Apenas Um Olhar

32 Uma vida toda ao seu lado.


Me dei permissão para acender a luz do abajur que ficava ao lado da cama para poder ver melhor as coisas em volta.

Era muito, muito pior do que eu imaginava. Pratos cheios de comidas intocadas. Pacotes de doces vazios. Roupas espalhadas pelos chãos. Muitas garrafas e copos por toda parte. Sem contar que agora que eu podia ver a Heloísa com mais clareza, ela parecia um ser antigo, daqueles que viviam em cavernas.

Nem dava para acreditar que ela tinha chegado a esse ponto.

— Me explica melhor essa história, Heloísa. O que houve?

— Foi há quase três semanas. – disse ela soluçando e limpando o nariz que escorria com a manga da blusa velha e furada. — Eu estava feliz. Meu bebê estava por vir. Não havia alegria maior. Carlos insistiu em me levar ao hospital para a minha internação pois segundo os médicos a data do nascimento estava muito próxima, mas eu sentia que deveria esperar pelo momento certo. Eu nem sentia dores! Fiquei em casa aquela tarde e ele foi trabalhar como o habitual. Eu estava ansiosa. E fui preparar a bolsa do bebê caso a hora chegasse. E foi quando de repente senti algo molhado entre as pernas. Então eu pensei: a bolsa estourou! Mas quando eu olhei para baixo tudo que eu vi foi apenas sangue escorrendo.

Ela pausou para recuperar o fôlego. E naquele momento eu senti meu coração se apertar. Pois enquanto ela narrava sua história, eu imaginava na minha cabeça a cena. E mesmo na minha imaginação as coisas eram horríveis. Imagine só passar por aquilo pessoalmente e sozinha. Algo que não desejo a ninguém. Nem mesmo a minha pior inimiga.

— Eu fiquei tão apavorada! Eu quis desesperadamente pegar o celular ou gritar por alguém. Mas eu estava sozinha. Carlos tinha ido trabalhar e o Gustavo estava na escolinha. E eu não tinha forças. Chorava e tremia muito. Quando dei por mim eu cai dura no chão. Apaguei completamente. E assim como você, só acordei depois, já no hospital e foi quando me deram a notícia: houve complicação durante o parto e infelizmente não puderam salvar o bebê.

Não sei o que deu em mim. Talvez fosse o instinto maternal. Mas eu simplesmente abracei a Heloísa e deixei ela chorar no meu ombro por um bom tempo.

— Eu sinto muito por tudo. Sinto mesmo.

— Eu sei que sente. Pois ao contrário de mim, você é uma pessoa boa, Mel. E tudo isso foi culpa minha. Foi castigo por eu ter feito aquilo com você. Eu não merecia ser mãe!

Heloísa não parava de chorar um só quer instante e eu já não sabia mais o que fazer.

— Vou pegar água para você. Já volto.

Desço correndo até a cozinha. Na sala, Gustavo ainda estava grudado na tevê.

— Tá tudo bem, mãe? – ele pergunta, quando passo por ele pela segunda vez já com o copo em mãos.

— Sim, querido. Não se preocupe.

Volto para o quarto e entrego o copo para ela.

— Então é por isso que você está assim e aqui nessa situação. Mas e a reação do Carlos, qual foi? – não sei nem porque perguntei isso, talvez fosse só curiosidade.

— Ele ficou péssimo! E desde então vem me tratando muito mal.

— Ele não te bate, ou bate?

— Não! Bom, pelo menos ainda não. Mas chegou a dizer algumas vezes que eu não sirvo para nada, nem mesmo para lhe conceber um filho e que eu sou útil e que a culpa é toda minha. Ele nem se quer olha mais na minha cara. Nem pergunta como eu me sinto. Ele não se importa mais comigo! Nem mesmo dorme mais ao meu lado.

— Bom, desculpa ter que te dizer isso, mas eu já meio que esperava por isso. Afinal, olha só tudo que ele fez e ainda faz comigo...

— Eu sei! Eu sei! – ela desata a chorar outra vez, escondendo o rosto com as mãos. — Mas eu pensei que fosse diferente comigo. Eu pensei que ele realmente me amasse. Eu pensei que ele fosse entender e ficasse ao meu lado. Ainda mais agora, que eu preciso tanto dele!

