Apenas mas uma de amor

12 Jacob- A menina dos meus olhos


Eu me lembro claramente da primeira vez que vi Renesmee. Estava em uma das aulas que sempre considerei a mais difícil: física. O professor falava sobre conceitos complicados, e eu estava tentando acompanhar quando ele chamou uma aluna para dar uma explicação sobre física quântica.

Quando a vi pela primeira vez, fiquei impressionado. Ela era uma menina pequena, de olhar gentil e com lindas madeixas que brilhavam à luz do sol. Não podia acreditar que ela fosse a novata da turma. O professor a apresentou, explicando que ela havia sido transferida por ter notas elevadas para uma aluna do segundo ano.

Enquanto ela começava a falar, a sala inteira ficou em silêncio. Sua voz era calma e confiante, e a forma como ela explicava conceitos tão complexos com uma facilidade impressionante me deixou boquiaberto. Quando terminou, o professor a elogiou, claramente impressionado.

Max e Tom, sentados ao meu lado, não perderam tempo em fazer seus comentários típicos.

— Nerd CDF — disse Max, com um tom de desdém.

— Totalmente — concordou Tom, rindo.

Eu os ignorei, incapaz de desviar os olhos dela. Sussurrei para mim mesmo, quase sem perceber:

— Que garota incrível.

Naquele momento, algo dentro de mim mudou. Havia algo especial nela, algo que me atraía de uma maneira que eu não conseguia explicar. Era mais do que apenas sua inteligência ou sua beleza. Era a maneira como ela carregava consigo uma aura de determinação e gentileza, algo raro de se encontrar.

Desde aquele dia, não consegui tirá-la da cabeça. Mal sabia eu que aquele seria o começo de algo muito maior, algo que mudaria minha vida para sempre.

No dia seguinte, quando entrei na escola, meus olhos logo a encontraram. Renesmee estava sentada no pátio, completamente absorta em seus livros. Usava um laço azul no cabelo, e percebi que essa era sua cor favorita. Havia algo reconfortante na forma como ela se concentrava, alheia ao mundo ao seu redor.

Decidi me aproximar, mas, antes que pudesse alcançá-la, um grupo de meninas se aproximou e disse algo que a fez levantar rapidamente, deixando o banco para elas. Jessica, que estava com o grupo, riu, e eu senti um aperto no peito.

— Oi, Jake! — disse Jessica, animada ao me ver.

— O que vocês disseram para Renesmee? — perguntei, tentando esconder minha irritação.

— Ah, ela estava no nosso banco — respondeu Jessica, com desdém.

— O banco é da escola, não de vocês — repliquei, sentindo a raiva crescer. Em seguida, me afastei, irritado com a situação.

Nos dias que se seguiram, sempre a vi no mesmo banco, com seus livros. Na biblioteca, na lanchonete, ela estava sempre sozinha, imersa em seus estudos. Parecia que havia uma barreira invisível ao seu redor, algo que a mantinha intocável.

Eu queria me aproximar, queria conhecê-la melhor, mas sempre havia algo que me impedia. Talvez fosse a forma como ela parecia estar em um mundo só dela, ou talvez fosse a minha própria insegurança. Afinal, eu nunca tinha tido problemas para falar com garotas, mas Renesmee era diferente. Ela era especial, e isso me deixava nervoso.

Apesar de tudo, continuei tentando. Eu a observava de longe, admirando sua determinação e sua inteligência. E, a cada dia, sentia que a distância entre nós diminuía um pouco mais, até o momento em que finalmente tomei coragem para me aproximar de verdade. Mas essa é uma outra parte da história que transformou completamente a minha vida.

Naquela manhã, quando cheguei na escola, não vi Renesmee no pátio. Suspirei e segui ao lado das minhas irmãs, Rachel e Rebecca, que, percebendo minha frustração, começaram a me provocar como todas irmãs mais novas faziam.

— Não entendo por que você não conversa com ela — disse Rebecca, olhando para mim com curiosidade.

— Ela quem? — perguntei, tentando me fazer de desentendido.

