Apenas mas uma de amor
44 Renesmee- De volta ao passado
Minha chegada a Seattle foi um mergulho no passado que eu não estava pronta para enfrentar. Do momento em que o avião pousou, cada detalhe parecia trazer à tona memórias que eu tinha lutado para enterrar. O céu acinzentado, a chuva leve que começava a cair, e o cheiro úmido tão característico da cidade.
Enquanto o táxi avançava pelas ruas movimentadas, eu tentava manter a mente no presente. As luzes dos semáforos refletiam nas poças d’água, e as vitrines iluminadas davam um contraste vibrante ao ambiente melancólico. A cidade parecia a mesma, mas eu não era mais a garota que a havia deixado.
Finalmente, chegamos ao Fairmont Olympic Hotel. O edifício era magnífico, uma obra de arte arquitetônica que exalava elegância e sofisticação. A fachada de estilo clássico, com colunas imponentes e detalhes esculpidos, parecia uma promessa de conforto em meio ao caos interno que eu sentia. Entrei no saguão, onde o piso de mármore brilhava sob a luz de candelabros grandiosos. O aroma de flores frescas e velas aromáticas era reconfortante, quase como um abraço silencioso.
Caminhei até a recepção, tentando manter a compostura.
— Boa tarde. — Minha voz saiu controlada, mas minha mente ainda estava um turbilhão. — Gostaria de fazer o check-in.
A recepcionista sorriu calorosamente e começou a registrar minha estadia. Enquanto eu fornecia meus documentos, uma voz familiar atrás de mim fez meu corpo gelar.
— Renesmee?
Virei-me lentamente, meu coração batendo forte. Lá estava ela. Rachel Black.
Ela parecia tão surpresa quanto eu, mas havia algo mais em seu olhar: uma mistura de choque, alívio e até alegria.
— Rachel... — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro, como se eu estivesse com medo de que, ao falar, ela desaparecesse.
Ela deu um passo em minha direção, seus olhos arregalados.
— Você voltou.
O passado havia me alcançado antes mesmo que eu pudesse me preparar. E naquele momento, percebi que enfrentar tudo isso seria inevitável.
— Cheguei há poucos minutos — respondi, tentando parecer tranquila, embora meu coração estivesse acelerado.
Rachel sorriu, ainda me analisando como se quisesse confirmar que era realmente eu ali.
— Você está... linda, Nessie. É impressionante como o tempo te fez bem.
— Obrigada. — Um leve rubor subiu às minhas bochechas, e eu me senti exposta, como se ela pudesse enxergar tudo o que eu tentava esconder.
— Eu nunca pensei que te veria aqui novamente. — Ela inclinou a cabeça, ainda surpresa. — Mas fico feliz, de verdade. Espero que Seattle te trate melhor dessa vez.
— Espero que sim — murmurei, desviando o olhar para o chão.
Rachel parecia querer dizer algo mais, mas verificou o relógio no pulso e suspirou.
— Preciso ir. Estou atrasada para um compromisso. Mas, Renesmee, é bom te ver de novo. E, olha, se precisar de algo, não hesite em me procurar.
— Obrigada, Rachel. Foi bom te ver também.
Ela sorriu uma última vez antes de sair apressada, deixando-me sozinha no saguão. Suspirei profundamente, como se estivesse tentando recuperar o fôlego.
Dois funcionários do hotel se aproximaram, carregando minhas malas.
— Senhorita Cullen, podemos acompanhá-la até sua suíte?
— Claro, obrigada.
Os minutos que levei para chegar ao quarto pareceram uma eternidade. Assim que a porta foi aberta e minhas malas colocadas cuidadosamente no interior da suíte, agradeci ao funcionário com um sorriso breve e fechei a porta.
A suíte era deslumbrante, decorada com móveis de estilo clássico, cortinas de veludo azul profundo e um lustre que iluminava suavemente o ambiente. Mas naquele momento, toda a opulência parecia insignificante.
Deixei-me cair no sofá, sentindo meu corpo afundar no estofado macio. Fechei os olhos, tentando organizar meus pensamentos.
Meu coração estava acelerado, e não era apenas pela exaustão da viagem. Se Rachel sabia que eu estava em Seattle, não demoraria para Jacob descobrir também.
O destino parecia decidido a acelerar as coisas, e eu não sabia se estava pronta para enfrentar tudo o que isso significava.
Na manhã seguinte, despertei ainda cedo, os olhos pesados de cansaço pela madrugada em claro. Passei horas mergulhada em investigações, rastreando cada fragmento de informação sobre Jacob Black. Ele havia se tornado um juiz renomado, não apenas em Seattle, mas em todo o estado. Seu nome era sinônimo de justiça e integridade, e meu coração se apertou ao perceber que ele havia realizado o sonho pelo qual sempre lutou.
Eu me forcei a focar no presente. Jacob era importante, mas o motivo que me trouxe até ele era ainda maior. A vida de Aurora dependia disso.
