Apenas Um Olhar

37 O tão esperado pedido.


Notas iniciais
Antes de começar, queria avisar a vocês que comecei uma nova história e eu já postei o primeiro capítulo. Quem tiver interesse dá um olhada lá e vejam se vocês gostam :)

Nove horas da noite do dia 24 de dezembro.

O salão da pousada já estava cheio. Amigos, família e desconhecidos que naquele instante também viraram nossa família e amigos. Havia luzes coloridas que não paravam de piscar penduradas em todas as paredes, assim como também havia vários enfeites natalinos, um mais bonitinho que o outro.

Eu sempre gostei das festas de natal. Principalmente porque era quando todos se reuniam para celebrar. Não havia problemas, desentendimentos, diferenças. Absolutamente nada. Apenas a união. E naquele ano, em especial, eu estava mais feliz do que nunca. Porque pela primeira vez eu estava rodeada de todas as pessoas que eu amo e as pessoas que eu aprendi a amar.

Algumas dessas pessoas que eu nunca nem imaginei que fariam parte da minha família. Como o Rodrigo, por exemplo. Ele estava ainda mais bonito aquela noite. Tinha acabado de chegar segurando uma sacola de presentes que ele colocou em baixo da grande arvore de natal que a mamãe colocou perto da recepção.

Rodrigo estava usando uma calça caqui, uma camisa xadrez escura e sapatos pretos. Seu cabelo louro estava bagunçado, mas muito charmoso. E seu sorriso e covinhas a mostra. Não dava para ser mais perfeito. Às vezes, quando me pegava olhando para ele, admirando-o, eu não conseguia entender como eu podia ama-lo tanto. Um amor que parecia nem caber no peito.

Estavam todos arrumados e prontos. As crianças se divertiam alegremente, correndo entre as mesas enfeitadas. Os adultos estavam espalhados por toda parte, conversando, se conhecendo. Parecíamos uma grande família feliz e na verdade éramos mesmo.

Depois que o Rodrigo colocou seus presentes perto da árvore, eu fui até ele, antes que qualquer outra pessoa fosse. Ele foi o último a chegar e eu queria ser a primeira a cumprimenta-lo.

Quando parei de frente a ele, seu sorriso se abriu ainda mais. Seus olhos negros me avaliaram. Ele pegou a minha mão e me fez rodopiar. E eu não pude deixar de rir, me sentindo boba.

— Uau, você está incrivelmente linda.

— Obrigada. Você também não está nada mau.

Me inclinei e beijei seus lábios com doçura.

Para aquela noite eu havia comprado um vestido vinho na altura dos joelhos com um cintinho dourado na e sandálias pretas de salto alto. Deixeis os cabelos soltos, livres. Patrick fez ondas nele. E prendi minha franjinha de lado com uma presilha.

De mãos dadas nos aproximamos do pessoal. Primeiro seus amigos: Tiago, Ricardo, e a lindíssima ruiva, Fabi. Os meninos estavam muito chiques de social e a Fabi escandalosamente linda com um vestido longo preto.

Em seguida fomos cumprimentar a Alícia e o Bruno, que estavam sentados em uma mesa mais afastando, comendo alguns petiscos que o Patrick tinha acabado de servir. Patrick e o namorado que a poucos minutos ele tinha acabado de me apresentar, o Diogo, se ofereceram para ajudar a mamãe a servir o pessoal.

Minha irmã, Juliana, estava por aí, correndo atrás das crianças e certificando-se de que eles não destruiriam nada. Igor estava ajudando-a. Augusto estava do outro lado do salão aos beijos com a Vanessa. Eles eram puro grude. Mas pareciam muito felizes.

Os pais do Rodrigo estavam perto do papai, conversando com alguns hospedes da pousada que desceram para festejar conosco. Mamãe estava na cozinha, cuidando de tudo. Se não fosse por ela, nada disso seria possível ou estaria tão agradável e gostoso.

— Tenho uma coisa pra você. – disse o Rodrigo no meu ouvido um bom tempo depois.

Ele pegou minha mão e me levou lá para fora.