Rachel riu e respondeu:

— A ruivinha fofa de trancinhas.

Fiquei em silêncio, agradecendo internamente quando elas pararam para conversar com outras garotas. Segui em passos largos, ignorando os suspiros das adolescentes da escola, e fui em direção ao meu armário. E então, a vi. Renesmee corria na minha direção, parecendo assustada.

Parei de andar e, em um instante, ela colidiu com o meu corpo. Rapidamente, a segurei, e nossos olhares se encontraram. Seus olhos eram verdes, e mesmo através dos óculos embaçados, eles brilhavam com uma intensidade que me deixou sem palavras.

Houve um breve silêncio antes que eu perguntasse:

— Você está bem, Renesmee?

Sem responder, ela me abraçou, e senti meu coração disparar. Mas, antes que eu pudesse reagir, ela se afastou e correu em direção ao banheiro feminino.

Fiquei parado ali, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. O abraço inesperado ainda queimava na minha pele, e eu me perguntei o que poderia tê-la assustado tanto. Meu instinto protetor aflorou, e decidi que precisava descobrir o que estava acontecendo.

Caminhei lentamente até o banheiro feminino, mas não me atrevi a entrar. Esperei do lado de fora, na esperança de que ela saísse e pudesse me contar o que tinha acontecido. Enquanto esperava, olhei para os corredores cheios de estudantes que começavam a dispersar para suas aulas. Meu coração ainda batia forte, e eu sabia que algo em mim estava mudando.

Eu queria estar lá para ela, protegê-la, e talvez, finalmente, encontrar uma maneira de quebrar a barreira que parecia nos manter separados.

Rachel e Rebecca me encontraram na porta do banheiro feminino e, sem perder tempo, perguntaram o que eu estava fazendo ali.

— Preciso que vocês vejam se Renesmee está bem — pedi, tentando não parecer muito preocupado.

Elas assentiram e entraram no banheiro. Enquanto isso, a inspetora se aproximava, e decidi ir para a sala de aula antes de atrair mais atenção.

Sentei-me na minha cadeira, mas minha mente estava no banheiro feminino, esperando que as minhas irmãs retornassem com notícias. Olhei para a porta da sala, ansioso, e finalmente vi Renesmee entrar, acompanhada de Rachel e Rebecca. Rachel me deu um sinal discreto de que tudo estava bem. Sorri de alívio e observei Renesmee se sentar e pegar seus livros.

Rachel se inclinou e sussurrou em meu ouvido:

— Fala logo com ela, Jake, antes que outro garoto faça isso.

Eu sabia que ela tinha razão. Suspirei e olhei novamente para Renesmee. Ela estava concentrada em seus livros, mas percebi que suas mãos tremiam levemente. Decidi que não podia adiar mais.

O professor falou que faríamos um trabalho em dupla e eu me levantei rapidamente e fui até a mesa de Renesmee. Me sentei na cadeira ao lado dela, sentindo um misto de nervosismo e determinação.

— Oi, Renesmee , quer fazer o trabalho comigo?— comecei, tentando soar casual.

Ela levantou os olhos para mim, surpresa, e por um momento, fiquei perdido na profundidade dos seus olhos verdes.

— É...eu, claro— ela respondeu, com um leve sorriso, mas eu podia ver que ainda estava abalada.

— Ótimo vamos fazer um bom trabalho juntos— falei, tentando transmitir segurança.

Ela assentiu, e por um instante, parecia que queria dizer algo mais, mas então o professor falou interrompendo nosso momento. Voltei para o meu lugar, mas continuei olhando para ela de vez em quando.

A aula prosseguiu, mas minha mente estava ocupada pensando no que eu havia feito. Rachel tinha razão, eu precisava ser mais direto, antes que alguém mais percebesse o quanto Renesmee era especial.

Decidi que o próximo passo seria , convidar Renesmee para almoçar comigo e minhas irmãs. Eu queria conhecê-la melhor e, mais importante, queria que ela soubesse o quanto ela era especial para mim.