Apenas pergunte
1 Seu nome?
Notas iniciais
Satsuki só poderia se arrepender do movimentar de seus lábios. Assim como o movimento de seus braços ágeis enlaçando aquele ser como se fosse “nada demais”. Sabia que o sentimento que nutria não tinha mais o sentido anterior. Um carinho estagnado em certo ponto. Não era ruim e não era como se Tetsuya a tivesse visto de forma além da “normal” também.
Seu sentimento acabou por ser direcionado em algum ponto. Em direção a um sonho complicado por pequenas coisas de muita importância. As possibilidades de sucesso eram baixas. Acima de tudo por sua conformidade e desistência precoce. Não havia verbalizado os sentimentos. Eles estavam ali e queriam ser endereçados a apenas uma pessoa. Que estava ali naquele mesmo ginásio. E era tão garota como ela: Aida Riko.
Mesmo que quisesse falsear a realidade sua intuição feminina, que se orgulhava, era tão afiada quanto seu lápis. Queria cumprimenta-la devidamente. Beijar suas palmas das mãos ou simplesmente abraçá-la. Era pedir muito. Elas não se davam bem e tinha sido principalmente por sua iniciativa. Momoi deveria saber que voltaria para si um dia. Sua eu passada e brincadeiras que a acompanharam pareciam zombar.
A treinadora mal olhou para si enquanto tristonhamente se deslocou daquele espaço para o seu próprio. Era incrível o quanto chamava a atenção apenas seu uniforme. Não conseguiu recuperar sua animação inicial. Sempre assim: tinha expectativas utópicas de que tudo “se organizaria” meramente estando no mesmo lugar que a outra. A farsa caia e não sabia o que fazer.
Poderia chorar: Se procurasse por Aomine ou Kuroko “eles estariam lá para ela”.
Não chovia. Seus olhos estavam tão secos quanto antes. Manteve a pose confiante até que nada além do vento da noite e o frio lhe fizessem companhia. Não os procuraria aquela noite. Pensar em alguma coisa. Não era Satsuki a “fonte de dados humana”? A moça pegou o celular que estava em sua bolsa. Sabia de cor o número da menina assim como também estava gravado nos “contatos” do aparelho. Observou a tela por algum tempo. Sua mão não se moveu. Nem se dignou a tremer aborrecendo a garota. Contrariamente ao que sua aparência afirmava, não estava acostumada a tomar a iniciativa. Era mais fácil fugir. Negar que algo gritava dentro de si. Satsuki sabia o quanto isso estava enraizado em sua cabeça e suspirou. Chateada começou a andar rápido.
Não tinha jeito de apenas aquela vez tomar uma opção diferente? Que de fato a guiaria para sua almejada felicidade?
Desde muito tempo se arrependia. De tão somente observar as “verdades” sufocarem finais felizes. Teiko, Touou, Seirin. As experiências se repetiriam sem fim?
Deu um pulo. Uma pessoa muito familiar se fez presente.
- Satsuki! Até quando ia me deixar esperando? Faz um tempão que eu derrotei o Bakagami. — Aomine disse com uma mão em seu ombro.
- Dai-chan! — Satsuki disse muito surpresa.
- Quem achou que seria? — Aomine disse arqueando uma sobrancelha.
“Não era bom ter esse tipo de esperança” Satsuki pensou ao dar um sorriso sem graça. Foram direto para a casa de Satsuki. Aomine conseguiu as notas de que precisava para passar no teste. Antes de se ver sozinha Daiki a surpreendeu do nada:
- Não aconteceu nada? Você é lenta hein.
Não era possível que ele soubesse. Não deveria estar tão na cara para que até mesmo aquele desatento tivesse ideia. Ou sim? Em aula, um estranho rumor estava se passando entre seus colegas. Um buquê de flores estava em sua carteira. Um cartão enfeitado se encontrava sobre o presente. Não teria sido nada fora da normalidade a qual estava acostumada. Já havia recebido declarações antes, ainda mais quando tinha ido para aquela escola específica.
No entanto o cartão estava marcado com batom. Lábios delicados estavam impressos no papel especial. Congelou em pé mesmo. Sua respiração trancou e talvez fosse a primeira vez que seus colegas a viam tão embaraçada. Que reação ruim. Os olhos estavam sobre ela. Podia ser uma brincadeira de mal gosto. Talvez alguém quisesse se vingar dela a colocando naquela posição. Quem seria? Não era uma pessoa 100% boa para que não tivesse nenhum desafeto.