Estava uma linda noite estrelada, mas sem qualquer sinal da lua. As casas em volta estavam todas em festa. Havia alguns adolescentes circulando pelas ruas e de vez em outra passava um carro na rua com o som muito alto.

De dentro do bolso da calça, muito cuidadosamente Rodrigo tirou um saquinho plástico cheio de bolinhas vermelhas e com o fundo branco. De dentro do saquinho ele tirou um colar dourado.

— Vire-se. Vou por em você.

Eu me virei de costas para ele e afastei meu cabelo. Com delicadeza ele colocou o colar no meu pescoço e fechou. Com as mãos nos meus ombros ele me virou de frente para ele mais uma vez e sorriu. Eu estava encantada de mais para dizer alguma coisa.

Quando olhei par abaixo e peguei o pingente entre meus dedos, eu literalmente fiquei muda. Era um pingente muito significativo. Havia um homenzinho no meio e de cada lado segurando suas mãos havia um menininho.

Rodrigo. Vinicius. E Gustavo.

Os homens da minha vida.

— Você gostou?

— Eu amei!

Segurando muito para não chorar e borrar a maquiagem que o Patrick havia feito em mim hoje mais cedo, eu o enlacei com meus braços e o apertei forte, me segurando para não sufocá-lo.

— Eu amo você. – digo, olhando-o nos olhos.

— Eu amo você.

Com a mão no meu pescoço ele me puxa para um beijo. Não é um beijinho qualquer. Sim, tem seu lado romântico. Mas é muito mais sedutor, urgente, intenso. Por um momento penso que não vou conseguir ficar em pé por muito tempo.

A meia-noite a ceia está liberada. Os fogos de artifício explodem no céu. Mas antes vem os abraços. E só depois enfim podemos atacar a mesa cheia de frutas e comidas de todos os tipos e para todos os gostos.

Depois que estavam todos muito satisfeitos, aconteceu a troca de presentes. Nos reunimos próximos a arvore de natal e um por um saímos distribuindo os presentes. Primeiro as crianças que não aguentava mais esperar para rasgar os embrulhos. E depois nós adultos, cheios de discursos e emoção.

Nossa, eu ganhei tanta coisa: vestidos, blusinhas, sapatilhas, coisas de maquiagem, livros, bijuterias. Acredito que todo mundo tenha se surpreendido muito. Foi muito bom fazer parte daquilo.

As duas e meia da manhã as crianças já tinham indo dormir e algumas hospedes da pousada também. Ficaram só os mais íntimos. E foi quando a festa realmente começou. Patrick aumentou o som e me puxou para dançar. Depois todo mundo perdeu a vergonha e se juntou a nós. Foi muito divertido!

Fomos dormir as cinco e quarenta da manhã. E acordamos as onze horas para ajudar na limpeza ou a mamãe ficaria maluca.

No dia 28 eu tive um sonho um tanto quanto perturbador e esquisito. Sonhei que o Carlos me procurava, chorava muito e pedia desculpas e perdão. Depois daquele sonho eu acordei decidida. Precisava muito fazer uma coisa. Bastava uma ligação.

Os pais do Carlos não entenderam porque eu tinha ligado. Eu nunca telefonei para eles. Mas precisava de uma informação. E para minha surpresa ele me deram a tal informação, sem fazer muitas perguntas.

Peguei o carro do papai emprestado, coloquei os meninos presos no banco de trás pelo cinto de segurança e lá fomos nós.

Eu não estava fazendo aquilo só por mim. Estava fazendo por todos nós. Eles mereciam aquilo. E eu precisava me livrar daquele peso dentro do meu coração antes que um novo ano se iniciasse.

— Para onde estamos indo, mamãe? – perguntou o Gustavo, curioso, olhando para os lados.

Eu optei por deixá-los curiosos.

Em pouco tempo chegamos ao cemitério. Onde o Carlos havia sido enterrado. Antes de entrarmos comprei algumas flores. A princípio os meninos ficaram muito assustados, nunca tinham ido a um lugar como aquele. Mas enquanto procurávamos a lápide do pai deles, eu dei a eles algumas informações precisas.

