Apenas mais uma de amor
11 Consequências
Notas iniciais
Alguns dias se passaram desde a libertação de Light e Misa. Não havendo outro suspeito, os últimos dias da força tarefa se concentraram em rastrear os assassinatos de Kira. L estava mais quieto do que o habitual. Não parecia muito animado com a investigação. Light, por outro lado, estava empolgado com a ideia de pegar Kira. Havia nele uma energia diferente de antes da prisão, agora ele parecia mais humano. Entretanto, Chiara não consegui engolir aquele adolescente. Na verdade, ela admitia que naquele momento não havia provas de que ele era o Kira, mas a intuição dela parecia alertar para o perigo quando Light se aproximava. Simplesmente não gostava dele e não fazia muita questão de esconder isso.
Naquela manhã, o Sr. Yagami, Matsuda e Chiara estavam diante dos monitores observando L, Light e Misa, que estavam no apartamento da modelo. De repente, Aizawa entra na sala de controle apenas de cueca carregando as roupas nas mãos. Ao perceber a presença de Chiara, corre para a sala ao lado, roxo de vergonha.
— Eu não me lembrava que você poderia estar ai! – gritou o policial da sala ao lado.
Chiara não conseguia parar de rir. Pra deixar Aizawa ainda mais envergonhado, ela nem sequer tentou desviar os olhos dele.
— O que aconteceu, Aizawa? – perguntou o Sr. Yagami surpreso. Aizawa sempre foi muito sério e comprometido, a cena que acabara de acontecer havia sido no mínimo estranha.
— Ainda estou me acostumando com o sistema de segurança desse prédio. – Aizawa se aproximava, agora vestido. Tentava não olhar para Chiara, que mordia a língua para não rir. – O que está acontecendo?
— Estão todos no quarto da Misa Misa – respondeu Matsuda.
Aizawa voltou seu olhar para os telões que os outros observavam. L e Light estavam sentados em um sofá e Misa estava no sofá logo em frente. Na mesinha de centro entre eles, havia dois pedaços de torta e um pratinho vazio na frente de L. O detetive parecia entediado enquanto observava Light e Misa.
— Cara, esse é o pior encontro que eu já tive em toda a minha vida! – resmungou Misa.
— Ah, não, finjam que eu não estou aqui – retrucou L, como se sua atitude fosse absolutamente normal.
Chiara observava tudo. Ela notou a mudança no detetive. Ele parecia perdido, sem energia. Talvez ele estivesse preocupado com a possibilidade de que pegar Kira seja impossível. Todo o seu caso dependia do fato de Light e Misa serem os Kiras, o que ele não conseguia provar. A moça sentia que L carregava um grande fardo, embora não deixasse transparecer.
Enquanto devaneava, Chiara foi interrompida por um barulho: ela não entendeu o porquê, pois estava distraída com seus pensamentos, mas L e Light tinham começado a brigar. Este último havia dado um soco no detetive, que revidou.
— Olho por olho, meu amigo! – o detetive revidou o soco atingindo a face de Light com um dos pés.
Chiara achou a cena divertida. Não que gostasse de ver L se machucar, mas ele finalmente estava tendo um comportamento mais “normal”, pondo suas emoções pra fora. Talvez fosse bom para descarregar a raiva. Estava torcendo para ele bater em Light.
De repente o telefone tocou no quarto da loira.
— Ryuzaki, eu tenho boas notícias! A Misa Misa é a número 1 na pesquisa de popularidade da revista Eighteen. – Matsuda soube mesmo como quebrar o clima.
Os dois brigões se recompuseram e se dirigiram à sala de controle.
—________________
Algumas horas mais tarde, Watari aparece na sala de controle.
— Ryuzaki, sei que está exclusivamente focado no caso Kira, mas como as investigações não têm demandado muito ultimamente, recebi um caso que talvez vá lhe interessar.
L encostou o polegar na boca. Ele devia realmente se dedicar exclusivamente ao caso Kira, mas a verdade é que ultimamente andava desmotivado. Se Light e Misa estavam realmente sob o controle de Kira, será praticamente impossível pegá-lo. Por outro lado, resolver algum caso difícil talvez o ajudasse a levantar o moral.
— Eu aceito o caso, Watari – disse, por fim, com a indiferença habitual. – Não estamos fazendo muito ultimamente a não ser acompanhar os assassinatos de Kira.
