Apenas Bilhetes Em Meu Armário
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Algumas horas de tortura e as aulas tinham acabado, quando o sinal tocou levantei correndo para guardar meus livros e mais uma vez um bilhete caiu aos meus pés.
“Ainda bem que gostou do casaco, ficou muito bem em você, não que você precise de um casaco para ficar bonito xx”
Não pude evitar sorrir com o que estava escrito, afinal eu sou apenas o garoto bissexual que é sempre muito quieto e usa preto demais. As pessoas me achavam estranho e por isso só David era meu amigo.
-Olhem só!A aberração está sorrindo!-alguém disse atrás de mim, fechei meu armário e me virei para encarar o time de futebol.
-Me deixe em paz, Mark!-falei para o líder deles e tentei passar por eles, mas alguém puxou minha mochila-Ela ficou zangada, o namoradinho deve ter dado um pé na bunda dela. -ele caçoou me desvencilhei das mãos de quem reconheci como Dylan, melhor amigo de Mark.
-Não tenho namorado. -disse simplesmente me afastando do grupo.
-Claro que não!Quem namoraria o garoto que tinha um irmão abusivo?Você deve ser tão perturbado quanto ele era!-Dylan gritou atrás de mim, senti meu corpo travar, ele tinha ido longe demais. Deixei que minha mochila caísse no chão e voltei com passos rápidos até ficar cara a cara com Dylan.
-Nunca fale sobre o meu irmão!-ele me encarava diretamente sem perder a confiança, claro Sam!O cara é quase o dobro do seu tamanho você deve estar tão ameaçador quanto uma borboleta roxa!Não deixei que meu olhar vacilasse, embora já me arrependesse da decisão.
-O que vai fazer?-ele me empurrou contra os armários. -Você ainda não aprendeu que não pode com a gente?-o time me cercou para começar uma cessão de ponte pés sem a qual eu poderia viver muito bem, já sentia que poderia desmaiar a qualquer momento quando ouvi um grito e todo o time se afastou.
-Eu poderia saber o que esta acontecendo aqui?-ouvi uma voz esganiçada, droga, droga, droga, desmaia Sam!Desmaia agora!
-Nós só estávamos tentando ajudar!Eu juro diretora!-ouvi Mark dizer-É tudo culpa do Samuel e do Dylan!Eles que começaram!-ele tentava se explicar.
-Me poupe das suas desculpas, Senhor Ferreira!-a diretora disse dura. -Eu quero que você e o resto do seu time sumam da minha frente agora!Menos você Dylan.
-Mas... -era a vez de Dylan tentar se explicar.
-Sem mas!Eu quero que você e o Senhor Andrade me sigam até a minha sala. -ela só pode estar de brincadeira, ela realmente quer que eu levante?Acho que acabei gemendo de indignação, porque ela completou a frase. -Pare de reclamar você não me parece tão mal. — Eu não acho que a opinião dela devia ser levada em conta, mas como não tinha opção me levantei com dificuldade e a segui mancando. Meu corpo inteiro doía e eu quase gritei aleluia quando alcançamos as cadeiras da diretoria. A bruxa do oeste, também conhecida como Valéria a diretora, se colocou de pé a nossa frente tentando manter um olhar sério, mas ela não conseguia disfarçar a alegria de finalmente ter a oportunidade de me punir.
-Porque vocês não conseguem simplesmente se ignorar?-ela perguntou massageando as têmporas. -Todos os dias eu tenho que lidar com uma briga idiota!-Dylan parecia que diria alguma coisa, mas foi interrompido. -Não abram a boca até eu terminar!Já que vocês não conseguem ficar longe um do outro o que acham de planejar uma apresentação para o show de talentos juntos?Vai ser divertido!Algo para ser apresentado na frente da escola inteira!-ela parou um pouco para pensar. -E a partir de agora vocês terão que limpar o ginásio depois dos jogos de basquete, começando hoje. -nós ficamos em silêncio a encarando. -O que estão esperando?Os materiais de limpeza estão nos armários. -ela saiu da sala e mais uma vez eu me levantei contra minha vontade. Sem dizer nada eu segui para o ginásio em quanto Dylan pegava os materiais de limpeza.
-Você esfrega o lado direito e eu o esquerdo. -ele disse ao chegar e sem dizer mais nada começamos o trabalho. Agora imagine um garoto que acabou de quase ser morto, mancando e dolorido limpando alguma coisa, agora imagine que essa coisa é um ginásio enorme, pois é eu não estava muito bem e não me surpreendi quando comecei a ver pontos negros dançando em minha visão.
-Sam?Você está bem?-ouvi Dylan perguntar, mas não consegui responder e cai no chão fraco, ainda estava consciente. -Sam!-ele gritou estranhamente preocupado. Senti que ele se ajoelhava ao meu lado, mas não me movi, nem mesmo quando ele me levantou e me levou até a arquibancada. Eu bebi o copo d’água que ele me trouxe e aos poucos minha visão clareou.
-Obrigado. -disse baixo, ele se sentou ao meu lado.
-Sam, você comeu alguma coisa hoje?-eu parei para pensar, grande Sam!Você se esqueceu de comer, David tem razão eu só não esqueço a cabeça porque está grudada. -Acho que isso é um não. -Dylan riu um pouco da minha expressão, ele tirou uma barrinha do bolso e me entregou. Eu não pude evitar olhá-lo desconfiado. -É só uma barrinha comum, o que mais poderia ser?-ele disse debochado.
-Eu não sei, mas não é segredo para ninguém que você não se importaria se eu morresse. -respondi.
-Eu nunca disse isso!-ele parecia magoado. -Sam, você acha que ninguém se importaria se você morresse?
-Talvez David, mas eu não tenho certeza. -eu baixei o olhar.
-Eu me importaria Sam, eu me importaria muito!-Dylan falava cada vez mais rápido. -O que eu, o que nós fazemos com você é tão ruim que você sente que você não vale a pena?-eu me levantei.
-Não só vocês é uma soma de tudo!Você não sabe nada sobre mim Dylan, nada dos meus problemas!-gritei saindo do ginásio.
-Eu sei que seu nome é Samuel Almeida Andrade, você tem dezesseis anos e nasceu no dia dez de junho de 1997, sua cor favorita é preto e você adora rock e desenha. Você se recusa a comprar um despertador porque ele acordaria o resto da sua família e você teria que falar com eles, seu irmão foi preso ano passado por abuso de menores e você se culpa por isso porque contou para um professor que ele fazia com você, você odeia berinjela e é bissexual e principalmente eu sei que você não é tão frio como aparenta ser!-ele parou e eu me virei surpreso, ele sabia mais do que eu jamais permitiria uma pessoa saber de mim, e isso era quase impossível.
-Como você sabe de tudo isso?-perguntei e ele pareceu se arrepender na hora de tudo que havia dito.
Fale com o autor