Apenas o começo
1 Ato 1
O fim da guerra trouxe muitas mudanças para o mundo bruxo. James Potter era conhecido por ser observador — todos os seus títulos de melhor apanhador de Hogwarts podiam comprovar, então não foi difícil para o grifinório notar que a atmosfera de Londres estava diferente nos últimos meses.
Ou poderia ser apenas ele quem estava diferente. Afinal, era um homem de 21 anos, com a vida toda pela frente e... Divorciado. Merlin, mal conseguia dizer a palavra em voz alta, quanto mais aceitar a realidade.
Bem, divórcio era um conceito vago no mundo bruxo — e costumava ser vago para James também — porém estava ficando cada vez mais popular entre os trouxas, principalmente associado às lutas pelos direitos das mulheres. Então, não fora uma surpresa tão grande assim que Lily, sua querida esposa, soubesse tanto sobre o assunto.
"Se as coisas não estão mais dando certo entre um casal, por que ficar sofrendo até que a morte os separe?"
Lily havia lhe feito essa exata pergunta numa manhã qualquer de domingo, aparentemente sem nenhum porquê e, no final daquela mesma semana, a ideia não lhe parecia assim tão absurda.
Lily havia sido o seu primeiro amor de verdade e James havia sido o primeiro tudo dela, então ambos tiveram todos os motivos para acreditarem que se casar antes dos 20 anos era o melhor caminho antes do ápice da pior guerra bruxa dos últimos séculos.
Eles precisavam viver tudo, antes que não pudessem viver nada.
A conquista do coração de Lily havia sido um desafio a parte, que havia demorado um par de anos e só chegou a algum lugar, James tinha que admitir, quando o luto pela perda de seus pais fez o arrogante apanhador mais humano aos olhos da monitora da Grifinória.
Os acontecimentos daquele fatídico último ano de Hogwarts lhe fizeram mais maduro e, na verdade, tudo parecia mais urgente naquela época, até mesmo os amores.
Contudo, assim que a guerra acabou, o luto e as consequências de todas as perdas, materiais e emocionais foram se assentando em cada uma das superfícies — prédios, ruas e corpos — como poeira trazida em dia de ventania. Logo, a urgência frente a morte também foi se transformando em uma calmaria quase entediante. E, aqueles jovens casais que se uniram afoitos, não demoraram a trazer novas vidas ao mundo, porque era o esperado por todos.
A vida vencendo a morte, finalmente.
Mas entre a vida e a morte, havia várias curvas, retornos e, acima de tudo, altos e baixos. A vida em tempos de paz deixava pouco para a imaginação. Conciliar a vida como pais, os estudos para suas respectivas carreiras e a eminência de uma nova onda de terror a qualquer momento, teria sido um desafio grande demais para um casal tão jovem superar.
Por sorte, diferente de todos os casais de amigos que tinham, James e Lily não tiveram que lidar com pelo menos uma incógnita deste problema: filhos. Houve uma suspeita em algum momento do ano anterior, mas esta foi rapidamente descartada uma semana depois, entre risos nervosos dos dois jovens sentados num consultório frio do St. Mungus.
Ter um bebê no ápice da guerra? Teria sido uma sentença de morte, como infelizmente fora para os Longbotton...
Bem, agora James Potter estava ali, em frente ao apartamento de seu melhor amigo, numa zona trouxa duvidosa, se preparando mentalmente para o drama que Sirius faria ao descobrir que seu "modelo de almas gêmeas" havia se transformado em " apenas amigos, que irão seguir seus próprios caminhos daqui para frente".
James suspirou pesado. Devia ter apenas aparatado na mistura de sala, quarto e cozinha, com um micro banheiro, a qual Sirius descaradamente chamava de apartamento. Agora já era tarde, então apenas ajeitou os óculos redondos e bateu na porta velha, torcendo para que nenhum dos vizinhos do outro maroto lhe confundisse com a polícia trouxa.
A porta a sua frente se abriu quase que imediatamente, como se alguém estivesse apenas lhe esperando. James segurou os cumprimentos engraçadinhos de sempre na ponta da língua, da mesma forma que o outro rapaz, do outro lado da porta, parecia ter feito.
Porque aquele moleque à sua frente se parecia muito com Sirius Black, mas, ao mesmo tempo, era completamente diferente.
—Black, achei que você havia morrido! —Acabou dizendo mais alto e rude do que devia, porém, em realidade, não tinha outra coisa que pudesse ser dita.
