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16 Capítulo 16 - Será que o príncipe virou um sapo?


Notas iniciais
Obrigada demais pelos reviews! Estou adorando escrever pra vocês. Beijos.

Félix chegou ainda mais branco do que já era na edícula.
— Por que você está tão pálido? – Martim perguntou.
— Eu acho que eu... eu não sei o que deu na minha cabeça. Quando eu vi... eu já tinha...
— O quê foi que você viu hein? – Pedrinho perguntou.
— Fala logo, anda! – diz Martin.
— Você já beijou uma humana. O que foi que aconteceu depois?
— Nada. Ficou do mesmo jeito. A gente só se beijou.
— Mas você depois ficou sentindo umas coisas estranhas? Eu acho que fui contaminado.
Félix estava apavorado.
— Não estou entendendo nada do que você está falando. Vai, explica direito o que aconteceu e o que você está sentindo.
— Eu fui tomar um papel que a Talita ia mostrar pra Julie. Daí eu entrei no banheiro atrás dela.
— No banheiro feminino?
— É! Aí ela começou a gritar quando me viu. Eu tinha fazer alguma coisa pra ela de gritar. Aí eu fui e beijei.
— Você não fez isso, né?
— Ihh você deve ter sido contaminado pelo vírus da inveja. – Martin disse, dando uma gargalhada.
— Vai acabar ficando esnobe e insuportável como ela. – disse Pedrinho.
— Parem de me zoar. É sério. Quando me lembro disso tenho taquicardia. E... sei lá, me dá falta de ar também. E fico assim tremendo... olha só!
Pedrinho e Martim se olham.
— E quando eu chego perto dela me dá vontade de correr. Ahh e eu esqueci de dizer que eu esqueço tudo o que eu ia falar.
— Isso só pode ser uma coisa.
— Você está apaixonado. — os dois falam ao mesmo tempo.
— E isso tem cura?

......
Daniel já tinha descoberto o problema de Nicolas. Não tinha nada a ver com traição, mas sim com jogos, apostas e dinheiro. E não era pouco. Chegava a movimentar milhares de reais.
“Ou ele é muito burro ou é só ingênuo mesmo.” — Daniel falou mentalmente.
Quando o ‘R2D2’ entrava online, a máfia do jogo já sabia o que podia dar e o que podia tirar dele. “Ele é um idiota! Tirar a sorte grande de ficar com a Julie e preferir ficar jogando pôquer online.” – Daniel estava muito irritado.
“Bom era na minha época que não existia nada disso.” – pensou. “Tudo era cara a cara”.
Daniel, nunca teve medo de mostrar a cara e assumir o que fazia.
Talvez fosse esse o problema de Nicolas. Se ele tivesse assumido logo pra Julie que era viciado e estava envolvido com bandidos, o caso não seria tão sério.
Só que Daniel não ia permitir que Julie ficasse andando com um cara que se misturava com um monte de maus-caráter.
“Se fizessem algum mal a Julie, eles iriam mais cedo do que imaginavam para o mundo espectral.” – pensou.
Não sabia se devia ou não alertar Julie. Mas depois se encontrou com Félix e ficou sabendo das tentativas de Talita de entregar um extrato do Nicolas pra Julie. Quando Félix falou sobre a ligação de Talita com Demétrius, aí é que Daniel ficou mais intrigado ainda.
"O Demétrius? Não podia ser verdade. O que ele iria querer com a Talita, uma humana? A troco de quê ele iria querer ajudá-la?" – perguntou-se.
Daniel já tinha vasculhado o quarto de Nicolas e o seguido o bastante pra ter certeza de que ele estava mexendo com coisa errada.

.....
Julie estava sozinha em seu quarto. Daniel entrou e perguntou à queima-roupa:
— Julie, seu namoro está indo muito bem, não está?
Ele não conseguia abandonar aquele seu jeito irritantemente irônico.
— Está sim! – respondeu Julie. Não queria cair na provocação dele.
"Na verdade eu não vejo o Nicolas tem uns dois dias." – ela pensou.
— É! Estou percebendo que está muito bem sim! – ele disse com sarcasmo. – Me tira só uma dúvida: o Nicolas gosta muito de dormir durante o dia?
— Sei lá, Daniel! Eu não sei se... Espera aí! Onde você está querendo chegar com essas perguntas sem pé nem cabeça?
— Só mais uma coisa. Ele já te contou o que faz toda madrugada? Sim, porque você já deve ter reparado que tem dias que ele está dormindo em pé na escola e...
— Daniel, para de ficar falando mal do Nicolas! Todo mundo faz isso às vezes. Fica até mais tarde acordado, no dia seguinte perde a hora, ou fica cochilando na aula. Eu não sei por que você está dando tanta atenção para isso. Pra me separar do Nicolas?
— Eu não vou precisar fazer nada pra isso acontecer. É questão de tempo.
— Daniel! Não quero escutar mais seus conselhos! Sai daqui! – Julie falou, irritadíssima.
— Tudo bem! Sejam felizes, Julie! Depois não venha me procurar!
Com ódio de si, Daniel sai de lá furioso.
"Logo dessa vez que eu engoli o meu orgulho e tentei ajudar, essa cretina desfaz de mim. Não dá pra ficar aqui! Preciso sair dessa casa, desse lugar!"
Foi embora se remoendo por dentro. Passou rapidamente pela edícula pra avisar os dois amigos:
— Estou indo no mundo espectral, amanhã apareço aqui. Ahh! E se a Julie perguntar de mim...fala pra ela que eu morri!
E desapareceu.
Os dois se olham. Fazia tempo que não viam Daniel tão irritado.
— Quer saber? Esses dois se amam. – Martin concluiu.

