Apenas mais Uma de Amor
16 Capítulo 16
- Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou e eu estranhei a pergunta
- Na verdade, não. Por quê?
- Tá muito contente, pra quem tava com dor de garganta.
- Ué, como você sabe que eu tô com dor de garganta?!
- Eu fui no seu colégio pra te buscar, mas a Priscila disse que você não tinha ido porque tava com dor de garganta.
- Ah, tá.
- Mas me diz, por que essa felicidade toda? — ela insistiu
- Por nada, não posso ficar feliz em falar com você?
- Claro que pode. Mas você tá melhor, então?
- Um pouco, ainda tá ardendo. — eu disse colocando a mão na nuca
- Você vem pra cá, né?! Assim eu posso cuidar de você.
- Vou, sim. Aliás, eu tenho que arrumar minhas coisas.
- Meu amor, você não vai viajar, então não precisa fazer uma mala! — ela disse rindo
- Eu sei, eu sei. Mas você sabe que eu gosto de me prevenir!
- Ah, claro, sei sim. Faz o seguinte então: arruma suas coisas que eu vou tomar um banho, que eu cheguei cansada do trabalho, e vou te buscar, tá bom?
- Tá ótimo!
- Ok, então. Beijos.
- Beijos.
Quando eu desliguei o telefone eu virei e dei de cara com a minha mãe deitada no sofá \"desmaiada\", a boca estava até um pouco aberta, devia estar muito cansada, coitada. Eu tirei seus sapatos e coloquei suas pernas pra cima do sofá.
Assim que eu terminei de arrumar minha mochila com as minhas coisas, eu peguei um lençol, a cobri e deixei um recado dizendo que estava indo pra Bruna, apesar de já ter falado com ela, também dei um beijo no seu rosto e saí. Quando eu cheguei no portão da frente, dei de cara com alguém que eu não esperava ver por ali.
- Oi Dani ! — Camila disse um tanto animada demais
- Oi Camila, tudo bem? — eu perguntei dando um sorriso de lado
- Tudo. Então é aqui que você se esconde? — ela perguntou olhando pra porta da minha casa, mas eu já sabia que ela sabia que eu morava ali
- Pois é! Descobriu meu esconderijo.
- Eu não te vi no colégio hoje.
- Sim, eu não fui porque acordei me sentindo mal com dor de garganta.
- Entendi. Mas já tá melhor, né?! — ela perguntou sorrindo sincera
- Sim, estou. — eu sorri também
- Que bom!
- O que você tá fazendo por aqui? — eu não podia deixar de perguntar
- Vim ver uma amiga minha, se é que você me entende! — ela disse sorrindo e piscando
- Ah, claro! — eu disse balançando a cabeça
- Por quê? — ela perguntou desconfiada, mas parecia gostar do meu interesse
- Por nada, é que eu nunca tinha visto você aqui.
- Hum... — ela pareceu decepcionada com a resposta. — Seu cabelo tá bonito! — ela disse olhando pra ele e me fazendo olhar também
- Obrigada! — eu disse sorrindo sem graça
- Não que ele não seja, é que tá AINDA mais bonito! — ela disse enfatizando o \"ainda\".
- Eu não reparei pra mim tá mesma coisa.
- Oi? — uma voz atrás da Camila falou, logo depois surgiu a Bruna. \"Como eu não a vi chegar?\" eu me perguntava mentalmente
De repente o clima mudou, eu podia sentir a tensão vindo de todos os lados, a Bruna não fazia esforço pra ser simpática, ela não gostava e ponto, mas a Camila tinha uma cara sarcástica e carregava com ela a mesma e a única coisa que eu demonstrava era confusão
- Oi Bruna! Eu não vi você chegar! — eu disse sorrindo, indo em sua direção e lhe dando um abraço que não foi correspondido
- Por que será?! — ela perguntou baixinho, mas deu pra escutar
- Oi Bruna, quanto tempo! — a Camila disse sorrindo ironicamente. \"Corajosa!\" eu pensei. A única coisa que ela teve como resposta da Bruna, foi um sorriso tão sem graça, mas tão sem graça que nem parecia ter saído daquela boca linda.
- É melhor nós irmos, né?! — eu perguntei tocando seu braço e ela deu ombros, ela apenas olhava a Camila com toda seriedade. — Vamos! Tchau, Camila! — eu disse rápido e virando
- Tchau, Dani! Beijos, linda! — ela disse alto, na mesma hora a Bruna me soltou e continuou a andar em direção ao seu carro. — Aaah, tchau Bruna! — \"A Camila gosta de provocar, que droga!\" eu pensei. Eu sabia que a Bruna podia ficar louca ali mesmo e brigar com ela, mas ela se controlou e entrou no carro de bico e calada.
- Olha, eu não... — eu comecei, mas ela me cortou
- Shhh, não fala nada, não fala nada! — ela disse fechando os olhos e colocando as mãos no volante, de repente ela deu um tapa no volante e ele tremeu, assim como eu! Eu fiquei calada, falar só pioraria a situação. Ela colocou a mão na cabeça e ficar parada no momento parecia ser impossível pra ela, apesar do pouco espaço. — Que droga! Acabou com meu dia, acabou com a droga do meu dia! — ela disse ainda com raiva e finalmente colocando a chave e ligando o carro. Ela pisava fundo e eu percebia o que ela tentava fazer, ela simplesmente descontava a raiva na velocidade, mas eu tive que falar.
