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65 Capítulo 65 - Preparando a Armadilha
Notas iniciais
Julie olhou no relógio, era 9:30 h. Quase na hora do Daniel chegar. O Daniel ia querer se vingar do cara, tinha certeza que ele ia aprontar alguma. Mas se ele não aparecesse ali, teria que ir pra tal praia Virgem. Resolveu perguntar pra sua prima.
– Carol, você sabe como eu faço pra chegar na praia Virgem?
– Praia Virgem? O quê você quer fazer lá? É bem longe daqui!
– Eu marquei com um amigo de encontra-lo nessa praia.
– Amigo? Por quê não marcou aqui?
– É que aqui meu pai pode ficar sabendo.
– Ann entendi... “amigo”... – sua prima sorriu.
Rafinha estava um pouco afastado, conversando com um outro cara.
– Bom, se você for a pé, vai demorar 1 hora mais ou menos pra chegar lá, mas acho que não vai conseguir sozinha. Além de ser meio deserto.
– Nossa! Isso tudo?
– Mas não tem outro jeito. A não ser que você fosse de carro.
Eu vou a pé mesmo. Nisso Rafael estava chegando perto e perguntou pra onde ela ia.
– Eu ... combinei com um amigo de encontra-lo na praia Virgem.
Ele levantou a sombrancelha. – Tinha que ser lá? Essa praia é super deserta.
– Pois é eu não tenho como desmarcar. – Ela falou.
– Estou de carro, se quiser eu te deixo lá.
– É mesmo? – ela sorriu. – Não vou te atrapalhar?
– De maneira alguma.
Suas primas faziam sinal pra ela ir fundo.
– Eu não vou demorar. – respondeu pras primas. – Eu volto até às 14 horas. No máximo. Se o Pedrinho perguntar vocês digam pra ele que eu fui nessa praia encontrar com o Daniel.
– Pode deixar, Julie.
Ela seguiu Rafael até o carro. Tinha uma prancha de surf presa no bagageiro. Ele abriu a porta e ela se sentou, prendendo o cinto de segurança. Foram conversando no caminho.
– Você surfa? – Julie puxou assunto.
– Sim, às vezes eu pego umas ondas. Quando o mar está bom.
– Salva-vidas, surfista – ela riu. – E o quê mais?
– Lutador. – deu um sorriso pra Julie. – Eu luto jiu-jitsu, sou faixa preta.
– Nossa! Por isso que aquele cara não fez nada com você.
– Ele é um idiota. Não faria nada mesmo que eu não soubesse lutar.
Pegaram uma estrada reta à direita. Segundo Rafael, era questão de 15 minutos.
– E você, Julie. Você está indo encontrar com esse seu... namorado. Por quê longe de todo mundo.
– Namorado? Quem te falou que ele é meu namorado? É meu amigo.
– Foi você que falou. Ontem, lembra?
Ela pensou um pouco. Realmente não lembrava. – Eu não lembro de ter dito isso pra você, muito menos ontem.
– Então. Eu pedi para uma amiga conversar com você. Pra ela falar que eu queria te conhecer.
Ela se lembrou da garota tatuada. – Sim! Ela veio falar comigo.
– E você disse pra ela que tinha namorado.
“Ah! Por que eu vou esconder isso dele? Ele nem conhece meu pai.
– Tudo bem, ele é meu namorado. Mas meu pai não sabe de nada. E é um caso especial.
– Você é maior de idade, não é?
– Não. Pareço? Eu tenho 15 anos.
Ele parou o carro. Olhou pra ela, e disse: o quê? Vamos voltar daqui mesmo.
– Espera! Se você não for me levar eu vou de ônibus. Me deixa no caminho, num ponto que eu pegue um ônibus.
– De jeito nenhum! Se você fosse 1 ano mais nova, eu voltava agora e deixava você na porta da sua casa. Mas já que não é, vou te levar e depois trazer.
– Por que você está irritado assim? É por que eu estou indo encontrar o meu namorado?
– Não. É porque eu acho que o seu namorado escolheu um péssimo lugar para uma garota chegar sozinha. Chegando lá você vai entender.
Julie ficou calada. Ele tinha razão. Não entendeu por que o Daniel tinha mudado o combinado.
Ainda faltava 1 hora para chegar no horário combinado.
......................
Enquanto os dois iam em direção à praia Virgem, sua rival invisível tentava armar um plano pra assustar a Julie. Ela voltou com sua própria roupa. Tinha dispensado tudo no banheiro, menos a peruca, e a bolsa. “Ah! Depois eu “compro” outras.
Ela voltou pros quiosques, onde Thor já estava a esperando, com ódio evidentemente. Por que ela não avisou que a garota era protegida do Rafael.
– Eu não sabia! – Clarisse se justificou. – Tudo bem. Aqui está seu pagamento. Ela abriu um saquinho de veludo e deixou aparecer várias jóias caras. Tudo calculado. Seria fácil convencer alguém a ajuda-la.
