Apenas mais uma alma.
1 Capítulo único.
Notas iniciais
“Não sei o que aconteceu
Com minha alma, com minha luz
Não sei o que aconteceu com meu brilho
Não sei o que aconteceu
Talvez, seja o mundo, em sua crueldade
Carregar tudo foi demais pra mim
E assim, eu me perdi
Perdi meu brilho, perdi minha luz
As minhas lembranças felizes não passam de pó
Virei apenas mais uma alma
Vagando na escuridão,
Uma alma na perdição
Não sei o que aconteceu
Como minha alma, com minha luz
Não sei o que aconteceu com meu brilho
Não sei o que aconteceu
Eu era feliz, eu era feliz
Alegre e feliz
Mas me perdi
Meu corpo é apenas uma carcaça
Pois perdi a minha alma,
Minha alma feliz, eu a perdi
Hoje não passo de uma alma
Vagando na escuridão
Uma alma na perdição
Não sei o que aconteceu
Com minha alma, com minha luz
Não sei o que aconteceu com meu brilho
Não sei o que aconteceu
Quanto eu gritei
“Me salve, me salve, preciso de ajuda!”
Por trás dos sorrisos vazios
Estavam um pedido de socorro
Eu gritei, e gritei
Para que me salvassem
“ME SALVE, ME SALVE, PRECISO DE AJUDA!”
Esperando que me ouvissem
Nem que fosse impossível
Esperei que ouvissem
Mas, já era tarde
Já não passo de uma alma
Vagando na escuridão
Uma alma na perdição
Que esperou uma salvação
Em vão
Não sei o que aconteceu
Com minha alma, com minha luz
Não sei o que aconteceu com meu brilho
Não sei o que aconteceu.”
A garota suspirou, e, ainda com o lápis na mão, folheou seu caderno, vendo todas as suas composições, e parou na última, a que havia acabado de criar. Aquela seria sua última composição. Sua maior e última composição. Alguma coisa lhe dizia que não estava perfeita, mas seu coração lhe dizia o contrário. Talvez fosse seu cérebro lhe pregando mais uma peça, caçoando dela uma última vez. Sim, devia ser seu cérebro, pois a garota já não tinha mais coração, ela já era vazia. Soltou o lápis da mão, e deu a última conferida na letra, não iria arruma-lá, pois não tinha mais tempo. Balançou a cabeça e os cachos negros se mexeram com o movimento. Abriu uma gaveta da escrivaninha e sua pequena mão foi para o revólver que ali estava, destravou a arma, e com um sorriso nos lábios e a mira da arma no coração, atirou. Gotículas de sangue pingaram no papel, e quando seu pequeno corpo caiu no chão, foi-se mais uma alma perdida, em busca de alguma salvação.
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