Apenas uma Humana
5 Capítulo 4 - Quebrada
Notas iniciais

P.O.V Victória Grimes
Meus olhos se abriram devagar e uma luz forte me cegou por uns instantes. As lembranças da festa invadem minha mente e passo a ter certeza que foi tudo um pesadelo. Nada daquilo havia acontecido e Jake estava vivo. Mas, quando percebo onde estou, deixo uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Eu estava no carro de Shane, e isso provava que foi tudo real. Olho para trás e vejo Carl, Lori e Emily dormindo.
— Achei que não iria acordar mais. – Shane diz preocupado.
— Shane o que eram aquelas coisas? – Perguntei . – Por que as pessoas fizeram aquilo? — Não consigo conter minhas lágrimas.
— Essas coisas não são pessoas, Vick. – Ele me respondeu. — Tudo que você tem que saber é que nós vamos ficar bem. –Shane falou com convicção.
— E o Rick? — Pergunto sem rodeios.
Vejo Shane ficar nervoso, parecendo estar incomodado com algo. Meu coração se aperta quando começo a pensar no pior.
— Cadê meu irmão Shane? — Pergunto tentando me controlar para não acordar ninguém.
— Ele morreu. Não conseguiram transferi-lo para Atlanta. — Respondeu Shane.
Olho para ele abalada. O meu irmão. O meu herói. A pessoa que eu mais queria orgulhar estava morta. Primeiro Jake e agora Rick, eu não posso mais perder ninguém, por que não sei se vou ser capaz de suportar. Um nó se formou na minha garganta e eu não contive meu choro. Não sei por quanto tempo eu chorei. Só sei que eu me virei para Shane arrasada.
— O que será de mim agora? — Perguntei. — Você precisa proteger a Lori e o Carl, eu não posso atrapalhar isso. — Falo e solto o cinto.
— O que você está fazendo? — Shane perguntou surpreso.
— Deixe eu e Emily aqui na estrada. — Falei sentindo cada parte de mim murchar. — Eu não quero dar trabalho a mais para você. — Explico.
Ele parou o carro. Suspirei e me preparei para acordar Emily,mas ele me impediu.
— Meu dever é proteger você também Victória e não me importo se eu tiver que proteger Emily também . – Ele diz segurando meu rosto com delicadeza. — Não me perdoaria se algo acontecesse a você. — Ele completa.
— Mas, Shane...
— Não Victória, você irá ficar ao meu lado. Ao nosso lado. – Shane falou com firmeza.
Coloquei o cinto novamente,me dando por vencida e Shane deu partida. Pelo canto do olho reparei que Shane parecia bastante cansado.
— Quer que eu dirija para você dormir? — Perguntei preocupada.
— Não precisa. – Ele respondeu.
— Mas, é claro que precisa. – Exclamo. — Não quero que você bata o carro por que estava cheio de sono. — Explico.
— Tudo bem Vick! — Ele diz bufando;
Paramos o carro para trocar de lugar e comecei a dirigir até Atlanta. Algo me diz que isso vai dar errado. Não sei dizer o porque, mas tenho o estranho pressentimento de estar indo em direção a algo muito ruim. Engulo em seco, ao pensar se essa doença se espalhou pelo resto do mundo. Se sim, quem garante que não irá ter chegado até Atlanta.
(...)
Dois dias depois...
Eu vi uma festa de aniversario virar um banho de sangue. Vi meu melhor amigo se transformar em um monstro eu fui obrigada a mata-lo. Mas, nada se comparou do que ver Atlanta cair. Como eu pressenti ,Atlanta ruiu e eu vi todo o caos de perto. Mas, hoje nós encostramos outros sobreviventes.
Agora nós somos um grupo. Um tal de Merle Dixon nos levou até um lugar seguro. Nesse exato momento eu estou deitada na margem do lago em que pegamos água. Ouço passos pesado vindo em minha direção. Não preocupo pois deve ser Shane.
— Victória me ajuda aqui com esses galões. — Shane me chamou.
— Desculpe estava pensando. — Digo assim que me aproximo do mesmo.
— Não é seguro ficar tão distraída assim. – Shane criticou.
— Desculpa Shane! — Falo irritada.
Shane se aproxima de mim e ergue meu queixo para mim poder olha-lo nos olhos.
— Eu só estou pesando em sua segurança. – Ele diz calmo. — Você sabe que é minha responsabilidade agora.
— Eu sei Shane. — Solto um suspiro. — Agora vamos logo que o acampamento precisa de água. — Digo numa tentativa de afasta-lo.
Se tem algo que eu ainda não perdi,foi a minha paixonite por Shane. Quem eu quero enganar? Já deve ter ficado evidente que estou apaixonada. A única coisa que eu ainda não sei é a profundidade. Shane continuou parado segurando meu queixo. Ele alternou o olhar em direção a meus lábios e eu senti as borboletas se alvoraçarem em meu estômago. Então, quando eu pensei que ele me beijaria, ele simplesmente se afasta e volta por os galões cheios dentro do carro.
Continuei para sem entender nada. Por fim,resolvi ajuda-lo e fingir que esse momento não significou nada. Não queria demonstrar raiva ou decepção por ele não ter me beijado. Se é que ele faria isso, vai ver foi ,minha imaginação me pregando peças.
Subo no carro e Shane faz o mesmo. Antes dele dar partida, ele fez algo que me surpreendeu. Ele pegou uma glock e colocou em minhas mãos.