Ele pegou o lindo relógio Rolex. A ambição fez Thor perder o ar de garoto ofendido. Se aquela garota deu um relógio desses por causa de um beijo, valeria até a pena ter levado uma surra do Rafael. Ele comentou com ela cheio de segundas intenções. Se ela tivesse outro servicinho pra ele fazer, que ele estava dentro.
– Gostei de você. Você fala a minha língua. E vou precisar que você se empenhe mais dessa vez. Não pode haver vacilo. Tá vendo essas jóias. São de família, mas eu vou pagar você com elas. Daria uma fortuna se você vendesse. Isso é muito importante pra mim. Essa minha amiga está namorando um cara que só faz ela sofrer. Por isso anda tão cabisbaixa. Eles estavam terminados, mas ele mandou um recado pra ela se encontrar com ele numa praia daqui. Ela foi pra praia Virgem. Sabe-se lá o que ele pode fazer com ela... Mas você sabera´o que fazer. Se é que me entende.
– Deixa eu ver se entendi. Você quer que eu vá na praia Virgem atrás daquela garota e ... abuse dela?
– Que bom lidar com pessoas perspicazes. Não precisa exatamente abusar. Dá uns bons amassos nela. O importante é que esse cara veja que ele não é o único. Tem que ser na frente dele, entendeu? Ele não vai mais incomoda-la. Isso é certo!
Thor sentia que tinha alguma coisa mal contada nessa história. Ele estava tão louco por aquelas jóias que nem passou pela sua cabeça que o Rafael poderia estar lá. Nem Clarisse. Ele topou o acordo e combinou de se encontrarem ali para fazerem o pagamento.
...........
Daniel chegou na praia do Centro. A praia era grande, seria melhor ficar invisível pras pessoas e se locomover como um fantasma. Aparecia e desaparecia pela areia. Não estava conseguindo encontrar Julie. Será que ela já tinha ido embora? Ele de repente viu Pedrinho jogando frescobol. Acenou pra ele desesperadamente. Pedrinho lançou a bola o mais longe que pôde. O garoto que estava jogando com ele ficou puto da vida, entregou a raquete pra ele e disse que se ele quisesse, ele que fosse pegar a bola.
– Depois eu te dou quantas bolas você quiser! Eu preciso falar com a sua irmã, ela mandou que eu viesse aqui nessa praia agora.
– Ih... faz tempo que eu não vejo a Julie. Minhas primas estavam com ela, agora ela não está lá mais.
Daniel estranhou aquilo. As coisas não estavam dando certo. – Pedrinho, vai lá e pergunta pra elas onde a Julie está.
E foi o que ele fez. Chegou perto das suas primas e elas pediram segredo. Disseram que a Julie tinha ido se encontrar com um “amigo” na praia Virgem. O amigo supostamente tinha desmarcado o encontro que seria aqui, e marcou com ela lá. Pedrinho voltou perto do Daniel e contou tudo o que tinha ouvido. Daniel entendeu que esse amigo era ele, mas não estava entendendo essa história de ter desmarcado o encontro.
Ele passou pelos quiosques e viu uma pessoa extremamente familiar. Os olhos eram iguais, mas o cabelo era loiro. Ela estava vestida igual à Clarisse. A garota estava entrando no banheiro feminino quando percebeu que tinha alguém a olhando. Virou-se pro lado e viu Daniel. Levou o maior susto e arregalou os olhos verdes. Desistiu de entrar no banheiro e saiu pelo lado que dava pra praia correndo. Daniel correu atrás, foi pro mesmo lado que ela mas não a viu mais. Era ela! Tinha certeza de que era ela! Só podia estar ali o seguindo. Mas como descobriu onde ele estava? Como?
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Julie e Rafael chegaram no fim da praia, agora teriam que escalar algumas pedras para chegarem ao outro lado, onde fica a praia virgem. Rafael deu-lhe a mão e ajudou a subir a parte mais difícil. Quando ela terminou de subir para a pedra mais alta e olhou em direção ao mar, ficou boquiaberta com aquela paisagem.
– Que coisa mais linda! Que lugar maravilhoso!
– É sim! Aqui todo lugar é assim. E na sua companhia fica ainda melhor. – ele sorriu apenas.
– Eu quero ir até a praia Virgem agora. Como faço?
– Vou te levar. Terminaram de atravessar as pedras e chegaram na praia. Logo de cara ela já sentiu a diferença. As ondas eram muito mais violentas e arrastavam tudo o que tivesse no caminho.
– Não pense em entrar na água! É suicídio.
– Não vou.
– Olha pra essa praia, Julie. Você tem certeza de que quer ficar sozinha aqui? Não tem mais ninguém.
– Quero sim.
– Vou te esperar pra te levar de volta. Você sobe lá nas pedras de volta e acena pra mim. Vou ficar perto
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