Apenas Acaso?
4 Só Amigos e Nada mais... Será??
Notas iniciais
– EHHH!!!!! Só amigos?!?! Como assim, produção?! – Tainá estava à beira de um colapso nervoso pelo que acabara de ouvir.
– Nagihiko... o que é que te deu?!- Rhythm também não acreditava nos próprios ouvidos.
– Não! Espera, volta a fita e... PARA!! Alguém pode me explicar como a cena mudou de: Um quase beijo digno de filme romântico picante; para um aperto de mão entre amigos?!!!!
– Eu também não sei e olha que fiquei o tempo todo aqui com você. – Rhythm ainda encarava a cena, aparvalhado.
– Você viu como eles estavam, não é só amizade!! Ahh, eu estava torcendo para que rolasse outro beijo! – Choramingou Tainá.
– Ei, eles estão saindo. – O chara avisou, vendo seus donos indo para a porta. – Ao menos estão juntos e se falando. – Tentou ver o lado positivo. Já ia segui-los quando reparou que Tainá não fazia o mesmo. – Você não vem?
– Acho melhor ir depois. Não sei se reparou, mas não tenho muito controle sobre as minhas emoções e, do jeito que estou brava com a Nadja agora, é bem capaz de eu não aguentar e brigar com ela sobre tudo o que nós vimos e ouvimos.
Rhythm deu um sorriso compreensivo, ele também estava com vontade de dizer umas poucas e boas para seu dono. Com certeza, exigiria muitas explicações mais tarde.
– Ei, topa conhecer alguns shugo charas? – Ele perguntou, se lembrando de que Tainá ainda não tinha conhecido seus amigos.
– Claro, preciso fazer alguma até que minha raiva passe.
– Ah, com eles vai passar rapidinho! – Sem esperar mais, Rhythm pegou a mão da indiazinha e começou a procurar pelos outros.
No lado de fora da sala, Amu e Tadase ainda esperavam por Nagihiko. Temari havia lhes contado o porquê seu dono demoraria na esperança de que eles desistissem de espera-lo, mas quem disse que funcionou. Se Tadase não tivesse a segurado, Amu teria colado o ouvido na porta. Os dois conversavam sobre assuntos banais até que o dito cujo que eles tanto esperavam apareceu acompanhado da ruiva.
– Até que enfim, Nagihiko! Estamos te esperando aqui a um tempão. – Amu fingiu-se de brava, fazendo de conta que não tinha visto Nadja e se controlando para não tirar uma foto dos dois. Eles realmente ficavam bem juntos.
– Desculpe a demora, mas tinha um assunto para resolver. – Nagihiko desculpou-se, olhando se esguio para Nadja.
– E quem é a sua amiga? – A rosada não pôde mais segurar a pergunta.
– Amu-chan, Hotori-kun, essa é a minha amiga, Suzumaya Nadja-san. – Nagihiko percebeu que se referir a ruiva como sua amiga não era tão ruim, ao menos agora era alguma coisa para ela. – Nadja, esses são meus amigos, Hinamori Amu-san e Hotori Tadase-kun.
– Muito prazer. – A ruiva os cumprimentou.
– O prazer é nosso, Suzumaya-san. – Disse Tadase, dando seu cordial sorriso.
– Então você é a famosa Nadja? – Amu perguntou com simplicidade, embora por dentro estivesse pulando de felicidade por ter acertado.
– Famosa? – Indagou a ruiva com as bochechas vermelhas.
– Sim, o Nagihiko falou muito de você. E eu quero dizer muuuito mesmo. – Amu dizia, dando um sorriso de falsa inocência. Nagihiko estava desesperando e fazia todo o tipo de sinais indicando a ela que parasse de falar.
– Que bom. – Nadja sorriu, se sentindo feliz por Nagihiko ter falado sobre ela. Tudo bem que agora eles eram bons amigos e nada mais, mas não conseguia evitar aquele sentimento. – Eu me diverti aquela tarde, é bom saber que o Nagi também gostou.
– Com toda a certeza ele gostou. – Insinuou Tadase, dando um sorriso pervertido que não combinava nada com ele e fazendo Nagihiko entrar em desespero de novo.