Ficamos um bom tempo ali em silencio. Olhando para a lápide. Eu chorei, não pude evitar. Os garotos que ainda não entendiam muito bem como isso funcionava, ficaram me olhando com curiosidade.

— Vocês podem vir aqui sempre que precisarem conversar com o pai de vocês, sabiam? – abaixei para ficar mais ou menos na altura dos dois.

— E ele pode escutar a gente aqui? – Gustavo perguntou, olhando para mim e depois para a lápide. Ele estava visivelmente confuso.

— Ele pode escutar vocês em qualquer lugar. – digo, secando as lágrimas e tentando sorrir. — E vocês podem dizer a ele qualquer coisa que queiram. Ele sempre vai escutar vocês.

Com a ajuda deles, espalhamos as flores em volta da lápide, depois me afastei por alguns instantes e os deixei a sós e mais à vontade para assimilar a situação.

Acho que tudo era uma questão de tempo.

Quando voltamos para a casa, eu me sentia bem mais leve.

Eu sabia que nunca mais voltaria aquele lugar. Não sozinha. Só se fosse apenas para levar meus filhos, caso eles me pedissem. Mas eu precisava daquele adeus. E só assim eu tiraria esse peso do peito.

Eu tinha me esquecido de um fato muito importante sobre a minha mãe: ela não é muito fã de fogos de artifícios. E foi por isso que ela recusou nosso pedido quando a convidamos para a ir à praia para comemorar a chegada do ano-novo.

— Mas eu posso ficar aqui em casa com as crianças. Eu não me importo. E nós faremos a nossa própria festa.

O papai, claro, ficou com ela em casa e com as crianças.

Eram muitas, mas pelo visto eles não se importavam.

Eu passei um bom tempo me produzindo para aquela noite. Eu realmente tinha mudado. Não era a mesma mulher de antes. Acho que aprendi muito com a minha irmã. Porque agora eu ficava muito tempo me emperiquitando em frente ao espelho. Pois pela primeira vez alguém reparava de verdade em mim. Não que eu precisasse. Mas isso era importante pra mim. Saber que o Rodrigo me enxergava além da casca como nenhum outro homem enxergou.

Vesti meu macaquinho novo, todo branco e soltinho no corpo. Era uma gracinha. Alícia tinha me dado no natal. Para os pés optei por rasteirinhas douradas e o cabelo deixei solto, porém liso, do jeito que ele é de verdade. No rosto passei uma maquiagem leve, apenas ousando no batom vinho.

Antes de sair de casa e me encontrar com o resto do pessoal lá fora, me olhei por uma última vez no espelho e sorri para meu próprio reflexo, me sentindo muito bem e satisfeita comigo mesma.

Todos estavam de branco também: Ricardo, Thiago, Fabiana, Vanessa, Augusto, Alícia, Bruno, Juliana, Igor, Patrick e o Diogo. Era como uma tradição. Rodrigo, em especial, muito sexy com uma camisa branca com os primeiros botões abertos e uma calça também branca. Ele estava de chinelos.

Tão casual, mas tão irresistível.

Ah, meu Deus. Eu amo esse homem!

A praia estava cheia como já era de se esperar. Em um momento, nós meio que nos espalhamos. Alguns foram para o mar com roupa e tudo. Outros foram caminhar e outros ficaram sentados na área, bebendo ou namorando.

— Aquele ali é o Thiago? – apontei. Ele estava distante. Mas dava para reconhecer e adivinhem só? Estava aos beijos com uma loirinha muito bonita de cabelos longos e cacheados.

— É ele sim. – afirmou o Rodrigo, sentando ao meu lado e com os braços em meus ombros. — Pelo visto, a fila finalmente andou pra ele.

Nós rimos.

Rodrigo e eu passamos um bom tempo ali sentados, apenas conversando e bebendo como se nada fosse mais importante no mundo ou como se fossemos apenas nós dois.

Eu não precisava de muito se ele estava ao meu lado.

