Apenas uma otaku
6 Coração partido
Notas iniciais

– Um encontro oras, vai me dizer que não sabe o que é? – Hana ria brevemente enquanto olhava para Shiro.
– Não, eu sei o que é um encontro, mas com todos esses boatos sobre nós não acho que seja uma boa ideia, Hana.
– Mas a intenção é essa, para que os boatos se espalhem ainda mais até que futuramente... – Ela aproximou-se do rapaz e sussurrou em seu ouvido – Sejam verdadeiros.
Shiro sentia uma enorme calafrio percorrer seu corpo, a prima realmente estava levando muito a sério aquela proposta que sem sombra de dúvidas atrapalharia seu relacionamento com sua namorada. Claro que Hana ainda não tinha conhecimento sobre isso, o que era muito bom, caso contrário ela faria algo pior para mexer com o psicológico de Sayagi. Apesar de Hana ser uma garota extremamente bonita e gentil ao público, escondia um lado que apenas Shiro conhecia e evitava, para não prejudicar pessoas próximas a ele. Yamamoto olhava para os lados e falava em voz baixa:
– Tudo bem, me encontre no centro da cidade amanhã as quatro horas, okay? Mas avisando que esta será a ultima vez.
– Tudo bem Shiro, te vejo mais tarde, né? – Ela perguntou com um pequeno sorriso.
– Sim, até mais.
– Até.
A garota partia para o segundo andar da escola na qual ficavam as classes do segundo ano, e Shiro tomava seu caminho para sua sala de aula, cujo professor chegaria em poucos minutos. Sayagi e Victoria já estavam em sala há um tempo, afinal caminharam um pouco mais rápido naquele dia, devido a curiosidade de Vic.
– Agora que chegamos, pode me contar o que aconteceu ontem, Saya. – Dizia Victoria, sentada na carteira de Sayagi.
– Er...é...eu to com vergonha de falar isso Vic. – Tsunemori fazia um pequeno bico enquanto suas bochechas coravam.
– Supera isso e me fala, você prometeu!
– Tudo bem... venha mais perto, vou contar no seu ouvido.
Victoria aproximou-se um pouco mais da amiga que logo começou a sussurrar em seu ouvido, mesmo alunos próximos não escutariam, até porque não teriam tanto interesse em algum assunto que viesse de uma otaku. Quando Sayagi finalmente terminou de contar seu pequeno segredo, juntava os dedos indicadores olhando para o lado muito envergonhada em ter de contar tudo aquilo, mesmo que fosse para sua amiga, que aos poucos ganhava sua confiança. Vic tampou sua boca com uma expressão de surpresa e disse:
– Você só pode ta de brincadeira, é sério?
– Sim... muito sério. – Saya debruçava na mesa enquanto fitava Vic, ainda corada.
– Devo lhe parabenizar por isso, você que sempre foi sozinha e agora tem alguém muito importante, né? – Vic tombava levemente a cabeça para o lado sorrindo.
– Você tem razão, eu o amo de verdade Vic... acredito que faria tudo por ele.
– Não diga isso ainda, homens traem, tenha sempre isso em mente.
– M-Mas, eu não acho que o Shiro seja esse tipo de pessoa... ele é muito gentil.
– As aparências enganam minha amiga, não se iluda e tome cuidado com ele... não confio naquele garoto.
– Tudo bem, seguirei seus conselhos e obrigado. – Saya levantava a cabeça e sorria.
– Não me agradeça, amigas são para essas coisas. – Ria brevemente a acariciava a cabeça de Sayagi, após saltava da carteira dela e caminhava até a sua.
A aula daquele horário era de biologia e quando o professor entrava na sala, Shiro entrava logo em seguida e acenava para Sayagi sorrindo. Ela correspondeu aquele cumprimento da mesma maneira, mas estranhara o atraso do namorado, que sempre era um dos primeiros a chegar. Como Saya era muito observadora aquilo a deixou preocupada, devido a pequena conversa que teve com Victoria alguns minutos atrás. Foram exatamente uma hora de aula até a saída do professor, os alunos foram avisados que teriam a próxima aula vaga, pois o professora havia passado mal e partiu para o pronto socorro mais próximo. Todos aproveitavam aquele momento para colocar a conversa em dia e até mesmo usarem os celulares, que eram proibidos. Shiro caminhou até Sayagi e segurou sua mão dizendo:
– Preciso falar com você, venha comigo.
– T-Ta...
Tsunemori não teve nem tempo de questionar até ser puxada por Shiro para fora da sala, todos estranhavam aquele comportamento, mas não queriam perguntar nada para aquela estranha e pouco se importavam com o que acontecia com ela. Porém ficavam curiosos sobre o que um dos garotos mais populares da sala fazia com uma otaku. Mesmo que a curiosidade fosse grande, os alunos ignoravam e voltavam a fazer suas atividades, entretanto Vic saiu da sala alguns instantes depois da partida do casal, com a intenção de segui-los e entender o que realmente estava acontecendo. Yamamoto levava Sayagi até o telhado da escola então iniciava seu assunto:
– Olha Saya... tem um assunto delicado que preciso te contar, antes que você fique sabendo por outra pessoa e entenda tudo errado. – Dizia Shiro enquanto coçava a nuca, suando frio.
– Entendo... pode contar. – Saya estava toda envergonhada, olhava para os lados aparentemente esperando uma notícia boa.
– Sabe aqueles boatos sobre eu ter uma namorada do segundo ano?