Tomei um rápido café da manhã no serviço do hotel enquanto o sol mal começava a iluminar a cidade. O aroma de café fresco e pão quente não conseguiu aquietar minha ansiedade, mas ao menos me deu energia para começar o dia.
Escolhi uma calça pantalona preta, um cropped branco de mangas longas e um casaco elegante. A roupa era confortável, mas o suficiente para me sentir confiante. Com minha bolsa em mãos, ajustei meu cabelo e me encarei no espelho por um instante.
Você consegue, Nessie. Não tem mais tempo para hesitar.
Saí do hotel determinada, embora o medo estivesse enraizado no fundo da minha mente. Peguei um táxi e dei as coordenadas para o Fórum. Meu coração estava acelerado, e minhas mãos tremiam ligeiramente.
Jacob precisava saber. Não importava a reação dele; Aurora era a prioridade.
Cheguei ao Fórum, sentindo meu coração disparar ainda mais à medida que os minutos se arrastavam. A imponente fachada do prédio me lembrou o peso da decisão que eu estava prestes a tomar. Assim que entrei, fui rapidamente recebida por uma assistente simpática que me conduziu até a secretaria de Jacob.
"O Juiz Black está em uma audiência no momento, mas você pode esperar aqui," disse a jovem, com um sorriso educado.
"Obrigada," respondi, minha voz um pouco mais trêmula do que eu gostaria.
Ela me ofereceu um café ou água, e eu aceitei a água, querendo algo simples e refrescante para acalmar meu nervosismo. Ela foi até a copa e logo retornou com um copo, colocando-o delicadamente na mesa à minha frente.
Sentei-me, ainda com a mente a mil, olhando para a porta à minha frente, onde uma placa dourada brilhava com as palavras "Juiz Black" gravadas nela. O som dos meus próprios pensamentos parecia mais alto do que qualquer outro barulho ao redor.
Poderia tudo voltar ao normal? O que ele diria? O que ele pensaria?
Tentando afastar as dúvidas, dei um tímido sorriso ao encarar o nome dele na placa. Era difícil não lembrar da época em que tudo parecia simples entre nós. O tempo e as circunstâncias haviam nos distanciado, mas agora, diante dessa porta, eu sabia que o destino estava prestes a cobrar uma conversa, e essa conversa não poderia ser adiada.
A espera parecia interminável. A cada minuto que passava, meu nervosismo aumentava, mas ao mesmo tempo, uma parte de mim queria que ele chegasse logo, para que a incerteza finalmente acabasse. Estava tão imersa nos meus pensamentos que quase não percebi o celular vibrando em minha bolsa. Quando vi o nome "Minha vida" na tela, um sorriso natural se formou nos meus lábios.
Atendi imediatamente.
— Oi, minha pequena! — minha voz suave, mas cheia de carinho, saiu automaticamente, enquanto meu coração se aquecia com a ligação.
— Oi, mamãe! — Aurora respondeu com a energia de sempre. — Como foi a viagem? E já falou com o papai?
Eu ri baixinho ao perceber a ansiedade em sua voz, como se ela não conseguisse esperar para saber tudo. Era como se o tempo estivesse se arrastando para ela também.
— A viagem foi boa, um pouco longa, mas estou bem. E sobre o seu pai, ainda não... estou tentando resolver algumas coisas, mas logo vou falar com ele, prometo. — respondi com a calma que conseguia reunir, tentando aliviar sua preocupação.
— Você tem certeza de que está tudo bem, mamãe? Não quero que você se sinta sozinha. — ela disse, com a doçura de uma criança que ainda não entendia completamente os altos e baixos da vida adulta, mas que sempre queria proteger sua mãe.
— Eu sei, meu amor. E você está bem? Tudo em casa está tranquilo? — perguntei, tentando desviar um pouco a conversa para algo mais leve.
— Sim, estou bem! Estudei para a escola e ajudei a tia Alice. Só sinto sua falta. — ela respondeu, e eu podia ouvir o sorriso em sua voz.
— Eu também sinto sua falta, princesa. Logo estarei de volta, e a gente vai passar muito tempo juntas, está bem? — minha voz se tornou mais suave, mais tranquila.
— Está bem, mamãe. Te amo!
— Te amo também, Aurora. Agora, vá descansar. Fico tranquila sabendo que você está bem.
Terminamos a chamada e, enquanto desligava, um som familiar me fez virar rapidamente. Meu coração acelerou, quase falhando no ritmo ao ver Jacob parado ali, à minha frente. Ele estava impecável em seu terno, a postura ainda imponente, mas agora muito mais intensa. O garoto da escola que eu amava, agora um homem forte e musculoso, com uma aura de autoridade que me fazia sentir uma mistura de nervosismo e algo mais difícil de identificar.
— Olá, Jacob. — disse eu, a voz saindo mais suave do que eu esperava, mas também carregada de emoções que eu ainda não conseguia controlar.
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