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52 Capítulo 52 - Investigando
Notas iniciais
Quando amanheceu as lembranças do sonho eram claras. Ela tinha medo do que podia acontecer. Daniel não estava mais ali. E pela primeira vez desde que estavam juntos, ela teve medo de verdade de que ele nunca mais voltasse.
Trocou de roupa, lavou o rosto e desceu direto pra edícula.
– Daniel!
Martin e Félix apareceram.
– Oi meninos, onde está o Daniel?
– Ele saiu. Disse que precisava espairecer.
Julie sabia pra onde ele ia quando estava querendo ficar sozinho. Pegou sua bicicleta e foi até o cemitério. Chegando lá procurou o túmulo dele. Não havia ninguém. Chamou por ele. Nada.
Ele não estava ali. Não adiantava chamar. Isso fez seu medo piorar. “E se ele aceitou a proposta do Demétrius?”. Sentiu um frio na barriga. Voltou pra casa preocupada.
Aproveitou a manhã para arrumar sua mala pra viajar.
Daniel queria se aconselhar com alguém. Não estava triste. Apenas não conseguia entender o que havia por trás daquela proposta.
Resolveu procurar sua mãe no setor de reabilitação espectral. Chegou na portaria e pediu pra falar com ela. “Nossa, como ela está melhor! Nunca vi minha mãe tão bonita assim!” Ela estava perto de sair de lá, por isso parecia tão feliz. E ficou ainda mais quando viu Daniel chegando. Ele a abraçou sem falar nada. Ela passou a mão nos cabelos dele, alisando-os pra trás. E notou que ele estava com um olhar preocupado.
– Oi, meu querido! O que te traz aqui? Não é só saudade...
– Como é que você adivinhou hein?
– Eu conheço seus olhos.
– Claro. – sorriu. – Que pergunta a minha! Vim aqui pra pensar no que fazer, mãe.É que...-olhou pros lados pra ver se tinha alguém por perto. – Eu quero voltar a ficar vivo. Fiquei sabendo que algumas pessoas conseguiram. A senhora já ouviu falar de um portal no Vale do Silêncio?
Sua mãe ficou com uma fisionomia preocupada.
– Já ouvi falar. Conheci algumas pessoas que foram levadas pra lá.
– Mas dizem que as pessoas vão pra lá por desejo próprio. Não são obrigadas.
– Não é bem assim. Esses dias mesmo levaram uma pessoa daqui pra lá. E também ninguém sabe dizer ao certo o que aconteceu.
– Quem era essa pessoa que levaram? A senhora lembra o nome?
– Acho que é Clara, não, Clarissa.
“Clarisse” – ele deu um salto. “Não pode ser” – E o que fizeram com ela? Por que a levaram?
– Acho que é porque ela era um caso perdido.
Daniel não conseguiu continuar ali. Explicou por alto pra sua mãe e pediu pra ela confiar nele. Ele podia ser tudo, menos idiota.
Seguiu pra entrada da clínica, onde pediu informações sobre Clarisse.
– Clarisse Sophia Bergman.
– Ela foi transferida pela Polícia Espectral. Não posso revelar o motivo, mas ela desapareceu e ninguém mais a viu.
– Obrigada. “...ela desapareceu e ninguém mais a viu...” Isso me lembra de um lugar. Resolveu ir à Sala de Desintegração. Além dos nomes na parede, havia um livro de registro com os nomes de todos que passaram por ali.
“Clarise Sophia Bergman” – É ela! – falou alto. “Não pode ter duas Clarisses Bergman nessa lista”. Entrou na Sala de Desintegração que, apesar de ser escura e estar com a porta da sacada fechada, dava pra ver os nomes escritos. Nisso apareceu um fantasma bem jovem.
– Ei! Você tá procurando pelo nome de alguém?
– Não! To procurando o número que vai sair na próxima Megasena.
O garoto olhou sem entender nada.
– Por alguma recompensa posso até tentar me lembrar de alguma coisa.
Daniel enfia a mão no bolso e tira uma palheta. – Toma! É uma garota que foi trazida pra cá há pouco tempo. Clarisse Sophia Bergman. Ela é ruiva, tem olhos verdes. Você tá lembrando?
– Estou quase me lembrando...
Daniel respira fundo e revira os olhos. Tirou do bolso um button, com a língua símbolo dos Rolling Stones.
– Sim! To me lembrando. Nossa! Muito gata!
– Não te perguntei isso, seu moleque! Quero saber onde está o nome dela!
– Não está aqui.
– O quê? Como não?
– Me ajude a lembrar...
Daniel estava muito irritado, mas deu um maço de cigarro que tinha encontrado.
– Adoro essa marca! – diz o garoto folgado.
– O QUÊ ELA FEZ? FUI CLARO AGORA!? – agarrando o garoto pelo colarinho.
– Posso até te falar o que eu sei, mas você tem que me dar esse anel.
– Não! Escolhe outra coisa, o anel não!
– É sério! Eu posso te contar tudo o que sei, só que essa informação vale muito!
– Não vou te dar mais nada! E você vai me contar. – já ia dar uns tapas no garoto quando este falou.
– Tudo bem! Me dá só essa sua abotoadura que eu te conto o que eu sei. “Mas não tudo” – pensou.
Daniel solta o garoto mesmo querendo dar-lhe uns tapas. E entrega uma abotoadura.
– A garota veio até aqui com o secretário do chefe da P.E. Entrou na sala. Eles ficaram sozinhos aqui dentro. Só sei disso.
– Tem certeza, moleque? Não brinque que a coisa é séria.
– Tô falando a verdade, cara! Eu sei de cada nome que está nessa parede. Eu ganho a “morte” assim.
Daniel pensa um pouco. – Eu te dou a outra abotoadura... se você me mostrar se aqui tem o nome de uma outra pessoa.
– Pode ser. – disse o garoto dando de ombros.
– Amâncio Pereira.
O garoto pensou um pouco... foi andando até um dos cantos da sala, se abaixou pra ler alguma coisa. – É esse aqui? Amâncio Pereira – 1989?
Daniel correu pra ver. A assinatura parecia ser igual à das cartas que ele guardava como prova. Ficou perplexo!
– É esse mesmo! Toma! – e lhe entregou a abotoadura. – Esqueça que me viu aqui e eu volto com uma recompensa de verdade.
– Todos dizem isso! Vai nessa, brother. Hoje to com a memória fraca.
“O Demétrius está por trás disso! O que ele fez com a Clarisse? Acho melhor ele ter uma boa explicação.”
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