- Vai mais devagar, Bruna! — eu disse calma
- Eu sei o que eu tô fazendo. — ela disse ainda olhando pra frente e a velocidade nada mudou
- Eu sei que sabe, mas você precisa ir mais devagar.
- Quem precisa ir mais devagar é sua amiga. — ela disse rindo de raiva
- Por favor, não vamos brigar.
- Acho que é tarde demais pra pedir isso.
- Por quê?
- Porque se você realmente não quisesse brigar, não ficava de papo com ela, sabendo que eu não gosto.
- A culpa não foi minha, eu saí de casa, e dei cara com ela, você queria que eu fizesse o que?
- Nada, Daniela, eu não queria que você fizesse nada.
- Então, pronto, vamos ficar bem! — eu disse tocando seu braço de novo, mas foi em vão, ela tirou em uma rapidez incrível
- Por enquanto eu vou ficar assim! E não adianta pedir, porque não vou mudar de humor.
- Bruna, pára de bobeira!
- Bobeira? \"Seu cabelo tá bonito!\" — ela disse repetindo as palavras da Camila e tentando imitar a voz dela — Isso sim é bobeira! Ela fica tentando dar em cima de você, mesmo depois de tudo, ela simplesmente não desiste, isso é ridículo!
- Mas Bruna, eu não ligo!
- Mas eu sim, porque eu não gosto, se fosse ao contrário você também não ia gostar!
- Não ia. — eu assumi baixinho
- Pois então, eu tenho direito de ficar com raiva.
- Mas você tá descontando em mim, eu não tenho culpa!
- Tem que ser em você, porque você ainda dá papo pra ela! — ela disse estacionando e eu percebi que a gente tinha chegado, ela mal desligou e já saiu do carro, esperou eu sair e trancou a porta, foi caminhando até a porta e eu atrás, abriu a porta, entrou e foi pra cozinha. Eu entrei e fui em direção a sala, deixando minha mochila lá, fui atrás dela na cozinha e a encontrei bebendo ice sentada na cadeira.
- Tá bebendo?
- Não, estou brincando com a garrafa!- ela disse grossa e eu bufei
- Quando você tiver a fim de conversar, me procura! — eu disse indo pra sala, sentando no sofá e ligando a tv.
Por um momento, eu me coloquei no lugar dela e vi que não gostaria também, ainda mais depois de eu ter ficado com a Camila, sendo que ela sempre teve ciúmes da mesma, mas por um lado eu pensava que não tinha nada a ver, eu e a Camila não tínhamos nada a ver, a minha \"parada\" era a Bruna, mas eu não podia colocar isso na cabeça dela.
Eu me levantei de novo e fui atrás dela na cozinha, mas ela não tava lá, estranho já que não escutei movimento, fui até o quarto e a encontrei deitada na cama, com outra garrafa cheia de Ice. Eu entrei no quarto e deitei do seu lado, mas ainda distante
- Tá mais calma? — eu perguntei olhando pro cordão que eu dei no seu pescoço
- O que vocês estavam conversando? — ela perguntou sem olhar pra mim
- Nada demais. Ela só perguntou por que eu não fui pro colégio e tal. — ela respirava lentamente e fazia afirmativo com a cabeça
- Você entende por que eu fico com raiva?
- Sim. Porque ela fica tentando alguma coisa. – eu disse sem entender a pergunta
- Também. Mas o maior motivo é porque não sai da minha cabeça que ela já conseguiu o que queria, por isso ela me provoca mais ainda. Daniela, ela queria ficar com você e conseguiu, eu sei que por ela teria muito mais, mas o objetivo ela já conseguiu. – eu sentia mágoa nas suas palavras e em mim vinha arrependimento por ter feito o que fiz.
- Eu sei que eu errei, mas eu não posso voltar atrás, mas eu sei que não faria de novo.
- Quando você terminou comigo, eu não pensei que fosse pra valer, mas eu fiquei triste, quando você me contou que tinha ficado com a Camila, eu percebi que tinha mesmo acabado. E de repente parecia que eu tinha razão em ter ciúmes, o sangue subiu, ou seja, agora quando eu vejo você com ela, me dá essa raiva de novo, é mais forte que eu, é como se ela pudesse jogar isso na minha cara.
- Ela não tem nada pra jogar na sua cara, eu tô com você e não com ela! – eu disse pensando nas suas palavras
- Você não entende. – ela disse sentando na cama e terminando com o resto de Ice que tinha. – É melhor você dormir, amanhã você tem aula! – ela disse saindo do quarto
- Onde você vai?
- Vou jogar fora. – ela respondeu erguendo a garrafa
- Pega minha mochila, por favor?
- Sim.
Não demorou muito e ela estava de volta.
- Toma. – ela disse me entregando
- Obrigada. – eu levantei e fui colocar uma roupa mais confortável pra dormir, ela deitou também, mas não parecia que ia dormir. – Nem um beijo de boa noite? – eu perguntei fazendo cara de inocente
- Boa noite. – ela disse me dando um selinho muito rápido, então eu desisti, eu sabia que a Bruna com ciúmes era pior que eu, ela ficava mais tempo chateada e de cara feia, mas passava, pelo menos, passava. Eu virei e fechei os olhos com sono.
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