Notas iniciais
Escrevi a primeira parte, ainda vou escrever a continuação, mas preciso de reviews pra me animar :( ... minha inspiração está um pouco lenta...

Julie e Bia descem do carro do pai de Julie exatamente em frente à entrada da festa. Pra ajudar, Sr. Raul ainda buzinou e falou lá de dentro do carro “Eu volto pra te pegar aqui! Na hora que acabar você me liga!”

Os fantasmas já estavam parados na entrada esperando por ela. Eles despertavam uma certa curiosidade, já que eram “estranhos” pro pessoal do colégio.

Na entrada da festa, o porteiro estava vestido de Freddie Krueger. Numa faixa estava escrito: “Pague Para Entrar, Reze Para Sair” e mais embaixo: “Show Imperdível dos Lacônicos Furiosos”.

– Não acredito! – Julie comentou. Isso não podia ser verdade! A Talita vai estar aí!

Eles chegaram na festa, já tinha bastante gente. Parecia que tinham entrado numa máquina do tempo e surgido numa festa de 30 anos atrás.

Na entrada da festa cada um recebia uma pulseira. Verde era pra quem estava livre, sem compromisso. Amarela era pra quem talvez ficasse com alguém. Vermelha era pra quem não estava livre, era compromissado.

Daniel e Julie escolheram a vermelha.

– Oi Julie! Ah, o seu é vermelho! Ta namorando o Nicolas! – Julie já ia responder, mas Daniel interrompeu:

– A minha é vermelha, também. Eu sou o namorado dela. – disse fechando a cara pro garoto que estava entregando as pulseiras

Bia a amarela e Martin a verde.

– Ah, eu vou de amarela! O Valtinho e eu não estamos ficando mais. – disse Bia.

– É claro que eu vou de verde – disse Martin. E me segurem pois eu não vou ficar muito tempo sozinho não. Aposto que qualquer garota que eu chegar perto, logo vai se derreter com o meu charme.

Daniel só lhe lançou um olhar de “Estava demorando!”.

Félix foi obrigado por Daniel a colocar uma pulseira verde.

– Vamos desencalhar você de qualquer jeito essa noite! – Daniel afirmou.

Mais pra frente cada um recebeu um cartão com um número. Havia duas numerações iguais: uma pra mulheres e outra para homens. Os cinco primeiros que encontrassem o par ganhariam um presente especial, mas teriam que ficar algemados por 20 minutos.


Eles entraram e já deram uma olhada nos números. Julie tinha tirado o número 29.

– É igual ao meu número! Gritou Félix

– Então passa isso pra cá! – Daniel falou e puxou rapidamente o papel da mão de Félix. Toma esse meu número pra você. Número 22 – O Louco – Daniel sorriu.

– Mas isso não é justo! Eu não quero ser caçado na festa como uma lebre.

– Então não seja a lebre, seja o caçador! – disse Daniel. –Agora com licença que nós vamos ali nos algemar... até o fim da festa!

– Daniel! Nem pensar! Eu quero aproveitar a festa. – disse Julie.


Eles foram falar com um cara que parecia ser o encarregado de conferir os números. O cara estava vestido de palhaço, pra ficar mais fácil de encontrar.


– Vocês foram os primeiros! Que sorte! O prêmio de vocês será um vale de compras no valor de R$ 3.000,00 na loja Clave de Sol, de artigos para música.

– Nossa! Que demais! Isso é mais do que um presente! – Julie falou.

– Muito obrigado mesmo! Esse prêmio foi o melhor que a gente poderia ter ganhado. – disse Daniel sorrindo.

–Agora vocês terão que usar essas algemas por 20 minutos. Só depois disso poderão voltar e pegar o prêmio.


Saíram dali algemados e felizes.

– Você está presa! – ele brincou.

– E você está o quê? — ela riu.

– Até que nós fazemos um belo casal de presos!

.............