— O que? — Digo assustada.
— Victória você precisa de algo para se defender,ainda mais se eu não estiver aqui. — Shane fala sério.
Engulo em seco e encaro a arma. Rick havia me ensinado um pouco de tiro quando eu tinha uns dezesseis,mas eu particularmente não gostava.
— Eu não sei atirar direito. — Argumento.
— Isso nós resolvemos depois. – Shane deu de ombros.
— Está bem Shane. – Concordei e ele deu partida
Não demorou muito para chegarmos ao acampamento. Assim que desço do carro. Shane grita para a avisar que a água chegou. Minha arma estava escondida na minha calça. Quando sai do carro, Carl vem ao meu encontro. Me abaixo para poder abraça-lo.
— Eu não disse que daria tudo certo, Carl. — Falei bagunçando seu cabelo. – Shane cuidou bem de mim. — Falo e o mesmo sorri.
— Tia, o Shane vai sempre cuidar de nós? — Ele me pergunta.
— È claro que sim, garoto. – Respondo dando um beijo no topo na sua cabeça.
Me levanto e deixo Carl ir abraçar Shane. Sorrio com a cena. Alguém me abraça de lado.
— Se você não disfarçar,daqui a pouco o acampamento inteiro vai saber do seu abismo pelo Shane. — Emily diz zombeteira.
— Muito engraçada! — Cruzo os braços. — Já parou de subir pelas paredes por um tal de Daryl Dixon? — Provoquei.
— Olha só, eu não estou nem ai para aquele caipira! — Emily diz com raiva.
— Uhum. – Murmuro. – Vou fingir que acredito. — Falo e ela solta um rosnado.
— Insuportável! — Exclama.
— Que você ama. – Completo e ela revira os olhos, sorrindo.
— Vamos dar uma volta. — Ela sugere.
— Por mim tudo bem. — Dou de ombros.
Nós duas nos afastamos indo até o carro de Shane. Deitamos no capo e ficamos olhando para o céu. Ficamos caladas por uns minutos , ambas com seus próprios pensamentos.
— Ainda não acredito que Jake morreu. Minha mãe morreu. — Emily diz triste.
— Nem eu acredito. Vou sentir falta de todos. — Falo sentindo um aperto no coração.
— Mas, agora eu estou começando a enxergar Vick. — Emily fala e se vira para olhar para mim e eu faço o mesmo.
— O que? — Indaguei curiosa.
— Essa é nosso realidade agora! — Emily suspira. – Quem morreu, não está mais aqui ou é uma daquelas coisas. — Emily faz uma careta.
— Por mais triste que seja isso é verdade. — Admito.
— Vick isso vai virar uma selva de pedra. — Emily diz e posso ver sua preocupação. – Existe pessoas ruins que fazem coisas ruins e com essa bosta que aconteceu, elas vão ficar piores. — Emily diz temerosa.
— Então, você quer dizer que os vivos também são perigosos? — Questionei.
— Sim. Não podemos confiar em qualquer um. — Ela afirma.
— Demos sorte de encontra esse grupo. – Comentei.
— Não sei não — Retruca Emily. – Você já viu o Merle que é um bêbado,tarado, racista e etc? Já viu o Ed que bate na mulher? — Ela questionou e eu engoli em seco. – Estamos 100% seguros?
— Eu sei que não. – Concordo com ela. – Mas, não vamos meter o pé pelas mãos. Ainda tem gente boa aqui e estar em um grupo é mais seguro. — Digo segurando sua mão. – Sei que está com medo, mas você tem a mim, o Shane e os outros. Não está sozinha. – Garanto a ela.
— Obrigada! — Ela agradece. – Por sempre estar aqui! — Nos abraçamos.
(...)
3 dias depois...
Eu, Amy e Emily estamos colhendo cogumelos para o acampamento. Nosso comida iria acabar e precisávamos de outras fontes de alimento alternativas. Me afastei um pouco das meninas para poder colher mais. Já estava voltando para perto delas quando ouço gemidos.
Mas não gemidos daquelas coisas e sim de prazer. Eu nunca fui dessas coisas de espionar as pessoas. Mas, eu fiquei curiosa e segui o som. Antes de descobrir o que era uma sensação de dê meia volta se apoderou de mim. Contudo, eu continuei a andar e o que eu vi, me quebrou de várias maneiras.
Lori e Shane estavam transando bem ali no meio do mato. A primeira parte que quebrou foi o pouco de respeito que eu tinha por Lori. A segunda é que meu Shane estava com outra. A terceira meu irmão se estivesse aqui se sentiria enojado.
Tento sair sem fazer ruídos, mas eu estava muito afetada e pisei em um galho. Depois disso eu corri. Corri sem olhar para trás. Corri sem rumo. Corri até o lago. Eu queria mergulhar no mesmo para esfriar a cabeça.Mas pude ouvir a voz de Shane e comecei a correr novamente.
Pisei em falso e cai rolando de um morrinho. Tentei parar a queda de algum jeito ,mas era tarde demais. Bati minha cabeça em uma pedra. Por sorte não foi com muita força. Levantei desorientada e gritei por ajuda. Consegui subir o morrinho de novo e voltei cambaleando até o lago. Depois meus olhos começaram a pesar e meu corpo amolecer. Não consegui me manter em pé e desmaiei ali mesmo.
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