.....
No dia seguinte, Talita se arrumou para ir à escola. Passou maquiagem, escovou os cabelos, passou perfume, lixou a unha... em uma interminável sequencia de rituais de beleza. Depois tirou o extrato de banco com cópia da gaveta. Decidiu fazer melhor, ia entregá-lo pra Julie na frente do ex. Assim ele não poderia inventar desculpas.
Mas ela não sabia que Félix estava do lado de fora de sua casa. Na verdade ele estava em pânico por ter de chegar perto da loira recalcada. Ele precisava pegar aquele papel de qualquer jeito, senão isso estragaria o namoro de sua amiga.
Talita saiu de casa super produzida. Parecia mais que estava indo pras passarelas do que pra escola. De longe Félix viu um papel que parecia ser um extrato bancário na mão da perua. E foi em sua direção antes que pudesse se arrepender.
"Calma, Félix! É só pegar um papel!" – disse a si mesmo.
Ele ficou visível, passou por ela e arrancou o papel de suas mãos.
— Que isso! – gritou. — O quê está acontecendo?
Ela olhou para o lado e viu o mesmo cara esquisito do banheiro com seu precioso extrato.
— Você de novo!
— Você não vai entregar isso pra Julie não, viu... – ele falou, dando um passo atrás.
Talita avançou sobre ele.
— Ahhh me dá isso aqui! Seu abusado!
Félix saiu correndo apavorado.
"O quê eu fui fazer?" – se perguntou, tarde demais. “Ela parece que é do mal! Vai me pegar e me cortar em mil pedaços.”
Mas Talita era boa de corrida e, apesar do salto, estava quase conseguindo alcançá-lo.
Félix não podia desaparecer na frente dela. Continuou correndo e resolveu entrar na próxima esquina. Mas pra seu azar era um beco sem saída. Na hora em que se deu conta, não tinha mais como voltar. Talita viu o que ele tinha feito e deu uma gargalhada. Agora ele estava ferrado.
Félix teve que teve que ficar invisível, não tinha outro jeito.
Quando Talita entrou no beco e não viu Félix não entendeu nada. Se o beco era cercado por muros altos, como que ele fez pra sair?
"Ele evaporou! Não dá pra acreditar... cara esquisito!”
Ela ficou perplexa com aquilo
“E o que será que ele tinha a ver com a Julie pra defender tanto? Será que ele é espião dela? Vou tirar isso a limpo”.
Mais tarde na escola, era hora do intervalo e todos saíram da sala, menos Julie. Ela não tinha estudado direito pra prova da aula seguinte. Ficou lá no intervalo revisando a matéria. Talita resolveu voltar na sala para pegar sua bolsinha de maquiagem. Quando viu Julie lá dentro, não perdeu a oportunidade.
— Nossa! Não acredito que você não saiba uma matéria tão fácil! Pra quê serve mesmo sua cabeça?
— Não me enche!
— Já sei, é pra levar chifre!
— O quê você está querendo hein? Eu já conquistei o Nicolas. Pior pra você.
— É... o Nicolas não me interessa mais! Descobri que ele tem muito mau gosto!
— Aqui... vai lá fora procurar uma coisa pra você fazer.
— Vou sim... mas antes você vai ter que me falar quem é aquele cara esquisito quê você tá colocando atrás de mim. O quê você tá querendo?
— Surtou? Que cara?
— Deixa de ser sonsa. Você sabe muito bem de quem eu estou falando. Aliás, eu tinha uma coisa pra te mostrar que você ia adorar ficar sabendo. Aí do nada apareceu esse cara e estragou tudo.
— Ai, eu mereço? Sim, mereço! – Julie falou.
— Eu juro que vou descobrir isso!
— Olha, não estou interessada nessa sua "viagem" não!
O sinal tocou e a conversa acabou ali.
“O quê será que eu “ia adorar ficar sabendo"? Será que tem alguma coisa a ver com o Nicolas?
Talita viu que era hora de jogar pesado. Sua ideia era pôr um livro na mochila da rival com o extrato escondido dentro, mas já que não tinha dado certo, iria para o plano B.
— Professora, eu posso ir até à biblioteca? Senão vai fechar. – disse Talita.
— Pode ir, mas não demore.
— Obrigada.
Saiu da sala, foi até a biblioteca e pediu um livro qualquer emprestado. Dali ela partiu atrás de Pedrinho.
— Professor, com licença! Posso falar rapidinho com o Pedro?
— Pode sim! Claro!
— Obrigada.
Pedrinho ficou espantado. Sabia que a loira odiava sua irmã. Foi até ela receoso.
Fazendo um grande esforço para parecer simpática, Talita abriu um sorriso.
— Oi! Sabe o que é... Eu vou ter que sair mais cedo e não vai dar tempo de devolver esse livro pra sua irmã. Estamos em prova e não posso entrar lá. Será que você pode entregar pra ela assim que chegar em casa?
Entregou o livro na mão dele e saiu, antes que ele pudesse fazer qualquer pergunta.
Dentro do livro estava o extrato.

Notas finais
Gostaram desse capítulo? Acham que o Félix poderia se apaixonar por aquela bruxa? Acham que ela poderia mudar?