— Vamos dar um mergulho? – ele perguntou de uma hora pra outra, me pegando desprevenida.

— O quê? Não! A água deve estar congelante. – eu tremi só de pensar. A água estava sempre gelada, mesmo estando calor como essa noite.

— Não, eu não aceito não como reposta. – ele levantou-se e me encarou, fingindo estar bravo. — Vamos lá, Melissa Borges, não me decepcione.

Eu tive que rir.

— Não, por favor...

Ele não me ouviu. Muito pelo contrário. Passou os braços em baixo das minhas pernas e me pegou no colo como se eu fosse um bebê. Comigo nos braços ele correu até a praia, desviando-se do pessoal no nosso caminho e entramos no mar congelante juntos.

Foi uma loucura!

O impacto da água gelada no meu corpo foi terrível, mas a temperatura logo esquentou, quando ele me puxou pela cintura, diminuindo cada centímetro entre nós e me beijou calorosamente com a mão enterrada no meu cabelo.

Quando o pessoal encontrou a gente, ficamos um tempo assim, brincando como se fossemos um bando de adolescente. Jogando água um no outro e rindo muito alto.

Alguns minutos antes da meia-noite, Rodrigo me pegou pela mão e me levou até a areia. Estávamos ambos molhados, mas já não nos importávamos mais. Deitamos na areia. Eu por baixo e ele por cima.

Ficamos nos entreolhando por alguns segundos. Ele lindo de doer o coração. O cabelo loiro grudado na testa e pingando no seu rosto. Eu nem queria imaginar a minha situação. Eu tinha me arrumado tanto e agora eu deveria estar péssima. Imagine só o meu cabelo!

— Você está linda, como sempre. – disse ele com a boca muito próxima da minha. Foi como se ele pudesse ler meus pensamentos.

E eu sabia, de alguma forma sabia, que ele estava falando sério. E não apenas para me ver sorrir ou para me agradar. Ele falava com o coração. Porque para ele eu sempre seria linda de qualquer jeito. Ele já tinha me provado isso tantas vezes!

Eu passei os dedos entre os fios molhados do seu cabelo e puxei seu rosto para mais perto do meu. Nós nos beijamos. E poderíamos ficar assim por mais cem anos, eu não me importaria. Porque queria que aquele instante durasse para sempre.

— Você deveria se casar comigo. – disse ele com a voz rouca.

Meu coração martelava no peito.

— O quê?

Acho que com todo o barulho e a confusão em volta de nós eu não tinha ouvido direito.

— Você. Deveria. Se. Casar. Comigo.

Dessa vez ele falou pausadamente, não tinha como não eu ter ouvido direito.

— Sua irmã comentou comigo a conversa que vocês tiveram um pouco antes do natal. – disse ele ao ver a confusão e surpresa nos meus olhos. — Você deveria ter me dito o que queria, Mel. Porque isso é exatamente o que eu quero há tanto tempo!

Juliana... Sempre metendo a língua entre os dentes.

Minha irmã nunca vai mudar.

— Não fique brava com ela. – disse ele sorrindo. — Ela só queria ajudar.

E sim.... Ajudou.

Estivemos tão ocupados nos últimos dias com os preparativos para as festas que eu tinha me esquecido completamente do assunto. Mas parece que o momento certo enfim chegou.

— E então, você ainda me disse sua resposta. – ele tirou uma mecha molhado do meu cabelo escuro da frente dos meus olhos e depois passou os dedos na minha bochecha gelada.

— E você ainda duvida da resposta? – eu finalmente resolvi dizer alguma. Estava apavorada e ao mesmo tempo em êxtase.

Ele sorriu comigo, exibindo suas covinhas tão apaixonantes. Com a mão ainda no meu rosto ele se aproximou ainda mais, com o corpo totalmente colado no meu e me beijou profundamente.

Foi nesse exato momento que os fogos de artifícios explodiram sobre nós.

Um novo ano começava.

Uma nova vida.

Uma vida inteira ao seu lado.

Notas finais
Fofo, não é? Adorei escrever esse capítulo. Foi com o coração. Comentem, não esqueçam.