Regulus Black havia sido declarado morto há dois anos, mais ou menos na mesma época em que sua mãe, Walburga Black, havia sido encontrada morta por seu elfo doméstico favorito. James tinha certeza, pois ele mesmo havia dado a segunda notícia a Sirius.
Também havia ficado ao seu lado em sua peregrinação pelos bares de Camden em “comemoração” à morte da senhora Black, enquanto o outro maroto fingia que não se importava com o destino trágico do seu irmão caçula.
Sirius ficara particularmente abalado ao ouvir da boca da própria prima, Bellatrix Lestrange, enquanto estava sendo presa, que seu irmão, no último minuto, havia se provado um traidor do sangue igual a ele.
Mais um desertor para a mui nobre família Black.
O tempo que o grifinório levou para tentar compreender como aquele fantasma mal despachado estava completamente vivo, bem ali diante de si, foi mais do que suficiente para Regulus Black se recuperar da sua própria surpresa e encará-lo com uma dose de desdém, que lhe era tão característica.
—Teoricamente morri, mas ao que parece nem o submundo me quis. —Deu de ombros, de uma maneira sutil. Ao não receber nenhuma reação, Regulus continuou a falar, avaliando a expressão confusa de Potter com certa indiferença. —Meu irmão não está no momento, quer deixar recado?
—Deixar recado? Do que diabos você está falando? —James retrucou, um pouco mais recuperado, afastando o jovem do umbral da porta enquanto passava. —Eu vou esperar ele voltar, obviamente. Eu sei que ele não está em nenhuma missão, então não deve demorar muito.
O auror se jogou despojadamente na cama do melhor amigo, apesar de todos os riscos sanitários que a ação envolvia, olhando fascinado para o jovem a sua frente.
—E então, Black? Se importa de compartilhar com a turma como você conseguiu a incrível façanha de escapar dos mortos e dos comensais da morte?
Regulus o encarou de volta, indeciso entre tomar alguma atitude para expulsar o intruso ou apenas aceitar seu destino cruel. Bem, não era como se estivesse fazendo algo melhor ou como se não tivesse escapado de um "destino" pior.
—Tive ajuda, não cheguei a morrer, de fato e levei um tempinho para me recuperar. —O sonserino sorriu para si mesmo, satisfeito com o resumo das suas desventuras. —Agora só preciso concluir alguns processos burocráticos e será como se nunca tivesse partido!
—Bem, isso explica absolutamente nada... —James murmurou, olhando ao redor do pequeno apartamento, com suspeita. Voltou seu olhar para Regulus, sentado elegantemente na única cadeira do lugar. —E você está morando com Sirius agora?
—Temporariamente, só enquanto resolvo minha situação com o Ministério. —Regulus começou a explicar, com certa diversão na voz. —Você vê? Os duendes não tiveram nenhum problema em me deixar acessar o cofre dos Black no Gringotes, mas o Departamento de Execução das Leis da Magia tem uma opinião muito interessante sobre o assunto de “ressurreição”.
—Eles não te deixaram reaver a 12th Grimmauld? —James perguntou com uma expressão difícil de decifrar, então Regulus apenas deu de ombros para a pergunta, porque a resposta era meio óbvia. —E você quer mesmo recuperar aquele montão de pedras amaldiçoado?
—Claro que sim, é a casa ancestral da família Black! Muitas criaturas agonizaram séculos e séculos entre aquelas paredes, seria cruel deixar suas lembranças simplesmente serem levadas pelo tempo! —Regulus respondeu, ofendido. James não parecia convencido, então ele continuou, com um tom menos dramático. —E Kreacher realmente gosta daquele lugar...
James revirou os olhos, porque se dar ao trabalho de lidar com a burocracia do Ministério da Magia, apenas para recuperar a casa mais medonha de que se tinha notícias, porque um elfo doméstico tinha apego a ela, era realmente algo muito estúpido de se fazer.
Havia visitado o lugar uma única vez com Sirius, após Regulus ter sido declarado morto e compartilhou da opinião do amigo: as cabeças de elfo penduradas na parede eram as coisas menos assustadoras do lugar.
Mas sorriu ao se lembrar de que esse rapaz a sua frente, defendendo os interesses de seu elfo taciturno e desbocado, como se fosse um igual, era provavelmente o irmãozinho de quem Sirius falava em seu primeiro ano em Hogwarts.
Sentia que ainda assim devia confirmar o status de Regulus como ex-comensal da morte, já que James não confiava nem em um bom dia de Bellatrix Lestrange, mas se o sonserino estava confortável no micro apartamento do irmão, era sinal de que Sirius já tinha feito o interrogatório e constatado que ele não era um perigo eminente.