— Eu não sei se ele é capaz de amar alguém, Heloísa. Sinceramente. Eu não sei nem se ele ama os próprios filhos. Porque se ele amasse, ele não privaria o próprio filho de sua mãe como está fazendo com o Gustavo. Isso não é certo! Ele sabe que não é e ainda assim faz, acho que só para me provocar, só para me fazer sofrer. Como se tudo que ele não tivesse feito no passado não tivesse me feito sofrer o bastante.

Heloísa não diz nada, porque ela sabe que eu estou certa. Absolutamente certa. Mas ela tem vergonha e medo de reconhecer isso. Todos nós temos esse lado bobo e iludido de pensar que com a gente vai ser diferente. Só que nem sempre é bem assim.

— E onde está a Milena? Eu pensei que a encontraria aqui.

— O Fred ganhou a guarda dela. No início eu o odiei por isso. Mas agora vejo que foi o melhor para ela. Eu não queria que ela me visse assim. Eu não tenho mais condições nem de cuidar de mim mesma, quanto mais dela. O Fred fará o melhor, eu sei que sim.

— Sim, sem dúvidas. Ele sim é um excelente pai. Bom, pelo menos agora você entende o meu lado. Por tudo que passei e por tudo que ainda venho passando por culpa do Carlos. Só espero que você reconheça isso mais cedo do que eu. Porque para ser sincera, você não merece passar por isso. Ninguém merece! Ele é um monstro, não deixe ele destruir você.

Levantei-me e peguei minha bolsa.

— Eu preciso ir agora. Mas eu volto em breve. Volto para buscar o meu filho. E por favor, não diga isso ao Carlos. E faça um favor a si mesma: levante e saia dessa. Saia dessa casa. Vá para longe desse homem. Ele não te merece e encontre sua felicidade em outro lugar. Porque eu sei que ela está aí em algum lugar. E sim, eu sei que é difícil, mas você é capaz. Eu fui capaz! E tenha certeza que muitas outras mulheres já passaram por coisas piores e parecidas e também foram capazes. Então, não desista.

Vou até a porta.

— Tchau, Heloísa.

— Mel, espera!

Viro-me para trás e vejo que ela se levanta da cama e vem até mim muito depressa.

Heloísa me abraça forte.

— Me desculpe por tudo. E obrigada por tudo.

Já lá em baixo, despeço-me do meu filho com muita dor no coração e vou embora, antes que aquele monstro chegue.

A viajem de volta para casa é rápida. O dia está escurecendo. E a primeira pessoa que eu necessito urgentemente ver agora, nesse exato momento antes de qualquer outra coisa, é o Rodrigo.

Para minha sorte, a casa está vazia. Ele é o único na sala de estar. Assistindo tevê e tomando sorvete. Quando eu o vejo tão relaxado e se recuperando, abro um sorriso. Mas basta eu me aproximar e sentir o calor de suas mãos no meu braço para eu desabar e chorar tudo que eu estava segurando até então.

— Calma, Mel. Não chora, por favor, não chora.

Assim que me estabilizo, conto a ele tudo que aconteceu essa tarde: a situação a qual encontrei meu precioso filho e a triste história da Heloísa, a perda do seu bebê e de seu amor próprio.

— Sabe, acho tão bonito que mesmo depois de tudo que você passou, você ainda consegue ser boa com as pessoas que te fizeram sofrer e ainda se preocupa com elas. – diz ele, olhando fixamente para mim enquanto limpa minhas lágrimas com carinho.

— Isso não é totalmente verdade. – eu sorrio em meio a tristeza. — Eu me preocupo apenas com ela. Coitada! Mas não com ele. Por ele eu só consigo sentir ódio e não vejo a hora de conseguir meu filho de volta e deixa-lo sem nada. Deixa-lo sem a única coisa a qual ele deveria ter valorizado, mas não valorizou.

Mais tarde, em casa, tomo um banho e visto meu pijama velho de flanela e desço para o jantar. Minha família parece animada. Não sei por qual motivo. Eles conversam e sorriem muito. Mas eu só consigo pensar no meu filho, no Gustavo, e no quanto minha vida seria cem por cento completa com ele aqui agora, comigo.

Estou preparando as camas para dormimos, quando o Vinicius entra no quarto, após ter escovado seus dentes, e senta-se na minha frente com uma carinha um quanto que séria.

— Você tá bem, mamãe?

— Estou, filho! Porque a pergunta?

Sento-me com ele e seguro sua mãozinha gelada.