— Pois bem – disse o velho enquanto abria alguns arquivos nos monitores. – O caso é o seguinte: aconteceu o mesmo fenômeno em alguns países ao redor do mundo. Algumas pessoas ficam presas em um elevador. De repente, o elevador trava, acontece um apagão e uma delas morre, uma de cada vez até não sobrar nenhuma. Todos que tentam acesso aos elevadores, mesmo para tentar abri-lo ou consertá-lo, acabam morrendo. Como houve o mesmo padrão de mortes em várias regiões diferentes, a Interpol acredita que estejam relacionados e resolveram nos contatar.
— Interessante... – limitou-se a dizer o detetive.
Os outros na sala estavam curiosos com o caso. Eles também esperavam que a resolução de um caso difícil ajudasse a recuperar o ânimo de L.
Desde que o detetive deixou de visitar Chiara, os dois evitam se olhar e só conversam o necessário. Apesar disso, ela estava preocupada com ele, pois sabia que ele não estava bem, mas ele não iria permitir que ela se aproximasse. A ruiva também não insistiria, pois além de um pouco orgulhosa, ela não achava correto insistir. Ele deveria vir a ela por vontade própria.
— Pode me mostrar as imagens das câmeras de segurança dos elevadores, Watari? – L falou depois de um breve silêncio.
— Na verdade, Ryuzaki, está acontecendo nesse exato momento no elevador de um escritório de advocacia em Cambridge, na Inglaterra – informou Watari.
Murmúrios de espanto foram percebido na sala. A equipe toda iria presenciar o fenômeno estranho ao vivo. Chiara ficou preocupada. Ela estudou na Universidade de Cambridge por um tempo e tinha muitos amigos lá. Será que alguém que ela conhecia estava correndo perigo?
— Watari, por favor, pode conseguir as imagens do elevador e transferi-las para os monitores? – pediu L.
— Agora mesmo.
Alguns minutos depois, surge no monitor principal a imagem de 4 pessoas dentro de um elevador pequeno. Estavam visivelmente preocupadas. Uma senhora loira de uns 50 anos agarrava-se à bolsa. Uma mulher morena, de 30 e poucos anos tentava falar no celular, sem sucesso. Dois homens, que aparentavam ter por volta de 25 anos, estavam apenas escorados. Um deles não parava de balançar a perna, ansioso. Chiara ficou aliviada. Não era ninguém que ela conhecia.
— Eles estão trancados há uma hora e meia. Dois técnicos foram enviados para tentar consertar o elevador e morreram acidentalmente. Os cabos que sustentam o elevador foram comprometidos e há um temor de que mais técnicos morram se forem enviados. – Watari deu detalhes do caso.
— Se for como Watari está dizendo, algum deles deve morrer em breve – comentou Matsuda.
— Não diga isso, Matsuda. L vai fazer o máximo para evitar mais mortes. – O Sr. Yagami estava confiante.
— Não sei se as mortes são evitáveis, Sr. Yagami – interrompeu L.
— Está dizendo que aquelas pessoas vão morrer e não há nada que se possa fazer – atravessou-se Aizawa.
— Não. O que eu disse é que talvez não se possa evitar as mortes, mas isso só saberemos quando investigarmos mais a fundo. Watari, levante informações sobre as pessoas presas no elevador.
— Vai buscar por histórico de doenças psiquiátricas em algum deles, não é? A explicação mais plausível é a de que um deles esteja matando os outros e depois se matando. – Light demonstrou a sua capacidade de dedução.
— Isso não explica a morte das pessoas que tentaram se aproximar dos elevadores e nem as quedas de energia no momento das mortes. – Chiara replicou olhando diretamente nos olhos de Light, desafiando-o. Parecia querer bater de frente com o adolescente. – Além do mais, nem sempre a explicação mais plausível é a correta.
— Está falando de fenômenos sobrenaturais? Não se trabalha com essa possibilidade em investigações sérias, Chiara. – Ele revidou, mas de maneira discreta.
— Eu não acreditava em Shinigamis até ver um. Mas não vou perder tempo me explicando. Não me interessa o que você pensa ou deixa de pensar. – Ela foi grossa propositalmente. Não costumava ser assim, mas era muito transparente e não conseguia disfarçar quando não gostava de alguém.
