, arrancaram muitos aplausos e pedido de bis.
Então voltaram e tocaram “Meu Erro”, sucesso dos Paralamas do Sucesso nos anos 80. Eles já tinham ensaiado essa música na casa da Julie.
Todos na festa amaram o show. Eram só elogios.
Quando terminaram as pessoas chegavam pra eles falando:
– Julie, parabéns! Você está cantando muuuito!
– Julie, me dá um autógrafo! Assisto todos os seus shows
– Você é linda e sua voz também!
– Você é um p... guitarrista! Valeu muito brother.
– Vocês mandam muito! Quando é que vão lançar um cd!?
Julie falou com os meninos e Bia:
– Essa foi a melhor comemoração que eu já fiz em toda minha vida! Eu amo vocês!
Notas finais
Até o próximo! ;)
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