— Você sumiu a tarde toda.

— É verdade. Eu fui ver o seu irmão.

— Verdade? – seu rosto se iluminou.

— Sim. Ele está ótimo. E disse que está morrendo de saudade de você e de todos nós. – menti, sei que não deveria, mas eu não poderia simplesmente falar a verdade. Não seria certo.

— Poxa, que legal. Porque eu também sinto muita falta dele e de quando a gente brincava junto. – seu sorriso desapareceu e eu percebi, que ao contrário do Gustavo, o Vinicius falava a verdade. Falava com o coração. Ele realmente sentia falta do irmão. — E quando é que ele vem nos visitar?

— Em breve, querido. Em breve.

Eu o abracei por um tempo, tentando não chorar na frente dele e não parecer tão frágil. Depois nós fomos nos deitar. E diferente do que normalmente acontece, não fui eu que contei uma história para ele dormir. Foi ele que contou uma história para eu dormir. O que ajudou muito.

Alguns dias depois, na sexta-feira, levei o Vinicius para o shopping direto do trabalho. Nós teríamos uma tarde só nossa. Ele estava muito empolgado, pois em alguns dias teria uma apresentação na escola e eu precisava comprar uma roupa para ele.

Passamos um bom tempo indo de loja em loja para ver se víamos algo realmente impressionante. E para ser sincera, nós vimos muitas opções. Mas nenhuma delas parecia agradar ao meu filho. As quatro e meia da tarde resolvi dar uma pausa para comermos algo na praça de alimentação e assim ele poderia pensar melhor sobre tudo que tinha visto até o exato momento.

Nós pedimos dois lanches no Subway e uma salada. O shopping estava cheio, o que era bem normal para uma sexta-feira. Foi difícil encontrarmos um lugar e por fim não tivemos outra opção a não ser ir para um cantinho mais afastado dos demais.

— E aí, já sabe o que quer? – perguntei, assim que terminamos de comer um bom tempo depois.

Já estávamos descansados e de barriga cheia.

— Podemos voltar na primeira loja? – ele perguntou timidamente, enquanto me ajudava a levar as bandejas até a lixeira mais próxima.

— Claro! Vamos lá. Você gostou de algo que viu na primeira loja?

— Acho que sim.

Não deu em outra. Andamos em tantas lojas e acabamos comprando tudo na primeira que entramos assim que chegamos. Antes de irmos embora, compramos dois sorvetes. E ficamos lá fora, esperando o Guto vir no buscar no carro do papai.

Fazia uma tarde linda. O sol já estava se pondo. E o céu tinha uma variação de cores incríveis. Um verdadeiro espetáculo!

Guto cheio em vinte minutos e ao seu lado, no banco de carona estava a Vanessa, que cumprimentou a mim com um sorrisinho e ao Vinicius com um abraço caloroso. Pelo visto ela adora crianças, mas não leva muito jeito com os adultos. Exceto com o meu irmão, com que ela parece estar tendo algo sério.

Ainda não consigo acreditar.

Em casa, Vinicius mostra suas coisas novas aos avós. Guto e Vanessa voltaram a sair no carro do papai. Afinal, era sexta-feira à noite. Dia de farra. Eu estava sentada no sofá, observando a alegria do meu filho, quando meu celular tocou dentro da bolsa.

Era o Rodrigo.

— Vem aqui em casa.

— Não sei se devo...

— Porque não? Vem, vai. O pessoal está fazendo um churrasco.

— Mamãe! – Vinicius me interrompe por um momento. — Posso ir brincar na casa da tia Ju?

— Claro, querido. Vai lá. E se divirta! Mas volte para casa cedo. – então ele sai saltitante, deixando suas sacolas de lado. — O.k. Eu vou. Só vou demorar uns minutos. – digo ao Rodrigo.

— Estarei esperando por você.

Depois de desligar o celular, levo as sacolas lá para cima e guardo tudo em seu devido lugar. Todo um banho rápido e gelado e visto algo mais apresentável: jeans, uma blusinha fina de mangas longas cinza e sapatilhas azuis. Prendo uma mecha do meu cabelo com uma presilha e passo um batom avermelhado.

Prontinho. Estou pronta para sair.

O quintal dos fundos da casa do Rodrigo, onde fica a piscina, tem pelo menos umas vinte pessoas. Não tanto quando a vez que a gente ficou pela primeira vez. Mas ainda assim, o bastante para me deixar constrangida. Pois eu não conhecia nem metade do pessoal.