Detestava com todas as forças os rumores. Havia sido por isso restringiu seu tratamento com Aomine. Apenas para não se tornar alvo deles. Era perigoso. Não tinha mais escapatória. Tinha chegado a sua vez. Sabia que um dia chegaria. Era o preço a carregar pelo rosto que possuía.
Não importava mais quem. Qualquer coisa que decidisse fazer ia virar notícia em pouco tempo. Rejeitar ou aceitar. Temeu por si e seus dedos tremeram um pouco. Forçou o andar e pegou o cartão. Não saberia dizer se estava feliz ou não pelo professor estar atrasado. O que estava escrito apenas a fez se sentir mais mal. Era da bibliotecária da sua escola. De vez em quando via a moça quando tinha que fazer pesquisas na biblioteca. Uma vez a tinha ajudado com seu trabalho quando teve a oportunidade.
Se até uma pessoa fechada como aquela tinha conseguido coragem para fazer algo assim, porque ela não...?
A representante de classe fez questão para que toda a classe voltasse aos seus lugares. Isso apenas por alguma coisa que realmente saiu de seus olhos.
“Gostaria de dizer”
Momoi enviou uma mensagem ao capitão do time de que não iria comparecer alegando gripe. Na enfermaria, sem o incômodo de ninguém, ela se sentiu tonta. Sua cabeça estava realmente pesada. Pensamentos “nela”.
Os boatos e as lembranças daquela menina se nublaram. Seria bom que pudesse dormir um pouco. Sem sucesso. Incomodava essas confusões em seu cérebro. O tempo foi se interrompendo de tempos em tempos à medida que seu foco migrava. Palavras perdidas de Aida no meio do treino que Momoi interrompia. O jeito como os corpos se tocaram em meio a declaração de guerra.
- Satsuki! Você está bem?
Quando que Aomine havia se materializado ali?
- Dai-chan... Eu quero ir lá agora...!
As mãos estavam fechadas em punho sobre o rosto. Os olhos cerrados com força, os lábios apertados uns contra os outros. Muito idiota. Não o deixaria menos preocupado. Sentiu que as mãos do moreno vieram aos seus ombros. Enrijeceu-se ainda mais. Pensou que logo o outro lhe daria um bom sermão sobre como era errado querer realizar aquelas perversões que passavam por sua cabeça no momento.
- Não precisa, idiota! ‘Tá lá fora a sua “princesa”. — Aomine disse sério. — Vamos, abre os olhos.
-... Como...?
Conter não fazia mesmo bem. De alguma forma parecia ter distorcido demais a imagem de seu amigo de infância. Talvez só queria que Aomine falasse o que gostaria de ouvir: que era algo errado para que ignorasse mais uma vez.
Dessa forma mergulhando nas profundezas de sua escuridão mais uma motivação de viver.
Aomine tinha uma expressão fechada. Momoi não ganhava de Tetsuya quando se tratava de observação, mas sabia que era o que fazia quando queria esconder preocupação, medo, simpatia.
- Não preciso desenhar, né? Vê por si mesma. — Aomine disse em tom mais descontraído — Já fiz o que queria... ‘Tô indo. Dá pra levantar?
Satsuki afirmou ainda perdida. Ainda viu Aomine colocar cadernos em sua bolsa, os que tinha emprestado, e olhar para ela mais uma vez dizendo:
- Não faz besteira, Satsuki. ‘Tá mais do que na hora de cuidar da própria vida.
“Já posso cuidar de mim mesmo”
Daiki não havia verbalizado a última afirmação, no entanto Satsuki poderia confiar na sua intuição feminina. Apenas deu um sorrisinho que expressava muito pouco do que sentiu naquele momento.
Levantou-se em pouco tempo. Pegou sua bolsa. Sua cabeça ainda pesava, só que seu peito estava mais leve. Não olharia para a janela, apesar de que teria uma boa visão da saída da escola. Seria inacreditável se dissesse que seu coração poderia parar por isso?
Diria isso e muito mais. Sobre como podia ser absurdo, mas que o motivo disso era por nutrir um sentimento difícil de acompanhar. Mesmo que não quisesse teria de ser dito e aclarado. Valeria a pena mesmo que não desse certo. Que não fosse possível apreciar tal sentimento.
Se tão somente conseguisse encará-la sem aquele medo terrível de se machucar, e assustá-la, seria o suficiente. Se de fato lhe fosse permitido abraçá-la seria mais do que bastante para que pudesse ser feliz.
E Momoi se lembrou da menina que tinha se declarado para si, Daiki, e sentiu que realmente seu horizonte estava mudando.
E tão somente perguntar...
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