Apenas mas uma de amor

16 Jacob- Manhã a dois



A manhã tinha sido melhor do que eu esperava. Nessie parecia à vontade, explorando a fazenda com curiosidade e entusiasmo, mesmo com Leah soltando suas farpas sempre que tinha chance. Tentei ignorar as provocações e manter o foco em Nessie. O jeito como ela ria ao ver os animais ou como seus olhos brilhavam com cada detalhe novo era suficiente para me manter tranquilo.

Após o almoço, decidi levá-la para conhecer um lugar especial. Caminhamos pela fazenda, e eu a conduzi até os estábulos.

— E aqui estão os reis da fazenda — disse, apontando para os cavalos.

Nessie sorriu, acariciando o focinho de um deles com cuidado. — Eles são tão lindos, Jake!

— Quer montar?

Ela me olhou, hesitante, mas animada. — Você acha que eu consigo?

— Claro que consegue — respondi, confiante. — Vou te ajudar.

Escolhi meu cavalo preferido, um garanhão marrom chamado Thunder, e a ajudei a subir antes de montar atrás dela.

— Pronta? — perguntei, segurando as rédeas com firmeza.

— Acho que sim — ela disse, rindo nervosa.

Guiamos o cavalo pelo campo, a brisa fresca batendo contra nossos rostos. Nessie relaxou rapidamente, e até soltou algumas risadas enquanto cavalgávamos. Depois de alguns minutos, seguimos para o meu lugar favorito: um lago escondido, rodeado por árvores altas que criavam um santuário natural.

— Uau... — Nessie disse, descendo do cavalo com minha ajuda. Ela olhou ao redor, encantada. — É lindo aqui, Jake.

— É meu lugar favorito — confessei, olhando para o lago. — Sempre venho aqui para pensar e refletir.

Ela me encarou, com um sorriso suave. — E por que você me trouxe aqui?

Engoli em seco, sentindo o nervosismo crescer. Não queria assustá-la, mas sabia que precisava ser honesto.

— Você pode não acreditar, mas eu sempre desejei trazer aqui uma garota especial para mim — admiti, tentando manter minha voz firme.

Nessie me olhou surpresa, seus olhos brilhando à luz do sol filtrada pelas árvores.

— E eu sou especial? — ela perguntou, quase em um sussurro.

Sorri, tentando aliviar minha própria tensão. — Não imagina o quanto.

Fiz uma pausa, escolhendo cuidadosamente as próximas palavras.

— Escolhi este lugar para fazer uma coisa.

Vi o nervosismo crescer nos olhos dela, o mesmo que eu sentia.

— O-o quê? — ela perguntou, gaguejando levemente.

Me aproximei, meu coração disparado, e encarei seus olhos castanhos.

— Você gosta de mim, Nessie?

Ela ficou quieta por um momento, e o rubor em suas bochechas ficou mais evidente.

— Eu gosto, há muito tempo — respondeu, tão baixinho que parecia um segredo.

Meu peito se aqueceu com aquelas palavras. Sem pensar duas vezes, inclinei-me levemente, testando os limites, esperando que ela não recuasse. Era um momento delicado, mas eu sabia que não poderia deixá-lo passar.

Enquanto segurava seu rosto delicadamente, eu me inclinei, meus lábios a poucos centímetros dos dela. Meu coração estava disparado, e a expectativa me consumia, mas, no último segundo, Nessie se afastou, desviando o olhar envergonhada.

Eu franzi a testa, preocupado, e dei um passo para trás, respeitando seu espaço.

— Nessie, o que aconteceu? — perguntei, mantendo minha voz suave.

Ela mordeu o lábio, parecendo ainda mais nervosa. — Desculpe, Jake. Eu só... nunca fiz isso antes.

Suspirei, deixando um sorriso compreensivo suavizar meu rosto. — Tudo bem, Nessie. Não precisa se apressar. Eu só queria que você soubesse como me sinto.

Ela balançou a cabeça rapidamente, como se estivesse tentando esclarecer algo. — Não... não é isso... — disse, sua voz quase em um sussurro. — Eu sinto o mesmo. Eu só... só não sei como fazer isso.