Ele estava no canto, sentado em uma espreguiçadeira, com a perna estirada ainda de repouso e com uma cerveja em mãos. A cena era um tanto quanto engraçada. Ele era a única pessoa sentada e mesmo com a perna engessada parecia estar se divertindo muito perto dos amigos.

— Oi, gente. – primeiro cumprimentei a todos: Fabi, Ricardo, Patrick e Thiago. Por fim, dei um beijinho no Rodrigo.

— Vou pegar uma cerveja pra você. – disse o Patrick antes que eu pudesse dizer a ele que não bebia. Não mais.

— Você está tão linda! Como você se sente? – Rodrigo perguntou baixinho, quando ele se afastou e me deu um espacinho para sentar ao seu lado.

— Bem e você?

— Melhor agora que você chegou. – ele beija meu ombro e nós trocamos olhares e sorrisos.

Já estamos juntos a alguns meses e eu ainda me sinto tão apaixonada quanto nas primeiras semanas.

Patrick me entrega uma cerveja. Rodrigo ri. E eu não consigo recusar, apenas agradeço. Nós conversamos. O som está tocando. Está todo mundo falando tão alto. Mas não é ruim. A única coisa que me incomoda é ficar segurando essa cerveja gelada.

Algumas vezes tenho que fingir que estou bebendo. Rodrigo continua rindo. E ninguém entende. Eu tento segurar o riso também. Ele sabe que não bebo. Porque ele também não bebe muito. Mas parece que hoje é uma exceção. Porque desde que cheguei ele já bebeu umas três latinhas, todas que o Patrick vai pegar.

— Vou pegar outra cerveja para você. – anuncia ele, saindo outra vez de cena para ir até o balde cheio de gelo e bebida.

— E agora? – sussurro apavorada para o Rodrigo. Ele apenas se diverte. — Eu nem terminei essa. Já está até quente.

Patrick volta em menos de um segundo.

— Mel, você nem tocou na cerveja! – ele diz horrorizado quando pega a minha latinha. — Vamos lá, pegue essa. E vê se bebe agora, antes que esquente. Eu estou de olho!

Sei que sou adulta. Sei que posso fazer o que eu quiser. Ninguém manda mais em mim. E eu sou responsável por mim mesma e minhas atitudes e escolhas. Mas de repente me sinto uma criança. Ou melhor, uma adolescente outra vez. Estão todos se divertindo tanto. E eu tenho tantos problemas em mente. Acho que não custa nada me dar o prazer de me divertir pelo menos essa noite e me esquecer um pouco das coisas.

E é exatamente o que faço. Até porque o Patrick está me vigiando. E ele não vai me deixar em paz até eu beber e começar a me soltar um pouquinho. Ele me acha muito séria e careta. Mesmo eu dizendo a ele que já sou velha e mãe de dois filhos.

— E daí, Mel? Você merece ser feliz assim como qualquer outra pessoa.

Eu tento rebater, mas a bebida já começa a fazer efeito e eu não consigo processar as palavras direito. Não demora muito para eu começar a ficar mais à vontade. Mais animada. Mesmo sabendo que não deveria, pois eu prometi a mim mesma que jamais pegaria pesado outra vez. A primeira vez foi horrível!

Mas essa noite em especial acabei descumprindo a minha própria promessa. E ao contrário do que eu imaginava, eu não me senti tão mal por isso. Na verdade, eu fiquei bem feliz. Isso estava me fazendo feliz. Patrick animava uma festa como ninguém. E nós dançamos, pulamos, gritamos muito. Como se fossemos melhores amigos desde infância e vivêssemos na farra.

Nós até pulamos na piscina de roupa e tudo!

Rodrigo ficou apenas observando de longe. Rindo de mim. Feliz por mim. Por muitas vezes ele disse que daria qualquer coisa para se juntar a nós. Mas ele não podia por causa da perna. E eu entendia. Até preferia. Era um momento só meu. E de qualquer forma, ele estava ali. Só tinha olhos para mim.

Quando a festa terminou, as três da madrugada, pois a bebida tinha acabado, muito desajeitada, ajudei o pessoal a dar uma geral lá fora. Eu devia isso a eles pela noite de hoje. Mas eu não estava nem conseguindo me manter em pé e isso tornava as coisas muito complicadas.

