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49 Capítulo 49 - Último dia de aula.
Notas iniciais
Julie acorda atrasada, se arruma correndo e vai pra escola rezando pra chegar a tempo de fazer a prova. Quase não consegue, entra na sala todos já estavam com a prova. Olhou pra carteira do Nicolas, também estava vazia. “Deve ter viajado mesmo” – pensou.
A turma não teria mais aula, então, quem terminasse estaria liberado para ir embora pra casa. Julie levou quase 2 aulas pra terminar a prova. Muitos já haviam desistido.
Ao terminar, levantou-se da carteira e disse pra Bia: — te espero lá fora, ok? – e saiu.
Ela se sentou no pátio, ligou o mp4 e de repente alguém sentou-se ao seu lado. Era Daniel.
– Você me deu um susto!
– Olha o que eu achei! Já tínhamos esquecido desse vale.
Resolveram ao sair dali se encontrarem com Félix e Martin para irem na Clave de Sol. Só iam esperar a Bia sair.
Enquanto esperava Bia, uma outra pessoa se aproxima pisando duro. Sim, era a Talita. E pelo visto não estava nada feliz. Estava indignada com os comentários que andavam fazendo a seu respeito nas redes sociais, na escola, em todo lugar que ia.
– Sua cachorra! Onde eu encontro aquela cambada de vagabundos que andam atrás de você? Eu vou atrás deles porquê isso não vai ficar assim! Você também gostou não é sua idiota!
– Julie, deixa eu resolver o problema dessa vadia!
Então Julie se levantou e disse: — Quer resolver, resolve aqui comigo. Fala comigo! Infelizmente seu nome está no lugar certo, na sarjeta!
– Eu vou mostrar pra você e pra estes palhaços que andam fantasiados com você a não mexerem comigo. Vou processá-los por danos morais!
Julie cai na gargalhada... logo seguida por Daniel. Ela tentava parar de rir, mas quando olhava pra cara da Talita, não agüentava. Um bom tempo depois ela disse:
– Quero ver você processá-los! Tenta!
– Eu vou na sua casa atrás deles, nem que eu tenha que passar por cima de você, do seu pai, de quem estiver no caminho!
Julie não achou isso muito engraçado. O sorriso sumiu do seu rosto pois ficou preocupada dela contar para o seu pai a respeito da banda. Ele nunca soube de nada.
– Ahhh, perdeu a graça, sua idiota? Você estava achando que eu ia deixar barato? É isso mesmo que vou fazer!
Ela sai de perto então os dois conversam apreensivos dela falar com o Sr. Raul. Eles teriam que contar a verdade, ou parte dela. Mesmo porque o concurso da TV seria dali a dois meses e o pai de Julie teria que autorizar sua viagem.
– Precisamos fazer uma reunião de urgência. Daniel, vai na frente e fala com os meninos pra eles dizerem o que estão precisando e tentaremos comprar com o vale hoje à tarde. E também que precisamos nos reunir ainda hoje.
Estava ansiosa com essa ameaça da Talita. Ela não ia conseguir se vingar deles, mas de certa forma ia atingi-los se contasse para o seu pai. Ele ficaria furioso. “Vai me deixar de castigo pra sempre!” – exagerou. Então Bia apareceu finalmente e foram pra casa de Julie. No caminho Julie foi contando o que tinha acontecido e que estava muito preocupada.
– Julie, tá todo mundo rindo dela lá na escola. Ela está com muita raiva!
– É mas precisamos dar um jeito nisso.
– A gente vai resolver isso! Fica calma. E agora estamos de férias e não vamos ter que encontrar com a Talita por um bom tempo. Ah! Esqueci de te falar. Pra confirmar a inscrição temos que enviar um videoclip inédito, com uma música inédita pra produção.
– Ai... eu acho que não vamos conseguir! Já foi tão difícil gravar Invisível. Por que não podemos mandar esse?
– Esse aí todo mundo já conhece, né amiga. E se nos desclassificarem por isso? Melhor não arriscar.
– Vamos lá pra casa almoçar! Ai meu Deus, mais essa também. Vamos lá, eu te empresto uma roupa pra você não ficar com esse uniforme e depois a gente resolve essas coisas.
À tarde, depois de almoçar e arrumarem a cozinha. Elas se reuniram com os fantasmas pra combinarem o que fariam.
Daniel, Martin e Félix as esperavam. Quando entraram Daniel falou: — Já estão prontas? Podemos ir?
– Ir aonde? – perguntou Bia.
Julie explicou que eles iam trocar o vale da Clave de Sol pra dar uma melhorada no equipamento deles. Comprar o que fosse preciso, trocar o que estivesse com defeito. Mas agora com a novidade do clipe, precisariam decidir o que fazer. Os 3 também acharam que ia dar trabalho, mas era uma oportunidade que não poderiam perder. Serem revelados na TV. Então decidem que Daniel, Julie e Martin iriam na loja de música enquanto Bia e Félix iam procurar um local bem interessante para gravarem o clipe. (Só que essa idéia foi do Daniel.)
– Vocês não se esqueçam! Eu preciso trocar a pele da caixa, preciso de mais 2 pratos e outro pedal. Ah, e baquetas. Essas baquetas que estou usando estão quebrando dia sim e o outro também.
