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66 Capítulo 66 - A armadilha está pronta
Notas iniciais
Tendo dito isso, Rafael subiu as pedras e ficou quase fora de vista, sentado, olhando pro mar. Julie se sentou na areia fofa, forrando o chão com sua esteira. O sol estava muito quente naquele horário. Queria pelo menos molhar a cabeça, mas as ondas intimidavam qualquer um. Devia faltar no mínimo meia-hora pro horário que o Daniel tinha combinado de ir.
Ela estava pensando na história que ele tinha contado sobre a proposta de Demétrius. Era muito arriscado. E se ela nunca mais visse o Daniel. Se ele simplesmente sumisse? Não, era melhor não pensar nisso.
Estava distante, pensativa, quando de repente viu uma sombra. Daniel? Não. A sombra era de uma pessoa maior, musculosa. Virou a cabeça lentamente e levou o maior susto. “O cara que me beijou à força!”.
– Oi, princesa! Que saudade! Sabe, eu não resisti. – ele deu um sorriso estranho.
Julie se levantou num pulo e saiu correndo e gritando socorro. Gritou pelo nome do Rafael. Mas não conseguiu correr mais do que ele. Ele conseguiu segurar seu braço com força, puxando-a pra perto dele.
– Vem cá, gostosa! Fica quietinha que não vou te machucar!
Nesse momento Rafael olhou pro lado onde estava Julie e automaticamente desceu as pedras na direção deles.
Julie se esquivava do beijo nojento daquele cara. Se debatia, mas ele foi forçando ela pro chão, pra imobiliza-la. Num instante já estava sobre ela, que estava aterrorizada. Ela gritou com toda força que tinha. Então ele calou sua boca com um beijo melado. Ela mordeu seus lábios com força, tirando sangue do mesmo. Irritado, ele limpou a boca e falou:
– Sua vaca! Vou te mostrar o que é tirar sangue! Vagabunda!
Ela já chorava desesperada, arrependida de ter ido ali.
Só sentiu o peso dele sair num solavanco de cima dela. Era o Rafael, que puxou o cara facilmente. Logo deu um chute nas costelas dele, que gritou.
– Seu imundo! Tira as mãos da garota. Eu vou acabar com você.
Thor implorou pra ele não fazer nada. Mas não adiantou, levou muitos socos e chutes. Rafael lutava jiu jitsu há muitos anos. E só parou de bater porque Thor falou que tinha ido ali a mando de alguém. Mas antes deu um golpe na sua omoplata que o safado gritou de dor.
– Eu te avisei pra passar longe dela seu covarde! Agora vai abrindo o bico senão eu acerto o outro lado também. Ou te quebro de vez.
– E-eu vou contar. – levou um chute na canela. –Ai! Pára! Pára! – ele pediu já chorando. – Eu fui contratado por uma mulher, que disse que é amiga dessa aí.
Rafael pisou com força no joelho dele. – Essa aí não, cara! Não dirija a palavra a ela!
– Ai! A mulher me deu esse relógio aqui pra eu chegar na... – lembrou-se que não podia se dirigir à Julie. – Ela me prometeu várias jóias se eu viesse aqui e desse um susto na...
– Pois eu não estou acreditando em nada disso! Vou te dar uma surra!
– Não! Eu não estou mentindo! É verdade.
Rafael perguntou pra Julie: — Você acha que isso é verdade, Julie?
– Não. Eu não tenho nenhuma amiga lá. Só as minhas primas. E elas não fariam isso.
Rafael deu outro chute, sua raiva só aumentando.
– E-ela estava lá no quiosque. Loira, cabelo preso, de óculos. Ela tava toda de branco.
Julie ligou a descrição dele com a garota que se disse amiga de Daniel.
– Peraí! Você disse o quê? Loira de branco? – Julie perguntou.
– Está blefando né? – Indagou Rafael.
– Não, Rafinha. Ele pode estar dizendo a verdade. – disse Julie. — Eu conversei com uma garota que é igual ele está descrevendo. Foi ela que me avisou que o meu amigo tinha mudado o local combinado pra cá.
– E você conhecia essa garota?
– Não. – Julie baixou os olhos, meio envergonhada.
– Como você pôde acreditar numa pessoa que você nem conhece? Se eu não estivesse aqui a essa hora esse filho-da-puta já tinha te estuprado. – deu um chute no saco dele.
Thor ficou aniquilado, morrendo de dor no corpo todo.
– Agora some daqui! Se demorar um minuto pra sair daqui eu vou te espancar!
Thor saiu quase rastejando de lá, em direção à uma trilha, por onde vinha Daniel. Daniel tinha que vir andando porquê poderia encontrar Julie pelo caminho.
Rafael estava preocupado com Julie. Ele queria saber se ela estava bem. Apesar de alguns arranhões ela estava bem. Porém muito assustada e confusa. Estava toda suja de areia tentando se limpar. Rafael a ajudou a tirar a areia. Depois deu a mão pra ela e foi a levando de volta pras pedras. Ela estava tremendo de nervoso. Rafael a abraçou. Olhou pra ela que estava ainda assustada. Ele parou e a encarou.