Praticamente todos estavam fantasiados. Tinha de tudo: Axl Rose, Cindy Lauper, Prince, Gretchen, Freddie Mercury, os góticos do The Cure e até Chacrinha. Madonna e Michel Jackson eram a presença mais comum na festa. Inclusive tinha um Michael Jackson muito empolgado no meio da pista, ensaiando uns passos.

– Que horrível ... eu teria vergonha! – Daniel comenta. O Michael Jackson deve estar se revirando no túmulo a uma hora dessas.

– É, ele não deve estar gostando nada disso. – disse Félix.


De repente a voz do DJ soa no microfone anunciando um novo desafio.

– Hoje vamos eleger a pessoa com caracterização mais original da festa.


A festa estava bombando, rolando clipes, muita iluminação, fumaça e DJ.

Um cara do time de handball da escola passou por Julie, parou e começou a falar.

– Oi! Seu nome é Julie, né?

– Não, é Maria Zulmira. – Daniel se meteu na conversa. – Vamos dar uma volta Zulmira.

– Nossa, Daniel! O cara só falou oi!

– Ele disse “oi”? Sabe qual é a próxima palavra? É “tchau”!


Eles pararam perto da mesa de drinques. Perto deles tinha umas garotas cochichando. “Nossa, ela foi rápida hein!”, “É... nem sabia que ela já tinha metido o pé no Nicolas!”... “Quem será esse carinha que chegou com ela?”... “Nunca o vi na escola, senão já tinha entrado pra minha lista.”

Uma garota passou perto deles e perguntou pra Daniel “Você sabe qual desses drinques é o Cuba Libre? Pode pegar um pra gente?”

– Ele não bebe nada. Nem água! – Julie respondeu a garota e saiu puxando ele pra outro lado. – Nem adianta me olhar desse jeito, eu falei a mais pura verdade.


“Billie Jean ain’t my lover,
She's just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son

She says I am the one
But the kid is not my son..”


– Vamos comemorar Ju... nós não vamos dar nem um beijinho?

– Agora não... – ela fala, olhando ao redor – vamos dançar, que tal?

– Eu vou ter que desrespeitar essa sua ordem. – disse Daniel já lascando um beijaço.

Por alguns segundos o mundo ao redor desapareceu. Até que o DJ anuncia:

“Vamos tocar uma música lenta agora, durante essa música, vocês podem procurar os seus pares para tentarem ganhar o último prêmio, um super kit de produtos de beleza. O primeiro a encontrar seu par deve procurar o palhaço da festa.”


– Palhaço? – Félix fala apavorado.

– É! Tem um cara fantasiado de Pennywise – diz Bia, que tinha virado especialista em filmes de terror.

– “Ahhhh, Pennywise é o pior de todos!” – Félix disse, apavorado.


“E para quem quiser dançar, vai rolar agora, uma dança da vassoura. Quem tiver com a vassoura pode passá-la pra alguém e ficar com o par da pessoa.”


Começou a tocar “Don’t Dream, It’s Over”


“There is freedom within, there is freedom without
Try to catch the deluge in a paper cup
There's a battle ahead, many battles are lost
But you'll never see the end of the road
While you're travelling with me”

Daniel comentou

– É, acho que seu pai ia curtir essa festa, essas músicas...

– Pára Daniel. Você e o meu pai são da mesma época! – ele não gostou muito do comentário, então resolveu mudar de assunto.

– Se algum cara me passar essa vassoura eu vou quebrar na cabeça dele.

– Claro que não! A gente está aqui pra se divertir, esqueceu?

– Tem razão!


Talita avista Julie e resolve ir atrás pra especular. Mas no meio do caminho um cara do 3º ano que ela paquerava a chamou pra dançar. Ela aceitou na mesma hora. Mas não passou 1 minuto e alguém cutucou seu ombro. Ela se virou pra trás e uma garota que tinha sido namorada do cara lhe entregou a vassoura e disse: — Vai ciscar em outra área, sua periguete.


– Sua ridícula! Vê se te enxerga! – Talita revidou, mas saiu de lá com a vassoura na mão.