Ou assim James esperava.
—Você ao menos vai reformá-la? —O maroto perguntou, um pouco menos desdenhoso, já que não podia ter raiva de alguém que obviamente tinha um parafuso a menos e havia escapado da morte e vivido o suficiente para contar a história, muito mal contada, diga-se de passagem.
—Provavelmente vai levar alguns anos para convencer Kreacher a mudar a decoração, mas vou ao menos tentar fazer uma limpeza profunda. —O rapaz parecia estar fazendo cálculos mentalmente, mas antes de James o interromper, ele sorriu, um sorriso muito parecido com o de Sirius, o que fez o maroto corresponder automaticamente. —Acho que será uma missão de uma vida toda!
—Meus pêsames... —James disse com diversão, mas não pôde acrescentar mais nada, já que foi interrompido por uma terceira presença no apartamento.
—Pêsames, por quê? Quem morreu? —Sirius brotou do ar, o que não deveria surpreender bruxo algum, porque ele apenas havia aparatado, mas James e Regulus se assustaram mesmo assim. —Olha, James, Reg está vivo!
O maroto acrescentou, apontando animadamente para o irmão, que já havia se recuperado o suficiente para revirar os olhos. Sirius não se desanimou nem com a expressão confusa do amigo, muito menos com a de impaciência de seu caçula.
—Sim, Sirius, eu percebi isso em algum momento nos últimos 10 minutos em que estive conversando com ele. —James falou com irritação, enquanto cruzava os braços e olhava para o outro maroto acusadoramente. —Quando você pretendia me contar que seu irmão milagrosamente ressurgiu dos mortos?
Sirius o encarou confuso, então olhou para Regulus, que parecia nem fazer parte da mesma conversa. Respondeu ao amigo, com incerteza.
—Hoje? Eu não sei, assim que nos encontrássemos! Não é como se eu fosse interromper sua folga em casal, depois da bronca que eu recebi de Lily...
—Ela só reclamou porque você aparatou no nosso quarto, às 4 horas da manhã, Sirius—James retrucou exasperado, já Regulus encarou o irmão com uma sobrancelha levantada.
—Eu estava um pouco alterado naquele dia e foi só... Quer saber? Eu não podia contar imediatamente sobre Regulus, porque é meio que confidencial, você sabe. —Sirius também cruzou os braços, com aquele ar de superioridade de quando sabia que não tinha mais argumentos e tinha que reassumir o controle da situação.
—E você vai guardar um segredo de mim? —James perguntou realmente ofendido. Sirius revirou os olhos para o drama do amigo.
—Claro que não, mas não podia sair correndo para Godric's Hollow, senão os Inomináveis iriam me tirar completamente do caso! —Sirius se defendeu solenemente, deixando o outro auror muito curioso.
—Que caso? Temos um caso com os Inomináveis?!? —James perguntou em um suspiro chocado, arregalando os olhos e pondo a mão no peito dramaticamente.
Todos os grifinórios eram assim tão canastrões ou ele só havia dado azar? Regulus se perguntou, horrorizado. Tentou reverter a situação imediatamente.
—Nenhum caso, nada que seja relevante! Vamos tod-
—Regulus aqui quase morreu tentando destruir um negócio chamado "horcuquis", o que, ao que tudo indica, era o plano B daquele que não deve ser desenterrado. —Sirius disse com um ar de diversão, como se estivesse contando uma fofoca suculenta em um salão de beleza. James se ajeitou melhor na cama, para ouvir o causo.
—Sirius!?!?! —Regulus poderia ter matado o irmão ali mesmo, mas o maroto apenas o olhou falsamente inocente.
—O quê? James pode saber, inclusive, ele precisa saber, porque isso afeta diretamente o filho dos Longbotton, de quem ele é padrinho! —O grifinório falou enfaticamente, apontando para James, que deixou todo o ar de diversão para trás.
—Espera, o que tudo isso tem a ver com Neville? —James questionou seriamente, esperando que pelo menos um dos irmãos parasse de enrolar e lhe desse a resposta que necessitava.—E então, qual dos dois vai me contar essa história em detalhes?
—Está vendo, Sirius? Foi precisamente por isso que você foi instruído a não abrir a boca e sair por aí contando coisas que nem sequer foram comprovadas! —Sirius estava prestes a retrucar, quando foi interrompido por Regulus, que continuou. —Potter, seu afilhado está perfeitamente seguro, porque, o que quer que seja feito daqui para frente, não tem mais nada a ver com ele, são só medidas preventivas.
