– Nessie, espera! – Eu gritei, correndo atrás dela, mas ela não parou.

A vi se afastando, com o passo rápido, e algo dentro de mim apertou. Não podia deixá-la ir assim, não depois de tudo o que aconteceu. Ela estava furiosa, magoada, e eu não conseguia encontrar as palavras certas para consertar o que eu tinha feito. Quando finalmente a alcancei, segurei seu braço, tentando fazê-la parar.

– Me deixa explicar! – Eu pedi, tentando recuperar o fôlego. – Eu não sabia disso, eu juro!

Ela se virou para mim, o rosto marcado pelas lágrimas e a raiva. Aquilo foi como um soco no estômago.

– Explicar o quê, Jacob? – ela gritou, sua voz carregada de dor. – Agora tudo faz sentido... a raiva da Leah, a forma como ela sempre olhou para mim! E você, como pôde?

Meu coração apertou ao ouvir aquelas palavras. Eu queria dizer que não era bem assim, que não queria que ela se sentisse assim, mas as palavras estavam presas na minha garganta. Tentei falar, mas ela não me deu chance.

– Isso aconteceu antes de nós dois... – comecei, tentando encontrar uma forma de justificar, mas ela me cortou.

– Antes ou depois não importa agora! – ela respondeu, a voz trêmula, mas firme. – Você mentiu por omissão, Jacob! Como eu posso acreditar em qualquer coisa que você diz?

Aquelas palavras me acertaram em cheio. A dor no olhar dela me fez perceber que, talvez, eu tivesse cometido o maior erro da minha vida. Tentei mais uma vez, tentando acalmá-la, mas ela se afastou com um movimento brusco.

– Eu vou te levar pra casa – eu insisti, tentando soar calmo, tentando não perder o controle.

– Não – ela respondeu, com firmeza, a voz tremendo. – Eu vou de táxi.

Ela começou a se afastar, enxugando as lágrimas que não paravam de cair. Meu coração apertou ainda mais ao ver o sofrimento dela, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, tentei me aproximar novamente, estendendo a mão para ela. Nesse momento, algo dentro de mim quebrou. Ela se virou rapidamente e, num impulso de raiva e dor, me deu um tapa no rosto.

– Não me toca! – Ela gritou, e, antes que eu pudesse reagir, ela saiu correndo em direção à rodovia.

Meu instinto me fez correr atrás dela, mas, à medida que me aproximava, vi algo que me fez parar abruptamente. Tom Evans apareceu do nada, pegando Nessie no colo com uma rapidez que me deixou sem reação. Ele olhou para mim, e, antes que eu pudesse gritar ou fazer qualquer coisa, ele a colocou no carro e entrou, dando partida.

Eu fiquei ali, completamente paralisado por um segundo, até que a realidade bateu forte. Não podia deixar aquilo acontecer. Corri em direção ao carro, desesperado, mas não consegui alcançá-los. O carro disparou pela estrada, e eu só conseguia olhar, impotente.

A adrenalina tomou conta de mim. Meu coração batia forte, e a raiva e o medo se misturaram em um turbilhão. Não podia deixar isso acontecer. Não podia perder Nessie. Sem pensar, peguei o celular com as mãos tremendo e disquei o número da polícia.

– Renesmee Cullen foi sequestrada por Tom Evans! – Eu quase gritei, a voz falhando de tanta tensão. – Ele a pegou, ele a levou!

Eu desliguei, mas o som do carro de Tom desaparecendo à distância ainda estava ecoando em meus ouvidos. Tudo o que eu conseguia fazer era correr para tentar alcançá-los.

...

Estava na casa de Renesmee, rodeado por policiais, cada um fazendo seu trabalho. A casa parecia estranhamente silenciosa, apesar da movimentação de todos. Eu não conseguia parar de pensar nela, em como ela deveria estar se sentindo. Minha cabeça estava uma bagunça, o medo, a raiva, a frustração – tudo misturado em um só turbilhão de emoções.

Bella estava na sala, inconsolável, sentada com as mãos sobre o rosto, as lágrimas caindo sem parar. Eu queria poder fazer algo para aliviar a dor dela, mas eu estava tão perdido quanto ela. Cada minuto que passava sem notícias de Nessie só piorava a situação.

Um dos policiais se aproximou de mim. Ele parecia sério, seus olhos focados no trabalho, mas havia uma leve preocupação ali.

– Jacob, você se lembra da cor do veículo? – ele perguntou, fazendo anotações em seu bloco.

Eu fechei os olhos por um instante, tentando organizar as informações. O carro de Tom tinha uma presença, uma cor escura que era impossível não notar.

– É um Aston Martin – eu respondi, a voz rouca. – Preto.

O policial franziu a testa, fazendo uma anotação.