– Nós vamos pensar se seus pedidos vão entrar na lista! Está pedindo demais, Félix! – Daniel fala.
Bia e Félix não suspeitam de nada, das armações do Daniel que estava tentando dar um empurrãozinho nos dois.
..........
Depois de andarem um pouco pelo bairro, Bia se lembra de um lugar muito bonito, só que um pouco longe. Teriam que ir de ônibus. E foi o que fizeram. Subiram, subiram, subiram e quando chegaram no topo, desceram do ônibus.
– Bonito lugar. – diz Félix.
– Lindo mesmo. Mas quando o céu está azul fica ainda mais bonito. Pena que hoje está nublado.
– Acho que encontramos o lugar!
– Vocês podiam vir tocar aqui. Não existe outro lugar como esse.
– Mas não é perigoso?
– Félix! Você tem tanto medo de tudo! – segura na mão dele. – Me diga por quê?
– Eu... – fica olhando pra mão dela tocando a sua. – Suas mãos são bonitas.
Bia fica um pouco sem graça e inventa um assunto qualquer pra desviar da conversa: — Vamos tirar uma foto juntos!
– Acho melhor não! – ele disse meio triste. – Não vou aparecer. Eu tiro uma sua.
– Desculpa, Félix. É que já me acostumei tanto com você, que me esqueço... é como se você não fosse um...
– Eu sei. – sorriu. – Mas a verdade é que não somos iguais.
– Vamos tirar uma foto assim mesmo. Pelo menos eu vou saber que você estava comigo.
Eles se abraçam e ela bate a foto, tendo aquela paisagem linda como fundo. Quando volta pra olhar como ficou a foto, viu que do seu lado aparecia apenas uma luz fraca. “Isso me assusta um pouco.” – ela pensou. Virou –se pra ele e ficou observando seu rosto, seu cabelo engraçado e seus olhos se desviaram para sua boca. Mas era o seu jeito sensível que mais a encantava.
– Viu! Eu disse que não ia adiantar tirar foto comigo. – disse Félix.
Ela apenas sorriu.
Estavam perto de uma trilha calçada que passava no meio de duas cercas vivas.
– Vamos dar uma olhada por ali, parece ser legal também. — Foram andando pela trilha.
– O que você achou?
– Perfeito!
Ficaram satisfeitos com o local. Era o que procuravam.
– Vamos voltar, Bia! Vai chover.
– Não adianta correr, não tem nenhum lugar coberto aqui.
– Você pode pegar uma gripe.
Os pingos começam a cair.
– Pára com isso, seu bobo! Pára de falar em doença.
– Vamos falar sobre o quê então?
Eles ficam esperando resposta um do outro e se olham timidamente. Bia toma coragem, fecha os olhos e resolve saber como era o beijo de um fantasma. Os dois se beijam demoradamente.
– Nossa! O que foi que aconteceu? – diz Félix.
– Não sei! Só sei que foi muito bom. – ela sorri.
– É que eu não esperava... imagina! Você é tão bonita...
– Obrigada, Félix. – disse ficando meio corada. Você é um doce, sabia?
– Posso te beijar de novo?
Bia respondeu dando-lhe um selinho, que retribuiu com um beijo demorado. Ela passa os braços pelo pescoço de Félix, que a suspende do chão. A chuva fica mais forte, acaba deixando-a encharcada. “A Julie tinha razão. Foi mágico! Não tem como descrever!”
Ele a põe no chão e abre um sorriso lindo que fazem duas covinhas. Os dois começaram a rir.
– Eu ainda não tinha beijado uma viva, depois que morri.
Ela passa a mão suavemente no seu rosto. Achava que estava começando a gostar dele.
– Estamos quites então, porquê eu nunca havia beijado um fantasma.
– Você está completamente molhada!
– E você não! – disse rindo.
– Queria conhecer você melhor. Por quê nós não...
– ... ficamos juntos? – ela completa.
Félix dá a mão pra ela e vão andando em direção ao mirante.
– Ia ser incrível, Bia. Mas não quero fazer você sofrer. Nunca daria certo.
Bia ficou meio decepcionada. Mas disse: — Você nunca experimentou, como pode saber? Se não der certo a gente volta a ser só amigos.
– Você está querendo me namorar? – perguntou pra ela. – É isso? – sorriu admirado.
Pararam no mirante e ficaram olhando a chuva varrer a cidade e cair sobre eles. Os dois estavam calados. Depois de 2 longos minutos, ela resolve responder.
– Desde o dia da festa que eu tenho pensado muito em você. Acho que vai ser difícil te ver e não sentir nada.
– Vem cá, me abraça então! Quem sabe eu posso estar errado. – Deu-lhe um beijo doce.
– Esse vai ser o nosso segredo. – Bia diz. – Não vamos contar pra ninguém.
– Nem pra Julie?
– Nem pra ela. Quando chegar a hora a gente conta.
– Não sei se vou conseguir disfarçar – sorriu. – Eu sou péssimo nisso!
– Bom, se descobrirem tudo bem. Mas não vamos contar ainda, tá bom?
– Certo... Vamos voltar lá pra edícula?
Foram descendo o mirante andando na chuva de mãos dadas. E só soltaram quando estavam quase chegando lá.
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