Apenas mais uma de amor
12 Voltando para casa
– Onde você estava? O que estava fazendo? Eu fiquei preocupada! – ela disse com uma voz estridente, cruzando os braços. – Você não estava no café da manhã! O vovô ficou preocupada, quase mandou os guardas saírem a sua procura! Eu que o contive sabia?!
Ele suspirou e, enquanto ela falava, largou as botas que usava em qualquer canto do quarto e se deitou na cama, colocando os braços atrás da cabeça e fechando os olhos. Na hora em que foram fechadas, o rosto de Elizabeth veio a sua cabeça, sorrindo para ele e, instantaneamente, ele deu um leve sorriso que não passou despercebido pela irmã.
– Por que você está sorrindo Robert? – ela agarrou seus ombros e o sacudiu. – Você acha que tem alguma graça me fazer mentir? Eu quase fiquei de castigo por sua culpa!
Ele abriu os olhos perturbadoramente azuis e a encarou.
– Me desculpe Valerie...não foi minha intenção você quase ficar de castigo. Agora, por favor, pode falar mais baixo? Eu tenho que te contar uma coisa...
E começou a contar a sua pequena história com Elizabeth. Valerie foi ficando chocada a cada momento da história, até que na parte do beijo deu um grito e saiu pulando pelo quarto.
– EU NÃO ACREDITO! AI MEU DEUS! ROB! – ela disse abraçando-o. Ele não entendia porque de tanta euforia, afinal, era só um beijo. Ele não estava prestando atenção nela até que ela o abraçou. – E quando que eu vou conhecer minha cunhada? Hein? Quando vocês vão se encontrar de novo?
Ele riu de leve e penteou os cabelos com os dedos, tentando lembrar se haviam combinado algo. Seu rosto ficou confuso quando se deu conta que não iria mais vê-la. Uma dor muito estranha, que não estava acostumado a sentir, tomou seu coração. Era a dor da perda. Mesmo conhecendo a menina a pouco tempo, tinha se apegado a ela e talvez...não, não é possível que ele a amava. Como poderia saber isso tão rápido? Impossível. Mas às vezes, para o amor surgir, não se precisa de tempo. Quando você encontra a pessoa certa, sua alma gêmea, sabe que é essa pessoa. E ele acabara de perceber que perdera a sua.
– E-eu não sei Val... – ele pigarreou, pois sua voz falhou. – Erm...eu vou tomar uma banho, está bem? Nos vemos no jantar...
Se levantou, empurrando uma irmã chocada para fora do quarto. É claro que ela havia percebido que ele estava triste, ela o conhecia muito bem, porém não deu tempo de protestar pois ele fechou a porta em sua cara. Bateu com a testa na porta, suspirou, engoliu em seco e foi para o banheiro.
Enquanto isso, Elizabeth discutia com a irmã sobre a sua fuga na noite passada.
– POR QUE VOCÊ NÃO ME CONTOU LIZZIE? – ela gritava na floresta. – POR QUE O GEORGE QUE TEVE QUE FALAR?
Elizabeth suspirou. Essa seria uma conversa longa e difícil. Ela agarrou a irmã pelo cotovelo e disse:
– Pare de gritar! Vamos para casa e lá eu vou juntar todo mundo e vou contar o que aconteceu, está bem? – Georgine fez uma cara emburrada. É claro que não estava bem, estava com raiva e queria bater na irmã até ela falar que era mentira. Porém, ela não o fez.
As duas chegaram na casa em silêncio. Entraram pela cozinha, não falando com ninguém e nem olhando na cara das pessoas. Ambas chegaram com expressões não muito amigáveis nos rostos e os empregados resolveram não fazer nada. Elas saíram da cozinha a pressas e foram em direção ao hall de entrada. Quando entrou lá, Elizabeth ficou abismada.
O hall era gigante. A porta da casa era de vidro e a parede de entrada era coberta de janelas. Haviam duas escadas, uma em cada canto do cômodo, que levavam ao andar superior da casa. Uma mesa redonda de mogno se encontrava no centro do hall com uma vaso de flores que parecia ser de cristal no centro. As paredes estavam pintadas de um amarelo claro e nelas havia quadros de todos os membros importantes da família penduradas. Elizabeth não conhecia nenhum deles, já que seus pais foram ‘expulsos’ da família, o que fazia com que não houvesse pintura de nenhum dos dois.
O chão era de madeira escura e muito bem lustrado. Georgine puxou Elizabeth que estava parada no centro da sala boquiaberta e olhando para todos os lados. Ao passar por um espelho que havia embaixo da escada, Elizabeth viu seu estado. Os cachos estavam ainda ali, porém o cabelo estava emaranhado e ela estava um pouco suja. Olhou para o vestido e quase chorou ao ver o caos em que se encontrava. A saia estava suja e em alguns pontos, se via rasgos. Ela teria que consertar isso depois.
Quando se virou para subir a escada, tomou um susto. Uma mulher com ar prepotente estava parada no topo da escada, com um vestido azul marinho luxuoso e com feições duras. Lembrava muito seu pai, porém tinha um olhar avaliador. Ela olhou para Georgine e desprezou, já havia conhecido a menina. Virou o rosto para observar Elizabeth e por um segundo, mostrou surpresa. Olhou-a de cima a baixo, como se estivesse medindo-a.
– Para o meu escritório... – ela disse, trincando os dentes. – Agora.
Se virou e saiu, não esperando resposta. Elizabeth engoliu em seco e se virou para a irmã.
– Bom, Lizzie...essa é a nossa avó... Boa sorte! Nos encontramos no quarto. – ela abraçou a irmã e saiu.
Elizabeth segurou o vestido e subiu as escadas o mais devagar que conseguiu. Entrou no corredor a sua frente e foi andando até ver uma porta aberta que era a do escritório. Deu uma batidinha e a avó levantou os olhos do papel que estava examinando.
– Entre e sente-se. – disse de um modo duro.
Elizabeth entrou e fechou a porta. Estava com medo o que iria acontecer, mas teria que encarar a velha para poder se juntar aos irmãos. Se sentou na cadeira a frente dela e esperou o sermão. Está aí uma conversa que seria longa e cansativa.
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