– E a placa? Lembra-se de algo?

Eu respirei fundo, tentando puxar da memória qualquer detalhe que pudesse ajudar. Lembrei dos últimos números, e a resposta me saiu quase sem querer.

– Os últimos números da placa são 486.

O policial fez uma anotação rápida, olhando para mim com um olhar que parecia um pouco mais esperançoso.

– Isso vai ajudar. Obrigado, Jacob.

Ele saiu rapidamente para dar a informação aos outros policiais. Eu me sentei no sofá, sentindo meu corpo pesado, como se tivesse sido esvaziado. A angústia parecia me consumir por dentro.

Rachel apareceu ao meu lado, sentando-se comigo. Ela passou um braço ao redor de meus ombros, tentando me confortar. A voz dela estava suave, mas carregada de preocupação.

– Billy e Sarah ligaram – ela me disse, tentando me acalmar. – Eles estão preocupados com você, mas... mais ainda com a Nessie. Eles querem saber se têm alguma notícia.

Eu balancei a cabeça, sentindo a impotência crescer dentro de mim.

– Eu sei, Rachel... Mas, tudo o que importa agora é encontrar a Nessie. Não posso me preocupar com mais nada, não enquanto ela ainda estiver desaparecida.

Eu olhei para Bella, que estava se segurando ao máximo, mas não havia como esconder o quanto ela estava quebrada. Eu sabia o quanto Bella amava Nessie. Estávamos todos na mesma luta, e eu não podia deixar o medo me consumir, não podia me deixar perder a esperança. Precisava encontrar a Nessie, e nada mais importava.

...

A madrugada parecia interminável, a angústia pesando mais a cada minuto que passava. Eu estava ali, na sala, os olhos fixos na porta, esperando por qualquer notícia. O relógio na parede parecia avançar com uma lentidão cruel, cada tique-taque uma lembrança de que mais tempo estava se passando, e Nessie ainda não havia aparecido.

A sala estava cheia de tensão, o murmúrio dos policiais discutindo estratégias e informações vazias. Bella estava ao meu lado, em silêncio, seus olhos vermelhos e inchados de tanto chorar, mas ela ainda tentava manter a calma. Era como se o peso de tudo estivesse nos dois, mas a força dela me dava um pouco de alívio, uma centelha de esperança no meio de tanta escuridão.

Finalmente, as portas se abriram e um dos policiais entrou. Ele parecia mais tenso do que nunca, seus passos rápidos e decididos, o olhar direto em minha direção. Meu coração deu um salto. Era o tipo de olhar que você espera quando uma boa notícia está prestes a chegar.

– Senhor e senhora Cullen – ele disse, respirando fundo antes de falar. – Conseguimos uma pista. O veículo que você descreveu, o Aston Martin preto, batia com as informações que recebemos. O sujeito comprou algumas coisas em uma farmácia no bairro de Georgetown, uma área mais afastada de Seattle.

Meu coração disparou ao ouvir isso. Finalmente, algo que se encaixava. A polícia estava vasculhando a área agora, fazendo buscas em cada canto. A esperança que se acendeu em meu peito era quase esmagadora.

O policial deu um passo à frente, como se a notícia já estivesse feita, mas havia mais. Ele olhou para Edward, que estava ao nosso lado, e disse:


– Senhor Cullen, o senhor precisa vir comigo. Precisamos do pai presente pois ela é menor.

Eu imediatamente me virei para Bella, um olhar de frustração cruzando meu rosto. Eu queria ir também, queria estar lá, sentir que eu estava fazendo algo mais, algo que realmente fizesse diferença.

– Não – o policial respondeu de forma firme, antes que eu pudesse protestar. – Você não pode ir.

Minha garganta se apertou, e uma onda de impotência quase me derrubou. Eu queria correr para ela, para Nessie. Queria estar lá para protegê-la, para não deixar que nada de mal acontecesse com ela.

Bella, no entanto, segurou minha mão com força. Olhei para ela, e vi a mesma angústia, mas também a mesma determinação. Ela não dizia nada, mas a maneira como seus dedos apertaram os meus foi tudo o que eu precisava ouvir.

Ela estava ali, firme, e nós iríamos passar por isso juntos. Mesmo que eu não pudesse estar com Nessie naquele momento, eu sabia que cada segundo que passava mais perto da verdade, mais perto de encontrá-la, seria um segundo que nos aproximava de algo bom.

– Vai dar tudo certo, Jacob – Bella sussurrou, olhando-me nos olhos. – Ela está lá fora. Eles vão encontrar a nossa Nessie.

Eu assenti, a dor ainda presente, mas com a força da promessa de que iríamos encontrá-la. E não importa o quanto o medo me corroesse, eu faria qualquer coisa para trazê-la de volta para casa.