– Que tal conversarmos mais no intervalo? Senta com a gente. – Convidou Amu.
– Se não for atrapalhar. – Ela respondeu meio indecisa.
– Claro que não, Suzumaya-san. Tenho certeza de que o Fujisaki-kun adoraria que você viesse. – Incentivou-a o loiro.
– Mesmo? — Nadja olhou para Nagihiko como se pedisse sua permissão, fazendo um pequeno biquinho com os lábios, aparentemente sem nem perceber.
Aquilo foi como um tentação para o garoto. Ela o estava provocando de propósito, só podia! Virou o rosto para não ter de encarar aquele biquinho irresistível, mas sabendo que ela esperava uma resposta assentiu com a cabeça.
Com Tadase e Amu rindo das reações de Nagihiko e Nadja tentando puxar conversa com o dito cujo, os quatro seguiram juntos para o pátio.
No mesmo, Tainá e Rhythm procuravam pelos outros charas. Já estavam quase desistindo e indo encontrar seus donos.
– Eu não acredito, onde eles se meteram? – Rhythm reclamava.
– Não sei, mas podemos sair daqui? – Tainá perguntou.
– Por que?
– Estou sentindo uma coisa estranha, parece uma presença. – Ela respondeu e Rhythm arregalou os olhos.
– Você estava sentindo eles esse tempo todo e não me falou nada?!
– Podemos fazer isso? – A indiazinha questionou, surpresa.
– Vai me dizer que não sabia? – Quem estava surpreso agora era Rhythm.
– Não. Eu era a única chara na antiga escola da Nadja, talvez até na cidade. – Ela disse em um sussurro
– Entendi... – Ele murmurou, sentindo que não devia ter tocado em um assunto do passado. — Pode me dizer de onde vem?
– O que? – Tainá pareceu ter saído de um transe.
– A presença, de onde vem?
– Ah, sim. É por aqui. — Eles seguiram na direção de alguns arbustos onde se ouviam algumas vozes, que Rhythm logo reconheceu.
–Hump, que indigno! Onde já se viu um Rei como eu ficar no meio do mato! — Kiseki reclamava.
– O que foi dessa vez, alteza? Te chutaram pra fora do castelo, é? – Rhythm provocou, chegando por trás.
– Seu insolente, já falei que é Majestade!! — O pequeno rei estava para dar um ataque quando reparou que o outro tinha companhia. – E quem é você, plebeia?
– Plebeia? – Repetiu Tainá, com uma gota na cabeça.
– Liga não, ele é assim mesmo. Melhor se acostumar. – Rhythm explicou baixinho para que apenas ela ouvisse.
– Waah, uma chara nova! – Ran chegou, toda animada.
– Minna, essa é a Tainá. – Rhythm começou as apresentações. – Tainá, esses são meus amigos. A vossa alteza aqui é o Kiseki...
– Alteza não, Majestade!! Eu sou um Rei, nada menos!!
– ...A de kimono é a Temari; e essas quatro são Ran, Mikki, Suu e Dia.
– É um prazer, Tainá. – Temari a cumprimentou com sua típica reverência e a indiazinha fez o mesmo.
– Então você é a Tainá! Que bom finalmente conhece-la. — Ran se pronunciou.
– Seja bem vinda-desu.
– Muito prazer. – Disse Dia, com sua voz calma.
– Obrigada, é ótimo conhecer outros shugo charas. – A indiazinha não conseguiu disfarçar um sorriso.
Mikki observava tudo de longe, não podia acreditar que seu pesadelo estava virando realidade. Rhythm falou tanto sobre a chara de Nadja, que o ciúme projetou em sua mente a ideia de que ele goste da mesma, e estava se sentindo incomodada ao ver que realmente os dois tinham proximidade. Não aguentando mais olhar para a cena, flutuou de fininho para um canto sem que ninguém percebesse... ou quase ninguém. Tainá reparou no desconforto da azulada e prometeu a si mesma que depois falaria com ela. A indiazinha sabia melhor do que ninguém que quando alguém estava mal, um ombro para chorar ajudava, mas um bolo de gente perturbava.
