Chegamos em Cancún exatamente às 21h00 de uma sexta-feira. O frio na barriga veio instantaneamente assim que desembarcamos, e eu senti a mistura de emoções ao pisar novamente naquele lugar, depois de tanto tempo, de tudo o que vivi. Era como se uma parte de mim tivesse finalmente voltado para casa.


— Está tudo bem, meu amor? — Carlos Daniel perguntou, preocupado, enquanto eu olhava pela janela do táxi, observando as ruas e os prédios conhecidos que se estendiam pela cidade.


— Está... — olhei para ele e sorri, sentindo os olhos se encherem de nostalgia. — Só estou lembrando de tudo o que vivi aqui. Apesar de tudo, éramos felizes.


— Amanhã, bem cedo, vamos até a vila, Paulina. Quero conhecer tudo, cada cantinho — ele disse, com um brilho nos olhos.


Eu sorri, sentindo o coração aquecer com sua empolgação.


— Estou ansiosa pra isso — falei, sentindo uma onda de expectativa me invadir.


— Eu sei, minha vida. — Ele me olhou com carinho, apertando suavemente a minha mão. — Eu sei.


O táxi nos deixou em frente ao hotel, um lugar imponente à beira-mar. Era um desses resorts luxuosos, do tipo que você só visitaria em uma ocasião muito especial — ou como hóspede, se a vida fosse generosa. Quando eu morava ali, jamais imaginaria estar me hospedando em um lugar assim, talvez conseguiria entrar apenas como uma simples camareira. Agora, parecia surreal, mas ao mesmo tempo perfeito.


O quarto no 12º andar oferecia uma vista de tirar o fôlego. A imensidão azul do mar se estendia até onde a vista alcançava, com a lua refletindo suavemente na superfície. O quarto era espaçoso, moderno, mas o que mais me encantou foi a varanda. O vento fresco, com o cheiro inconfundível de sal e mar, fez meu peito se encher de saudade. Era como se eu estivesse respirando de novo algo que já havia perdido.


— Aqui é tão lindo, meu amor — Carlos Daniel disse, me abraçando por trás. Colocou a mão sobre o meu ventre e o acariciou com tanta ternura que, por um momento, senti uma conexão profunda com o bebê que carregava.


— É... muito lindo mesmo — respondi, colocando minhas mãos sobre as dele, sentindo sua proteção. — E eu não imaginava que sentia tanta falta daqui.


Ele me virou com cuidado, seus olhos refletindo uma ternura imensa, e me beijou, com a delicadeza de quem tenta capturar um momento único.


— Ah, minha vida… Eu devia ter imaginado. O lugar onde você cresceu, a sua história... Podíamos ter vindo antes, não acha?

Me aconcheguei em seus braços, sentindo a paz da sua presença envolver tudo à minha volta.

— Está tudo bem, amor... — respirei fundo, observando a serenidade do mar. — O importante é que estamos aqui, juntos.


Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas nos permitindo sentir o momento, até que Carlos Daniel quebrou o silêncio, pedindo para que chamássemos algo para comer. Depois de tomarmos um banho quente e relaxante, ele preparou um momento especial.

Com mãos cuidadosas, ele me fez deitar na cama. Pegou os cremes e óleos recomendados pela obstetra, sempre tão atencioso, tão presente nas minhas necessidades. A sensação de ser cuidada por ele me preenchia de uma gratidão imensa, como se ele estivesse sempre um passo à frente, cuidando de mim, do nosso bebê, e da nossa vida.

Ele espalhou o creme sobre minha pele, começando pela minha barriga — ainda discreta, mas carregada de significados. Falou com carinho para o nosso bebê, como se já sentisse a conexão profunda que compartilhavam.

— Você está cada dia mais linda, sabia? — disse ele, os olhos fixos nos meus com uma intensidade que me fez esquecer do resto do mundo. — Te amo tanto.

Eu sorri, tocando seu rosto com carinho, sentindo a doçura do momento envolver meu coração, como um abraço apertado e silencioso.

— Eu te amo, Carlos Daniel… — minha voz saiu suave, mas carregada de sentimentos profundos. — Te amo demais.

Ele me beijou novamente, lento e apaixonado, como se quisesse capturar cada emoção, cada segundo daquele instante tão perfeito.

— Não canso de te admirar, de te beijar, de te amar… — murmurou, ainda com a testa encostada na minha, os batimentos do coração dele se misturando aos meus, criando uma melodia silenciosa e eterna.

O silêncio se fez, mas não era um silêncio vazio. Era o silêncio das promessas não ditas, da confiança, da felicidade tranquila que nos envolvia. Estávamos ali, no lugar que sempre teve tanto significado para mim, e agora, com ele ao meu lado, eu sabia que aquele seria apenas o começo de algo ainda mais grandioso.

— Sempre sonhei em voltar aqui, mas agora, com você, vai ser ainda mais especial — falei, perdida na imensidão dos seus olhos, sentindo que o tempo, ali, tinha parado para nós.

Carlos Daniel sorriu, a testa apoiada na minha, e sussurrou:

— Vai ser maravilhoso, minha vida. E vamos construir novos momentos, novas lembranças, juntos.

Aquelas palavras se alojaram em meu coração como um abrigo seguro, aquecendo-me de uma forma que eu não sabia explicar. Eu sabia que, independentemente do que acontecesse, teríamos sempre um ao outro. E naquele momento, ali, no 12º andar, nos amando com toda entrega e cumplicidade, eu sentia que aquele fim de semana seria mais do que especial — seria o início de uma nova jornada para nós dois.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.