Notas iniciais
Então, tava sem criatividade para escrever o que preciso escrever. Mas acabei escrevendo esta fic aqui.
Boa leitura!

Esse reflexo estúpido realmente me irrita.

– O senhor falou algo?

Viro meu rosto e vejo uma ruiva avassaladora, com um corpo perfeitamente criado, dentro de um vestido verde claro muito apertado. A primeira coisa que me vem à cabeça é “Ela possui um belo corpo”. Depois, me recrimino, pensando “Pare de pensar nisso!”. Mas acabo voltando ao primeiro pensamento...

– Eu apenas disse que esse espelho está muito sujo. O barman não tem nenhuma consideração pelos clientes, não acha? – dou o meu melhor sorriso. É sempre difícil improvisar um sorriso assim, tão rápido. Por isso é que passo horas praticando em frente ao espelho.

– Acho que sim. Só parei aqui porque estou perdida.

– Oh, é mesmo? – bebo um gole de vodka. Começo a avaliar as minhas chances. Não é sempre que tenho um alvo novo em folha. – Bem, eu vou indo. Moça, qual o seu nome?

– Lindsay Mark. E você? – ela estica o braço direito. Fico sem jeito, mas me vejo obrigado a apertar sua mão.

– Robert Davis. Lindsay – puxo-a pelo braço e sussurro em seu ouvido. – Tome cuidado por aqui. Quando virem que você ficou sozinha, certas coisas acontecerão.

Ela estremece em meus braços. Bom. Justamente a reação que eu queria. Lindsay lança-me um olhar de medo, e me pede para levá-la a algum lugar seguro. Pego a mão dela e a levo para o meu carro.

– Você ficará em meu apartamento, Lindsay. Não terá que se preocupar com nada. – “exceto...” – Eu prometo.

“Exceto que algo acontecerá esta noite e não será nada agradável, Srta. Mark.” Acabo rindo por dentro. Incrível como certas mulheres conseguem esconder tão bem, a princípio, o seu verdadeiro ‘eu’. Mas no fim, mostram-se apenas...



Acendo as luzes. A sala, com o grande tapete vermelho, não é lá muito aconchegante, mas já serve para alguma coisa.

Falo para ela sentar-se no sofá, e vou até a cozinha, preparar algo para bebermos. Tiro uma faca afiada do suporte. Depois, abro um pequeno vidro – um remédio para dormir, muito controlado – e despejo o pó dentro de um dos copos. Só então coloco o conteúdo da garrafa vermelha. Volto para a sala, tomando cuidado para não derramar nada. Afinal, cada gota é valiosa.

Lindsay olha a cidade da janela. Não posso negar que é uma bela vista – por isso escolhi este lugar.

– Oh, Sr. Davis. Obrigada. – ela estende a mão e pega o copo que ofereço – hm... uísque. É o meu preferido.

“Com certeza”. Sento ao lado dela no sofá, e espero uns cinco minutos. Ela começa a piscar seus lindos olhos acinzentados com mais freqüência. Quer dizer que o remédio está surtindo efeito.

– Obrigada, Robert... por ter me trazido até aqui...

– De nada, minha querida. Vamos, vou te levar para a cama.

Ela fecha seus olhos e carrego-a no colo até meu quarto. A cama de casal certamente nos espera.

Deixo-a deitada e entro no banheiro. Olho para o pulso e o relógio está marcando 23:52. Já faz uns seis minutos que ela ingeriu o remédio. A essa altura, já deve estar no mundo dos sonhos.

– Apenas me espere por um instante, querida. Vou me divertir um pouco com você, e depois, acho que vou te cortar um pouquinho.

“Melhor diferenciar, não? A última, eu atirei nas juntas e depois quebrei o pescoço. A anterior, afoguei em um balde de sangue de porco.”

Volto para o quarto. Lindsay está do jeito que deixei. Chegou a minha vez. Tiro a camisa e subo na cama, ficando em cima dela. Abaixo-me e começo a beijar o pescoço e vou descendo, lentamente. O vestido está atrapalhando o bom andamento das coisas. Passo minha mão pelas costas dela, procurando o zíper.

CLICK!

– Você ficou tão ocupado procurando o zíper que não prestou atenção, Jack Stevenson. – a ruiva está com uma arma apontada na minha testa. Vaca desgraçada! – Está preso.

– E posso saber quem é você, de verdade? – o suor começa a escorrer pelo meu rosto. Afasto-me um pouco e desço da cama.

– Detetive Miranda Nightwish. Eu venho te caçando já faz algum tempo.

– É mesmo? – ela precisa ganhar tempo. E eu também, até encontrar uma rota de fuga perfeita. – E posso saber quando começou?

– Cinco anos. Desde a sua primeira vítima. – Ela dá um sorriso desagradável para mim. –Nem pense nisso. Já está cercado.

Pisco um dos olhos para ela e dou um sorriso. Pego uma das jaquetas que está no cabideiro e jogo no rosto da detetive. Ela se embaraça um pouco, dando-me o tempo necessário. É óbvio que ninguém chegou. Impossível chegarem tão rápido!

Uma dor aguda surge em meu joelho e vou ao chão. Um homem usando uniforme da polícia está na minha frente, com uma nove milímetros apontada pra mim.

– Mas que MERDA! Por que tem que deixar essa porra na minha cara?

– Falei que estava cercado.



3 MESES DEPOIS.



Minha última chance.

E é uma idéia estúpida. Assim como o reflexo estúpido que deu origem a todo esse problema.

Ótimo. Passar por um muro com arame farpado ou enfrentar um campo minado?



– Detetive Nightwish?

– Sim? – a jovem ruiva fica apreensiva no telefone, esperando que tenha se enganado.

– Jack Stevenson está morto.

– Como...?

– Ele correu pelo campo minado durante a fuga e pisou em uma das minas.

Notas finais
Mais uma história de Saito Yuki Produções!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!