Aperte PLAY. A história continua.
31 Capítulo 31 - Tomando Todas
Notas iniciais
Nicolas acordou tarde e meio de ressaca. Ainda na cama ficou se lembrando de tudo que acontecera e ficou angustiado. “Eu preciso explicar toda essa situação.”. Tentou se levantar e sua cabeça doeu. Desceu pra cozinha e tomou um copo dágua gelado. Aquilo desceu quadrado, ficou com ânsia de vômito, então olhou pro relógio. Já era 14:00 h. Ele procurou seu telefone (nem sabia onde tinha deixado). Como não o encontrava, ligou do fixo pro seu próprio celular. O som vinha do seu quarto. Correu até lá, o celular estava caído atrás de sua cama. Ligou pra Julie. Ele precisava ter uma conversa com ela. Julie estava ouvindo uma música no quarto e, de repente, seu celular toca. Sente um frio na barriga. Era o que ela temia, era o Nicolas ligando. Sinceramente não queria pensar nisso agora. Tirou o som do celular, e deixou tocar até ele desistir. Mas para Nicolas aquela era só a primeira tentativa. “Eu tenho que falar com a Julie”, nada mais tirava essa idéia da sua cabeça. Ligou pelo menos mais umas dez vezes. O celular começou a dar fora de área. — Droga! Ela não quer me atender! – ele deduziu.
Ele se jogou na cama. Sentiu um vazio imenso, estava arrependido de não ter procurado Julie na lanchonete. Se não fosse esse esquema no qual tinha entrado, pelo menos estaria feliz agora.
De repente seu celular tocou. Ele pula da cama todo animado pensando que era a Julie retornando a ligação.
- Alô, Sr. Rafael.
- Alô. – Nicolas responde decepcionado.
- Preciso que o senhor pegue uma encomenda em meu nome e me entregue daqui a 2 horas. Vou te esperar no banheiro do 3° piso do shopping.
- Está certo.
- Até lá.
Nicolas desliga sem se despedir. Aquela ligação não lhe interessava. Ele queria que fosse a Julie.
“Vou pegar meu cartão” – ele pensou. Abriu seu armário e pegou a caixa onde estava o novo cartão, em seu novo nome: Rafael. Ao abrir a caixa e pegar o cartão, ficou olhando pra garrafa de whisky. Ele precisava de alguma coisa pra lhe dar ânimo. E aquela garrafa parecia que era a resposta. “Vou beber só um pouco, só pra relaxar.”
Nicolas abriu a garrafa. Como não tinha copo ele começou a virar no gargalo. Assim nem tinha noção do quanto estava bebendo. Só sabia que era muito forte. Mas logo uma sensação de torpor começou a se espalhar pelos seus braços e pernas, e a cabeça foi ficando mais leve. Começou a ficar eufórico. Levantou-se e colocou uma música pra escutar.
“Por tantas horas e dias que passam tão rápido. As marés fizeram a chama diminuir. Por fim o braço está estendido, a mão no tear. Será isso o fim ou apenas o começo? De todo o meu amor, de todo meu amor, Oh, de todo o meu amor, De todo meu amor, todo meu amor, Oh, de todo meu amor para você, agora”
Assim cantavam os versos de All My Love, do Led Zeppelin.
A combinação daquela música com o whisky quente não estava dando muito certo pra ele. Aquilo estava fazendo transbordar todo sentimento bagunçado dentro dele. “Ela não merecia passar por isso, nada que lhe fizesse mal.”, — Nicolas pensava enquanto sentia um aperto na garganta. Foi virando o whisky. Até se esqueceu de que precisava levar a “encomenda” pra pessoa que estaria no shopping.
Ele olhou em cima da mesinha a foto de Julie, o perfume que ela tinha lhe dado. Ele virou ainda mais whisky pra dentro. Pegou o celular e teve dificuldade de ligar pra ela. Mais uma vez, fora de área. “Eu tenho que falar com a Julie” – era seu único pensamento. Levantou-se rápido e o quarto girou ao seu redor. Se segurou no primeiro lugar que encontrou e se esforçava pra parecer que estava normal.
Desceu as escadas e foi direto pra porta que dava pra rua. Saiu sem ao menos trancá-la. Suas pernas trançavam pela calçada afora.
Já no meio do caminho, Bia dá de cara com ele, que nem a reconhece. Ela volta correndo pra casa de Julie, assustada.
- Julie! Julie! – ela chama a amiga, aflita.
- Que foi Bia, que susto!
- O Nicolas tá vindo aí!!! E não está nada bem... se prepara!
- Julie vai pra porta, assustada. Ela vê Nicolas apontar ao longe. Ele fazia um zigue-zague pela calçada.
Nicolas vem cantando pela calçada, ou pior, estragando a música. Só quando está bem perto da casa dela, ele se dá conta que chegou.
- Julieeeee! – ele berra na frente da casa dela. – Julieeeee! Preciso falar com você!