De repente, uns sons estranhos começam a vir da transmissão. Todos se voltam para o monitor, quando, por poucos segundos, a luz se apaga completamente. Em seguida, ao voltar ao normal, todos percebem que um dos rapazes do elevador estava morto, com um corte na garganta. Os outros ocupantes gritavam desesperados.
— Mas o que aconteceu? – Perguntou Matsuda assustado.
— Começou – respondeu o detetive.
Watari, que havia saído, retorna com alguns papéis na mão.
— Ryuzaki, investiguei essas pessoas. Eles não se conhecem, mas tem algo em comum. A mulher de 50 anos se Chama Margo Stuart e é uma executiva acusada de desviar dinheiro de uma grande empresa. A mulher mais jovem, Lucy Mayers, é uma dona de casa que está sendo investigada pela morte do marido, cujo seguro de vida valia muito dinheiro. O homem que acabou de morrer, Robert Jones, agrediu a namorada em uma crise de ciúmes e está sendo processado. Por último, Michel Hardy, passou três anos preso por furto. O caso dele é curioso porque ele confessou o crime e pediu ao júri pena máxima no julgamento. Também pesquisei sobre as pessoas mortas da mesma forma em outros países. Todas haviam sido acusadas de algum crime.
— Então são todos criminosos? – questionou Aizawa.
— Será que Kira está por trás disso? Ele pode controlar os atos da vítima antes de morrer – acrescentou Matsuda.
— Não faz sentido que seja Kira. Primeiro, o modus operandi dele não é esse e depois, esse não é o perfil de criminosos que ele mata – retrucou Chiara.
—Ainda assim essa informação é importante... – disse L, distante.
No elevador, as vítimas do fenômeno misterioso começaram a acusar umas às outras de ser o assassino.
— Pode me contatar com eles de forma segura, Watari?
— Sim, Ryuzaki. Há um sistema de áudio no elevador. Pessoas que tentaram contatar as vítimas à distância não foram mortas.
Watari aciona alguns comandos no computador.
— Pode usar o microfone à sua frente.
L aperta um botão e se curva em direção ao microfone à sua frente.
— Por favor, tentem se manter calmos. Eu sou o L. Estou cuidando do caso de vocês para que ninguém mais nesse elevador saia ferido.
Um burburinho tomou conta do elevador. Todos já ouviram falar do L, o detetive que queria prender Kira. Mas por que ele estava investigando um assassinato em um elevador? O que havia de tão importante ali?
Repentinamente, houve um novo blackout. Quando as luzes se acenderam, a mulher mais jovem estava morta, também com a garganta cortada.
Com exceção do detetive, todos na sala demonstraram estar chocados ao assistir à cena.
— Quem está fazendo isso e por que? – Perguntou Matsuda.
— Eu acho que a questão ainda é maior, Matsuda. Por que essa loucura está acontecendo no mundo inteiro? – Chiara estava intrigada.
No elevador, mais pânico. Só sobraram o rapaz, Michel e a mulher mais velha, Margo. Eles acusavam um ao outro de serem o assassino. Mais um blackout. Quando a luz voltou, a loira estava com a garganta cortada. O rapaz, estava sentado num dos cantos, assustado.
— Então é ele – disse Matsuda, impressionado.
— Watari, oriente os policiais a invadirem o elevador antes que aconteça algo a esse rapaz. Diga a eles que tomem cuidado. A qualquer sinal de perigo, eles devem retornar imediatamente – ordenou L, preocupado. O detetive seguiu a lógica. Se todos morrem, então o assassino também é suicida. Mas como se explicam os blackouts e as mortes dos que tentaram interferir? E mais, por que pessoas que nem se conheciam estavam fazendo a mesma coisa ao redor do mundo? A forma mais eficiente de saber a resposta, nesse caso, seria questionar o assassino.
Mal houve tempo para a ação da polícia. O primeiro policial que se aproximou da porta travada do elevador escorregou e caiu no chão de mal jeito. Seu pescoço havia quebrado: estava morto.
— Cancelem a ação! – gritou L. “O que diabos está acontecendo?”, pensou.
— Ainda não acabou – comentou Light. – Como alguém consegue fazer isso? Será que existe algum cúmplice do lado de fora?
— A polícia já teria percebido – retrucou o Sr. Yagami.