Não consegui conter a risada que escapou dos meus lábios. Não era uma risada para zombar dela, mas sim de ternura. Segurei suas mãos com firmeza, deixando meus polegares traçarem círculos em suas palmas.

— Nessie, não existe um manual para beijar — brinquei, tentando aliviar sua tensão.

Ela corou ainda mais, e percebi que estava completamente envergonhada. Se fosse possível, tenho certeza de que ela teria cavado um buraco para se esconder.

Decidi tentar de novo, mas sem pressa. Aproximei-me novamente, passando uma das mãos ao redor de sua cintura, puxando-a delicadamente para mais perto.

— E se eu fizer errado? — ela sussurrou, os olhos fixos nos meus, cheios de insegurança.

Senti meu peito aquecer com aquela pergunta. Aquilo era tão genuíno, tão fofo e lindo que me fez sorrir ainda mais.

— Não vai — murmurei, mantendo meu olhar fixo no dela.

Inclinei-me devagar, roçando meus lábios nos dela em um toque suave. Esperei por qualquer sinal de desconforto, mas, em vez disso, senti que ela relaxava em meus braços. Aquele momento era perfeito, e tudo ao nosso redor parecia desaparecer.

Quando finalmente a beijei, foi como se o mundo tivesse parado. Não havia mais preocupações, inseguranças ou dúvidas. Só havia eu e Nessie, e a sensação era indescritível.

...

O dia tinha sido longo, mas um dos mais incríveis que já vivi. Passear pela fazenda com Nessie, mostrar a ela cada detalhe do lugar que significava tanto para mim, e terminar com aquele beijo no lago... tudo parecia um sonho. Agora, enquanto saía do banho, enrolado apenas na toalha, eu estava exausto, mas feliz.

Ao abrir a porta do quarto, quase pulei para trás com o susto. Leah estava lá, parada ao lado da minha cama, com os braços cruzados e uma expressão que eu não sabia se era de determinação ou raiva.

— Leah? O que você está fazendo aqui? — perguntei, ainda segurando firme a toalha ao redor da cintura.

Ela deu de ombros, um sorriso malicioso se formando nos lábios. — Precisamos conversar.

Franzi o cenho, desconfiado. — Conversar sobre o quê? Não podia esperar até amanhã?

Ela deu um passo à frente, ignorando minha pergunta. — Você sabe que não precisa disso, Jake.

— Disso o quê? — perguntei, agora irritado e confuso.

— Dessa brincadeira com a Cullen — ela respondeu, o tom ácido. — Você sabe que ela é só uma menina.

Suspirei, já sentindo onde aquilo ia dar. — Leah, isso não é da sua conta. E, sinceramente, você não deveria estar aqui.

— Ah, não? — Ela se aproximou mais, parando bem na minha frente. — Engraçado que você deixava a porta aberta para que eu entrasse na madrugada, não parecia se importar que eu o visse sem roupa, agora mudou? Não me deseja mais?

— Leah, isso não é o que você está pensando — respondi, recuando um passo.

Ela tocou meu braço, o olhar mudando para algo que eu interpretei como desesperado. — Jake, você não precisa se prender a essa fantasia. Eu estou aqui, de verdade, e sempre estive.

Soltei meu braço suavemente de sua mão. — Leah, pare. Não é assim que funciona.

— Não é assim que funciona? — Ela riu sem humor. — Então, o que funciona pra você, Jake? Ficar correndo atrás de uma garotinha que mal sabe o que quer?

Eu a encarei, irritado. — Nessie sabe muito bem o que quer. E, mesmo que não soubesse, isso não diz respeito a você.

Leah recuou, frustrada. — Eu não vou aceitar ser descartada assim, Jacob.

— Ninguém está te descartando, Leah — retruquei, a paciência começando a se esgotar. — Mas você precisa sair daqui. Agora.

Ela hesitou por um momento, o olhar dela queimando com algo entre raiva e tristeza. Então, sem dizer mais nada, virou-se e saiu, batendo a porta ao sair do quarto.

Suspirei profundamente e sentei na cama, esfregando as mãos no rosto. O que diabos ela quis dizer com isso?

Minha mente estava confusa, e a última coisa que eu queria era que Leah estragasse o que eu estava construindo com Nessie. Mas agora, havia uma inquietação em meu peito que eu não conseguia ignorar.