— Mel, você não precisa ajudar. – Patrick riu. — De verdade. Eu agradeço, mas não precisa. Porque você não vai passar um tempo com o Rodrigo, hein? – ele sugeriu, com os olhos cobertos de malicia. — Você mal ficou com ele durante toda a noite.

Ele tinha razão.

Meio que cambaleando fui até o Rodrigo, que também não estava lá essas coisas, apesar de estar sentado, e o ajudei a levantar para nós entrarmos e subimos para o seu quarto.

Passei o braço dele em volta dos meus ombros e juntos contamos até três para ele dar impulso e se levantar me usando como apoio. Ele era pesado e mais alto que eu. Mesmo assim deu certo e nós não conseguimos conter o riso.

Com toda dificuldade do mundo entramos juntos na casa e fomos em direção as escadas. Mas algo aconteceu pelo caminho e de alguma forma fomos parar os dois no chão. Foi terrível. Eu não sei o que houve. E me deu uma vontade incontrolável de rir da situação.

Quando olhei para o lado o Rodrigo estava todo torto e com uma cara muito séria. Foi quando a ficha caiu. A perna dele! Comecei a ficar desesperada. Ai meu Deus. Eu tinha derrubado a gente com meu jeito desengonçado e bêbado. Ele deveria estar de repouso para a perna melhorar de vez e não estraçalhado no chão.

— Você tá bem? Eu te machuquei? Ta doendo alguma coisa? Ai meu Deus, Rodrigo. Fala alguma coisa! – eu estava prestes a chorar quando ele começou a rir descontroladamente.

— Eu tô bem, Mel. Não foi nada. Mas você tinha que ver a sua cara!

Por um segundo eu fiquei muito brava com ele. Como ele podia brincar com uma coisa tão séria? Mas logo depois eu caí na risada também e nós ficamos um tempão rindo de tudo.

— A gente tá muito bêbado! – disse ele, sem fôlego.

— Totalmente! – digo, tentando me controlar.

E de repente nós paramos de rir e olhamos um para o outro e há uma tensão enorme no ar.

O que está acontecendo aqui? Alguém pode explicar?

Quando dou por mim Rodrigo está me atacando. Praticamente me devorando. Com a mão na minha nuca. Ali no meio do chão da sala mesmo. Tudo aconteceu muito rápido. Minhas mãos de alguma forma vão parar nos cabelos dele e...

— Ei, ei. Sem safadeza no meio da minha sala! – Patrick aparece de repente e nós nos afastamos, assustados.

Não sei como, mas ele está muito bem. Digo, ele bebeu tanto quanto eu ou ainda mais e mesmo assim parece ótimo. Por isso, nesse momento, ele é a pessoa mais aconselhável para nos ajudar a subir sem corremos o perigo de descer rolando a escada.

Já no quarto do Rodrigo, tiro minha roupa molhada ficando apenas com minhas peças intimas e coloco uma camiseta dele para dormir. Isso mesmo. Dormir. Apenas dormir. Estamos exausto e bêbados. Bom, pelo menos eu estou!

Rodrigo já está em sua cama, devidamente deitado, com a perna protegida da minha embriagues. Apago as luzes e me junto a ele, deitando minha cabeça em seu peito e sentido as batidas do seu coração.

— Por acaso eu já disse o quanto eu quero você para sempre na minha vida? – disse ele em meio ao escuro, com a mão no meu cabelo.

— Não.... Acho que não...

— Bom, então agora você sabe o que eu quero. – acho que ele está sorrindo nesse momento. — E saiba que eu quero muito.

Fico calada, sem saber o que dizer. Penso muito nisso por um bom tempo. Não consigo dormir. O que ele quis dizer com tudo isso? Esse assunto me deixa inquieta.

Por fim, crio coragem para perguntar o que ele quis dizer com isso. Mas então percebo que é tarde demais, pois ele já está dormindo.

Bom, não importa. Porque agora eu sei que temos uma vida toda para tocar no assunto.

Notas finais
Sei que estou demorando mais que o normal para postar os capítulos. Mas não está fácil. As vezes eu não consigo escrever nada por estar com a cabeça cheia de preocupação e isso é um saco, pois se dependesse de mim eu escreveria o dia todo, com pausas apenas para um lanchinho. Uma pena que isso não seja possível. Enfim, tentarei postar o próximo capítulo no começo da semana que vem. Não esqueçam de comentar! Beijão!