Novamente, um novo blackout. Todos esperavam que o último sobrevivente, Michel, morresse naquele momento. Mas a cena observada quando as luzes se acenderam era ainda mais absurda. A mulher loira, morta há pouco, estava de pé, em frente ao rapaz em pânico. O corte profundo em sua garganta tornava a sua aparência diabólica. Ela exibia um sorriso triunfante, encarando Michel.
A equipe de investigação ficou estarrecida. Ninguém ousou dizer uma palavra. Apenas as caras de espanto olhando umas para as outras. Até mesmo L exibia em sua face uma expressão de surpresa.
— Surpreso? – Perguntou a mulher com um tom de voz diferente do que tinha antes de “morrer”. – Já estava mesmo na hora de eu me revelar. Você é um privilegiado, Michel. Vai morrer sabendo o motivo disso tudo.
A mulher voltou-se para a câmera.
— Inclusive para você, detetive L. Não sou igual a nenhum caso que você já resolveu.
L não respondeu. As pessoas na sala ainda não conseguiam falar, por conta do susto.
— Eu tenho muitos nomes, mas o mais conhecido é demônio. Cada cultura resolveu me dar um nome diferente. Também existem muitas lendas sobre mim. Que eu tento as pessoas para o pecado, que quem é mau nessa vida é levado para mim depois que morre. Mas isso só está meio certo. No meu mundo, criaturas como eu não têm muito o que fazer, então nos divertimos torturando almas humanas. Algumas culturas chamam meu mundo de inferno, mas é um pouco diferente. Não são as pessoas que vão pra lá quando morrem, mas somos nós que viemos buscar, de tempos em tempos, possuindo corpos humanos, como eu estou fazendo agora com essa mulher. Torturamos as almas até que elas se transformem em um de nós, então procuramos por mais. Sabe, você é o último dessa remessa que estou levando, e posso dizer que estou ansioso pela sua alma. Uma alma boa de ser torturada é aquela que carrega bastante culpa. Você sabe do que eu estou falando, não é mesmo?
O homem não respondeu, apenas encarava a mulher aterrorizado.
Na sala de controle, todos estavam estupefatos.
— Uma criatura sobrenatural? Eu me recuso a acreditar na existência delas. – Light não acreditava no que acabara de ver.
— Uma pessoa que leva um corte dessa profundidade não sobrevive mais do que alguns segundos. Não há como aquela mulher ainda estar viva – retrucou o Sr. Yagami. – Você parece estar certa sobre a existência de seres sobrenaturais, Chiara. Talvez agora todos parem de duvidar de você.
“Que parte do ‘eu não me importo com o que vocês pensam’ ele não entendeu?” pensou a moça. Ela estava nervosa com o que estava presenciando. Pessoas estavam morrendo na sua frente e nada poderia ser feito. Pior do que isso, parecia que aquela criatura que ela via no monitor era mesmo sobrenatural. A ideia de almas torturadas até virarem demônios deixou Chiara chocada.
Que coisa horrível! – comentou a ruiva. – Não podemos deixar que mais ninguém seja morto por esse... por essa criatura.
— Se o que ele disse for verdade, não há muito a ser feito – respondeu Light.
Eles ouviram novamente uma voz no monitor e se voltaram pra ele.
— Você sabe do que eu estou falando – continuou a criatura – De todos os que estavam aqui, o seu crime foi o mais repugnante!
Todos na sala se entreolharam.
— Mas ele não foi preso por furto? – Indagou Matsuda.
— Sim, e por alguma razão ele pediu a pena máxima para o júri – respondeu Aizawa.
— Culpa – interrompeu L. – Acho que não é ao furto que a criatura está se referindo...
Os olhos do homem no elevador estavam cheios de lágrimas.
— Sei do que vocês está falando. E me envergonho muito por isso – falou, finalmente, o homem.
— De todos os crimes cometidos pelos humanos, alguns são especialmente repugnantes – continuou a criatura – e o seu é um deles. Cometido ainda com requintes de crueldade. Conte-me rapaz, o que tinha em mente?
O rapaz hesitou um pouco, mas decidiu falar.
