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2 Capítulo 2 - À Caminho de Casa
Notas iniciais
A festa estava bombando e Nicolas, agora oficialmente seu namorado, não conseguia tirar os olhos dela. Mas também percebeu que o "tal" Daniel não estava mais lá. Felizmente.
— Você está linda! – disse, dando um selinho. — Vamos nessa? Eu te levo em casa, a gente vai conversando.
— Claro, Nic. Só me dá um tempo pra me despedir do pessoal.
Ela pediu à Bia para guardar suas coisas na casa dela até o dia seguinte. Martin e Félix estavam no camarim esperando todos irem embora para pegarem os instrumentos. Inclusive a guitarra de Daniel, que ele tinha largado pra trás.
Julie e Nicolas saíram de lá e foram andando pela rua, de mãos dadas, alheios ao mundo. Foram conversando sobre o show e sobre a reação dos colegas ao vê-los.
— Sabe, eu acho que seria escolhida como vocalista dos Lacônicos Furiosos.
— Você chegou a fazer o teste? Não acredito que eles não te escolheram.
— Então, você não deve se lembrar, mas quando eu estava fazendo o teste você entrou na sala e eu perdi completamente a concentração. – riu ao se lembrar daquela tarde.
— Verdade?
— Hum-hum.
Nicolas apertou sua mão, o que a fez parar na calçada. Ele estava realmente interessado na continuação da história.
— Eu já gostava de você há muito tempo. Mas você não me enxergava. – ela acabou dizendo.
— Ah, Julie. Foi no começo do ano. E depois, é claro que eu te enxergava! Só que primeiro foi como amiga.
— E quando foi que começou a reparar em mim? – olhou ainda de um jeito tímido.
— Acho que foi quando o Valtinho veio me falar que você gostava de mim. – ele disse, sorrindo.
— O Valtinho é tão indiscreto! – ela sentiu suas bochechas esquentarem. — Se bem que era verdade. – sorriu.
— Se naquela época eu não fosse tão cego, teria reparado como seus olhos dizem tudo. Como são lindos.
— Vai me dizer que você nunca tinha reparado nos meus olhos? "Eu sei de tudo. O Daniel me contou, seu bobo!"
— Não tinha. Como eu disse, te via como amiga. Mas agora estou reparando e dá pra perceber quantas vezes você me olhou desse jeito. E agora eu sei o motivo. – sorriu e lhe beijou docemente.
Quando perceberam já estavam ali parados há um tempão. Então voltaram a andar e em alguns minutos estavam perto da casa dela.
— Temos que nos despedir aqui. Meu pai já deve estar em casa. – ela disse.
— Vou morrer de saudade. Te ligo amanhã.
— Vou esperar, hein.
E se beijaram meio que sorrindo.
Ela ficou pensando naquelas últimas palavras.
"Se naquela época eu não fosse tão cego, eu teria reparado como seus olhos dizem tudo. Como são lindos.".
"Ele nunca tinha reparado nos meus olhos..."— ficou pensativa.
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