– Julie, calma! O perigo já passou. Viu. Talvez fosse melhor você ir embora. Eu conheço esse lugar, não é bom você ficar aqui sozinha e eu tenho que ir embora.
– Não vá! Estou com medo!
– Eu acho que você nem devia ter vindo. Devia ter combinado de se encontrar em um lugar movimentado.
– Eu sei. Eu preciso aprender a não confiar nas pessoas.
– Em mim você pode confiar. Eu não ia deixar você ficar sozinha num lugar como esse. Não precisa ser vidente pra saber que essa sua idéia era muito perigosa. Aqui na cidade todo mundo me respeita porque eu faço tudo pra manter a ordem e as pessoas sabem que sou do bem.
– Eu não sei se devia, mas eu confio em você. Muito obrigada. Eu não sei como te agradecer.
– Mas eu sei.
Estava sentindo alguma coisa, que o fez aproximar-se dos seus lábios e lhe dar um beijo. Ela foi pega de surpresa, demorou a reagir.
Justamente na hora que Daniel aparece na praia. Ele ficou perplexo. Desapareceu e reapareceu atrás de Rafael. Quando Julie finalmente abriu os olhos e se afastou de Rafael deu de cara com Daniel. Ela engoliu seco e arregalou os olhos. Ela omeçou a balançar a cabeça negativamente. Daniel a olhava decepcionado. Com um olhar frustrado. Incrédulo. Sorriu tristemente irônico. Nunca pensou que pudesse flagrar uma cena como essa. Não com o amor da sua vida, ou da sua morte, como fosse. Julie ficou desesperada, precisava esclarecer a situação.
– Daniel! Daniel! Espera! Eu quero falar com você!
Daniel estava só estava visível pra ela. Ele saiu andando em direção à trilha de onde veio. Julie correu atrás, gritando:
– Daniel, volta aqui! Por favor! Não é nada disso que você está pensando.
Ele parou. Tirou o anel do bolso e mostrou pra ela.
– Está vendo isso aqui? Então, eu encontrei! Sabe o quê eu vou fazer com ele? – Ele jogou o anel no chão, com raiva. E desapareceu.
Julie pegou o anel e ficou gritando seu nome.
– Daniel! Apareça! Apareça! Volta aqui, meu amor!
Rafael não estava entendendo nada. Achou que a garota tinha surtado por causa da agressão. Ele foi andando em direção a ela, quando sentiu um empurrão muito forte e caiu pra trás. Ele olhou em volta e não viu ninguém. Ficou um pouco atordoado. Nunca tinha acontecido isso com ele. Se levantou e tentou ir pra perto dela. Levou outro empurrão e dessa vez um monte de areia voou nos seus olhos. Julie percebeu que era o Daniel que tinha feito isso. Começou a falar com ele girando em todas as direções:
– Daniel, cadê você? Apareça! Não faz isso comigo! Por favor! Eu te amo!
Essas palavras doíam nele, mas seu orgulho não permitiu que ele aparecesse. Saiu de lá imediatamente. Não sabia o que ia fazer. Ela não pôde ver que ele estava chorando.
Julie foi andando direto pras pedras, olhando pro chão, rapidamente. Estava tensa. Seus olhos começaram a marejar e já não conseguia enxergar direito onde estava pisando. — O quê eu vou fazer? Eu não posso ficar sem o Daniel, não vou suportar! – ela falava sozinha.
Rafael a seguia, sem saber o que fazer. Não tinha entendido nada, tudo fora muito surreal. Principalmente os dois empurrões que ele levou. Isso tinha sido muito estranho.
– Julie! Julie! Espera aí. Me desculpa pelo beijo. Eu não sei o que deu em mim, mas não sabia que ia te causar todo esse transtorno.
Ela só o olhou sem acreditar em nada. Queria ficar sozinha. Por isso parou e disse pra ele. Daqui em diante eu vou sozinha! Não precisa me acompanhar.
– Imagina! Eu levo você de volta. Juro que não vou nem encostar em você.
– Tudo bem. – Ela não ia conversar com ele porque sua cabeça estava a mil, longe dali. Foi com ele, perdida em pensamentos. Daniel, Daniel, Daniel. Aquilo era um pesadelo, que estava acabando com ela.
Rafael parou o carro e pediu desculpas novamente. Quis secar suas lágrimas, mas prometeu não toca-la mais. Perguntou pra ela se queria ficar ali, na praia do Centro. Ela disse que não, que queria ir pra casa. Ele deu partida de novo e levou-a no endereço que ela disse. Parou pra ela descer, perguntou se podia fazer alguma coisa pra ajudar. Ela pensou: “Você já me atrapalhou demais.” Só balançou a cabeça que não e disse tchau. Entrou em casa e foi direto pro seu quarto. Ficou segurando o anel com toda força.
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