Sirius deixou o irmão mais novo falar e no final da explicação, lhe deu um olhar impaciente, porque aquilo era uma meia verdade descarada. James não estava gostando nada, nada, desse mistério todo.
—De fato, não há nenhum perigo eminente para Neville ou qualquer outra pessoa. Mas Reg acha, e os Inomináveis concordam, que talvez existam outras horcuquis, então a gente vai jogar no modo seguro e garantir a destruição de todas elas o mais rápido possível, para que Voldemort tenha zero chances de voltar!
Sirius finalizou com uma respiração profunda, dando tempo de James absorver as novas informações e de Regulus o corrigir, se assim quisesse, mas ele não o fez.
—Tá, ok, eu acredito em vocês. Mas o que diabos é uma horcuquis? —James perguntou um pouco mais calmo, a quem quisesse responder, mas acabou olhando para Regulus, que parecia o mais capacitado da dupla.
—O nome é horcrux e é... Um receptáculo mágico para um pedaço de alma. —O sonserino resumiu, desconfortável. —Teoricamente, se você tiver executado todos os feitiços das trevas adequadamente, em caso de morte, você pode retornar a vida, já que uma parte da sua alma foi preservada neste plano em um objeto de sua escolha.
—Como assim voltar da morte? Mesmo sem um corpo?!?!? —James estava chocado. Olhou de um Sirius sério para um Regulus inquieto.
—Bem, sim, pois corpos não são impossíveis de serem recriados, já almas, por outro lado, são insubstituíveis. Não há magia no mundo que possa trazer de volta uma alma que já se foi, por isso a necessidade de preservá-la em um receptáculo. —Regulus concluiu, satisfeito com a forma em que fraseou o conceito.
James o olhou com uma expressão neutra, então Regulus acreditou inocentemente que o assunto ficaria para trás. Ledo engano.
—Quantos pedaços da alma podem ser feitos? —O jovem auror questionou sombriamente, deixando Regulus impressionado que ele havia deixado todo o emocional de lado e partido direto para o lado prático do assunto.
—Não sabemos ainda, tentarei falar com algumas pessoas que entendem mais sobre o assunto, mas não acho que o Mes... Err... Lorde Voldemort teria parado apenas em uma. —Regulus afirmou, levemente constrangido. Quase havia caído no hábito de chamar o Lorde das Trevas de Mestre, mas os grifinórios não pareceram notar.
—E vocês tem certeza de que se trata de um... De uma... Horcu...
—Horcrux. Sim, era minha única hipótese e foi confirmada ontem pelos Inomináveis. Eles avaliaram o artefato e não nos resta dúvidas. —Regulus confirmou, esperando outra pergunta inteligente de Potter, mas foi surpreendido com a mudança de postura do auror.
—Não, espera um minuto! Você está me dizendo que essa coisa ainda não foi destruída? —James perguntou exasperado, olhando para Regulus, depois para Sirius, que parecia mais ocupado buscando algo para comer em seus armários vazios. —Sirius, por que inferno um pedaço da alma sebosa de Voldemort ainda está entre nós?
—O Departamento de Mistérios não me deixou nem sequer dar uma olhada na coisa, eles dizem que está "fora da minha jurisdição" e que eu sou só um auror em estágio probatório... Que disparate! —Sirius havia finalizado o discurso praticamente amaldiçoando os Inomináveis e sua arrogância, mas voltou a si e completou a informação para seu amigo, com um dar de ombros conformado. —Regulus ainda tem acesso, porque é a melhor chance deles de descobrirem como destruir a coisa, mas até agora eles não foram bem-sucedidos.
—O artefato é poderoso por si só. Eu mal sobrevivi a armadilha do local em que ele estava escondido, mas destrui-lo propriamente é um desafio completamente diferente.
—Então você está trabalhando com os Inomináveis no caso? —James questionou, tendo apenas um aceno afirmativo de Regulus como resposta. —Então avise a eles que vou colaborar na investigação, independente da jurisdição dos aurores.
—Eu não acho que...
—Se James pode, eu também quero! —Sirius avisou, assim que terminou de engolir um biscoito seco, que havia encontrado no fundo de um dos armários da cozinha minúscula.
—Não é assim que funciona, pessoal! —Regulus tentou trazer alguma lucidez para a situação, mas ambos os grifinórios o ignoraram. Típico.
—Boa coisa que conseguimos encerrar o caso do último Lestrange fugitivo essa semana, agora a gente só precisa conseguir a autorização do...
