Apenas mas uma de amor
46 Renesmee- Pai e filha
Jacob me guiou até o sofá, suas mãos firmes mas gentis, como se soubesse que eu estava à beira de desmoronar. Ele sentou ao meu lado, me observando com uma expressão séria e preocupada. Antes que eu pudesse me afastar ou desviar o olhar, ele segurou meu rosto com as duas mãos, forçando-me a encará-lo diretamente.
— O que está acontecendo, Nessie? — perguntou, sua voz firme mas cheia de preocupação. — Tem mais coisa que você não me contou, não é?
Engoli em seco, sentindo as lágrimas ameaçando cair novamente. A intensidade em seus olhos me fez perceber que não havia mais como adiar. Ele precisava saber. Respirei fundo, tentando reunir forças.
— Jacob, eu... eu não te contei tudo sobre Aurora.
Seus olhos se estreitaram, a preocupação crescendo.
— O que você quer dizer? — ele perguntou, baixando as mãos e segurando as minhas, como se estivesse se preparando para algo ruim.
Eu tremi ligeiramente, mas continuei.
— Há três meses, Aurora foi diagnosticada com aplasia medular severa. É uma doença que afeta a produção de células sanguíneas. Ela passou por tratamentos, mas... — minha voz falhou por um momento, e ele apertou minhas mãos em incentivo. — Mas ela não respondeu a nenhum deles. Agora, ela precisa de um transplante de medula óssea.
Jacob parecia paralisado por um momento, seu olhar fixo em mim enquanto processava o que eu acabara de dizer. Sua mandíbula se contraiu, e percebi o quanto ele estava tentando manter a calma.
— E você? — perguntou ele, com a voz um pouco rouca. — Você não é compatível?
— Não — respondi, sentindo um aperto ainda maior no peito. — Nem eu, nem ninguém da família até agora. Eu... eu não sabia mais o que fazer, então vim até você. Talvez você seja compatível.
Jacob inclinou-se um pouco para frente, seus olhos fixos nos meus. Havia uma determinação crescente em seu rosto.
— Nessie, você não está sozinha nisso — ele disse, a voz firme mas cheia de emoção. — Dez anos atrás, você não me deixou ficar ao seu lado, mas desta vez, eu não vou a lugar nenhum. Ela é a nossa filha, e eu vou fazer o que for preciso.
Eu senti um nó na garganta, as palavras dele atingindo um lugar que eu nem sabia que ainda estava tão vulnerável. Mesmo assim, eu precisava perguntar, precisava ter certeza.
— Você faria o teste? Por favor, Jacob.
Ele soltou um suspiro, como se a minha pergunta fosse desnecessária. Seus dedos apertaram os meus com força.
— Nessie, você não precisa pedir. É claro que eu vou fazer o teste. — Ele fez uma pausa, seu tom cheio de convicção. — Eu só preciso de três dias para resolver algumas coisas no trabalho, e depois vou com você para Amsterdã.
As lágrimas finalmente escaparam dos meus olhos, mas desta vez, havia algo mais do que apenas tristeza. Era alívio. Jacob estava comigo. Eu não estava mais sozinha.
— Obrigada, Jacob — sussurrei, minha voz embargada.
Ele balançou a cabeça, sua expressão mais suave agora.
— Não me agradeça, Nessie. Isso é o mínimo que eu posso fazer por nossa filha... e por você.
...
Jacob me deixou no hotel no início da tarde, dizendo que precisava resolver questões no Fórum para adiantar sua licença. Eu sabia que ele estava fazendo mais do que o necessário, tentando agilizar tudo para estar ao nosso lado o mais rápido possível. Passei o restante do dia no hotel, organizando a logística da viagem para Amsterdã e revisando os documentos médicos de Aurora. O dia passou lentamente, e quando o sol começou a se pôr, uma sensação de ansiedade tomou conta de mim.
A campainha tocou, tirando-me dos meus pensamentos. Caminhei até a porta e a abri, encontrando Jacob parado ali com um sorriso divertido, segurando uma garrafa de vinho em uma das mãos e uma pizza enorme na outra.
— Como você conseguiu tocar a campainha com as mãos ocupadas? — perguntei, arqueando uma sobrancelha.
Ele deu de ombros, fingindo um ar sério.
— Magia, Nessie. Sou um homem de muitos talentos. — Então piscou. — Ou talvez tenha usado meu cotovelo. Mas gosto mais da ideia da magia, soa melhor, não acha?
Eu ri, balançando a cabeça.
— Certamente. Mas espero que sua "magia" inclua não derrubar vinho ou pizza pelo corredor.
Jacob entrou no quarto, colocando a pizza sobre a mesa de centro próxima ao sofá e a garrafa de vinho ao lado. Ele olhou ao redor e depois para mim.
— Chegou bem na hora, pelo visto.
- Hora de quê? — perguntou, curioso.
Peguei meu celular e sorri.
— Hora de uma surpresa. — Sentei-me no sofá e acenei para que ele se juntasse a mim. Jacob sentou-se ao meu lado, visivelmente intrigado, enquanto eu fazia uma videochamada.