Em dois bancos, não muito longe dali, os donos dos charas lanchavam e conversavam. Tadase interrompia toda vez que Amu ameaçava perguntar algo sobre o relacionamento de Nadja e Nagihiko. Não aguentando mais aquilo, o loiro falou:
– Podem nos dar licença por um momento? Preciso falar com você. – Sem esperar uma resposta da namorada, ele a puxou para um canto mais afastado. Deixando os amigos sozinhos...
– Eles ficam bem juntos, dariam um belo casal. – Nadja comentou, tentando puxar assunto.
– Ainda bem, os dois são namorados. – Nagihiko revelou e a ruiva o encarou surpresa.
– Finalmente acertei em um palpite amoroso. – Disse ela, sorrindo.
Minutos depois, Amu e Tadase ainda não tinham voltado então, para quebrar aquele silêncio constrangedor que se instalou, o arroxeado resolveu falar.
– Naquele dia, — Ele começou, chamando a atenção de Nadja. – só os seus irmãos estavam em casa?
– Ahn... É que na v-verdade... eu... – Nadja não conseguia falar, mas não parecia ser por vergonha. Seus pais eram um assunto um pouco complicado de se discutir.
O arroxeado percebeu isso e, num impulso, segurou a mão na ruiva. Nadja se surpreendeu e logo seus olhos se encontraram com os dele, fazendo seu rosto entrar em chamas. Mesmo envergonhado, Nagihiko deu um sorriso que exalava tranquilidade, se esforçando para mantes o foco já que aquela pele tão macia o fazia perder os sentidos.
– Desculpe, não precisa contar se não quiser. – Disse enquanto encarava os belos orbes quase azuis a sua frente.
– Não, tudo bem, é que esse assunto é um pouco delicado... – Ela respirou fundo, puxando sua mão de volta. A mesma trazia um agradável calor, mas ela tentou não pensar nisso. – Acontece que eu moro apenas com os meus irmãos. Meus pais... bom... eu perdi a minha mãe um tempo atrás e quanto ao meu pai... não vale apena falar sobre ele. – Nadja fez um grande esforço para falar. A tempos que desabafava somente com Tainá, mas ela se sentiu bem em conversar com Nagihiko, mesmo que fosse tão pouco e sem riqueza de detalhes. – Mas e a sua família? – Ela perguntou de repente, pegando o garoto de surpresa.
– O que quer saber? – Ele indagou a contragosto. Não queria metê-la nos assuntos de sua família, mas seria muita grosseria fazê-la contar algo sobre seu passado, que ele percebeu que a machucava, e depois se recusar a falar sobre o seu.
– Você tem algum irmão ou irmã?
Um arrepio forte passeou pelo corpo de Nagihiko. De todas as perguntas que Nadja poderia fazer, essa era a que ele mais temia. Deveria tomar uma decisão complicada naquele instante: Contava ou não à ruiva sobre seu segredo? Claro que não precisaria contar tudo agora, mas se revelasse que é filho único não teria como explicar o surgimento de Nadeshiko mês que vem, quando seria sua próxima apresentação.
– Eu... – Imitando a ação da garota, respirou fundo antes de responder. – Tenho uma irmã gêmea. – Ele disse e se odiou por dentro. Agora teria que esconder esse bendito segredo dela! Argh, as vezes lhe parecia que essa tradição só existia para dificultar sua vida.
– Gêmea, que legal! – Nadja exclamou, com os olhos brilhando. Vê-la assim fez com que a sensação de desgosto em Nagihiko diminuísse e ao mesmo tempo aumentasse. Gostou de ter projetado um sorriso naqueles lábios, mas não conseguia se esquecer de que era graças a uma mentira. – Qual o nome dela?
– Fujisaki Nadeshiko. – Ele respondeu e, olhando para o céu, começou a ditar aquele discursinho que já sabia de cor e salteado. — Ela está fora do Japão faz alguns anos. Nossa família tem uma tradição em que as garotas realizam a dança tradicional japonesa e agora Nadeshiko está em uma turnê pelo mundo.