Talita foi andando com aquela vassoura e a primeira vítima que ela encontrou foi justamente a Julie e o Daniel. Ela entregou pra ela com prazer. – Ai Julie! Vai dar um passeio por aí, assustar alguém com essa sua roupa de maltrapilha. – debochou.

– Não posso, querida! – e mostrou as algemas. – Não vai ser dessa vez. – deu um sorriso torto pra ela.

– Ahh, você conseguiu alguém pra ficar com você né. Estou vendo, o coitado teve que ficar algemado, senão já teria fugido daqui a muito tempo, igual o Nicolas fez.

– Talita, por que você não vai procurar algum idiota como você? Julie fala, querendo voar nela.

– Escuta, garoto! Quando você ficar livre dessas algemas, aproveita e foge, viu. E não olha pra ela também não, senão ela te transforma em pedra. – ela sai de lá, ainda com a vassoura. Então ela avista Bia, que estava dançando com um cara, magro, alto que estava de costas para ela. Resolveu ir lá se livrar daquela vassoura.

– Essa música é bonita, eu acho. – diz Félix pra Bia.

– É verdade! Mas eu não concordo, acho que sem sonhar nada faz sentido. – ela sorri pra ele. Estava se sentindo estranhamente alegre de ter a companhia de Félix. Ela achava ele sensível e por ser meio inseguro acabava despertando um certo carinho por ele maior do que o comum.

– Bia!? Querida! – uma voz muito falsa e estridente falou com ela – Mandaram te entregar isso aqui. – era Talita com a vassoura em punho. – Sinto muito, mas você está sobrando. – deu um sorriso debochado. Quando ela se virou para o par de Bia, viu quem era. Ela não acreditou. Era o cara estranho, que a tinha perturbado na escola, no baile, na rua. Seus olhos ficaram apertados de ódio.

– É você! – gritou com ódio. – Você seu! — Ela levantou o braço pra bater nele, mas ele segurou seu braço no alto. E ficou a encarando.

Quando ele segurou seu braço, ela viu que tinham o mesmo número. Ele também percebeu.

– Não! Isso é algum karma, só pode ser! – ela diz.

Félix levou um susto tão grande que ficou paralisado por alguns instantes.

– Mas mesmo que fosse um karma, eu preferia pagar de outro jeito, do que ter que olhar pra sua cara. – Félix respondeu, logo se arrependendo, pois lembrou-se que ela era uma mulher perigosa.

– Eu vou arrancar essa pulseira, não admito usar o mesmo número que você.

Eles acabaram chamando a atenção de quem estava por perto, porque além de estarem gritando, tinham o mesmo número. O DJ toda hora repetia que a música estava acabando e ninguém ainda tinha aparecido pra pegar o último prêmio: uma cesta de produtos de beleza.

– Eu até queria uma cesta dessas. – comenta Talita. – Mas o preço a pagar é muito alto.

– Por que você não sai daqui de perto então?

– E você acha que eu vou perder a oportunidade de acabar com você? – ela diz.


– A-há!!! Achei vocês! O mais novo casal vencedor! — E antes que pudessem reagir, o palhaço algemou os dois. – Não fiquem acanhados! São só 20 minutos! Vocês vão ter tempo de beijar muito!!!

– Eca! Me solta daqui! Eu não quero ganhar nada! – esbraveja Talita.

– Não faça nada comigo! Some daqui!!! – Félix pede apavorado com o falso Pennywise.

– Há há há há há há ! Eu não acredito! Você tem medo de palhaço!!! – Talita quase chorou de rir.

– He he he... muito engraçado. – Félix falou emburrado. – Eu não suporto palhaços. Até você eu sou capaz de aturar.

– Seu grosso!

– Eu quero sair daqui! Vamos pra longe desse palhaço, por favor!

– Seu frouxo! Maldita hora que eu fui passar aquela vassoura! Credo! Minha reputação vai ficar arruinada se me virem algemada conversando com você!

– Qual reputação? A de invejosa e mimada?