A tela do celular iluminou-se, e em poucos segundos, o rosto de Aurora apareceu. Ela parecia cansada, com olheiras ainda mais visíveis, mas seu sorriso ao me ver iluminou tudo.
— Oi, mamãe! — disse ela animada, ainda que sua voz estivesse um pouco fraca.
— Oi, meu amor. Como você está?
— Estou bem... só cansada. Mas e você? Como estão as coisas aí?
Eu olhei de lado para Jacob, que observava a tela com uma expressão que misturava curiosidade e emoção. Meu coração acelerou.
— Tenho uma surpresa para você, Aurora.
Os olhos dela se arregalaram de curiosidade.
— Sério? O que é, mamãe?
Com um sorriso nervoso, virei o celular em direção a Jacob, que estava sentado ao meu lado. Ele se aproximou da câmera, um pouco hesitante, mas o calor em seus olhos era evidente.
— Oi, Aurora — disse ele, a voz cheia de emoção.
Aurora piscou, surpresa, seus olhos indo de Jacob para mim.
— Mamãe... quem é ele? — perguntou, confusa mas com um tom curioso.
Respirei fundo e apertei a mão de Jacob, que estava ao meu lado.
— Aurora, este é Jacob... seu pai.
A tela ficou em silêncio por um momento, e então os olhos de Aurora se encheram de lágrimas.
— Meu pai? — ela repetiu, a voz tremendo.
Jacob assentiu, sua própria voz um sussurro quando falou.
— Sim, Aurora. Eu sou seu pai. Eu me chamo Jacob Black.
Aurora sorriu entre lágrimas, e eu não consegui conter as minhas.
— Eu... eu não acredito. — Ela olhou para mim. — Obrigada, mamãe, eu sonhei tanto com isso.
Eu acariciei a tela, desejando poder abraçá-la naquele momento.
Jacob olhou para a tela, claramente emocionado, mas tentando manter a leveza na conversa. Ele inclinou-se um pouco mais para frente e sorriu para Aurora.
— Você é linda, sabia disso? — disse ele com sinceridade, a voz cheia de carinho.
Aurora ficou vermelha na hora, abaixando a cabeça, mas logo ergueu os olhos brilhando de alegria.
— Obrigada... você também é bonito, muito bonito. Minhas amigas do colégio vão ficar com inveja porque eu tenho o pai mais bonito do colégio!
A gargalhada de Jacob ecoou pelo quarto, cheia e genuína. Eu não consegui segurar a risada, contagiada pela alegria daquele momento.
— Ah, é? O pai mais bonito do colégio? — Jacob perguntou, ainda rindo. — Você vai ter que me apresentar essas amigas então, só para eu saber quem são.
— Não, pai! Elas são muito curiosas. Já vão querer saber tudo sobre você!
Jacob parou por um instante, surpreso, ao ouvir Aurora chamá-lo de "pai" pela primeira vez. Ele respirou fundo, tentando conter a emoção, mas sua voz saiu um pouco embargada quando respondeu.
— Então acho que vou ter que me preparar, porque em três dias eu e sua mãe estaremos aí em Amsterdã.
Os olhos de Aurora brilharam de empolgação, e ela vibrou na tela, batendo palmas.
— Você vem mesmo, pai?
Jacob assentiu, os olhos marejados enquanto sorria.
— Vou, sim, minha menina. Não vejo a hora de te abraçar.
Aurora mordeu o lábio, tentando conter as lágrimas de alegria, enquanto eu observava tudo, sentindo meu coração se aquecer.
— Agora você precisa descansar, meu amor — eu disse, tentando encerrar a chamada, mas Aurora fez uma careta.
— Mas eu quero conversar mais um pouco com o papai...
Jacob interveio com um tom calmo e reconfortante.
— Ei, vai com calma. Você precisa descansar para estar cheia de energia quando eu chegar, não é? Mas sabe o que eu vou fazer? Vou te dar meu número. Você pode me ligar quando quiser, combinado?
Aurora abriu um sorriso enorme, assentindo animadamente.
— Combinado!
Jacob pegou o celular e ditou o número para ela, certificando-se de que ela anotava direitinho. Eu sorri ao vê-lo tão atento e carinhoso, como se já estivesse há anos no papel de pai.
— Pronto, agora você me tem a qualquer hora, Aurora — disse ele, sorrindo para a câmera.
— Obrigada, pai! Eu já gosto tanto de você.
Jacob passou a mão pelos cabelos, claramente emocionado novamente, mas manteve o sorriso firme.
— Eu também gosto muito de você, minha menina. A gente se vê logo, está bem?
— Está bem. Boa noite, pai. Boa noite, mamãe.
— Boa noite, meu amor — dissemos juntos, e então encerramos a chamada.
Fechei o celular, suspirando enquanto olhava para Jacob. Ele também parecia pensativo, mas havia um sorriso tranquilo em seu rosto.
— Você está se saindo muito bem — comentei, tocando levemente em seu braço.
Ele olhou para mim e deu de ombros, com um sorriso que misturava humildade e orgulho.
— Ela torna tudo mais fácil.
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