– Sente muito a falta dela? – A ruiva perguntou receosa, não queria parecer intrometida. Por sorte Nagihiko não pareceu se zangar, pois deu um simples sorriso.
– Quando fico pensando nela e na nossa infância, bate aquela saudade, sabe? – Mentiu de novo. Não sentia falta nenhuma de ter que se controlar para agir como uma menina, ainda mais uma dama perfeita. – Mas aí me lembro que uma parte dela sempre estará em mim. – Aquela deve ter sido a primeira meia verdade que Nagihiko dizia e estava se detestando por isso. Nadja fora sincera com ele, mas infelizmente ele não podia fazer o mesmo. – Talvez possa conhece-la um dia. – Propôs, voltando a encarar a garota.
– Adoraria. – A ruiva respondeu, olhando-o também.
O momento era bonito, simples. Nenhum dos dois estava envergonhado nem nada, apenas apreciavam a companhia um do outro. Porém, com o tempo, o olhar de Nagihiko desceu dos olhos de Nadja para seus lábios e não conseguiu parar de pensar naquele biquinho que ela fizera um pouco antes. Sem conseguir se controlar, foi chegando mais perto e percebeu que a garota fazia o mesmo. Seu coração batia forte na caixa torácica, mas desta vez não era por nervosismo ou mesmo, mais sim por ansiedade. E como ele ansiava por aquele beijo. Os olhos de ambos se fechavam em sincronia, os batimentos descompassados dos corações formavam o que para eles era uma doce melodia, as respirações quentes se misturavam cada vez mais próximas e, quando seus lábios estavam para se tocar...
– Aproveitando o tempo de privacidade, pombinhos? – A voz de Yaya ecoou pelos ouvidos dos dois, que se separaram quase que imediatamente ao perceber que estava sendo observado.
Olhando bem de camarote para a cena do quase beijo, Yaya sorria toda maliciosa balbuciando algo como “A Yaya devia ter pego o celular.”, Amu também os encarava de boca aberta e com as bochechas um pouco coradas, e Tadase parecia mais um pimentão e evitava olhar para os amigos.
– Não é o que parece!! – Nagihiko e Nadja soltaram a mesma desculpa esfarrapara ao mesmo tempo.
–Tenham dó que essa desculpa é mais velha que Adão e Eva! – Brigou Yaya. – Mas tenho de admitir, não sabia que você era tão galanteador, Nagi. Fazer o chara Change com o Rhythm está te ajudando bastante – Alargou ainda mais seu sorriso que esbanjava malícia. — E você deve ser a tão famosa Nadja-tan. – Continuou a falar, se dirigindo a ruiva.
– S-sim, sou eu, mas... Nadja-tan?
– É um prazer pra Yaya finalmente te conhecer. Tenho certeza de que serão ótimas amigas! Qualquer uma que conseguir encantar tanto do Nagi, tem o voto dela.
– Encantar?! – Nadja exclamou, se voltando para Nagihiko que estava completamente vermelho.
– Viu só, Viu só!! Antes de te conhecer, a Yaya nunca tinha visto o Nagi corar, nem mesmo ter um ruborzinho nas bochechas. E agora parece até que vermelho virou a cor preferida dele!
– Chega, Yaya-chan!! Eu e a Nadja somos amigos e nada mais! – Nem se pode descrever o quanto doeu para Nagihiko dizer aquilo, tanto quanto doeu para a ruiva ouvir.
– Está bem, se você diz... Mas não foi o que aquele quase beijo parecia! – Ela acrescentou baixinho.
Nessa hora o sinal bateu, indicando que todos os alunos voltassem para suas salas. Pelo resto do dia a respiração de Nadja ficou ofegante. Não teve mais sinal de Tainá, mas com as lembranças do quase beijo rondando sua mente nem teve tempo para se preocupar com isso. Nagihiko estava na mesma situação, não havia mais visto Temari ou Rhythm, mas tudo no que consegui pensar (e de acordo com ele, queria parar de pensar) era no quanto queria beijar Nadja outra vez. Mas como tinha dito a Yaya, não poderia fazer isso já que agora eram só amigos e nada mais... será??
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