– Vai se olhar no espelho! Aproveita e muda esse visual fantasmagórico seu. Você anda sempre vestido do mesmo jeito?

– Uma vez eu conheci uma garota tão chata, tão chata, chamada Débora.

– E daí?

– Mas agora ela até me parece legal, em vista de você!

– Aqui, o que foi que eu te fiz pra você me perseguir desse jeito?

– Pára de falar e vamos sair daqui, eu não quero ficar perto desse palhaço!

– É vamos! Senão vão me ver aqui com você!


Eles foram prum canto da festa.


– Eu tenho que subir pra cantar! Só estou esperando o resto da banda chegar.

– Vai cantar aquela sua música ridícula? “Todo mundo quer ser, todo mundo quer ser eu” – falou imitando sua voz.

Ela revirou os olhos. – Ai! A única coisa boa disso tudo é que eu vou ganhar uma cesta de produtos de beleza. E também pagar vários dos meus pecados. E nem pense que vai ficar com algum produto!

– Eu não quero mesmo. Não preciso disso!

– Há há! Não precisa? E essa maquiagem super forçada que você usa? Rasga esse seu guia de moda porque está totalmente ultrapassado.


Bia entrega a vassoura pra garota que estava dançando com Martin.

– Desculpe, Martin. Eu não queria atrapalhar, mas a Thalita me tirou de perto do Félix...

– O Félix? Ai meu Deus! Ela vai acabar com ele!

– Vai? Por que? – ela não estava a par das histórias entre os dois.

– Ahh é uma longa história. Só sei que é melhor a gente ir falar com o Daniel.


Talita continuava tentando espezinhar Félix.

– Você se lembra o que você fez comigo?

– Nada que você não merecesse!

– Vou te denunciar! Você me beijou à força, me fez passar vergonha na escola e na rua, e ainda fiquei mal vista pelos meus pais.

– Você! Você! Já percebeu que só fala de si mesma?

– Antes de te entregar, vou me vingar de você! Não vou te deixar em paz! Vou colocar você numa sala com um monte de palhaços bem bizarros.


Na hora que a discussão esquentava ainda mais, chegaram Martin, Bia, Daniel e Julie. Todos começaram a falar juntos.

– Ai! Eu não quero ganhar mais nada! Vou chamar o palhaço!!! Venha cá, seu palhaço!!! –ela tentou chamar a atenção dele, mas com o som tão alto, não dava pra entender.

Bia entrou no meio. – Félix! Não dá ouvidos pra essa aí não!

– Você é muito abusada! Se eu fosse você parava de mexer com quem você não conhece. – disse Daniel.

– E você? Alguém já te disse que você está ridículo com esse visual? Dá medo! – Talita continuava provocando. — Engraçado, vocês três são amigos, são amigos da Julie... ahhh... acho que agora entendi tudo. Vocês são os caras da banda que usam aquelas roupas ridículas. Tem razão, continuem escondendo essas suas caras mesmo.

– Nossa, a inteligência é limitada, mas a sua burrice não! Sabia? Você é a prova física dessa teoria. – Julie também se manifesta.

– Eu não estou nem aí pra vocês, bando de perdedores. Eu quero é me vingar desse ser desprezível que anda com vocês! Parece que são todos doentes, com essa cara de moribundos.

– D-doente? Martin, e-eu to com cara de doente?

– Não, Felix! A gente não fica doente, esqueceu? – comentou Martin.

– Ahhhh! Não acredito! Você é hipocondríaco? Hahahahahaha Mas que informação maravilhosa! Seu doente! Anêmico! Vai morrer desse jeito hein! Eu vou te injetar uma seringa contaminada!

Félix foi só se encolhendo.

– Essa situação já está indo longe demais, Talita. – disse Daniel. — Acho que já está na hora de você se colocar no seu lugar! – Daniel olha pros outros dois que só balançam a cabeça concordando.

*no próximo capítulo a festa continua até o final.


Notas finais
O que eles vão fazer com a Thalita? Alguém arrisca?