Julie não sabe o que fazer, pois seu pai está em casa e ele ainda não sabia do namoro...
- Julieeeee! Vem cá que eu preciso falar com você!
- E agora, o que é que eu faço? – ela pergunta pra Bia.
- Sua única saída é ir lá fora e tentar fazer ele parar de gritar. Vai lá!
- Juuuuliiieeeeeeee! Você tá aí???
Julie abriu a porta e saiu correndo desesperada pra ele parar de fazer aquele escândalo.
- Nicolas! Pára de fazer isso! Pára de gritar!
- Por onde você andou? Eu preciso falar com você! – Seus olhos azuis estavam fixos nela.
- O quê que você veio fazer aqui, Nicolas? Vai embora! Eu não posso falar com você aqui.
- Julie! Me perdoa, eu nem sei o quê, mas me perdoa! – Ele dá um giro e se abraça a ela.
- Nicolas! Eu quero que você vá embora!
- Não! Eu não vou embora! Me perdooooaaa!!! – ele grita tão alto que chama a atenção do pai de Julie e também da vizinhança.
- Ai meu Deus! Tá vendo! Disfarça, pára de falar assim comigo!
- Só vou parar se você não terminar comigo. – falou, olhando pra ela. Ele estava com uma cara estranha. Parecia que ia beijá-la ali mesmo.
Com aquele barulho, os fantasmas aparecem lá na frente pra ver o que estava acontecendo. Daniel quando viu arregalou os olhos. Um ciúme louco foi surgindo nele.
- Quem é esse rapaz aí, filha? O que está acontecendo?
- É meu colega de sala, pai. Ele não está muito bem...
- Está péssimo, você quis dizer! – o pai a repreende.
Daniel se aproxima dela, invisível pra todos. E os outros dois fantasmas vão atrás. Aquilo não ia prestar.
- Eu sou o namorado dela! Nicolas...
- Namorado? É verdade isso filha?
- N-não pai. — ela olha pro Nicolas com raiva. Ele tá bêbado!
- A Julie é a minha namorada! Ela tá brava comigo, mas é a minha namorada! – continuou gritando!
Daniel fica furioso, e fala com Julie: — Isso NÃO vai ficar assim!
- Daniel! Não faça nada!
Ao ouvir isso Nicolas percebe que ela está falando com Daniel.
- Onde está o “Daniel”? – fala com uma voz de deboche. Ah! Ele tá invisível, claro! Você é um covarde! Não é mesmo?
O pai de Julie se mete:
- Chega! Chega disso aqui. A vizinhança toda já está olhando. – virou pra Nicolas e falou: — E você , se fosse meu filho, já estava de castigo por pelo menos 1 ano.
- Aparece, Daniel! – Nicolas continuou falando. Todos achavam que ele estava alucinado. – Aparece seu frouxo!
Daniel dá um empurrão no peito de Nicolas que cai na calçada. – Seu babaca! Sai daqui!
Daniel aparece para Nicolas. – Cai fora! A Julie não quer você aqui, não ouviu?
Com muito custo, Nicolas se levanta do chão e parte pra cima de Daniel, tentando agarra-lo, mas não consegue porquê Daniel estava intangível. Ele bate com a cara na árvore.
- Você é um idiota, Nicolas. – Daniel ri debochado. – Você vai me pegar como?
- A Julie é MINHA namorada. Nicolas tenta se recuperar, vai cambaleando até perto dela e lhe dá um beijo na boca.
Daniel fica enlouquecido. Queria acabar com o Nicolas. Félix e Martin o seguraram pra não ficar pior do que já estava.
Julie empurra Nicolas, limpa a boca e fala pro seu pai.
- Pai, ele deve estar drogado. Está vendo? Ele está alucinado, falando sozinho...
- Vou pegar o carro e levá-lo ao médico. Filha, é melhor você não vir.
- A Bia pode ir com o senhor, pai. Não pode, Bia? – ela pisca pra amiga.
-Ér..r, posso né. – e deu um sorriso amarelo.
Saíram os três para um hospital. Nicolas ficou por lá tomando glicose, no repouso. Só foi liberado 2 horas depois, um pouco melhor e morrendo de vergonha do Sr. Raul.
- O Sr. me desculpe qualquer coisa. Eu bebi demais.
- Não devia beber assim, rapaz. Muito menos sair na rua desse jeito. Onde estão os seus pais?
- Estão por aí. Viajando. Ah, me lembrei. Estão em Toronto. Só voltam mês que vem.
- Vou deixar você na sua casa. Tem condições de ficar lá?
- Tenho, tenho sim. Muito obrigado, eu sinto muito pelo que fiz.
Nicolas estava ainda um pouco bêbado, mas já estava consciente do que fazia. Desceu do carro. Logo atrás desceu Bia. Ela ia ajuda-lo a chegar em casa bem. Queria ter certeza de que ele não faria mais nenhuma loucura.
Fale com o autor