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11 Capítulo 11 - Um Encontro Insólito
Notas iniciais
Julie estava sonhando que passeava com Nicolas pelo parque. De repente Nicolas desapareceu e ela percebeu que estava num lugar diferente, estranho, cinzento que parecia um... cemitério. E ela começou a ficar com medo. Queria sair dali, mas não conseguia. Mais pra frente ela avistou um jovem sentado de costas pra ela, sobre um túmulo. Ela reconheceu aquele cabelo, aquela roupa, aquela silhueta...
— Daniel! Ela chamou, com muito medo...
Daniel olhou pra trás com um olhar muito triste.
— Sou eu, Julie. – ela olhou para o túmulo e viu o nome dele gravado na lápide. Ele tinha apenas 17 anos. Julie ficou comovida.
Ele deu um sorriso triste e voltou a olhar pro vazio.
“Ela sempre me encontra” – pensou ele.
Toda vez que alguma coisa o deixava muito abalado, se refugiava naquele lugar. Ali ele se sentia num lugar tão cinza quanto estava por dentro.
Daniel se virou pra Julie outra vez e falou:
— Julie, eu preciso te contar uma coisa.
— O que foi? Conte.
— Você se lembra quando você me pediu para descobrir o que o Nicolas falava sobre você?
— Claro que lembro. Ele disse que eu tinha os olhos mais...
— Não foi ele! Daniel a interrompeu.
— O quê não foi ele? Não entendi.
— Não foi ele que disse isso. Eu menti.
— Então o que foi que você descobriu?
— Que ele é um idiota!
— Ora, Daniel! Quando é que você vai parar de implicar tanto com o Nicolas? – Julie se virou para ir embora, mas Daniel segurou seu braço e a puxou para bem perto dele.
— Seus olhos são os mais bonitos que eu já vi, às vezes tenho que fazer força para não ficar hipnotizado. Eu poderia ficar horas sem fazer nada só olhando pra eles...
— Então foi você...? Julie sentiu seu coração acelerar...
— Fui eu Julie. Eu fiz isso porque...
— Por quê, Daniel?... Daniel!
E Julie deu um salto na cama, assustada. Com medo ela chamou baixinho: Daniel?
Nenhuma resposta.
Daniel havia acordado um pouco antes de Julie e saiu apressadamente do quarto. Foi direto pra edícula e acordou Martin e Félix.
Félix deu um pulo do sofá. Acordou assustado.
Martin abriu os olhos, ainda muito sonolento.
Eram apenas 4 horas da manhã.
— Por onde você andava Daniel? — Félix perguntou.
Daniel se sentou num canto, sequer ouviu a pergunta.
— A gente precisa ensaiar, esqueceu? – Martin completa.
— Ãhn? Amanhã!
— Você tem andado muito misterioso. Tá escondendo alguma coisa da gente? – diz Félix
— Pela cara dele tem alguma coisa a ver com a Julie.
— É, pode ter certeza disso. E nos seus lábios apareceu um sorriso bobo.
Martin olhou para Félix e disse: — Será que...
— Ainda não – disse Daniel — mas é questão de tempo.
Daniel que agora estava atento à conversa continua falando:
— Sabe, eu andei pensando... por onde será que anda a Clarisse?
— Então você não sabe? – disse Martin.
Félix deu uma pisada no pé de Martin.
— Não, não sei. O quê é? – perguntou Daniel.
— Ahh... é que – Martin olhou para Félix — ela teve uma overdose... e morreu.
Daniel ficou surpreso.
— Morreu quando?
— Bom, eu fiquei sabendo há pouco tempo, inclusive ela estava na clínica de reabilitação espectral. – diz Martin.
— Vocês tem certeza de que era ela?
— Temos. Nós conversamos com ela. Ela ainda não entendeu muito bem o que aconteceu.
— A única coisa que ela quis saber várias vezes foi de você. Ela queria saber se você também tinha morrido, onde você estava.
Daniel não esperava por essa! Ele não queria saber de Clarisse. Depois de conhecer Julie ninguém mais interessava. E além disso, Clarisse sempre o enganou.
— Eu vou dar uma volta. Amanhã a gente ensaia, sem falta.
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