Apenas mas uma de amor

50 Jacob- Primeira semana



Os primeiros dias em Amsterdã foram um turbilhão de emoções. Estar ao lado de Nessie e Aurora preenchia um vazio que eu nem sabia que estava lá, mas ao mesmo tempo, o estado de saúde da minha filha fazia com que um peso constante pairasse sobre nós. Aurora, sempre tão alegre e falante, agora parecia ainda mais frágil, e seu sorriso insistente mal disfarçava a exaustão em seus olhos.

Quando o Dr. Daniel nos disse que seria melhor deixá-la no hospital para acompanhamento contínuo, a notícia foi como um golpe. Aurora precisava de cuidados intensivos, e cada dia que passava parecia uma corrida contra o tempo.

Na manhã em que recebi os resultados do teste de compatibilidade, eu sabia que algo estava errado pelo olhar no rosto de Daniel. Ele nos chamou à sua sala — eu e Nessie — e fechou a porta com um suspiro pesado.

— Jacob, Renesmee... Tenho os resultados do teste. — A voz dele era calma, mas havia um tom de preocupação que eu não pude ignorar.

Nessie segurava minha mão com força, como se precisasse de algo para se apoiar.

— E então, Daniel? — perguntei, tentando manter a voz firme.

Ele olhou para mim com pesar.

— Jacob, infelizmente, você não é compatível.

O mundo pareceu parar por um instante. Eu senti Nessie tremer ao meu lado, e quando olhei para ela, vi as lágrimas já descendo por seu rosto.

— Não... Não pode ser — ela murmurou, quase inaudível.

Eu puxei Nessie para mais perto, envolvendo-a em um abraço enquanto ela começava a chorar em silêncio.

— Daniel, o que isso significa? — perguntei, minha voz baixa, mas urgente.

— Significa que precisaremos continuar buscando um doador compatível. Ainda há esperança, Jacob. Não vamos desistir — respondeu Daniel, com um tom que tentava soar encorajador.

Nessie balançou a cabeça, o rosto enterrado em meu peito.

— Eu não sei mais o que fazer... E se não encontrarmos alguém a tempo? — Ela soluçou, sua dor evidente.

Apertei-a ainda mais contra mim, ignorando minha própria dor para focar nela.

— Ei, Nessie. Olhe para mim. — Levantei seu rosto com cuidado, segurando-a pelos ombros. — Nós vamos encontrar uma solução. Eu não sei como ainda, mas nós vamos. Você é a mulher mais forte que conheço, e nossa filha herdou isso de você. Não vamos perder a esperança, entendeu?

Ela me olhou, os olhos cheios de lágrimas, mas balançou a cabeça afirmativamente.

Daniel suspirou, parecendo aliviado por ver que eu estava tentando manter a calma.

— Ainda temos opções. Há outros bancos de doadores, e podemos expandir nossa busca. Além disso, Aurora tem uma equipe dedicada aqui. Não vamos desistir dela.

Eu assenti, tentando me agarrar àquela fagulha de esperança que Daniel oferecia.

— Obrigado, Daniel. Sei que está fazendo tudo o que pode — respondi, tentando manter a voz estável.

Nessie limpou o rosto com as mãos, tentando se recompor.

— E quanto tempo temos, Daniel? — ela perguntou, a voz ainda quebrada.

— Não sabemos ao certo. Cada caso é único, e Aurora é uma lutadora. O mais importante agora é que vocês estejam ao lado dela, dando o máximo de amor e apoio possível. Isso faz toda a diferença — disse ele, com sinceridade.

Eu segurei a mão de Nessie novamente e olhei para ela com determinação.

— Vamos fazer isso juntos, Nessie. Não importa o que aconteça, não vou sair do lado de vocês.

Ela me olhou com uma mistura de gratidão e dor, e naquele momento, eu soube que não importava o quanto fosse difícil, eu enfrentaria qualquer coisa por elas. Aurora precisava de nós, e eu não falharia com minha família.

...


Enquanto Nessie foi buscar algumas coisas em casa, fiquei com Aurora no hospital. Ela estava deitada na cama, conectada a alguns monitores, mas parecia mais animada. A televisão estava ligada, e eu me aproximei para sentar ao lado dela.

— O que você está assistindo, princesa? — perguntei, olhando para a tela, onde um rapaz de expressão intensa encarava uma jovem que parecia prestes a chorar.