— Eu estava apaixonado por uma garota na universidade Era uma moça muito bonita, talentosa e cheia de amigos. Todo mundo gostava dela, e havia muitos homens interessados também. Eu era só um cara caladão que ninguém reparava. Não teria chance nenhuma. Mas ela era tão legal que talvez me desse atenção, então resolvi ir à república onde ela morava e levar algumas flores. Mas quando eu estava chegando perto, eu a vi beijando um homem na porta de casa. Um cara popular da universidade. Então percebi que não tinha chance e fiquei com muita raiva dela. Eu tinha certeza de que seria o namorado perfeito, mas ela nem olhava pra mim. Então eu decidi me vingar. – Lágrimas caíam dos olhos do homem enquanto ele falava. – Em uma festa na república, coloquei drogas na bebida para que ficasse com sono. Quando ela foi dormir, eu estava escondido no quarto dela. Estava mascarado para que ela não me reconhecesse. E então eu... fiz.
O homem começou a chorar ainda mais intensamente. Dava pra perceber pela sua voz que ele estava tremendo.
— Ora, diga a palavra! – A criatura parecia extremamente sádica. – Estupro. Você tomou cuidado para que ninguém ouvisse os gritos com a música alta e também cuidou para que não houvessem evidências, assim ela não te denunciaria. Isso te faz pior que muitos assassinos frios que eu já conheci. E olhe que foram muitos!
— Mas eu estou totalmente arrependido do que fiz. Eu sempre carreguei essa culpa. Não dizem que se arrepender dos pecados te livra do inferno?
— Na verdade não é exatamente isso que pode te livrar de ser levado por mim. Você paga pela consequência dos seus atos, não pela intenção. A menina que você violentou sofre consequências disso até hoje! – O demônio tinha prazer em acusar o rapaz.
Na sala de controle, L assistia atentamente àquela cena surreal. De repente, estranhou o silêncio e virou-se para trás. Foi quando percebeu que todos os outros policiais estavam olhando na mesma direção: os olhos verdes de Chiara embaçados por lágrimas, enquanto ela olhava pro monitor praticamente sem piscar os olhos. Estava parada de pé, com uma expressão que L não teria palavras para descrever. “Então a vítima de estupro em questão era ela??? Era com isso que ela tinha aqueles pesadelos terríveis. Isso explica também porque a mudança de universidade. Tudo se encaixava agora! E o filho da mãe ainda fez de modo que seria difícil para ela provar o crime, por isso ela não denunciou”, pensou.
O detetive apertava o jeans da sua calça de maneira discreta, mas com força. Estava com ódio daquele homem. Na verdade, ele achava que ele estava tendo o que merecia sendo levado pelo demônio.
Novamente, ouve-se a voz da criatura.
— E então, meu rapaz, está pronto para o seu destino? – disse a criatura com um sorriso perturbador.
O rapaz não respondeu, apenas mostrou uma expressão resignada. A criatura, então, tirou do cós da calça uma pequena adaga antiga e preparou-se para o golpe final. Antes que desse tempo de ele atingir o rapaz, uma voz pôde ser ouvida pelo autofalante do elevador.
— Michel. Aqui é Chiara Torrente – Ela fez uma pausa. A ruiva estava com o microfone na mão, que tomou do detetive tão rápido que ele não teve reação.
– Eu perdoo você!
O demônio interrompeu seu ataque, com uma expressão visível de decepção.
— É, você foi salvo. Ainda não é dessa vez que eu vou levar você! – A mulher, cujo corpo estava sendo possuído, abriu a boca e dali saiu uma fumaça preta que desapareceu no ar. O corpo caiu no chão.
Na sala de controle, fez-se um silêncio mortal. L, especialmente, estava estupefato.
— Acabou — disse Chiara quase num sussurro. Colocou o microfone de volta na mesa e foi embora.
— Isso foi como assistir à passagem de um cometa – falou por fim o Sr. Yagami, interrompendo o silêncio. Ainda levaria algum tempo para que tudo o que aconteceu fosse assimilado por eles.
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Naquela noite, Chiara ainda teve o mesmo pesadelo. Ao acordar, ficou surpresa com a figura do detetive parado à sua frente. Os raios de luz da luminária na sua pele branca refletiam na sua blusa também branca e conferiam a ele uma aparência angelical. Para Chiara, ele estava mesmo parecendo um anjo.
— Você veio – disse ela, sem ao menos levantar a cabeça do travesseiro.
Ele não respondeu. Apenas deu a volta na cama, afastou o lençol e deitou-se, passando o braço por cima dela, puxando-a para junto de si. Ela segurou a mão dele e a acariciou, deslizando o polegar sobre ela até dormir.
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