– Sei, o que tem isso?
– Essa garota é minha prima e... eu vou a um encontro com ela.
Sayagi olhava para Shiro com os olhos cheios de lágrimas, estava paralisada e não sabia como responder aquilo, devido ao choque de escutar aquela notícia, raiva e tristeza eram sentimentos que lutavam dentro dela. A garota baixava a cabeça deixando a franja tampar seus olhos: — Você ta pensando em me trair não é? Está querendo ficar com nós duas ao mesmo tempo, certo?
– O que? Não, claro que não Saya, eu tenho uma explicação para isso. – Shiro segurava o braço de Saya que no mesmo instante se soltava.
– Mentiroso! Não tem explicação para uma coisa dessa, você disse que me amava, Shiro... – Os óculos da garota estavam molhados e lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto fitava o rapaz com raiva.
– Saya confia em mim, eu não vou te trair, eu te amo, droga! – O rapaz fazia alguns gestos com a mão na breve tentativa de acalmar a namorada, sem muito sucesso.
– É como a Vic disse, você homens são todos iguais! Por favor não se aproxime mais de mim, não quero falar com você nunca mais!
Tsunemori corria em direção a saída chorando, e quando passava pela porta, lá estava Victoria escutando toda a conversa, mas devido aquela enorme tristeza que sentia por dentro, Sayagi não havia reparado na amiga escondida, que soltava um longo suspiro aliviada.
– Aquela garota...o que ela disse para Saya? Definitivamente aquela garota está começando a me irritar.
Shiro desferia uma belo soco na parede devido a sua raiva, até que finamente resolveu correr atrás da namorada, mas ao passar pela porta Victoria já não estava mais lá. Em poucos instantes o rapaz chegava na sala de aula e procurava por Tsunemori sem muito sucesso, sua carteira estava vazia. Logo ele perguntava para uma garota parda em frente a porta:
– Ei, onde foi a otaku que senta no meio da sala?
– Não sei, mas ela pegou o material as pressas e saiu daqui chorando, acredito eu que foi embora para casa. – Disse a garota bem despreocupada. – Ela é muito estranha.
Ao ouvir aquela resposta Shiro pegou todo seu material e correu em direção ao portão de saída da escola, não estava preocupado com a advertência que levaria e sim para onde Saya foi, saindo daquele jeito da sala. Aquilo realmente o deixava preocupado. O rapaz passou pelo portão e ao virar a esquina batia de frente com uma garota, e no mesmo instante ambos caiam no chão devido a velocidade que Shiro estava correndo.
– Ai minha cabeça...está com pressa mesmo hein, moleque. – A garota passava mão na testa apenas com um dos olhos abertos.
– O-Olha eu...
Shiro ficou sem palavras quando finalmente reparou na aparência da garota, ela definitivamente era mais velha que ele, porém extremamente bela. Seu cabelo era ruivo liso e preso num rabo de cavalo, tinha a pele pálida e olhos verdes, um corpo escultural com seios fartos. Suas vestes se resumiam em uma uniforme escolar, porém de uma escola diferente de Shiro. Camisa social branca, gravata vermelha um pouco solta trazendo aquele leve ar de rebeldia, saia curta vermelha com linhas pretas detalhadas, uma blusa de frio amarrada na cintura e sapatinhos pretos.
– Ei, ta viajando garoto? Está machucado? – Perguntava a ruiva, olhando para o rapaz enquanto piscava os olhos algumas vezes.
– Hã? O que? Não, eu estou bem e sinto muito, é que estou atrás da minha namorada. – Shiro levantava e ajudava a jovem a se apoiar. Ao ficar de pé a mesma logo limpava as vestes com as mãos.
– Entendi, mesmo assim tome mais cuidado nas curvas. – Ela sorriu enquanto encarava o garoto com aqueles lindos olhos verdes, pareciam brilhar com a luz do Sol.
Yamamoto corava e engolia em seco, logo respondendo:
– Cof, cof vou seguir seu conselho então, se me der licença. – Forçava uma tosse e quando estava prestes a passar pela garota, ela estendia a mão.
– Tsubasa Ayase, tenho 17 anos e estudo em uma escola a três quarteirões daqui. E você? – Perguntava a jovem sorrindo.
– Ah...Yamamoto Shiro, tenho 15 anos e estudo nessa escola. – Cumprimentava a garota um pouco sem graça.
– É um prazer conhece-lo Yama-kun, posso te chamar assim?
– Por mim tudo bem. – Esboçou um pequeno sorriso. – Bom eu preciso ir, um outro dia a gente conversa.
– Ok, vamos trocar mensagens.
– Beleza.
Quando Ayase estava para pegar seu celular na sua mochila, reparou que seu PSP estava no chão e que havia falhado no objetivo do game que jogava, Shiro que havia feito o objeto cair de sua mão, mas a conversa estava em um ritmo tão bom que ela havia esquecido. Quando realmente reparou, sua personalidade mudava de maneira drástica.
– Eu não acredito que perdi aquele pet lendário! Só porque quando chegasse em casa veria o lançamento daquele shounen com meu irmão, como sou azarada. – Ela suspirava e pegava o PSP, guardando novamente na sua mochila.
Só pode ser brincadeira... essa garota é uma otaku? – Pensou Shiro enquanto olhava para Ayase, extremamente surpreso, ainda não havia caído a ficha que uma garota como ela era uma otaku.
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