Aurora sorriu, seus olhos brilhando.

— É um dorama, pai. Chama-se "Destined With You". É sobre uma advogada que encontra um livro mágico antigo e um homem amaldiçoado que precisa da ajuda dela.

— Um livro mágico? — ergui uma sobrancelha, fingindo confusão. — E ele é amaldiçoado? Como assim?

Ela riu, claramente achando minha falta de familiaridade divertida.

— Ele não pode se apaixonar por ninguém, porque toda vez que tenta, algo ruim acontece. Mas quando ele conhece a advogada, tudo começa a mudar.

— Hm... Parece meio complicado. — Inclinei-me para frente, tentando entender a cena. — Então, eles acabam juntos ou não?

— Pai! — Aurora protestou, balançando a cabeça. — Você não pode perguntar isso! Você tem que assistir para descobrir. É sobre o processo, não só o final.

Ri do tom indignado dela.

— Ok, ok. Mas me explica isso de doramas. Eles sempre têm esse tipo de história?

— Não sempre — ela respondeu, com um sorriso. — Mas muitos têm romance, mistério ou drama. É o jeito como eles contam as histórias que é especial. Tem emoção, mas também leveza.

— Certo... — murmurei, olhando para a tela, onde a cena havia mudado para os dois protagonistas em um encontro. — Então, isso é tipo um... "treinamento para namoro"?

Aurora riu alto.

— Não exatamente. Mas algumas pessoas assistem para sonhar acordadas. E é fofo, não é?

— Fofo... É, acho que posso dizer que sim. — Fiz uma pausa, fingindo pensar. — Talvez eu precise assistir alguns desses com você para entender melhor.

Ela abriu um sorriso enorme.

— Sério? Você assistiria doramas comigo?

— Claro. Se isso significa passar mais tempo com você, estou dentro.

Ela parecia tão feliz que meu coração se apertou de orgulho e amor por ela. Nesse momento, meu celular vibrou no bolso. Tirei-o e olhei o display. O nome "Renata" piscava na tela.

Aurora notou, mas não disse nada, enquanto eu desligava a chamada sem atender e guardava o telefone novamente.

— Quem era? — ela perguntou casualmente, enquanto voltava sua atenção para a televisão.

— Ninguém importante. — Sorri, tentando minimizar. — Agora, me explica quem é essa garota e por que ela está sempre carregando aquele livro gigante?

Aurora riu, voltando a me explicar a trama, e eu fiquei ali, ouvindo cada detalhe. Mesmo em meio a tantas incertezas, aqueles pequenos momentos com minha filha eram tudo o que eu precisava.

...

Aurora dormia profundamente, o rosto tranquilo apesar do ambiente estéril do hospital. Seus cachos ruivos, tão parecidos com os de Nessie, estavam mais curtos agora. Nessie os havia cortado com cuidado quando começaram a cair, tentando poupar nossa menina de mais sofrimento.

Toquei sua bochecha com delicadeza, sentindo o calor suave de sua pele. Meu peito apertava a cada pensamento sobre tudo o que ela estava enfrentando. Se eu pudesse, trocaria de lugar com ela sem hesitar. Abriria mão de tudo que construí, tudo o que conquistei, para vê-la saudável e feliz novamente.

O som da porta se abrindo me tirou de meus pensamentos. Renesmee entrou no quarto, carregando algumas bolsas e sacolas. Ela parecia cansada, mas ainda tinha aquele brilho no olhar que sempre me deixava mais forte.

— Ela dormiu — sussurrei, virando-me para ela.

Nessie sorriu, pousando as sacolas silenciosamente no chão. Aproximou-se de mim e selou seus lábios nos meus em um beijo suave, cheio de conforto e cumplicidade. Depois, inclinou-se sobre a cama e beijou a testa de Aurora com ternura.

— Ela está tão serena — Nessie murmurou, voltando a ficar ao meu lado.

— É o único momento em que não está lutando — respondi, apertando sua mão na minha.

Ficamos ali, lado a lado, de mãos dadas, observando nossa filha dormir. Nessie descansou a cabeça em meu ombro, e eu senti uma onda de gratidão por tê-la comigo.

Aurora era nossa força e nosso propósito, e, juntos, enfrentaríamos qualquer tempestade para vê-la sorrir novamente.