Apenas uma Humana
20 Capítulo 19 - Eu sinto muito
Notas iniciais
Pov’ Victória Grimes
Minha mãe sempre me disse que um dia eu iria encontrar o amor da minha vida. Depois íamos namorar e ele me respeitaria. Ele sempre iria procurar me entender e também meus sentimentos. Eu iria ter minha primeira vez com ele, antes ou depois do casamento. Iriamos nos casar e seriamos felizes em nossa bela casa, com nossos filhos e bons empregos. A vida perfeita que era mostrada nos comerciais de TV.
Mas, depois de tudo que eu passei para chegar aqui, eu diria que essa vidinha perfeita que minha dizia que eu iria ter era na verdade uma utopia. Um sonho cruel e distante. Eu só queria ver como ela reagiria se visse o tipo de vida que eu levo nesse mundo doente. De uma garota inteligente e talentosa em uma cidade pequena que logo iria ir para a faculdade dos sonhos para uma sobrevivente perdida de seu grupo que foi estrupada, matou dois homens e por último tentou se matar. Vida se você terminou de me esculachar eu iria agradecer e muito.
Eu estava acordada á alguns minutos, quando continuei a ouvir vozes no andar de baixo. Ai você pensa : “ Claro Victória existe mais pessoas nessa casa!”. Eu sei disso, mas elas estavam afoitas, fato que me deixou curiosa. Eu olhei para o lado e Sophia e ela não estava mais ali.
Eu realmente cogitei a possibilidade de levantar da cama e andar pela casa. Mostrar aquelas pessoas que eu podia ser mais do que apenas a garota melancólica e suicida. Entretanto, eu acabei desistindo dessa ideia. Ficar naquele quarto era melhor do que encarar a realidade. Eu apenas comia, tomava banho e depois dormia com ajuda de sedativos, eu não quero parar com esse ciclo. Às vezes eu acho que é a forma mais eficaz de pensar muito sobre o ocorrido.
Sou desperta de meus pensamentos por Dylan que entra no quarto com uma expressão séria no rosto. Ele fecha a porta atrás de si e se senta na ponta da cama.
— Como está? — Ele me perguntou.
— As dores físicas estão começando a diminuir. — Digo em voz baixa.
—E as emocionais? — Quis saber.
— Estão na mesma ainda. – Respondi com sinceridade. – Não me sinto pronta para encarar isso tudo, não ainda!
— Mas, isso será necessário. Sem mais sedativos para você! — Dylan diz e eu nego rapidamente. — Victória não tem conversa! Você vai encarar isso com a nossa ajuda, afinal somos seus amigos! E também tem mais. — Ele diz mudando de expressão para temerosa.
— Dylan eu gosto de você e te considero um novo amigo, mas eu não estou pronta. – Falo séria.
—Acabei de conhecer seu irmã, Rick Grimes. – Ele revelou e eu senti um nó se forma em meu cérebro.
— Isso é impossível! Ele não pode estar aqui. — Digo e sinto as lágrimas vindos.
— Seu sobrinho Carl foi baleado e trazido para cá. Ele e um tal de Shane vieram também. — Quando Dylan disse isso meu mundo parou.
— Espere é muita coisa para processar. Meu sobrinho onde ele está? — Praticamente gritei.
Eu tentei me levantar e quase fui ao chão se não fosse pelo Dylan. Eu tentei me soltar dele, mas ele continuou me segurando.
— Você está ainda um pouco dopada e muito tempo deitada. – Dylan diz em tom de repreensão. – Queria que suas pernas estivessem 100%?
— Me leve até todos eles! — Eu ignorei sua pergunta zombeteira.
Dylan olhou para mim e fez uma careta que me dizia que tinha algo errado. Me olhei no espelho mis próximo a mim e vi. Eu usava um camisola fresca que deixa a mostra as marcas das agressões e do estrupo. Meu rosto não estava nem um pouco bonito. Olho roxo e um pouco inchado. As marcas nas minhas pernas eram as piores. Enquanto aquele homem usava e abusava do meu corpo. Ele apertava e arranhava minhas pernas. Eu tenho medo da reação de Rick e Shane ao me ver em minha situação deplorável.
— Sophia já se encontrou com eles, então por consequência sabem que está aqui e meu pai está contando tudo o que aconteceu. – Dylan explicou.
— Então me leve logo, inferno! — Rosnei. Eu não tinha raiva dele e sim daquelas marcas grotescas.
Demorou um pouco até conseguirmos alcançar o andar de baixo. Quando cheguei ao fim da escada, eu vi meu irmão de costas. Eu queria correr até ele, mas minhas pernas estavam uma droga. Então fiz o que qualquer personagem de um filme ou livro faria. Com a voz trêmula eu falei seu nome.
— Rick...
Todas as cabeças se voltaram para mim. Eu pude ver Rick vindo em minha direção tomado pela emoção e senti Dylan ir me soltando aos poucos. Parecia um sonho ver meu irmão novamente depois de tanta desgraça. Eu senti seus braços ao meu redor e eu o abracei também. Enterrei minha cabeça em seu ombro e chorei. Chorei de saudade, de dor , de medo e de tudo o que estava sentindo por dentro.
— Eu senti sua falta. – Rick disse com dificuldade por causa do choro.
— Eu também senti, irmão. — Respondi esboçando um pequeno sorriso.
— Eu sinto muito Vick, eu queria estar lá para ter evitado que passa-se por aquilo. — Rick disse e eu sabia perfeitamente do que ele estava falando.
— Eu não quero falar sobre isso, Rick. — Digo me afastando abruptamente.
Toda vez que alguém queria conversar comigo sobre isso, era como se eu me fecha-se como uma ostra. As lembranças tão vividas que me atormentam e toda aquela dor no corpo e confusão mental. Eu realmente não quero tocar no assunto. Meus olhos estão vão para Shane. Eu tento ir até ele, mas o sedativos em excesso me fazem perder o equilíbrio e Rick me segura.
— Acho melhor sentar bem aqui. — Ele diz me ajudando a sentar no sofá.
Shane se senta ao meu lado e por Deus como eu senti falta de seus braços ao meu redor. Ele me abraçou e eu retribui. Vi que todos foram saindo para nos dar privacidade.
— Eu falhei com você. – Ele me diz cabisbaixo. – Tudo o que eu tinha que fazer era te proteger e olha tudo o que aconteceu.
— Shane você não tinha como prever que tudo isso iria acontecer! — Eu digo tentando fazer o mesmo a se sentir melhor. — Bem o que importa e que estamos juntos novamente.
— Aquele homem não podia ter feito uma coisa dessas com uma pessoa tão boa como você — Ele diz e posso ver a raiva em seu olhar.
— Ele me tirou tanta coisa. — Lamentei.
— Agora vai ficar tudo bem. — Ele me disse tentado se aproximar mais de mim.
Eu conseguiria deixar Shane me tocar livremente. Eu conseguiria ser feliz e manter nosso relacionamento . Shane era o homem que me amava e que nunca me faria mal. Eu não tinha por que teme-lo.
— Eu espero que sim. — Digo por fim unindo nossos lábios.
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