—Lestrange? O fugitivo é alguém da família de Bella então? —Regulus perguntou ao irmão, falsamente interessado, na esperança de mudar de assunto e distrai-lo temporariamente. —Saudades de Bella, estou inclusive pensando em visitá-la. Devo ir ao Mausoléu dos Blacks ou à Azkaban?
—Você não vai pôr os pés em Azkaban, está meu ouvindo, Regulus Arcturus Black? —Sirius falou em um tom sério, que foi completamente desperdiçado quando atirou um de seus biscoitos trouxas no irmão, para fazer valer o seu ponto.
—Pelo que eu estou sabendo, ela é uma das poucas Blacks que ainda restam e família é família, não é? —Regulus respondeu com uma inocência obviamente fingida, o que fez James franzir o cenho para a dissimulação, mas Sirius acreditou em cada palavra.
—Ela não é “família”! Sua única família somos eu, Andy, tia Cassiopeia e talvez nossos avôs e Narcisa, se você insistir muito em levar essa coisa de sangue à sério. —Sirius resmungou o final, porque ele tinha certeza de que Narcisa, agora Malfoy, estava envolvida com Voldemort, mesmo ela e seu marido tendo sido absolvidos por Winzegamot. —E se você já esqueceu, eu te lembro: o único motivo para você estar aqui e não em um hotel de luxo, é porque se um dos comensais foragidos descobrirem que você está...
—Já sei, já sei! Você não precisa me explicar que os comensais da morte são cruéis e vingativos, eu era um deles, esqueceu? —Regulus falou com desdém, mostrando a marca negra do seu antigo mestre no antebraço, agora inerte em sua morte.
—Ok, esconda essa coisa feia! Você o traiu e é isso que importa e logo mais vamos cobri-la, então será como se ela nunca tivesse existido! —Sirius finalizou satisfeito e mesmo que James não quisesse deixar o assunto das horcruxes e dos Inomináveis escorregar para ainda mais longe, como era a óbvia intenção de Regulus, ele teve que ao menos tentar satisfazer sua curiosidade imediata.
—Que feitiço vocês pretendem usar para cobrir isso? —O maroto viu o rosto do seu amigo se iluminar como uma árvore de Natal com a pergunta.
—Não é um feitiço! Nós vamos a um estúdio de tatuagens trouxa e vamos cobrir a coisa toda com tinta e dor. Agora que a marca não se move, nem mesmo o Ministério vai se opor a ideia! —Sirius falou empolgado, enquanto Regulus negava com a cabeça, sem emoção.
—Ok, então você vai cobrir a marca, se mudar de volta para a mansão Black e trabalhar com a gente e os Inomináveis, para tentar resolver o mistério das horcuques? —James perguntou triunfante, enquanto observava Regulus revirar os olhos com a retomada do assunto das horcruxes. —Aparentemente sua nova vida está toda resolvida, Black!
—Amanhã eu vou levá-lo ao Departamento de Mistérios, então a gente aproveita e fala com o pessoal. —Sirius sugeriu, obtendo a aprovação do amigo em um aceno e a desaprovação do irmão em um olhar cortante. —Bem, agora só nos resta decidir o que vamos jantar... Reg sugeriu que deixássemos Kreacher cozinhar algo na cozinha de Grimmauld Place, depois ele traria para cá, mas não acho que ele vai ficar feliz em incluir mais uma boca nesse jantar. Ele nem sequer queria me incluir e eu ainda não estou confiante de que receberei algo comestível...
—Bobagens, Kreacher sabe melhor do que desobedecer a uma ordem direta minha. E sobre o jantar de Potter, ele provavelmente vai aparatar de volta para a querida esposa dele, já que vocês dois estão suficientemente desocupados e cheios de tempo para estarem se envolvendo nos assuntos alheios!
—Bem, sobre isso... —James começou incerto, porque havia planejado dar a notícia aos poucos, mas com toda essa história de Voldemort, havia esquecido completamente o motivo de sua visita inesperada a Sirius. —Eu e Lily estamos nos divorciando, Sirius.
—O QUÊ?!!!?!?!? —Sirius gritou, chocado, mas depois retomou a palavra com mais calma, respirando fundo antes de falar. —Não, sério, o quê? Porque, até onde eu sei, divórcio é a palavra que os trouxas têm usado para dissolução de casamentos, só que, não é possível que seja disso que você está falando, não é? Porque você e Lily são para sempre, certo?
James olhou para Sirius, que aguardava sua resposta ansiosamente, com as mãos no quadril, então para um Regulus claramente curioso, mas bem menos envolvido emocionalmente na história do que o irmão. Suspirou, antes de declarar com pouca animação.
—As bebidas hoje são por minha conta!
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